Pelo quinto ano consecutivo, a Toyota encerrou 2024 como a maior fabricante de automóveis do mundo, vendendo 10,8 milhões de veículos — e fazendo-o quase sem apostar em carros totalmente elétricos. A marca japonesa escolheu a diversidade tecnológica como filosofia, privilegiando os híbridos sobre a eletrificação pura, numa altura em que a indústria global debate o ritmo e o sentido da transição energética. É uma liderança que resiste, mas que começa a ser testada por forças que crescem precisamente onde a Toyota hesita.
Toyota mantém liderança global com apenas 1% de vendas em elétricos
Apenas 1% de vendas em elétricos, mas ainda no topo do mundo
Como é que a Toyota consegue manter a liderança global com apenas 1% de vendas em elétricos? Não é isto contraditório com a direção que a indústria está a tomar?
A Toyota vê isto como uma estratégia de diversificação. Enquanto outros apostam tudo nos elétricos, a Toyota está a ganhar com híbridos — 40% das suas vendas em 2024. É uma aposta calculada em múltiplas tecnologias.
Mas os números mostram que esta estratégia está a custar. As vendas caíram 3,7% em 2024, a primeira queda em dois anos. E em mercados como a China e a Tailândia, as quedas foram muito mais acentuadas.
A BYD cresceu 41% no ano passado. Isso não é um sinal de que o mercado está a mudar?
Absolutamente. A BYD ultrapassou a Nissan e a Honda, e já é a maior fabricante da China. Está a crescer globalmente com uma abordagem muito mais agressiva em elétricos.
Mas temos de ser claros: a BYD ainda vende menos do que a Toyota globalmente. A BYD vendeu 4,25 milhões de veículos, a Toyota 10,8 milhões. A liderança ainda é clara em números absolutos.
Então qual é o risco real para a Toyota?
O risco é que a concorrência está a ganhar quota de mercado em segmentos de crescimento. A Volkswagen vende 8% de elétricos, a BYD está a crescer 41% ao ano. Se isto continuar, a Toyota pode ver a sua liderança erodir.
Verdade, mas também temos de notar que a Volkswagen viu as suas vendas de elétricos caírem 3,4% em 2024. Não é tudo crescimento linear. O mercado de elétricos está a desacelerar também.
Então a aposta da Toyota em híbridos pode estar correta?
Pode estar. Mas o problema é que a Toyota está a ficar para trás em tecnologia elétrica pura. Se o mercado mudar rapidamente para elétricos, a Toyota pode não ter os produtos certos no momento certo.
Exatamente. E há um detalhe importante: as quedas mais acentuadas da Toyota foram em mercados onde a concorrência elétrica é mais forte — China, Tailândia, Indonésia. Isso sugere que a falta de oferta elétrica está a custar mercado.
O Pulso
- A Toyota lidera o mercado global com 10,8 milhões de veículos vendidos, mas as suas vendas caíram 3,7% face a 2023 — a primeira queda em dois anos.
- Apenas 1,4% das vendas da Toyota foram elétricos puros, enquanto os híbridos atingiram um recorde de 40%, revelando uma aposta deliberada numa estratégia multi-tecnológica.
- Mercados estratégicos como a China, a Indonésia e a Tailândia registaram quedas expressivas, com recuos de 6,9%, 9,5% e 17,1% respetivamente, impulsionados pela concorrência elétrica local.
- A BYD cresceu 41% em 2024, ultrapassando Nissan e Honda, e avança globalmente com uma velocidade que poucos antecipavam há apenas dois anos.
- A Volkswagen, apesar de vender menos volume total, já comercializa oito vezes mais elétricos do que a Toyota em termos percentuais, sinalizando uma transição mais comprometida.
- A questão central que paira sobre o setor é até quando a estratégia conservadora da Toyota resistirá à pressão crescente de concorrentes que apostam tudo na mobilidade elétrica.
Pelo quinto ano consecutivo, a Toyota encerrou 2024 como a maior fabricante de automóveis do mundo, vendendo 10,8 milhões de veículos — e fazendo-o quase sem apostar em carros totalmente elétricos. A marca japonesa escolheu a diversidade tecnológica como filosofia, privilegiando os híbridos sobre a eletrificação pura, numa altura em que a indústria global debate o ritmo e o sentido da transição energética. É uma liderança que resiste, mas que começa a ser testada por forças que crescem precisamente onde a Toyota hesita.
A Toyota fechou 2024 no topo do mundo automóvel pelo quinto ano seguido, com 10,8 milhões de veículos vendidos. Mas o detalhe que define a sua identidade estratégica é outro: apenas 139.892 desses veículos eram elétricos puros — pouco mais de 1% do total. Em contrapartida, os híbridos representaram 40% das vendas globais da marca, um recorde que reflete a convicção da Toyota de que o futuro da mobilidade não tem uma resposta única.
A liderança em volume é clara. A Volkswagen, principal rival, ficou pelos 9 milhões de unidades. Ainda assim, as vendas da Toyota recuaram 3,7% face a 2023, quando tinha atingido 11,2 milhões — a primeira queda em dois anos. Os mercados da América do Norte e da Índia ajudaram a amortecer o impacto, mas a China caiu 6,9%, a Indonésia 9,5% e a Tailândia 17,1%, regiões onde a concorrência elétrica e a guerra de preços se intensificaram.
A Volkswagen, embora atrás em volume, está muito mais avançada na eletrificação: vendeu cerca de 745.000 elétricos em 2024, equivalente a 8% das suas vendas — oito vezes mais do que a Toyota em termos relativos. Já a BYD representa uma ameaça de outra natureza: cresceu 41% num ano, ultrapassou Nissan e Honda, e expande-se globalmente a um ritmo que redefine o mapa da indústria. O Hyundai Motor Group, com 7,2 milhões de veículos, também reduz progressivamente a distância para os líderes.
A Toyota mantém-se no topo, mas o terreno à sua volta está a mudar. A aposta nos híbridos pode ser uma ponte inteligente — ou um adiamento custoso. O tempo dirá se a diversidade tecnológica é uma visão ou uma hesitação.
A Toyota vendeu 10,8 milhões de automóveis em 2024 e mantém-se como a maior fabricante do mundo pelo quinto ano consecutivo. Mas há um detalhe que revela a estratégia peculiar da marca japonesa: apenas 1% dessas vendas foram veículos totalmente elétricos. Enquanto a indústria automóvel global se debate sobre o ritmo da transição para a mobilidade elétrica, a Toyota escolheu um caminho diferente — não ignorar os elétricos, mas também não apostar neles como prioridade.
O número absoluto é revelador. Dos 10,8 milhões de veículos, a Toyota e a sua marca de luxo Lexus venderam apenas 139.892 modelos elétricos puros em 2024, o que representa 1,4% do total. Ao mesmo tempo, os híbridos atingiram uma quota recorde de 40% nas vendas globais da marca. Esta abordagem multi-tecnológica reflete a convicção da Toyota de que não existe uma única solução para o futuro da mobilidade — uma posição que a mantém no topo, mas que também a coloca numa posição delicada face à transformação do setor.
A liderança da Toyota é incontestável em números brutos. A Volkswagen, seu principal concorrente, vendeu pouco mais de 9 milhões de veículos no ano passado, ficando claramente atrás. No entanto, o cenário global está a mudar de forma significativa. As vendas totais da Toyota caíram 3,7% em relação a 2023, quando tinha vendido cerca de 11,2 milhões de unidades — a primeira queda em dois anos. As marcas Toyota e Lexus em conjunto registaram uma queda de 1,4%, descendo para aproximadamente 10,1 milhões de unidades.
Os mercados internacionais foram cruciais para manter a liderança. A procura na América do Norte e na Índia ajudou a compensar as perdas noutras regiões. Mas em mercados-chave, o cenário foi diferente. Na China, as vendas caíram 6,9%. Na Indonésia, o recuo foi de 9,5%. Na Tailândia, a queda foi ainda mais acentuada, com uma redução de 17,1%. A Toyota atribuiu estas diminuições à mudança dos consumidores para veículos de novas energias e a uma intensificação da concorrência de preços nessas regiões.
A Volkswagen, apesar de estar atrás da Toyota em volume total, está muito mais avançada na transição elétrica. Vendeu cerca de 745.000 veículos elétricos em 2024, o que representa 8% das suas vendas — oito vezes mais do que a Toyota em termos percentuais. Ainda assim, a Volkswagen enfrentou uma queda de 3,4% nas vendas de elétricos em relação a 2023, quando tinha entregue 771.100 unidades.
Mas a verdadeira ameaça à liderança da Toyota pode vir de um lado inesperado. A BYD, a fabricante chinesa, ultrapassou pela primeira vez a Nissan e a Honda no ano passado, com mais de 4,25 milhões de veículos de passageiros vendidos. Isto representa um crescimento de 41% relativamente aos cerca de 3 milhões registados em 2023. A BYD já tinha ultrapassado a Volkswagen em 2023 para se tornar a maior fabricante de automóveis da China, e agora está a crescer globalmente de forma acelerada.
O Hyundai Motor Group, terceiro maior fabricante mundial, vendeu mais de 7,2 milhões de veículos em 2024. Embora as vendas tenham diminuído 1% em relação a 2023, o grupo está a reduzir progressivamente a diferença relativamente à Toyota e à Volkswagen. A questão que se coloca é quanto tempo pode a Toyota manter-se afastada dos carros elétricos enquanto concorrentes tradicionais como a Volkswagen e emergentes como a BYD e a Hyundai ganham quota de mercado com investimentos mais agressivos em mobilidade elétrica.
Citações Notáveis
A mudança para veículos de novas energias e uma intensificação da concorrência de preços causaram a diminuição do total de vendas em mercados-chave como China, Indonésia e Tailândia— Toyota