Suposto filho de Gugu Liberato revela infância de privações e motivo do pedido de DNA

Ricardo Rocha relata infância marcada por fome, despejos e noites dormindo na rua, impactando seu desenvolvimento pessoal e familiar.
Eu não tinha para onde ir. Dormi em cima de uma árvore.
Ricardo Rocha descreve sua infância marcada por despejos e noites na rua.
Mark

Por que Ricardo demorou tanto para procurar Gugu se sua mãe lhe contou sobre a paternidade aos 10 anos?

Mimi

Ele diz que era reservado e tinha medo da exposição pública. Passou a vida inteira evitando aparecer. Só quando envelheceu é que amadureceu a ideia de procurar.

Luke

Mas isso é o que ele diz agora. Não sabemos se a mãe realmente lhe contou aos 10 anos, ou se há outras razões que ele não mencionou. A entrevista é só um lado da história.

Mark

E quanto à história da mãe conhecer Gugu na padaria? Isso é verificável?

Mimi

A mãe alega que o conheceu em uma padaria em São Paulo, que ele trabalhava em uma imobiliária na época, e que tiveram duas relações sexuais em um hotel na Lapa em 1973-1974. Mas isso vem apenas do relato dela.

Luke

Exatamente. Não há confirmação independente. Gugu faleceu em 2019, então não pode se defender ou confirmar. Temos apenas a palavra da mãe e agora do filho.

Mark

Ricardo menciona que as pessoas dizem que ele tem traços de Gugu. Isso é evidência?

Mimi

Ele o diz, mas semelhança física é subjetiva. O DNA vai dar a resposta definitiva. Por enquanto, é apenas o que pessoas comentam.

Luke

E é importante notar que Ricardo está pedindo parte da herança. Isso não invalida a possível paternidade, mas é um contexto que o leitor precisa considerar ao avaliar a motivação dele.

Mark

A família de Gugu está aberta ao DNA?

Mimi

Sim, os advogados disseram que não há motivo para se recusar, caso seja pertinente perante a lei. Receberam a ação com tranquilidade.

Luke

Mas "caso seja pertinente perante a lei" é uma ressalva importante. Eles não estão dizendo que vão aceitar qualquer resultado. Estão dizendo que vão seguir o que a lei determina.

  • Ricardo Rocha viveu uma infância de despejos, noites dormindo na rua e fome — experiências que moldaram um homem reservado, avesso à exposição pública que agora se tornou inevitável.
  • A ação judicial, protocolada em março, reacendeu uma dúvida que a mãe de Ricardo plantou nele aos 10 ou 11 anos: que seu pai era um rosto conhecido da televisão brasileira.
  • O processo ameaça reorganizar a partilha da herança de Gugu Liberato, colocando Ricardo em rota de colisão com os herdeiros diretos já reconhecidos.
  • As defesas das filhas de Gugu e de João Augusto Liberato sinalizaram abertura ao exame de DNA, mas aguardam análise jurídica antes de definir posição formal.
  • Ricardo aguarda o teste com uma mistura de urgência e melancolia — convicto de que Gugu não sabia de sua existência e lamentando o tempo e a convivência que não poderão ser recuperados.

Décadas depois de uma infância marcada pela fome e pelo desamparo, Ricardo Rocha, 48 anos, busca na Justiça o reconhecimento de algo que nunca teve: um pai. Ao pedir que seja declarado filho do apresentador Gugu Liberato, morto em 2019, ele coloca diante dos tribunais não apenas uma questão biológica, mas a pergunta silenciosa que carregou a vida inteira sobre identidade, pertencimento e o que poderia ter sido diferente. O caso, que veio a público em audiência em São Paulo, aguarda agora o peso de um exame de DNA para decidir se uma história privada de privação se entrelaça com uma das famílias mais conhecidas do entretenimento brasileiro.

Ricardo Rocha tem 48 anos e uma história que ele carregou em silêncio por décadas. Em março deste ano, ele protocolou uma ação pedindo o reconhecimento judicial de que é filho do apresentador Gugu Liberato. O caso veio a público durante uma audiência em São Paulo, e no último domingo Ricardo falou pela primeira vez sobre sua infância em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record.

A infância que ele descreveu é de privação real: fome, duas noites dormindo na rua, dois despejos. "Eu não tinha para onde ir. Dormi em cima de uma árvore", disse o comerciante. Essas memórias explicam, em parte, por que ele demorou tanto para agir. Pessoa reservada, Ricardo sempre temeu a exposição pública. "Eu me arrependo por não ter feito isso em vida. Nunca quis por esse motivo. Não gosto de aparecer." Foi com o tempo, ele diz, que a ideia amadureceu.

A origem da história remonta a 1973. A mãe de Ricardo alega que conheceu Gugu em uma padaria em São Paulo, onde se encontravam regularmente. Segundo ela, tiveram duas relações sexuais em um hotel na Lapa, entre o segundo semestre de 1973 e o início de 1974. Ela contou ao filho quando ele tinha entre 10 e 11 anos. "Eu só queria ter um pai", disse Ricardo. Ao saber que o pai seria alguém da televisão, ele perguntou à mãe se ela tinha certeza. Ela respondeu que não tinha dúvida.

Agora, Ricardo aguarda o exame de DNA com uma mistura de ansiedade e melancolia. Acredita que Gugu não sabia de sua existência e lamenta o que não viveu. "Eu me vejo muito nele", disse, emocionado. Sobre a herança, foi honesto: "Não tem como não falar que não pensou. Eu tenho filhos."

A família Liberato começa a se posicionar. O advogado das filhas Marina e Sofia sinalizou que, em princípio, elas não têm motivo para recusar o exame de DNA caso seja determinado pela Justiça. A defesa de João Augusto disse ter recebido a ação "com tranquilidade" e que ainda analisa o processo. O desfecho depende do resultado do teste e da decisão judicial — e Ricardo Rocha espera, depois de uma vida inteira de perguntas, finalmente ter uma resposta.

Ricardo Rocha tem 48 anos e entrou com uma ação judicial em março pedindo que seja reconhecido como filho de Gugu Liberato. Na quinta-feira passada, durante uma audiência em São Paulo, o caso veio à público. Neste domingo, em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini no programa Domingo Espetacular da Record, Rocha falou pela primeira vez sobre sua infância e sobre por que demorou tanto para buscar esse reconhecimento.

A história que ele contou é de privação. Rocha passou fome quando criança. Dormiu duas noites na rua. Sua família foi despejada duas vezes. "Eu não tinha para onde ir. Dormi em cima de uma árvore", disse o comerciante. Essas experiências marcaram profundamente sua vida, e ele carrega essa memória até hoje.

Quando perguntado por que esperou tanto tempo para questionar a paternidade, Rocha foi direto: ele é uma pessoa reservada e sempre temeu exatamente o que está acontecendo agora — a exposição pública. "Eu me arrependo por não ter feito isso em vida. Eu tinha receio da exposição. Nunca quis por esse motivo. Não gosto de aparecer." Segundo ele, foi apenas envelhecendo que amadureceu a ideia de procurar Gugu. "De velho, eu fui amadurecendo." Ao falar sobre o que perdeu, Rocha se emocionou. Acredita que Gugu não sabia de sua existência. "Eu queria estar do lado. Perdi muita coisa. Eu me vejo muito nele."

A história começa em 1973. Segundo relato da mãe de Ricardo, ela conheceu Gugu em uma padaria em São Paulo. Ela ia diariamente buscar pão para a família que trabalhava para, e encontrava Gugu regularmente. Uma amizade começou, depois uma paquera. Ele trabalhava em uma imobiliária na época. A mãe alega que tiveram duas relações sexuais, ambas em um hotel na Lapa, durante o segundo semestre de 1973 e início de 1974. Ricardo soube da história quando tinha entre 10 e 11 anos. "Para mim foi uma coisa meio espantosa. Eu não entendia muita coisa. Eu só queria ter um pai." Quando sua mãe lhe disse que seu pai era uma pessoa da televisão, ele perguntou se ela tinha certeza. Ela respondeu que não tinha dúvida.

Agora, Ricardo está ansioso pelo exame de DNA. "Não vejo a hora de chegar esse momento. É o momento que eu espero toda a minha vida." Ele diz que as pessoas comentam que tem traços de Gugu. Sobre a possibilidade de herança, Rocha não nega que pensou no assunto. "Passa muita coisa na cabeça. A infância, o que eu perdi de viver com ele. O que ele poderia ter vivido com a minha família, meu filho. Acho que ele seria um bom avó. Não tem como não falar que não pensou na herança. Eu tenho filhos."

O processo foi iniciado em março deste ano, e Ricardo está pedindo parte da herança que seria destinada aos herdeiros diretos. A família de Gugu começou a se posicionar. O advogado de Marina e Sofia Liberato, filhas de Gugu, disse que "a princípio, não há motivo de suas clientes se recusarem a colaborar com um pedido de realização de exame de DNA, caso seja pertinente perante a lei", segundo Nelson Willians. A defesa de João Augusto Liberato também se manifestou, dizendo que recebeu a ação "com tranquilidade e serenidade" e que ainda precisa analisar o novo processo para trazer um posicionamento sobre o que será feito.

O que acontece agora depende do exame de DNA e da decisão judicial. Ricardo Rocha espera, depois de uma vida marcada por fome e despejos, finalmente ter respostas sobre quem é seu pai e qual lugar ocupa na história de uma família que conhece apenas pela televisão.

Foi uma infância muito difícil. Passei fome, dormi duas noites na rua. Já grande já. Fomos despejados, duas vezes.
— Ricardo Rocha
Eu me arrependo por não ter feito isso em vida. Eu tinha receio da exposição. Nunca quis por esse motivo.
— Ricardo Rocha
Want the full story? Read the original at UOL ↗
Contact Us FAQ