Tesouro Direto: prefixado curto sobe para 10,32% com expectativa de alta do Fed

O mercado não espera pelas decisões, aposta nelas
Os títulos prefixados subiram antes mesmo do Fed anunciar o aumento de juros, refletindo expectativas já precificadas.
Mark

Por que os juros dos títulos prefixados subiram se o Fed ainda não aumentou a taxa?

Mimi

O mercado funciona assim: ele não espera pelas decisões, ele aposta nelas. Quando Waller sinalizou que vê necessidade de dois aumentos até o fim do ano, 96% dos agentes de mercado já precificaram isso. Os títulos prefixados brasileiros sobem porque os investidores exigem mais retorno para compensar o risco de uma taxa de juros americana mais alta.

Luke

Mas esses 96% — é consenso real ou é só o que o CME Group está medindo naquele momento? Porque o mercado muda de ideia rápido.

Mimi

É uma fotografia do momento, é verdade. Mas é a melhor medida que temos de expectativa de mercado. E ela foi bem clara naquele dia.

Mark

E no Brasil, por que o Senado quer convocar Campos Neto?

Mimi

Porque há pressão política para que o Banco Central reduza os juros. O Senado quer explicações sobre por que a taxa segue alta. É uma forma de exercer pressão institucional.

Luke

Mas a lei de autonomia do BC permite que o Senado faça isso. Não é pressão política, é fiscalização prevista em lei.

Mimi

Verdade. É fiscalização, mas também é uma oportunidade para os senadores sinalizarem que querem juros mais baixos.

Mark

E as vendas do varejo caindo — isso muda a equação?

Mimi

Muda porque mostra que a economia está desacelerando. Se o varejo cai, significa que o consumidor está puxando menos. Isso deveria dar ao Banco Central mais espaço para reduzir juros.

Luke

Mas um mês de queda não é tendência. Precisa ver se isso se repete nos próximos meses.

Mimi

Exato. Um mês isolado não define nada. Mas é um sinal que o mercado está monitorando.

  • Christopher Waller, diretor do Fed, declarou abertamente que dois aumentos de 0,25 ponto percentual ainda são necessários em 2023 para domar a inflação americana — e o mercado ouviu com atenção total.
  • 96% dos agentes financeiros já apostam na alta de julho, o que empurra os juros brasileiros para cima: o Tesouro Prefixado 2026 saltou de 10,20% para 10,32% em uma única manhã.
  • O varejo doméstico agrava o quadro ao recuar 1% em maio, surpreendendo negativamente um mercado que esperava estabilidade — hipermercados e supermercados lideraram as perdas.
  • O Senado brasileiro intensifica a pressão sobre o Banco Central, convocando Roberto Campos Neto para uma audiência pública em 10 de agosto para explicar a condução da política monetária.
  • Investidores permanecem em compasso de espera, com os olhos voltados simultaneamente para a reunião do Fed em 26 de julho e para os próximos movimentos do BC brasileiro.

Em um mundo onde as decisões de Washington reverberam nos mercados de Brasília, os títulos prefixados do Tesouro Direto subiram nesta sexta-feira como eco de uma sinalização clara do Federal Reserve: dois novos aumentos de juros estão a caminho nos Estados Unidos. O diretor Christopher Waller, falando em Nova York, confirmou o que 96% dos agentes financeiros já antecipavam — o aperto monetário americano não terminou, e seus efeitos atravessam fronteiras. Enquanto isso, o varejo brasileiro recua e o Senado convoca o Banco Central, compondo um momento em que forças externas e tensões internas se encontram no mesmo ponto de equilíbrio frágil.

Os juros dos títulos prefixados do Tesouro Direto subiram nesta sexta-feira, movidos pela sinalização direta de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve. Em evento na Universidade de Nova York, Waller afirmou que a instituição americana precisará de dois aumentos adicionais de 0,25 ponto percentual até o fim do ano para trazer a inflação de volta à meta de 2% — e indicou que o primeiro deles deve ocorrer já na reunião de 26 de julho.

O mercado não hesitou em precificar essa expectativa. Dados do CME Group revelam que 96% dos agentes financeiros apostam na alta de julho, o que levaria os juros americanos para a faixa entre 5,25% e 5,50%. No Tesouro Direto, o prefixado com vencimento em 2026 avançou de 10,20% para 10,32%, enquanto o Prefixado 2033 subiu de 10,60% para 10,72%. Os títulos atrelados à inflação também cederam terreno, com o IPCA+ 2035 oferecendo rentabilidade real de 5,27%, ante 5,23% no dia anterior.

No front doméstico, o cenário também não oferece alívio. O IBGE divulgou queda de 1% no volume de vendas do varejo em maio frente a abril — resultado abaixo do consenso de mercado, que projetava estabilidade. Das oito atividades monitoradas, quatro recuaram, com destaque negativo para hipermercados e supermercados, que contraíram 3,2% após crescimento de 3,6% no mês anterior.

Somando-se a esse quadro, o Senado Federal agendou para 10 de agosto uma audiência com Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, para que ele preste esclarecimentos sobre a condução da política monetária — obrigação prevista na própria lei de autonomia do BC. Com pressões vindas de Washington e de Brasília ao mesmo tempo, os investidores seguem atentos aos próximos capítulos dessa história de juros e incertezas.

Os juros dos títulos prefixados do Tesouro Direto subiram nesta sexta-feira, refletindo as expectativas do mercado sobre o que o Federal Reserve fará em sua próxima reunião. Christopher Waller, diretor do Fed, deixou claro em um evento na Universidade de Nova York que a instituição americana enxerga a necessidade de dois aumentos adicionais de 0,25 ponto percentual na taxa de juros básica até o final do ano para conseguir trazer a inflação de volta à meta de 2%. Ele sinalizou que não vê razão para que o primeiro desses aumentos não aconteça já na reunião de julho, marcada para o dia 26.

O mercado absorveu essa sinalização com rapidez. Dados do CME Group mostram que 96% dos agentes financeiros apostam em um aumento de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa americana para a faixa entre 5,25% e 5,50%. Essa expectativa de aperto monetário nos Estados Unidos pressiona os ativos brasileiros, incluindo os títulos públicos. No Tesouro Direto, o prefixado com vencimento em 2026 avançou de 10,20% na quinta-feira para 10,32% na manhã desta sexta, na segunda atualização do dia. O Tesouro Prefixado 2033 também subiu, passando de 10,60% para 10,72%. Entre os títulos atrelados à inflação, o IPCA+ 2035 oferecia rentabilidade real de 5,27%, ante 5,23% no dia anterior.

No cenário doméstico, o Senado intensifica a pressão sobre o Banco Central. Rodrigo Pacheco, presidente da Casa, agendou uma audiência com Roberto Campos Neto, presidente do BC, para o dia 10 de agosto. O objetivo é que Campos Neto preste esclarecimentos sobre a condução da política monetária. Pacheco lembrou que o artigo 11 da lei de autonomia do Banco Central estabelece que, a cada semestre, o presidente da instituição deve comparecer ao Senado em arguição pública para explicar as decisões tomadas no período.

Os dados econômicos domésticos, por sua vez, mostram sinais de fraqueza. O volume de vendas do varejo caiu 1% em maio na comparação com abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado ficou abaixo do esperado: o consenso do mercado, compilado pela Refinitiv, projetava estabilidade, ou seja, uma variação de 0,0% entre os dois meses. No acumulado do ano, o varejo ainda registra alta de 1,3%, e nos últimos 12 meses o crescimento é de 0,8%.

Das oito atividades analisadas na pesquisa de varejo, quatro registraram queda e quatro subiram. O destaque negativo ficou com o setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que recuou 3,2% em maio após ter crescido 3,6% em abril. Esse movimento de contração no varejo, combinado com as sinalizações de aperto monetário nos Estados Unidos, reforça o cenário de pressão sobre os ativos brasileiros e mantém os investidores atentos aos próximos passos tanto do Fed quanto do Banco Central.

A partir daí, precisarei ver os próximos dados. Se a inflação não continuar mostrando progresso e se não houver sugestões de uma desaceleração significativa na atividade econômica, então uma segunda alta de 25 pontos-base deverá acontecer mais cedo que tarde
— Christopher Waller, diretor do Federal Reserve
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