Tesouro IPCA+ 2032 caiu para 7,97% ao ano, menor taxa desde 2 de junho, liderando queda generalizada em toda a curva de títulos. Alívio doméstico é impulsionado pela combinação de dólar em queda e recuperação das bolsas, enquanto Treasuries americanos enfrentam pressões de inflação e déficit fiscal.
Tesouro IPCA+ cai abaixo de 8% pela primeira vez desde junho
O alívio doméstico contrasta com o quadro ainda tenso nos mercados globais
Por que o Tesouro IPCA+ caiu abaixo de 8% justamente nesta sexta-feira, quando os mercados globais ainda estão sob pressão?
O movimento foi impulsionado principalmente pela combinação de dólar em queda e recuperação das bolsas americanas. Quando o dólar cai, os títulos brasileiros ficam mais atraentes para investidores estrangeiros, e isso puxa as taxas para baixo.
Mas os Treasuries americanos estão subindo. Como o Brasil consegue se desacoplar dessa forma?
É uma questão de dinâmica diferente. Enquanto os EUA enfrentam pressões de inflação e déficit fiscal que mantêm os Treasuries altos, o Brasil está vendo uma melhora no câmbio e confiança renovada nas ações. São mercados respondendo a sinais distintos no mesmo momento.
A queda foi generalizada ou concentrada em alguns papéis?
Foi generalizada. Todos os títulos caíram, mas o IPCA+ 2032 e o Prefixado 2032 lideraram o movimento. Os papéis mais longos tiveram variações mais contidas, o que é típico quando há alívio de tensão.
E as tensões no Oriente Médio? Como isso afeta o mercado brasileiro?
Afeta principalmente através do petróleo. As sanções contra o Irã mantêm o Brent próximo a US$ 95, criando volatilidade global. Mas nesta sexta houve uma correção técnica após ganhos consecutivos, o que ajudou a aliviar a pressão.
O que o investidor brasileiro deveria estar observando agora?
Três coisas: a pesquisa Datafolha sobre o cenário presidencial que seria divulgada naquele dia, a evolução das tensões no Oriente Médio, e como os Treasuries americanos se comportam nos próximos dias. Se a pressão global retornar, o alívio doméstico pode ser interrompido.
Der Puls
- Tesouro IPCA+ 2032 caiu para 7,97% ao ano, menor taxa desde 2 de junho
- Dólar futuro em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,184
- Petróleo Brent próximo a US$ 95 por barril, impulsionado por sanções contra o Irã
- Ibovespa futuro subiu 0,30%, aos 171.730 pontos
Tesouro IPCA+ 2032 caiu para 7,97% ao ano, menor taxa desde 2 de junho, liderando queda generalizada em toda a curva de títulos. Alívio doméstico é impulsionado pela combinação de dólar em queda e recuperação das bolsas, enquanto Treasuries americanos enfrentam pressões de inflação e déficit fiscal.
Taxas do Tesouro Direto recuam com força nesta sexta-feira, com IPCA+ 2032 operando abaixo de 8% pela primeira vez desde junho, contrariando a alta nos mercados globais de renda fixa.
Na sexta-feira, 21 de agosto, o mercado de renda fixa brasileiro respirou fundo enquanto o resto do mundo ainda se debatia com a incerteza. As taxas do Tesouro Direto caíram com força, puxadas por um movimento de alívio que se disseminou através da queda do dólar e da recuperação das bolsas de Nova York. O Tesouro IPCA+ 2032, o papel mais observado pelos investidores, voltou a operar abaixo de 8% ao ano — um marco que não alcançava desde 2 de junho. Na quinta-feira havia fechado em 8,05%; nesta manhã abriu em 7,97%, marcando a menor taxa em quase três meses.
A queda não foi isolada. Ela se propagou por toda a curva de títulos com intensidade semelhante. O Prefixado 2032 recuou oito pontos-base, de 14,74% para 14,66%, dividindo com o IPCA+ 2032 a liderança do movimento do dia. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 caiu de 14,76% para 14,69%, enquanto o Prefixado 2029 desceu de 14,29% para 14,22%. Entre os títulos de inflação, o IPCA+ 2040 registrou recuo de 7,54% para 7,47%. Nos papéis mais longos, a variação foi mais contida: o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 cedeu de 7,39% para 7,34%, e o IPCA+ 2050 de 7,30% para 7,27%.
Esse alívio doméstico, porém, contrastava nitidamente com o cenário ainda tenso nos mercados globais de renda fixa. Os rendimentos dos Treasuries americanos voltaram a subir após a intervenção do Tesouro dos EUA na quarta-feira, que havia proporcionado apenas um dia de trégua à onda de vendas. Essa onda havia sido desencadeada por preocupações com inflação elevada e pressões fiscais nos Estados Unidos. Na conta da semana, as ações globais caminhavam para a maior queda desde meados de julho, ainda que nesta sexta os futuros americanos operassem em recuperação.
O que ajudava o mercado brasileiro era a combinação entre câmbio e bolsa. O dólar futuro operava em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,184, enquanto o Ibovespa futuro subia 0,30%, aos 171.730 pontos. Os futuros de Nova York acompanhavam esse movimento: o Dow Jones em alta de 0,51%, o S&P 500 avançando 0,43% e o Nasdaq subindo 0,70%. Além disso, o mercado monitorava o cenário eleitoral, com expectativa de uma nova pesquisa Datafolha contratada pela TV Globo sobre o cenário presidencial que seria divulgada naquele mesmo dia.
No Oriente Médio, as tensões permaneciam elevadas. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, havia dado prosseguimento à promessa de Donald Trump de travar uma guerra econômica contra o Irã, afirmando que os americanos imporiam ao país as sanções mais duras da história. Essas ameaças reduziram as expectativas de um acordo que reabrisse completamente o Estreito de Ormuz e levaram o Brent ao maior nível em um mês, próximo a US$ 95 por barril. Nesta sexta, porém, o petróleo recuava em correção técnica após cinco sessões consecutivas de ganhos, ainda que caminhasse para uma alta semanal próxima de 6%.
Bemerkenswerte Zitate
Os americanos vão impor ao país as sanções mais duras da história— Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, sobre sanções contra o Irã