Tesouro Direto: IPCA+ e prefixados sobem em correção enquanto Treasuries caem

A inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo juros restritivos
O Banco Central reafirma sua postura de manter taxas elevadas apesar de sinais de arrefecimento econômico.
Mark

Por que o Tesouro Direto subiu enquanto os Treasuries caíram? Não deveriam se mover juntos?

Mimi

Não necessariamente. O BC brasileiro reforçou que vai manter juros altos por mais tempo, enquanto o Fed já começou a sinalizar possíveis aumentos. São ciclos diferentes em momentos diferentes.

Luke

Mas espera — o BC disse que há sinais de arrefecimento econômico. Como justifica manter juros restritivos se a economia está desacelerando?

Mimi

Porque a inflação ainda está pressionada pela demanda. O BC está dizendo que precisa controlar a inflação primeiro, mesmo que isso custe crescimento.

Mark

E o investidor comum? Qual é a recomendação prática?

Mimi

Analistas sugerem o IPCA+ 2032 ou o Prefixado 2029, dependendo do apetite por risco. Mas há um detalhe importante: se você precisar resgatar antes do vencimento, o preço varia.

Luke

Quanto varia? O texto diz "variação diária", mas não quantifica. É 1%? 5%?

Mimi

Não especifica. Depende de quanto as taxas se movem. Se você comprou a 7,63% e as taxas caem para 7%, seu título vale mais. Se sobem para 8%, vale menos.

Mark

Então para quem não quer se preocupar com isso?

Mimi

Tesouro Selic 2031. Variação praticamente nula, mais liquidez, ideal para quem pode precisar resgatar cedo.

Luke

Uma última coisa — o mercado está apostando 67% em um corte de 0,25 em novembro. Isso é consenso ou ainda há incerteza?

Mimi

Há incerteza. 67% é maioria, mas um terço do mercado aposta em outra coisa. Tudo pode mudar com novos dados de inflação.

  • A ata do Copom surpreendeu ao reafirmar o tom duro do Banco Central, mesmo diante de sinais de desaceleração econômica, pressionando os rendimentos dos títulos longos para cima.
  • O Tesouro IPCA+ 2032 saltou de sua mínima desde maio, voltando a oferecer 7,63% acima da inflação — um alívio para quem havia visto o papel derreter nas semanas anteriores.
  • Nos Estados Unidos, o cenário caminhava na direção oposta: Treasuries em leve queda e mercado de olho em dados de emprego e falas de três diretores do Fed em conferência no mesmo dia.
  • As apostas em novo corte de 0,25 ponto na Selic em novembro subiram para 67%, sinalizando que o mercado acredita no ciclo de afrouxamento — mas em ritmo cauteloso.
  • Analistas passaram a recomendar combinações entre IPCA+ 2032 e Prefixado 2029, alertando que a marcação a mercado pode ser aliada ou armadilha, dependendo do horizonte de cada investidor.

Em meio a uma divergência crescente entre os mercados de renda fixa do Brasil e dos Estados Unidos, os títulos do Tesouro Direto subiram nesta terça-feira enquanto os Treasuries americanos recuavam. A ata do Copom, divulgada no mesmo dia, reforçou a postura restritiva do Banco Central brasileiro, lembrando ao mercado que a inflação ainda exige juros elevados — e que a paciência, neste ciclo, tem preço. Para o investidor que observa o horizonte, o momento convida à reflexão sobre onde ancorar valor em tempos de incerteza dupla: a doméstica e a global.

Os títulos do Tesouro Direto operaram em alta nesta terça-feira, contrariando o movimento dos Treasuries americanos, que recuavam levemente após altas recentes. A divergência reflete leituras distintas de dois bancos centrais sobre o momento de suas economias.

No Brasil, o impulso veio da ata do Copom, que reforçou a postura restritiva do Banco Central. Mesmo reconhecendo que a política monetária contribui para a desinflação, o comitê deixou claro que a inflação ainda é pressionada pela demanda — e que os juros precisam permanecer elevados. Com isso, os rendimentos dos títulos mais longos subiram: o Tesouro IPCA+ 2032 voltou a 7,63% acima do IPCA, recuperando-se da mínima registrada na sexta anterior. Os prefixados também avançaram, com o título de 2029 chegando a 13,78% e o de 2032 a 14,12%.

O mercado ajustou suas expectativas para a Selic: segundo o Termômetro do Copom do Valor Investe, 67% dos investidores passaram a apostar em um novo corte de 0,25 ponto percentual em novembro. O BC já havia reduzido a taxa de 15% para 14% em quatro movimentos sucessivos, e a dúvida agora é até onde — e em que velocidade — esse ciclo continuará.

Do outro lado do Atlântico, o Federal Reserve seguia em direção contrária, com membros do comitê apontando a demanda por inteligência artificial e choques no petróleo como principais vetores inflacionários. Três dirigentes do Fed estavam programados para discursar em conferência naquele dia, enquanto a ferramenta Fed Watch indicava mais de 53% de chance de alta de juros em outubro nos Estados Unidos.

Para o investidor brasileiro, analistas recomendavam o IPCA+ 2032 como opção de longo prazo com retorno real historicamente elevado, e o Prefixado 2029 para quem já tem exposição à Selic. A ressalva central: a marcação a mercado torna esses títulos voláteis no curto prazo — quem precisar resgatar antes do vencimento pode ganhar ou perder, dependendo do movimento das taxas. Para quem prefere estabilidade, o Tesouro Selic 2031 seguia como alternativa de menor volatilidade e maior liquidez.

Os títulos do Tesouro Direto subiram nesta terça-feira enquanto seus equivalentes americanos caíam. A movimentação reflete uma divergência crescente entre os mercados de renda fixa brasileiro e norte-americano, com investidores reagindo a sinais distintos de cada banco central.

No Brasil, os rendimentos dos títulos atrelados à inflação e dos prefixados operaram em alta nos vencimentos mais longos. O Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, oferecia 7,63% acima do IPCA, uma recuperação notável considerando que havia caído para 7,6% na última sexta-feira — seu pior nível desde maio. Meses atrás, em junho, esse mesmo título pagava 8,5% ao ano acima da inflação. O Tesouro IPCA+ 2040 retornava 7,35% acima do IPCA, enquanto o IPCA+ 2050 remunerava 7,21%. Entre os prefixados, o título com vencimento em 2029 atingiu 13,78%, e o de 2032 chegou a 14,12%.

Esse movimento de alta foi impulsionado pela ata do Comitê de Política Monetária divulgada no mesmo dia. O Banco Central reforçou sua postura restritiva, afirmando que embora a política monetária esteja contribuindo para a desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que os juros se mantenham elevados. A mensagem alterou as expectativas do mercado sobre a taxa Selic até o final do ano. Segundo o Termômetro do Copom do Valor Investe, os investidores aumentaram as apostas em um novo corte de 0,25 ponto percentual em novembro, com 67% de probabilidade atribuída a esse cenário.

Nos Estados Unidos, o cenário era oposto. Os Treasuries operavam em leve queda após altas recentes, enquanto investidores aguardavam dados de emprego e pronunciamentos de autoridades do Federal Reserve. O banco central americano havia elevado a taxa de juros em sua última reunião, e membros do comitê de política monetária consideravam a demanda por inteligência artificial e choques no preço do petróleo como principais impulsionadores da inflação. A ferramenta Fed Watch do CME Group indicava 53,1% de probabilidade de um aumento de pelo menos 25 pontos-base em outubro. Três banqueiros centrais — o vice-presidente Philip Jefferson, o presidente do Fed de Nova York John Williams, e o presidente do Fed de Richmond Thomas Barkin — estavam programados para fazer pronunciamentos naquele dia na conferência de mercado de Treasuries.

Para investidores brasileiros, analistas de renda fixa recomendavam o Tesouro IPCA+ 2032 como uma das principais opções. Seu retorno real permanecia alto em comparação histórica e internacional, embora tivesse sofrido quedas acentuadas nas últimas semanas. João Aboudni, analista de renda fixa da EQI Research, sugeria também a construção de carteiras com títulos prefixados, particularmente o Tesouro Prefixado 2029 para investidores já concentrados em Selic.

Um aspecto importante para quem considera esses investimentos é a marcação a mercado — a variação diária de preço conforme as taxas são negociadas para cima ou para baixo. Essa flutuação só representa um problema se o investidor precisar resgatar o título antes do vencimento. Nesse caso, se as taxas caíram desde a compra, o preço recebido na venda é maior; se subiram, há um desconto. Para quem deseja evitar essa preocupação, o Tesouro Selic 2031 oferecia uma alternativa, com variação diária praticamente insignificante e maior liquidez no mercado.

O Banco Central já havia reduzido a Selic de 15% para 14% em quatro cortes sucessivos de 0,25 ponto percentual, em um contexto de inflação em desaceleração e atividade econômica mais fraca. Se o ciclo de cortes prosseguisse além do esperado, quem fixasse a taxa naquele momento tenderia a sair na frente. A dinâmica entre a política monetária restritiva do BC e os sinais de arrefecimento econômico continuaria moldando as decisões de investidores nos próximos meses.

Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo
— Banco Central, em ata do Copom
Quieres la nota completa? Lee el original en Valor Investe ↗
Contáctanos FAQ