Tafenoquina no SUS reduz malária em 30% e atinge menor taxa em 47 anos

Redução de mais de 70% nos óbitos por malária no território Yanomami; interrupção de ciclo de adoecimento em população indígena historicamente vulnerável.
Conseguimos interromper o verdadeiro genocídio que acontecia
Ministro descreve o impacto da tafenoquina na redução de mortes entre os Yanomami.
Mark

Por que a tafenoquina faz tanta diferença se comparada aos tratamentos anteriores?

Mimi

Porque muda completamente a lógica do tratamento. Os medicamentos antigos exigiam que o paciente tomasse várias doses ao longo de semanas — o que significava retornos à clínica, possibilidade de abandono do tratamento, e ainda assim a malária podia voltar. A tafenoquina é uma dose única com ação prolongada. Você toma uma vez e está protegido. Para populações indígenas em áreas remotas, onde chegar a um centro de saúde é uma jornada, isso muda tudo.

Mark

Os números caíram 30% em um ano. Isso é rápido demais para ser só o medicamento, não é?

Mimi

Exato. O ministro foi claro sobre isso. A tafenoquina é parte de uma estratégia maior — mais testes disponíveis, diagnóstico mais rápido, tratamento adequado. E no caso dos Yanomami, também recuperação nutricional. A malária prospera em contextos de vulnerabilidade. Quando você melhora a nutrição, o acesso a diagnóstico e oferece um tratamento que funciona, os números caem de forma acelerada.

Mark

Por que o Yanomami foi a primeira área indígena a receber o medicamento?

Mimi

Provavelmente porque era a situação mais crítica. O ministro usou a palavra "genocídio" para descrever o que estava acontecendo lá. Quando você tem 70% de redução em óbitos em um ano, você está literalmente salvando vidas de pessoas que morreriam. Isso não é exagero retórico — é o que os números mostram.

Mark

E agora o medicamento está disponível para crianças a partir de 2 anos. Isso muda o jogo novamente?

Mimi

Muda porque a malária em crianças pequenas é particularmente perigosa. Uma criança desnutrida com malária tem risco muito maior de morte. Se você consegue tratar crianças com uma dose única, você interrompe o ciclo de adoecimento que mantém famílias inteiras em situação de vulnerabilidade.

Mark

O sarampo parece ser uma preocupação menor comparado à malária, mas o ministro deu bastante atenção. Por quê?

Mimi

Porque o Brasil tinha perdido o certificado de país livre de sarampo em 2019 e havia recuperado em 2024. Perder novamente seria um retrocesso simbólico e prático. Além disso, 38 casos importados podem parecer poucos, mas sarampo é altamente contagioso. A vacinação em massa — 70 mil pessoas em São Paulo — é uma contenção rápida para evitar que se torne um surto.

Mark

Qual é o próximo desafio?

Mimi

Manter a trajetória. A tafenoquina está funcionando, mas ainda há muito trabalho de infraestrutura — garantir que chegue a todas as regiões, que as pessoas saibam que existe, que haja diagnóstico disponível. E há sempre o risco de retrocesso se a atenção diminuir ou se recursos forem cortados.

  • 118.037 casos de malária em 2025 — menor número desde 1978
  • Mortes caíram de 56 em 2024 para 39 em 2025 (30% de redução)
  • 33,7 mil pessoas tratadas com tafenoquina até junho de 2026
  • 61,9% de redução em recaídas entre Yanomami entre março e junho de 2026
  • 70% de redução em óbitos por malária no território Yanomami

Mortes por malária caíram de 56 em 2024 para 39 em 2025, enquanto casos graves recuaram 30,7% com uso de medicamento em dose única. Tafenoquina beneficiou 33,7 mil pessoas até junho de 2026, com redução de 61,9% em recaídas entre indígenas Yanomami no mesmo período.

Brasil registra queda de 30% nas mortes por malária em 2025, com 118.037 casos — o menor número desde 1978. Avanço atribuído à incorporação da tafenoquina no SUS e ampliação do diagnóstico.

O Brasil chegou a um marco que não alcançava desde antes de muitos de nós nascerem. Em 2025, o país registrou 118.037 casos de malária — o menor número em 47 anos. As mortes caíram de 56 em 2024 para 39, uma redução de 30%. Os casos mais graves da doença recuaram 30,7%. Esses números não são abstratos. Cada um deles representa uma pessoa que não adoeceu, uma família que não perdeu alguém.

O responsável por essa virada é um medicamento chamado tafenoquina, incorporado ao Sistema Único de Saúde em 2023 e oferecido em dose única. Diferente dos tratamentos anteriores, que exigiam múltiplas aplicações ao longo de semanas, a tafenoquina age de forma prolongada, impedindo que a malária volte a se manifestar após a infecção inicial. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou os resultados na segunda-feira, após participar do 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical em Brasília. "Chegamos à menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos na nossa história", disse ele. O Brasil também se tornou o primeiro país do mundo a incorporar esse medicamento em larga escala no sistema público de saúde.

Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam recebido o tratamento com tafenoquina. O medicamento foi inicialmente disponibilizado para adultos com 16 anos ou mais e peso mínimo de 35 quilos. Em março de 2026, uma formulação para crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos foi lançada. Até junho, 1.446 crianças e adolescentes já haviam sido tratadas. A expansão do diagnóstico — com mais testes disponíveis e tratamento adequado — também contribuiu para os resultados.

O impacto foi particularmente dramático entre os povos indígenas. No Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, 1.515 pessoas receberam o medicamento. Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária caíram 61,9% em relação ao mesmo período de 2025. De janeiro a julho, os casos diminuíram 55%, passando de 17 mil para 7,6 mil. Os óbitos por malária no território Yanomami caíram mais de 70%. Padilha descreveu a situação anterior como "um verdadeiro genocídio" que estava acontecendo com o povo Yanomami. A redução de mais de 40% em terras indígenas e em assentamentos rurais na região amazônica — uma das áreas com maior incidência de malária no país — mostra que o medicamento funcionou onde mais era necessário. Segundo o ministro, essa melhoria não veio apenas do medicamento, mas também de ações combinadas de saúde e recuperação nutricional.

O ministro também abordou outro desafio de saúde pública: o sarampo. O Brasil identificou 38 casos importados da doença em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins. Em resposta, o governo reforçou campanhas de vacinação em todo o país. Em 2024, o Brasil havia recuperado o certificado de país livre de sarampo, que havia perdido em 2019 após um surto em Guarulhos, São Bernardo e São Paulo — a capital chegou a registrar 20 mil casos naquele ano. Mesmo com os 38 casos importados em 2025, a vacinação foi suficiente para manter o certificado. Agora, em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo, a campanha vacina todas as pessoas a partir de 6 meses até 59 anos, independentemente do histórico vacinal. Até o momento da fala de Padilha, mais de 70 mil pessoas haviam sido vacinadas apenas na capital paulista.

Os números de 2025 e 2026 representam uma mudança de trajetória em saúde pública brasileira. A malária, que historicamente assolou populações inteiras, particularmente nas regiões amazônicas e entre povos indígenas, está sendo controlada de forma mais eficaz. A tafenoquina não é uma cura milagrosa — o trabalho continua sendo complexo, envolvendo diagnóstico, tratamento adequado e ações de saúde integradas. Mas é um avanço concreto que está salvando vidas. O desafio agora é manter essa trajetória, expandir o acesso ao medicamento para todas as regiões que precisam, e garantir que populações historicamente vulneráveis continuem recebendo atenção prioritária.

Chegamos à menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos na nossa história
— Alexandre Padilha, ministro da Saúde
Conseguimos felizmente interromper o verdadeiro genocídio que acontecia no povo Yanomami
— Alexandre Padilha, ministro da Saúde
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