Tesouro IPCA+ 2050 lidera com valorização de 13,02%, superando alta de 8,82% do Ibovespa na semana do primeiro turno eleitoral. Títulos longos ganham mais porque preço e taxa andam em sentidos opostos; ganho bruto não se concretiza com custos reais como IOF e IR.
Títulos do Tesouro disparam até 13% e superam Ibovespa em semana de eleição
O ganho bruto não se concretiza com custos reais
Por que os títulos longos ganharam tanto mais que os curtos?
Porque preço e taxa andam em sentidos opostos. Quanto mais distante o vencimento, maior a sensibilidade do preço a cada variação de taxa. O IPCA+ 2050 tem 24 anos de prazo, então uma queda pequena de taxa gera um ganho de preço enorme.
Mas esse ganho é real? Se alguém comprou na sexta anterior e vendeu na sexta seguinte, quanto ficou com na mão?
Praticamente nada. O IOF regressivo come mais de 75% do ganho, mais 22,5% de IR. A Bolsa fica na frente com folga.
Então por que o mercado se moveu tanto?
Porque as expectativas sobre o resultado eleitoral mudaram. Investidores acreditam que a próxima administração será mais responsável com as contas públicas, então as taxas caíram.
Mas ninguém sabe ainda qual será a política econômica de verdade, certo?
Exato. O mercado está precificando uma expectativa, não uma política já apresentada. É um risco.
E se a expectativa não se confirmar?
Aí a sensibilidade que turbinou os papéis longos funciona ao contrário. As perdas podem ser tão grandes quanto os ganhos.
O JPMorgan disse que ainda tem fôlego. Você acredita?
O momentum é forte e o posicionamento está relativamente limpo. Mas os níveis ainda estão longe do ideal. Há espaço para movimento, mas também para surpresas.
Der Puls
- Tesouro IPCA+ 2050 valorizou 13,02% na semana, superando Ibovespa em 8,82%
- Taxa do IPCA+ 2050 recuou de IPCA + 7,14% para IPCA + 6,60% em sete dias
- IOF regressivo consome mais de 75% do rendimento em operações de uma semana
- Ibovespa subiu 7,7% na segunda-feira 5 de outubro, primeiro pregão após votação
Tesouro IPCA+ 2050 lidera com valorização de 13,02%, superando alta de 8,82% do Ibovespa na semana do primeiro turno eleitoral. Títulos longos ganham mais porque preço e taxa andam em sentidos opostos; ganho bruto não se concretiza com custos reais como IOF e IR.
Títulos do Tesouro Direto acumulam ganhos de até 13% em uma semana impulsionados pela queda de taxas, superando o Ibovespa em papéis de vencimento mais longo, movimento ligado a expectativas sobre resultado eleitoral.
Na semana do primeiro turno das eleições presidenciais, os títulos do Tesouro Direto acumularam ganhos que impressionaram até mesmo analistas acostumados com volatilidade. O Tesouro IPCA+ 2050 disparou 13,02% entre o fechamento de sexta-feira 2 de outubro e sexta-feira 9 de outubro, deixando para trás o Ibovespa, que registrou sua melhor semana desde 2020 com alta de 8,82%, ultrapassando os 209 mil pontos. A façanha dos títulos longos, porém, esconde uma realidade mais complexa que os números brutos sugerem.
O motor por trás dessa valorização foi a queda generalizada das taxas de juros. A taxa de mercado do IPCA+ 2050 recuou de IPCA + 7,14% para IPCA + 6,60% em apenas sete dias. Dois outros papéis de vencimento mais longo — o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 e o IPCA+ 2040 — também superaram o índice da Bolsa. Os títulos mais curtos, por sua vez, ganharam menos que o Ibovespa, revelando um padrão: quanto mais distante o vencimento, maior a sensibilidade do preço a cada oscilação das taxas. Essa dinâmica explica por que o IPCA+ 2050 liderou o ranking mesmo com a menor queda de taxa entre os seis títulos analisados, enquanto o Prefixado 2029, de prazo mais curto, entregou a menor valorização apesar de um dos maiores recuos de taxa da semana.
Mas há uma ressalva importante que os investidores precisam considerar. Os ganhos de 13% só se concretizam se o papel for vendido antes do vencimento — e se alguém tivesse comprado na sexta-feira anterior e vendido na sexta-feira seguinte, a conta seria bem diferente. O Imposto sobre Operações Financeiras, que é regressivo, consumiria mais de três quartos do rendimento nesse prazo. Somem-se a isso o Imposto de Renda de 22,5% e um preço de compra mais alto, e a Bolsa sairia na frente com folga. A comparação entre ganhos brutos, portanto, funciona apenas como um exercício teórico para quem já possuía os títulos antes da eleição.
O movimento concentrou-se principalmente na segunda-feira 5 de outubro, primeiro pregão após a votação, quando o Ibovespa saltou 7,7%. Apenas o IPCA+ 2050 avançou mais que a Bolsa naquele dia. Nos dias seguintes, enquanto o índice devolveu parte dos ganhos na terça e quarta, os títulos longos se mantiveram perto das máximas ou continuaram subindo, permitindo que o Prefixado 2037 e o IPCA+ 2040 ultrapassassem o Ibovespa no meio da semana. Na quinta e sexta, ambos voltaram a subir juntos, mas a recuperação do índice não foi suficiente para alcançar os três líderes.
Analistas ressaltam que o rali está ancorado em expectativas sobre o desfecho eleitoral, não em uma política econômica já apresentada e definida. Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, lembrou que o mercado está precificando uma expectativa. Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, apontou que parte importante do prêmio nos títulos longos está relacionada à trajetória da dívida pública, aos déficits primários e à percepção de risco fiscal. A mesma sensibilidade que turbinou os papéis longos nesta semana funciona em sentido contrário quando as taxas sobem, gerando perdas de magnitude semelhante para quem precisar vender antes do vencimento.
No fechamento oficial do Tesouro Direto de sexta-feira, as taxas para novos investidores ficaram entre IPCA + 6,55% e IPCA + 6,68% ao ano nos títulos atrelados à inflação e entre 12,31% e 12,51% nos prefixados — bem abaixo dos patamares registrados antes da eleição. O JPMorgan elevou sua recomendação para os juros locais de neutra para overweight, avaliando que o rali após o primeiro turno foi bem mais forte que o esperado, mas ainda tem fôlego. O banco observou que os níveis estão longe do ideal, mas o momentum é forte e o posicionamento, relativamente limpo.
Bemerkenswerte Zitate
O mercado está precificando uma expectativa, não uma política econômica já apresentada— Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos
Parte importante do prêmio está relacionada à trajetória da dívida pública, aos déficits primários e à percepção de risco fiscal— Leonardo Mendes, Manchester Investimentos