União Brasil e PP enfrentam pendências em quatro estados sob mesma federação, com embates entre líderes locais sobre candidaturas ao Senado. PL também vive divisões internas em ao menos quatro estados, com principal indefinição em Minas Gerais aguardando decisão do senador Cleitinho.
Tensões internas dividem partidos em nove estados antes do registro de candidaturas
Quem monta chapa e escolhe candidato é a líder do processo
Por que essas disputas internas explodem justamente agora, nas convenções?
Porque é o momento em que as ambições pessoais precisam virar realidade. Até agora era possível negociar nos bastidores, mas a convenção força uma decisão pública. Quem fica de fora sente que perdeu.
A federação entre União Brasil e PP parece estar amplificando esses conflitos, não?
Exatamente. Quando dois partidos são forçados a ficar juntos por quatro anos, as tensões não desaparecem — elas ficam presas. Em Pernambuco, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho não podem simplesmente ir para legendas diferentes. Precisam resolver isso juntos.
E quando não conseguem resolver?
Aí entra o comando nacional. Mas isso é humilhante para os líderes locais. Significa que perderam o controle da própria máquina.
O Maranhão parece ser um caso especial, com dois deputados em chapas opostas.
É. André Fufuca e Pedro Lucas Fernandes estão literalmente em lados opostos da disputa pelo governo. A federação vai ficar oficialmente neutra, mas todo mundo sabe que isso é ficção. Eles estão em guerra.
Como isso afeta a campanha presidencial?
Flávio Bolsonaro ainda não escolheu vice. Essas divisões estaduais vão influenciar quem ele escolhe. Se o PL está rachado no Ceará, ele precisa de alguém que costure isso. Se está indefinido em Minas, precisa de alguém de lá.
Então 5 de agosto é realmente o prazo final?
É. Depois disso, as candidaturas estão formalizadas. Quem não conseguir resolver até lá terá que aceitar a decisão do diretório nacional ou perder a vaga.
The Pulse
- Convenções começam em 20 de julho com indefinições em ao menos nove estados
- Prazo final para formalização de candidaturas é 5 de agosto
- União Brasil e PP enfrentam pendências em quatro estados sob mesma federação
- PL vive divisões internas em ao menos quatro estados, com principal indefinição em Minas Gerais
União Brasil e PP enfrentam pendências em quatro estados sob mesma federação, com embates entre líderes locais sobre candidaturas ao Senado. PL também vive divisões internas em ao menos quatro estados, com principal indefinição em Minas Gerais aguardando decisão do senador Cleitinho.
Convenções partidárias começam em meio a disputas internas em ao menos nove estados, com indefinições na escolha de candidatos ao governo e Senado até 5 de agosto.
As convenções partidárias que começam nesta segunda-feira (20 de julho) abrem um período de turbulência para pelo menos nove estados brasileiros. Antes que o prazo final de 5 de agosto chegue — data em que as candidaturas precisam estar formalizadas — dezenas de líderes políticos ainda estão em disputa aberta sobre quem ocupará as vagas mais cobiçadas: governos estaduais e assentos no Senado. O que deveria ser um processo de formalização tornou-se um campo de batalha onde rixas históricas, ambições pessoais e cálculos de poder nacional se chocam.
A federação entre União Brasil e PP, que obriga as duas legendas a permanecerem juntas por pelo menos quatro anos, carrega pendências em quatro estados. Em Pernambuco, o deputado federal Eduardo da Fonte, do PP, e o ex-prefeito Miguel Coelho, da União Brasil, disputam uma vaga de senador na chapa da governadora Raquel Lyra, do PSD. A executiva estadual da federação já definiu Eduardo da Fonte como candidato, mas Coelho sinaliza ter o apoio da própria governadora, com quem participa de agendas conjuntas. "Sempre soube que quem monta chapa e escolhe candidato é a líder do processo", afirmou Coelho, deixando claro que a palavra final deve vir de Lyra — ou, se não houver consenso, do comando nacional do partido.
No Maranhão, a divisão é ainda mais profunda. Os deputados federais André Fufuca, do PP, e Pedro Lucas Fernandes, da União Brasil, lançaram-se como pré-candidatos ao Senado por chapas diferentes. Fufuca se aliou a Eduardo Braide, do PSD, que lidera a principal oposição ao governador Carlos Brandão, do MDB. Braide, ex-ministro dos Esportes, deve dar um verniz lulista à chapa, que terá o conservador Lehesio Bonfim, do Novo, na outra vaga ao Senado. Pedro Lucas, por sua vez, confirmou sua pré-candidatura no arco de alianças de Orleans Brandão, sobrinho do governador. A tendência é que ambos mantenham suas candidaturas e a federação permaneça oficialmente neutra na disputa pelo governo.
Em Roraima, o cenário é ainda mais turbulento. Após a cassação do governador Edilson Damião, da União Brasil, a legenda se dividiu entre as candidaturas ao Senado de Pastor Isamar Ramalho e Tânia Soares, cunhada do ex-governador Antonio Denarium, que está inelegível. Isamar deve apoiar o governador em exercício Soldado Sampaio, dos Republicanos, enquanto Tânia é mais próxima de Arthur Henrique, do PL e ex-prefeito de Boa Vista. A União Brasil funcionará como fiel da balança na disputa pelo governo.
Em Mato Grosso, Mauro Mendes deixou o governo em abril após sete anos para concorrer ao Senado, mas não conseguiu prevalecer dentro da União Brasil em sua tentativa de apoiar o seu então vice, hoje governador Otaviano Pivetta, dos Republicanos. A tendência é que a legenda referende a candidatura do senador Jayme Campos ao governo, mas libere seus filiados para apoiar Pivetta se desejarem. O PSD, que lidera a oposição, também vive disputa interna entre a médica Natasha Slhessarenko e o ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro.
O PL enfrenta pendências em ao menos quatro estados. Em Minas Gerais, o principal nó está na indefinição sobre o senador Cleitinho, dos Republicanos, que lidera as pesquisas para o governo. No Ceará, o partido segue rachado na escolha do candidato ao Senado, com o deputado estadual Alcides Fernandes e a deputada federal Priscila Costa disputando a vaga. O estado é epicentro de uma disputa que dividiu o campo conservador e expôs fissuras entre líderes do PL e na família Bolsonaro. A cúpula estadual vê como sacramentado o apoio a Ciro Gomes, do PSDB, para o governo. "Não há chance de o PL lançar candidatura própria ao Governo do Ceará", afirmou o deputado André Fernandes.
No Espírito Santo, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini, dos Republicanos, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro, mas a aliança local com o PL ainda depende de costura com o senador Magno Malta. No Acre, a legenda pendula entre o palanque da governadora Mailza Assis, do PP, e a candidatura do senador Alan Rick, dos Republicanos. O Republicanos segue rachado no Rio de Janeiro, com dois pré-candidatos ao governo: o ex-governador Anthony Garotinho e André Português, ex-prefeito de Miguel Pereira.
Na base aliada do presidente Lula, o PT desembaraçou seu último palanque com a definição de Patrus Ananias como candidato ao governo de Minas Gerais. No Distrito Federal, há palanque duplo para o governo com as candidaturas de Leandro Grass, do PT, e Ricardo Capelli, do PSB. O MDB ensaia lançar Rafael Prudente ao governo após a implosão da aliança com a governadora Celina Leão, do PP. Na eleição presidencial, Lula realiza sua convenção em 2 de agosto, enquanto Flávio Bolsonaro confirma sua candidatura ao Planalto em 25 de julho, ainda sem escolher um vice. O prazo final para indicação é 5 de agosto.
Notable Quotes
Sempre soube que quem monta chapa e escolhe candidato é a líder do processo, nesse caso a governadora— Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina
Não há chance de o PL lançar candidatura própria ao Governo do Ceará— André Fernandes, deputado federal pelo PL