Telescópio James Webb confirma que CO2 de Europa vem do oceano escondido

Começamos a conhecer a química interna de Europa
Cientista planetária refere-se à descoberta de carbono e sal no oceano subglacial da lua de Júpiter.
Mark

Porque é que esta descoberta do James Webb muda alguma coisa? Já sabíamos que havia um oceano lá em baixo.

Mimi

Sabíamos que havia água, sim. Mas não sabíamos se tinha os ingredientes certos. Agora sabemos que tem carbono e sal — os elementos que, juntamente com água, formam a base química para a vida tal como a conhecemos.

Luke

Mas espera — o carbono já tinha sido detectado antes na superfície de Europa. O que é novo aqui é apenas confirmar que vem de baixo, não de meteoritos. Isso é importante, mas não é a mesma coisa que encontrar vida.

Mimi

Tens razão. O que o James Webb fez foi eliminar uma incerteza. Antes, podíamos pensar: talvez este carbono seja apenas poeira cósmica. Agora sabemos que não — vem do oceano.

Mark

E o sal? Como é que sabem que também vem de lá?

Mimi

Encontraram sal na mesma região onde encontraram o carbono. A lógica é que se o carbono vem do oceano, e o sal está junto ao carbono, então o sal provavelmente também vem de lá.

Luke

Mas isso é inferência, não observação directa. Ninguém viu o oceano. Ninguém viu o sal a sair de lá.

Mimi

Correcto. Por isso é que as missões Juice e Europa Clipper são tão importantes. Vão chegar lá e investigar directamente.

Mark

Quanto tempo falta?

Mimi

Oito anos. As sondas chegam a Júpiter em 2032.

Luke

E quando chegarem, conseguem encontrar vida?

Mimi

Não directamente. Podem apenas confirmar se as condições são propícias. A vida real — se existir — seria provavelmente invisível ao olho humano. Bactérias, talvez.

Mark

Portanto, isto é mais uma pista do que uma resposta.

Mimi

Exactamente. Mas é uma pista muito boa.

  • O James Webb mapeou a superfície de Europa e localizou a maior concentração de CO2 numa região de 1800 km chamada Tara Regio — e a origem é inequivocamente interna, não meteórica.
  • A presença simultânea de sal de cozinha na mesma região sugere que o oceano subglacial é quimicamente rico, tornando Europa um dos candidatos mais sérios à vida no sistema solar.
  • Dois estudos independentes publicados na revista Science chegaram à mesma conclusão, reforçando a solidez da descoberta e aumentando a pressão sobre as missões espaciais já em curso.
  • As sondas Juice (ESA) e Europa Clipper (NASA) estão a caminho, mas levarão oito anos a chegar — e mesmo assim só poderão avaliar condições propícias, não confirmar vida diretamente.
  • A descoberta reacende um debate antigo: num oceano tão inacessível e num ambiente tão extremo, o que poderia sobreviver — e como o saberíamos?

Sob uma crosta de gelo que cobre a lua Europa há milhares de anos, um oceano escondido começa a revelar os seus segredos. O telescópio James Webb confirmou esta semana que o dióxido de carbono detetado na superfície de Europa tem origem interna — não veio do espaço, mas das profundezas de um mar subglacial que pode conter os ingredientes essenciais à vida. É um momento raro em que a ciência não responde à pergunta 'existe vida lá fora?', mas avança um passo decisivo para poder um dia fazê-lo.

O telescópio espacial James Webb confirmou esta semana aquilo que os cientistas suspeitavam há anos: o dióxido de carbono detetado na superfície de Europa, lua de Júpiter, não chegou do espaço exterior. Tem origem no interior da lua — num oceano de água salgada escondido dezenas de quilómetros abaixo de uma espessa camada de gelo. A descoberta foi publicada em dois estudos simultâneos na revista Science.

A maior concentração de CO2 foi encontrada numa região chamada Tara Regio, com cerca de 1800 quilómetros de largura. Samantha Trumbo, cientista planetária da Universidade de Cornell e autora principal de um dos estudos, concluiu que o carbono "vem do interior, provavelmente do oceano interno da lua". Os investigadores descartaram outras explicações, incluindo a chegada de meteoritos. Na mesma região, foi também detetado sal de cozinha — outro indício de que o oceano subglacial é quimicamente ativo. "Agora temos CO2, sal: começamos a conhecer um pouco mais sobre a química interna" de Europa, sublinhou Trumbo.

A combinação de água líquida, carbono e sal representa exatamente o tipo de ambiente que poderia permitir o surgimento de formas de vida primitivas. Olivier Witasse, da Agência Espacial Europeia, classificou as análises como "extremamente interessantes", reconhecendo que o oceano de Europa permanece "bastante inacessível no estado atual da exploração espacial".

Duas missões estão já a caminho de Júpiter para investigar mais a fundo: a sonda Juice, da ESA, lançada em abril de 2023, e a Europa Clipper, da NASA, prevista para outubro de 2024. Ambas levarão oito anos a chegar. Ainda assim, há uma ressalva essencial — nenhuma delas será capaz de detetar vida diretamente. Poderão apenas mapear condições. E qualquer vida que existisse naquele oceano escuro seria, provavelmente, primitiva. Mas a confirmação de que Europa possui os blocos químicos fundamentais à vida representa, por si só, um passo histórico.

O telescópio espacial James Webb acaba de confirmar algo que os cientistas suspeitavam há anos: o dióxido de carbono encontrado na superfície de Europa, uma das luas de Júpiter, não veio do espaço exterior. Veio de baixo — de um oceano de água salgada escondido dezenas de quilómetros sob uma camada de gelo espesso.

Esta descoberta, anunciada esta semana em dois estudos publicados na revista Science, reforça a ideia de que Europa pode ser um dos poucos lugares do nosso sistema solar onde a vida extraterrestre poderia existir. Os cientistas já sabiam que um vasto oceano se encontrava nas profundezas da lua. O que faltava era saber se esse oceano continha os elementos químicos necessários para sustentar vida. Agora têm uma resposta mais clara.

Duas equipas de investigadores norte-americanas utilizaram os dados infravermelhos recolhidos pelo James Webb para mapear a superfície de Europa e rastrear a origem do dióxido de carbono. A maior concentração foi encontrada numa região de 1800 quilómetros de largura chamada Tara Regio. Samantha Trumbo, cientista planetária da Universidade de Cornell e autora principal de um dos estudos, explicou que o carbono "em última análise, vem do interior, provavelmente do oceano interno da lua". Os investigadores conseguiram descartar outras possibilidades — como a chegada de meteoritos — e concluir que o elemento tem origem interna.

Na mesma região de Tara Regio, os cientistas também detectaram sal de cozinha, o que torna essa área visualmente mais amarela do que o resto das planícies brancas de Europa. Este sal também parece ter origem no oceano subglacial. "Agora temos CO2, sal: começamos a conhecer um pouco mais sobre a química interna" de Europa, destacou Trumbo. A combinação destes elementos — água líquida, carbono e sal — representa precisamente o tipo de ambiente químico que poderia permitir o surgimento de formas de vida primitivas.

O segundo estudo, utilizando os mesmos dados do James Webb, chegou à mesma conclusão: o carbono vem de dentro de Europa. Olivier Witasse, gestor científico do projecto Juice da Agência Espacial Europeia, considerou estas análises "extremamente interessantes" porque permitem conhecer melhor um oceano que permanece "bastante inacessível no estado actual da exploração espacial".

Duas grandes missões espaciais estão agora a caminho de Júpiter para investigar mais a fundo. A sonda Juice, da ESA, foi lançada em Abril passado. A Europa Clipper, da NASA, está prevista descolar em Outubro de 2024. Ambas levarão oito anos para chegar a Júpiter e às suas grandes luas — Io, Europa, Ganimedes e Calisto, descobertas por Galileu em 1610. A sonda Juice também inspeccionará Ganimedes, que também possui um oceano subglacial onde foi detectado carbono.

Mas há uma ressalva importante: estas missões não serão capazes de encontrar directamente vida extraterrestre. Poderão apenas identificar condições propícias ao seu aparecimento. E num ambiente tão extremo, qualquer vida seria provavelmente primitiva — bactérias, talvez, nada mais. Ainda assim, a confirmação de que Europa possui os blocos químicos fundamentais para a vida representa um passo significativo na compreensão de um dos mundos mais intrigantes do nosso sistema solar.

O carbono vem do interior, provavelmente do oceano interno da lua
— Samantha Trumbo, cientista planetária da Universidade de Cornell
Agora temos CO2, sal: começamos a conhecer um pouco mais sobre a química interna de Europa
— Samantha Trumbo
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