A gente acaba vendo muita gente morrendo aqui
Por décadas, a BR-381 acumulou promessas não cumpridas e vidas perdidas entre Belo Horizonte e Governador Valadares. Na quarta-feira, o Tribunal de Contas da União aprovou por unanimidade a concessão da rodovia ao setor privado, abrindo caminho para R$ 5,5 bilhões em investimentos que podem transformar a chamada 'Rodovia da Morte' em uma via duplicada e segura. O aval representa não apenas uma decisão técnica, mas o peso de mais de duas décadas de espera de comunidades que convivem cotidianamente com o luto.
- A BR-381 registrou 162 mortes em 2.054 acidentes apenas em 2021 — números que prefeitos da região descrevem como uma sangria contínua e inaceitável.
- Governos sucessivos desde 1999 prometeram duplicar a rodovia e falharam; o histórico de obras abandonadas e licitações devolvidas alimenta uma desconfiança profunda entre moradores e gestores locais.
- O TCU aprovou o projeto por unanimidade, mas impôs 60 dias de ajustes no edital, incluindo revisão de tarifas para motos e questões geotécnicas no trecho de Nova Era.
- Com concessão de 30 anos e cinco pedágios planejados, o leilão pode finalmente atrair o investidor privado que o poder público nunca conseguiu substituir — mas o caminho ainda depende dos ajustes exigidos pela Corte.
Na quarta-feira à noite, o Tribunal de Contas da União aprovou por unanimidade a privatização da BR-381, o trecho sinuoso que liga Belo Horizonte a Governador Valadares e que carrega o apelido de 'Rodovia da Morte'. O ministro Antonio Anastasia, relator do processo, classificou a concessão como 'histórica e revolucionária' para Minas Gerais. Antes do leilão, porém, a ANTT terá 60 dias para ajustar o edital — incluindo a revisão da diferenciação tarifária entre motos e carros e questões técnicas de geotecnia na região de Nova Era.
O projeto prevê R$ 5,5 bilhões em investimentos privados ao longo de uma concessão de 30 anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco. O vencedor do leilão será responsável por duplicar faixas, construir túneis e passarelas, e manter a rodovia operando — financiado por cinco pedágios distribuídos entre Caeté, João Monlevade, Jaguaraçu, Belo Oriente e Governador Valadares.
A urgência do projeto se mede em vidas: com 500 curvas ao longo do percurso, a BR-381 registrou 2.054 acidentes e 162 mortes só em 2021. O prefeito de João Monlevade, Doutor Laércio Ribeiro, descreveu o problema como nacional — a rodovia é usada diariamente por pessoas do Nordeste e de São Paulo. O prefeito de Governador Valadares, André Merlo, expressou esperança cautelosa, lembrando que projetos anteriores pararam antes de chegar à sua cidade.
A história da BR-381 é um inventário de promessas não cumpridas: duplicação prometida em 1999, incluída no PAC em 2009, com ordem de serviço assinada por Dilma em 2014. De onze segmentos licitados, apenas dois avançaram. Temer, Bolsonaro e agora Lula tentaram — cada um à sua maneira — resolver o problema. Com a aprovação do TCU, o processo está mais próximo do que nunca de sair do papel.
Na noite de quarta-feira, o Tribunal de Contas da União deu seu aval unânime a um projeto que levadores de Minas Gerais esperam há mais de duas décadas: a privatização da BR-381, aquele trecho sinuoso e mortal que liga Belo Horizonte a Governador Valadares. O ministro Antonio Anastasia, relator do processo, chamou a concessão de "histórica e revolucionária" para o Estado. Mas antes que o leilão saia do papel, a ANTT — Agência Nacional de Transportes Terrestres — terá 60 dias para fazer ajustes no edital de privatização, conforme determinado pela Corte.
O projeto é ambicioso: cinco bilhões e meio de reais em investimento privado para duplicar faixas de tráfego, construir túneis e passarelas. A concessão durará 30 anos, prorrogável por mais cinco. Quem vencer o leilão operará a rodovia, fará manutenção e custeará as melhorias — tudo financiado por cinco pedágios espalhados entre Caeté, João Monlevade, Jaguaraçu, Belo Oriente e Governador Valadares. Anastasia apontou alguns pontos que precisam de revisão: a diferenciação de tarifa entre motos e carros, que ele considerou contraditória com a política federal de incentivo ao mercado automobilístico, e questões técnicas sobre geotecnia, especialmente no trecho que passa por Nova Era.
A história dessa rodovia é um exercício em promessas adiadas. Em 1999, o governo federal prometeu duplicação usando recursos da privatização da Vale. Em 2009, durante o segundo governo Lula, a obra entrou para o PAC — Plano de Aceleração do Crescimento. Dilma assinou a primeira ordem de serviço em 2014. Dividiu-se o trecho em 11 segmentos, licitou-se sete, mas apenas dois avançaram. Os demais foram devolvidos. Temer tentou incluir a obra em parcerias público-privadas em 2018, sem sucesso. Bolsonaro prometeu em 2021 que a duplicação estaria pronta até o fim de 2022 — não aconteceu. Agora, em 2023, o projeto reaparece no Plano de 100 Dias do ministro dos Transportes Renan Filho, no terceiro governo Lula.
O que torna essa rodovia tão urgente é simples e brutal: ela mata. Com 500 curvas — 200 delas concentradas nos 100 quilômetros entre Belo Horizonte e João Monlevade — a BR-381 registrou 2.054 acidentes e 162 mortes apenas em 2021, segundo levantamento da Confederação Nacional do Transporte. O apelido "Rodovia da Morte" não é exagero. Doutor Laércio Ribeiro, prefeito de João Monlevade, descreveu o problema como nacional: pessoas do Nordeste, de São Paulo, que usam a rodovia todos os dias. "A gente acaba vendo muita gente morrendo aqui", disse. André Merlo, prefeito de Governador Valadares, expressou esperança cautelosa de que a duplicação chegue até sua cidade — projetos anteriores pararam no caminho. Marco Antônio Lage, prefeito de Itabira, vê na concessão uma oportunidade de atrair investidores e trazer desenvolvimento para toda a região do Vale do Aço e Leste de Minas.
Com a aprovação do TCU, o processo está mais próximo de sair do papel. Os ajustes solicitados por Anastasia devem chegar em 60 dias. Depois disso, o leilão pode finalmente acontecer — e com ele, a chance de transformar uma das rodovias mais perigosas do país em uma via duplicada e segura.
Notable Quotes
A concessão é histórica e revolucionária para o Estado— Ministro Antonio Anastasia, relator do processo no TCU
É um problema nacional. A cidade está no trecho com mais acidentes e a gente acaba vendo muita gente morrendo aqui— Doutor Laércio Ribeiro, prefeito de João Monlevade
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que essa rodovia é tão perigosa? É só a falta de duplicação?
Não é só isso. São 500 curvas em um trecho que deveria ser simples. Cento e sessenta e duas mortes em um ano — 2021 — é um número que fala por si. A rodovia conecta regiões inteiras, então não é só gente local que morre lá.
E por que demorou tanto? A primeira promessa foi em 1999.
Porque é caro, complexo, e ninguém queria arcar com o custo. Governos prometem, depois vem eleição, prioridades mudam. Temer tentou privatizar, ninguém se interessou. Bolsonaro prometeu entregar em 2022. Não entregou.
O que muda agora com essa aprovação do TCU?
Muda que não é mais só uma promessa. É um processo legal em movimento. O TCU aprovou, pediu ajustes menores, e em 60 dias sai o edital. Depois vem o leilão. Pela primeira vez em décadas, parece que vai sair do papel.
Quem vai ganhar com isso?
A empresa que vencer o leilão ganha a concessão por 30 anos. Cobra pedágio, faz a duplicação, mantém a rodovia. Os prefeitos ganham porque a região se desenvolve. E, esperançosamente, as pessoas que usam a rodovia ganham porque deixa de ser tão mortal.