No coração do verão austral, Santa Catarina foi varrida por uma tempestade que lembrou aos seus habitantes a fragilidade das fronteiras entre o mundo construído e as forças da natureza. Da costa de Governador Celso Ramos às serras de São Joaquim, ventos, granizo e enxurradas reescreveram, em poucas horas, a rotina de comunidades inteiras. Em Benedito Novo, essa reescrita teve um custo irreversível: Maria Goreti Rossi, 55 anos, morreu quando a água invadiu sua casa — não afogada, mas vencida pelo terror de ver seu lar desaparecer diante de seus olhos.
Temporal em SC arrasta lanchas, causa enxurradas e morte em Benedito Novo
A água invadiu a casa, e ela não resistiu ao choque
Por que uma tempestade que durou poucas horas causou tanto estrago em cidades diferentes?
Porque não foi só vento. Foi a combinação: chuva intensa em um período muito curto, granizo em áreas agrícolas, e enxurradas em vales onde a água não tem para onde ir. Benedito Novo recebeu 80 milímetros em 12 horas — isso é muita água concentrada.
Mas 80 milímetros em 12 horas é realmente excepcional para aquela região, ou é algo que acontece regularmente?
A Defesa Civil não especificou se foi recorde ou não. O que sabemos é que foi o suficiente para causar deslizamentos, o que sugere que foi acima do normal.
E a morte de Maria Goreti — foi diretamente causada pela água, ou foi o susto?
A família relatou que ela sofreu um infarto. Ela tinha histórico cardíaco. A água invadiu a casa, e ela não resistiu ao choque.
Então tecnicamente não sabemos se foi o infarto que teria acontecido de qualquer forma, ou se foi desencadeado especificamente pelo evento. O laudo médico não está no relato.
Correto. O que temos é o relato da família e o contexto: uma mulher com coração frágil, uma casa sendo invadida pela água, e ela morrendo naquele momento.
Os fruticultores — quanto perderam realmente?
Não há números ainda. A engenheira agrônoma Rosangela Costa Rodrigues Pasetto apenas alertou que granizo durante a colheita pode causar danos. Mas não há estimativa de prejuízo.
Então é possível que o granizo tenha sido menor do que parecia, e os danos sejam mínimos?
É possível. As pedras eram pequenas, e a chuva durou cinco minutos. Mas em um pomar, até granizo pequeno pode danificar frutas já maduras.
Il Polso
- Uma tempestade de verão atingiu Santa Catarina no domingo de Dia dos Namorados com ventos, chuva intensa e granizo, arrastando lanchas até a areia e empurrando enxurradas para dentro de casas.
- Em Benedito Novo, 80 milímetros de chuva em 12 horas desencadearam deslizamentos e alagamentos generalizados, criando uma emergência silenciosa que os números meteorológicos mal conseguem descrever.
- Maria Goreti Rossi, 55 anos e com histórico cardíaco, morreu de infarto ao ver sua casa ser invadida pela enxurrada — uma vítima do pânico tanto quanto da água.
- Na Serra catarinense, pedras de granizo caíram sobre pomares de maçã em plena colheita, e os fruticultores ainda calculam o tamanho do prejuízo.
- A Defesa Civil monitora Benedito Novo e Timbó, e embora não haja desalojados registrados, os danos estruturais e agrícolas permanecem em aberto — assim como o luto de uma família.
No coração do verão austral, Santa Catarina foi varrida por uma tempestade que lembrou aos seus habitantes a fragilidade das fronteiras entre o mundo construído e as forças da natureza. Da costa de Governador Celso Ramos às serras de São Joaquim, ventos, granizo e enxurradas reescreveram, em poucas horas, a rotina de comunidades inteiras. Em Benedito Novo, essa reescrita teve um custo irreversível: Maria Goreti Rossi, 55 anos, morreu quando a água invadiu sua casa — não afogada, mas vencida pelo terror de ver seu lar desaparecer diante de seus olhos.
No fim da tarde de domingo, 14 de fevereiro, uma tempestade varreu a costa catarinense com força suficiente para arrancar embarcações do mar. Na Praia do Tinguá, em Governador Celso Ramos, rajadas de vento arrastaram lanchas até a areia. Florianópolis, Palhoça e Biguaçu enfrentaram granizo. Na Serra, em Urupema e São Joaquim, pedras de gelo caíram por cerca de cinco minutos sobre pomares de maçã em plena colheita — dano ainda sendo avaliado pelos produtores.
O Vale do Itajaí sofreu o impacto mais severo. Benedito Novo registrou 80 milímetros de chuva em apenas 12 horas, volume que desencadeou deslizamentos e alagamentos. Segundo o coordenador regional da Defesa Civil, Fabrício da Costa Lopes, ninguém se feriu diretamente nos deslizamentos — mas a água que entrou nas casas trouxe consequências que a meteorologia não sabe medir.
Por volta das 23 horas, bombeiros chegaram a uma residência no Centro de Benedito Novo e encontraram parte do muro desabado, móveis flutuando e a proprietária sem vida. Maria Goreti Rossi, 55 anos, tinha histórico cardíaco. A família relatou que ela sofreu um infarto ao ver a enxurrada invadir sua casa. Não foi afogamento, nem trauma direto — foi o choque de ver o próprio lar sendo consumido pela água.
Em Timbó, deslizamentos menores e pontos de alagamento foram registrados sem vítimas. A Defesa Civil informou que não há desalojados nas duas cidades. Mas os prejuízos — agrícolas, estruturais, humanos — ainda estão sendo contados. E Maria Goreti Rossi não voltará para casa.
No final da tarde de domingo, 14 de fevereiro, uma tempestade varreu a costa catarinense com força suficiente para arrancar embarcações do mar e empurrar água para dentro das casas. Na Praia do Tinguá, em Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, rajadas de vento combinadas com chuva intensa arrastaram lanchas até a areia, deixando marcas visíveis do poder do fenômeno. Mas o estrago não se limitou à costa. Cidades vizinhas — Florianópolis, Palhoça e Biguaçu — enfrentaram granizo que causou transtornos aos moradores. Na Serra catarinense, em localidades como Urupema e São Joaquim, onde os pomares de maçã ocupam encostas inteiras, pedras de gelo caíram durante cerca de cinco minutos. Embora pequenas, as pedras atingiram as frutas no período de colheita, causando danos que os produtores ainda estão avaliando.
O Vale do Itajaí recebeu o maior impacto. Benedito Novo registrou 80 milímetros de chuva em apenas 12 horas, entre a noite de sábado e a madrugada de domingo — volume suficiente para desencadear deslizamentos de terra e alagamentos generalizados. Segundo Fabrício da Costa Lopes, coordenador regional da Defesa Civil, ninguém ficou ferido nos deslizamentos propriamente ditos. Mas a água que invadiu as casas trouxe consequências que nenhuma métrica de precipitação consegue capturar completamente.
Por volta das 23 horas de domingo, os bombeiros foram chamados para a Rua Gustavo Roeder, no Centro de Benedito Novo. Ao chegar, encontraram uma residência destruída pela enxurrada: parte do muro havia desabado, móveis flutuavam danificados, e a proprietária da casa jazia sem vida. Maria Goreti Rossi, 55 anos, tinha histórico cardíaco. Segundo relato da família, ela sofreu um infarto quando a água invadiu sua casa. A morte não foi registrada como afogamento ou trauma direto, mas como consequência do pânico e do choque físico de ver sua casa sendo consumida pela água.
Em Timbó, cidade vizinha, pequenos deslizamentos e pontos de alagamento também foram registrados, mas sem vítimas fatais. A Defesa Civil informou que não há registro de pessoas desalojadas em nenhuma das duas cidades. O que permanece em aberto é a dimensão dos prejuízos. Os fruticultores da Serra ainda avaliam quanto de sua colheita foi perdido. As famílias que tiveram casas invadidas contabilizam móveis, documentos e memórias destruídas. E Maria Goreti Rossi não voltará para casa.
Citazioni salienti
A queda de granizo no período de colheita pode ter causado danos na fruta e prejuízos aos fruticultores— Engenheira agrônoma Rosangela Costa Rodrigues Pasetto
Não há registro de desalojados— Defesa Civil