Trainees de 2026 precisam de estratégia, colaboração e uso crítico de IA

O programa abre a porta, mas quem entra sabendo o que quer é quem sai na frente
Reflexão sobre como trainees bem-sucedidos combinam oportunidade com propósito e disposição para aprender.
Mark

Por que um programa de trainee é tão diferente de uma vaga júnior comum?

Mimi

Porque concentra em 18 meses o que normalmente levaria anos. Você não fica em um setor aprendendo lentamente. Você roda, vê projetos reais, conhece lideranças. Na primeira semana já pode estar numa reunião com vice-presidente.

Mark

Mas isso garante sucesso depois?

Mimi

Não. Abre a porta, mas quem entra é você. O programa acelera, mas suas decisões durante o percurso é que definem se você vai aproveitar ou não.

Mark

O que as lideranças realmente procuram nos candidatos?

Mimi

Curiosidade, abertura para ouvir, capacidade de trabalhar em equipe. Não querem estrela solitária. Querem quem muda de opinião quando ouve um bom argumento, quem consegue diagnosticar um problema rápido e executar.

Mark

E quanto à inteligência artificial? Ela ajuda ou atrapalha?

Mimi

Ajuda se usada com critério. O problema é usar IA para resolver algo muito simples, ou não validar o resultado. Saber quando não usar é tão importante quanto saber quando usar.

Mark

Qual é o maior erro que um trainee comete?

Mimi

Achar que é superior aos colegas que entraram por outros caminhos. Você tem uma oportunidade de acelerar, mas isso não significa que os outros não vão crescer também.

Mark

E se o candidato não conseguir se destacar rápido?

Mimi

Cada rotação dura poucos meses. Mostrar valor rápido é parte do jogo. Mas também é preciso paciência. As coisas precisam maturar. Não é tudo rápido.

  • Programas de trainee duram cerca de 18 meses com rotações por setores diferentes
  • Roberta Silva entrou como trainee há 26 anos e hoje dirige parte da área financeira do Itaú
  • Inteligência artificial é bem-vinda em cases práticos, desde que usada com critério

Programas de trainee concentram rotações, projetos reais e investimento intenso em capacitação, oferecendo exposição a lideranças que normalmente levaria anos para acontecer. Sucesso no programa depende das decisões do candidato durante o percurso; curiosidade, abertura para feedback e capacidade de trabalho em equipe são diferenciais valorizados.

Executivos do Itaú revelam que programas de trainee funcionam como acelerador de carreira, não atalho, exigindo preparação profunda, colaboração e uso criterioso de inteligência artificial.

Quem entra num programa de trainee está assinando um contrato peculiar: acesso acelerado aos corredores do poder corporativo em troca de um ano e meio de dedicação total e competição feroz com colegas que estão no mesmo barco. Não é um atalho. É um acelerador. A diferença importa.

Na prática, o que um trainee oferece é concentração: rotações rápidas por setores diferentes, projetos que importam de verdade, e um investimento em capacitação que funciona como um intensivão corporativo. Tatyana Montenegro, diretora de pessoas do Itaú, descreve assim. Roberta Silva, que entrou como trainee há 26 anos e hoje dirige parte da área financeira do banco, viveu isso na pele. Na primeira semana de trabalho, já estava em reunião com vice-presidente e diretoria. Essa exposição a lideranças normalmente leva anos para acontecer fora de um programa assim, e quando você já é reconhecido por nome pelos corredores, essa vantagem inicial faz diferença real.

Mas aqui vem o aviso que Silva não hesita em dar: entrar como trainee abre portas, não garante nada. O programa acelera a largada. Quem sustenta o ritmo depois é você. Silva equilibra ambição com paciência. "As coisas precisam maturar", diz. É preciso se provar, entender a organização, não esperar resultados rápido demais.

Para quem está se preparando para o processo seletivo, Montenegro traça um roteiro claro. Estude a fundo a empresa: estratégia, posicionamento, indicadores. Ela já viu candidato que mal sabia da companhia. Trabalhe seu pitch pessoal focando no que você aprendeu, não numa lista descritiva de currículo. Prepare-se de verdade para provas de raciocínio lógico, onde ferramentas de IA costumam ser vetadas. Trate ética como inegociável. Estude cases com visão de contexto, colocando sempre quem seria afetado pela solução no centro do raciocínio. Preste atenção em como você se comporta nas dinâmicas em grupo: se aceita feedback, colabora, media divergências. "Uma agonia por vez", resume Montenegro sobre como encarar cada etapa sem se sobrecarregar.

Dentro do programa, o que faz brilhar os olhos das lideranças é diferente. Silva valoriza curiosidade, abertura para ouvir, um certo destemor para se posicionar mesmo sem dominar toda a etiqueta corporativa. Comunicação e capacidade de trabalhar em equipe pesam. "Estrela solitária não é o que a gente precisa", diz. Ela valoriza especialmente quem muda de opinião ao ouvir um argumento diferente numa dinâmica, sem se prender à necessidade de estar sempre certo. Na prática, quem se destaca consegue fazer um diagnóstico rápido e aprofundado de um problema e transformar isso em execução. Cada rotação dura poucos meses. Mostrar valor rápido é parte do jogo.

Silva destaca uma característica que considera essencial: não se achar superior aos colegas que entraram por outros caminhos. Você está tendo uma oportunidade de acelerar sua carreira, mas isso raramente significa que outros funcionários não terão destaque ou crescerão da mesma forma. Outra dica prática: não deixe passar as oportunidades de formação, conteúdo e acesso a lideranças que o programa oferece. Esse acesso a altas lideranças de diferentes áreas é um dos principais benefícios. Te dá a oportunidade de ser conhecido na companhia e saber quem procurar quando necessário.

Inteligência artificial entrou na lista de habilidades esperadas. Segundo Montenegro, ferramentas de IA já são bem-vindas na resolução de cases e desafios práticos, desde que usadas com critério. Ela cita um candidato que usou IA de forma sofisticada para resolver um case, criando parâmetros para reduzir erros da ferramenta e validando o resultado depois. "Usar uma IA para uma solução de um problema muito simples é como usar uma bala de canhão para matar um passarinho", brinca a executiva. Saber quando não usar a ferramenta também é uma habilidade a se desenvolver.

No fim, o que os dois relatos têm em comum é isso: o programa abre a porta, mas quem entra por ela sabendo o que quer e disposto a errar, aprender e se adaptar é quem realmente sai na frente.

Ter entrado como trainee te dá uma vantagem no acesso a uma série de coisas, mas não garante o seu sucesso profissional, porque isso depende das suas decisões ao longo do programa
— Roberta Silva, diretora de administração fiduciária do Itaú
Estrela solitária não é o que a gente precisa
— Roberta Silva
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