Pela primeira vez desde 2011, Washington e Tóquio agiram em conjunto para sustentar o iene, uma moeda que havia afundado a mínimas de quarenta anos — lembrando que as grandes economias, quando ameaçadas por forças especulativas, ainda recorrem à cooperação como último bastião de estabilidade. O Tesouro americano vendeu euros para comprar ienes numa sexta-feira de agosto de 2026, enquanto o Japão já havia despendido quase 59 bilhões de dólares no dia anterior. O gesto conjunto não é apenas técnico: é um recado aos mercados de que há limites para a desvalorização tolerada por duas das maiores ec
Tesouro dos EUA compra ienes em primeira intervenção com Japão em mais de uma década
Primeira ação coordenada em mais de uma década marca retorno à estabilização
Por que os EUA decidiram intervir agora, depois de mais de uma década sem fazer isso?
O iene caiu para níveis de quarenta anos. Quando uma moeda se desvaloriza tão rapidamente, afeta não apenas o Japão, mas também a estabilidade dos mercados globais. Os EUA têm interesse em manter a ordem.
Mas o Japão já estava tentando conter a queda sozinho. Por que precisava de ajuda?
O Japão gastou quase 59 bilhões de dólares em um único dia. Mesmo com todo esse esforço, a moeda continuava caindo. Quando um país sozinho não consegue estabilizar sua própria moeda, é sinal de que algo maior está acontecendo — apostas especulativas, fluxos de capital descontrolados. Aí entra a coordenação internacional.
A foto do bloco de notas de Bessent mencionando cinco a dez bilhões — isso é muito dinheiro?
É significativo, mas não é o suficiente para resolver o problema sozinho. É mais um sinal de intenção, uma declaração de que Washington está disposto a agir. O mercado respondeu imediatamente quando soube da intervenção.
E essa linha de crédito FIMA que mencionaram? Como funciona?
É um mecanismo criado durante a pandemia. Permite que o Japão pegue emprestado dólares do Federal Reserve sem precisar vender seus títulos do Tesouro americano. Preserva a capacidade de intervenção do Japão sem criar pressão adicional.
Qual é o risco se não conseguirem estabilizar o iene?
Um iene fraco prejudica as importações japonesas, aumenta a inflação, afeta o poder de compra das pessoas. Além disso, desestabiliza os mercados globais. Outros países começam a questionar suas próprias moedas. É um efeito dominó.
Isso vai funcionar?
Depende. A coordenação entre EUA e Japão é um bom sinal. Mas se as apostas especulativas continuarem, se os fluxos de capital não mudarem de direção, uma ou duas intervenções não serão suficientes. O anúncio de uma política conjunta na próxima semana pode ser mais importante que a própria compra de ienes.
Der Puls
- O iene tocou quase 164 unidades por dólar — o nível mais fraco desde 1986 —, acendendo alarmes em Tóquio e Washington sobre a velocidade da desvalorização.
- O Japão queimou até US$ 58,97 bilhões numa única quinta-feira tentando segurar a moeda sozinho, revelando a magnitude da pressão especulativa sobre o iene.
- O Tesouro americano entrou no mercado na sexta-feira vendendo euros por ienes, com Goldman Sachs e Morgan Stanley como intermediários, numa ação inédita em mais de uma década.
- A intervenção coordenada surtiu efeito imediato: o dólar recuou de cerca de 158,9 para 157,6 ienes em poucas horas, sinalizando que os investidores levaram o recado a sério.
- Ambos os países podem anunciar uma política conjunta já na semana seguinte, e o Japão ainda dispõe de linhas de crédito do Fed criadas na pandemia para ampliar sua liquidez sem vender títulos americanos.
Pela primeira vez desde 2011, Washington e Tóquio agiram em conjunto para sustentar o iene, uma moeda que havia afundado a mínimas de quarenta anos — lembrando que as grandes economias, quando ameaçadas por forças especulativas, ainda recorrem à cooperação como último bastião de estabilidade. O Tesouro americano vendeu euros para comprar ienes numa sexta-feira de agosto de 2026, enquanto o Japão já havia despendido quase 59 bilhões de dólares no dia anterior. O gesto conjunto não é apenas técnico: é um recado aos mercados de que há limites para a desvalorização tolerada por duas das maiores economias do mundo.
Na sexta-feira de 31 de agosto de 2026, o Tesouro dos Estados Unidos deu um passo raro ao entrar no mercado cambial para comprar ienes, coordenando a ação diretamente com Tóquio pela primeira vez desde 2011. O Federal Reserve de Nova York executou a operação vendendo euros, usando Goldman Sachs e Morgan Stanley como intermediários. Um bloco de notas fotografado em Camp David sugeriu que o secretário Scott Bessent havia cogitado uma compra entre cinco e dez bilhões de dólares — embora o valor exato não tenha sido confirmado oficialmente.
A urgência da medida ficou clara pelo contexto: o iene havia despencado para quase 164 unidades por dólar, seu patamar mais fraco desde 1986. Na quinta-feira anterior, o Japão já havia gastado sozinho até 58,97 bilhões de dólares tentando conter a queda, e voltou a intervir na sexta-feira durante o horário de Nova York. A resposta dos mercados foi imediata — o dólar recuou de aproximadamente 158,9 para 157,6 ienes ao longo da tarde.
O Ministério das Finanças japonês lembrou publicamente que dispõe de ferramentas adicionais, entre elas a Linha de Recompra permanente do Fed criada em 2020, que permite ao Japão ampliar sua liquidez em dólares sem precisar liquidar títulos do Tesouro americano. Segundo a agência Kyodo, os dois países devem anunciar uma política conjunta já na semana seguinte — um sinal deliberado contra as apostas especulativas que têm pressionado a moeda japonesa e uma tentativa de restaurar a confiança nos mercados.
Na sexta-feira, 31 de agosto, o Tesouro dos Estados Unidos entrou no mercado de câmbio para comprar ienes, marcando a primeira ação coordenada com Tóquio em mais de uma década. O movimento veio em resposta à queda acentuada da moeda japonesa, que havia caído para níveis não vistos em quarenta anos. O Federal Reserve de Nova York executou a operação vendendo euros em troca de ienes, utilizando o Goldman Sachs e o Morgan Stanley como intermediários, conforme informou o Financial Times.
O tamanho exato da compra não foi divulgado imediatamente, mas um bloco de notas fotografado durante uma reunião de gabinete em Camp David revelou que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia anotado uma possível compra de cinco a dez bilhões de dólares em ienes. No mesmo dia, o Tesouro notificou vários bancos de que poderia intervir novamente no mercado cambial e pediu que estivessem preparados para futuras ações.
O Japão já havia feito seu próprio esforço de contenção na quinta-feira, gastando até 58,97 bilhões de dólares para comprar sua própria moeda. Tóquio voltou a intervir durante o horário de negociação em Nova York na sexta-feira. Esses movimentos refletem uma preocupação crescente com a desvalorização do iene, que havia atingido quase 164 ienes por dólar — seu nível mais fraco desde 1986.
A notícia da intervenção americana teve efeito imediato nos mercados. O dólar caiu de aproximadamente 158,9 ienes para cerca de 157,6 ienes no final da tarde, sinalizando que os investidores responderam positivamente à ação coordenada. O Ministério das Finanças do Japão publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que as autoridades monetárias possuem uma ampla gama de ferramentas à disposição, incluindo acesso à Linha de Recompra permanente do Federal Reserve para autoridades monetárias estrangeiras e internacionais.
Essa linha de crédito, estabelecida em 2020 durante a pandemia de Covid-19, permite que o Japão aumente sua liquidez em dólares sem precisar vender diretamente títulos do Tesouro americano, aliviando potencialmente a pressão financeira sobre Tóquio para futuras intervenções. A última vez que Washington havia apoiado diretamente o iene foi em 2011, quando coordenou ações com outros países do G7 após o terremoto e tsunami que devastaram o Japão.
Segundo a agência de notícias Kyodo, os dois países podem anunciar uma política conjunta já na próxima semana para lidar com a desvalorização contínua. O anúncio serviria como um sinal claro contra apostas especulativas que pressionaram a moeda japonesa, com o objetivo de estabilizar os mercados. O Tesouro dos EUA, o Federal Reserve de Nova York e o Morgan Stanley não responderam imediatamente aos pedidos de comentários, enquanto o Goldman Sachs se recusou a fazer declarações.
Bemerkenswerte Zitate
Continuamos preparados para utilizar as ferramentas disponíveis, conforme necessário, para apoiar o funcionamento ordenado do mercado— Ministério das Finanças do Japão