Diante do avanço silencioso da doença renal crônica — que cresce quase 10% ao ano no Brasil e deixa mais de 60 mil pessoas sem acesso à diálise —, o SUS anunciou uma reorganização estrutural do cuidado nefrológico, unificando em um único percurso tudo o que antes era disperso em filas e burocracias. A medida, apresentada em Belo Horizonte pelo Ministério da Saúde, não é apenas administrativa: é uma aposta de que o cuidado contínuo pode adiar ou evitar o momento em que os rins deixam de funcionar. No horizonte, a promessa é de que até 260% mais pacientes possam ser atendidos — e que muitos dele
SUS integra tratamento de doença renal crônica em etapa única
Paciente não fica mais com aquela ciranda de procura
Como exatamente essa integração muda a vida de um paciente que recebe diagnóstico de doença renal crônica?
Antes, ele tinha que ir a vários lugares diferentes, esperar em várias filas, marcar consultas em pontos distintos. Agora tudo acontece em um único fluxo, desde o diagnóstico até a diálise se necessário. Isso reduz atrasos e permite que o tratamento comece mais rápido.
Mas o secretário disse que não há fila para diálise. Se não há fila, qual é o problema que essa integração resolve?
O problema não é exatamente fila de diálise, é a fragmentação que atrasa o diagnóstico e o acompanhamento inicial. Quando você demora para começar o tratamento, a doença progride mais rápido e mais pessoas acabam precisando de diálise.
E quanto aos números? O ministério fala em aumentar entre 160% e 260% a oferta. Como isso é possível?
Parte vem de novos serviços abertos nos últimos meses. Mas a maior parte vem de eficiência: quando você integra o atendimento, reduz desperdício, reduz absenteísmo, consegue atender mais gente com os mesmos recursos.
Esses números de aumento são estimativas ou já estão sendo medidos?
São estimativas do secretário. A implementação é recente, então ainda não há dados de impacto real.
E para os pacientes de baixa renda, que têm dificuldade com transporte e logística?
A integração deveria ajudar porque reduz o número de deslocamentos necessários. Mas a fonte não detalha como isso será operacionalizado em cidades pequenas ou regiões remotas.
Exatamente. A integração funciona bem em um grande centro, mas como fica em um município pequeno que talvez tenha apenas um ponto de atendimento?
Essa é uma questão real que o anúncio não responde. O ministério abriu 62 novos pontos entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, mas o Brasil tem milhares de municípios.
Il Polso
- Mais de 60 mil brasileiros que precisam de diálise ainda não têm acesso ao tratamento, enquanto a doença avança 9,2% ao ano — uma crise silenciosa que o sistema fragmentado agravou por anos.
- O modelo anterior obrigava pacientes a percorrer múltiplas filas e pontos de atendimento distintos, permitindo que a doença progredisse enquanto a burocracia consumia o tempo que poderia salvar rins.
- O novo modelo, batizado de Oferta de Cuidado Integrado, elimina essa ciranda: do diagnóstico à diálise, o paciente segue um fluxo único, com consultas e exames ajustados ao estágio da doença.
- Para pacientes de baixa renda, a integração também enfrenta o peso logístico da diálise — sessões de quatro horas, três vezes por semana, que exigem deslocamentos longos e sacrificam emprego e rotina.
- O Ministério da Saúde abriu 62 novos pontos de atendimento entre 2025 e 2026 e projeta ampliar a participação da diálise no tratamento geral de 4,55% para cerca de 15%, mas o verdadeiro teste será a implementação em escala nacional.
Diante do avanço silencioso da doença renal crônica — que cresce quase 10% ao ano no Brasil e deixa mais de 60 mil pessoas sem acesso à diálise —, o SUS anunciou uma reorganização estrutural do cuidado nefrológico, unificando em um único percurso tudo o que antes era disperso em filas e burocracias. A medida, apresentada em Belo Horizonte pelo Ministério da Saúde, não é apenas administrativa: é uma aposta de que o cuidado contínuo pode adiar ou evitar o momento em que os rins deixam de funcionar. No horizonte, a promessa é de que até 260% mais pacientes possam ser atendidos — e que muitos deles nunca precisem chegar à diálise.
O SUS anunciou nesta quinta-feira uma mudança estrutural no tratamento da doença renal crônica: em vez de percorrer múltiplas filas e serviços desconectados, os pacientes seguirão agora um único caminho de cuidados — do diagnóstico inicial à diálise, se necessário. O anúncio foi feito durante um congresso de nefrologia em Belo Horizonte, em um momento em que a doença avança com força no país.
Os números justificam a urgência. O número de brasileiros em diálise cresceu 9,2% em um ano, chegando a 170.868 em dezembro de 2025. Estima-se que 230 mil pessoas precisem do tratamento — o que significa que mais de 60 mil estão sem acesso. A diabetes responde por um terço dos casos que levam à terapia renal.
O secretário Mozart Sales explicou que a nova estratégia, chamada Oferta de Cuidado Integrado, elimina a fragmentação burocrática do modelo anterior. Consultas, exames e procedimentos passam a seguir um fluxo contínuo, ajustado ao estágio de cada paciente. A estimativa é de que a oferta de atendimento nefrológico no SUS cresça entre 160% e 260%.
Para pacientes de baixa renda, a diálise representa um desafio que vai além do clínico: sessões de quatro horas, três vezes por semana, exigem deslocamentos longos e dificultam a manutenção do emprego. A integração busca reduzir essas barreiras e o absenteísmo que agrava o quadro.
O objetivo central, porém, é evitar que os pacientes cheguem à diálise. Com acompanhamento contínuo desde o início, espera-se que muitos consigam controlar a doença por mais tempo. Entre 2025 e 2026, o Ministério abriu 62 novos pontos de atendimento. O desafio agora é garantir que essa integração alcance, em escala nacional, quem mais precisa dela.
O Sistema Único de Saúde anunciou nesta quinta-feira uma reorganização fundamental no tratamento da doença renal crônica. A partir de agora, pacientes diagnosticados seguirão um único caminho de cuidados, passando pelo acompanhamento contínuo desde o diagnóstico inicial até, se necessário, a diálise. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde durante um congresso de nefrologia em Belo Horizonte, em um momento em que a doença avança significativamente no país.
Os números revelam a urgência da medida. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Centro de Diálise e Transplante divulgado em março, o número de brasileiros em tratamento dialítico cresceu 9,2% em um ano, passando de 156.473 em dezembro de 2024 para 170.868 em dezembro de 2025. A diabetes é a principal culpada, responsável por um terço dos casos que levam pacientes à terapia renal. Estimativas indicam que cerca de 230 mil pessoas precisam de diálise no Brasil, o que significa que mais de 60 mil estão sem acesso ao tratamento.
O sistema anterior funcionava de forma fragmentada. Pacientes precisavam passar por múltiplas filas e pontos de atendimento diferentes, o que atrasava o início do tratamento e permitia que a doença progredisse. Mozart Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde, explicou que a nova estratégia, chamada Oferta de Cuidado Integrado, elimina essa ciranda burocrática. Consultas, exames e procedimentos agora serão realizados conforme o estágio da doença, em um fluxo contínuo. O secretário estimou que a medida pode aumentar entre 160% e 260% a oferta de atendimento nefrológico para pacientes do SUS.
A diálise, último estágio do tratamento, substitui parcialmente a função renal quando os rins deixam de filtrar adequadamente o sangue. Na modalidade mais comum, o sangue passa por uma máquina em sessões de cerca de quatro horas, três vezes por semana. Para pacientes de baixa renda, essa rotina representa um desafio logístico considerável: longos deslocamentos, custos de transporte, dificuldade em conciliar as sessões com trabalho e outras responsabilidades. A integração do atendimento busca reduzir essas barreiras e, consequentemente, o absenteísmo que agrava o quadro clínico.
O objetivo central é evitar que pacientes cheguem à diálise. Com diagnóstico e acompanhamento integrados desde o início, espera-se que consigam controlar a doença renal crônica por muito mais tempo, evitando crises agudas que forçam a necessidade de diálise. Sales afirmou que não existe fila para diálise no Brasil atualmente, mas a pasta pretende aumentar a participação dessa terapia de 4,55% para cerca de 15% no tratamento geral da doença renal crônica.
Entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, o Ministério da Saúde abriu 25 novos pontos de hemodiálise, quatro de diálise peritoneal e 33 serviços pré-dialíticos. A integração do atendimento faz parte do programa Agora Tem Especialistas e representa uma mudança estrutural na forma como o SUS aborda uma condição que, sem tratamento adequado, pode evoluir para complicações cardiovasculares graves e morte. O desafio agora é implementar essa integração em escala nacional e garantir que os pacientes que mais precisam consigam acessá-la.
Citazioni salienti
Com essa estratégia, estimamos aumentar entre 160% e 260% a oferta de atendimento nefrológico para o paciente do SUS— Mozart Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde
Eles vão conseguir controlar sua doença renal crônica durante muito mais tempo e evitar casos agudos, evitando a necessidade de fazer a diálise— Mozart Sales