Ao encerrar sua gestão à frente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luiz Fux apresentou uma pauta densa para agosto e início de setembro — um legado de questões que tocam nos fundamentos do direito administrativo, penal e ambiental brasileiro. Entre os temas estão a retroatividade da lei de improbidade, a soberania do júri e a federalização de crimes contra direitos humanos, decisões cujos efeitos se estenderão por toda a estrutura jurídica do país. A transição para a presidência de Rosa Weber ocorre num momento de tensão institucional, com o feriado de 7 de setembro pairando como sombra s
STF retoma atividades em agosto com julgamentos sobre improbidade e soberania do júri
Decisões que afetarão desde improbidade até o funcionamento do júri
Por que essa pauta de agosto é tão importante? Parece um mês comum de julgamentos.
Não é comum porque toca em estruturas do sistema de justiça. A retroatividade da lei de improbidade, por exemplo, pode mudar como centenas de processos são julgados retroativamente. E a soberania do júri é uma questão que afeta o próprio funcionamento da democracia.
Mas precisamos ser claros: essas são questões que já estavam em discussão. O que muda em agosto é que o STF vai finalmente votar. Algumas delas têm repercussão geral reconhecida, o que significa que a decisão vinculará todos os tribunais do país.
E por que Fux está divulgando isso agora, em julho?
Porque ele sai em setembro. Quer deixar claro qual é a agenda que fica para Rosa Weber. É uma forma de transparência, mas também de marcar seu legado.
Também há uma questão prática: o tribunal precisa avisar a sociedade e os advogados sobre o que será julgado. Mas é verdade que o timing — logo antes da transição — tem um peso político.
E essa preocupação com 7 de setembro? Parece fora de lugar em uma pauta jurídica.
Não está fora de lugar. O tribunal está ciente de que há tensões políticas no país, e um feriado que historicamente tem sido marcado por atos antidemocráticos é uma questão de segurança institucional.
A fonte não detalha o que exatamente os ministros temem. Sabemos que há "tensões considerando episódios de atos antidemocráticos", mas não sabemos qual é o nível de preocupação ou se há planos específicos. É um ponto que merecia mais clareza.
Então a agenda é pesada, a transição é delicada, e há clima de incerteza política?
Exatamente. É um momento em que o STF está sendo testado em múltiplas frentes — jurídicas, políticas, institucionais.
Il Polso
- A pauta do STF para agosto e setembro é uma das mais carregadas dos últimos anos, reunindo temas que vão da improbidade administrativa ao Código Florestal.
- A decisão sobre a retroatividade da Lei 14.230/2021 pode mudar o destino de milhares de processos em curso no país, pois terá efeito vinculante para todos os casos similares.
- A disputa sobre quem pode propor ações de improbidade — só o Ministério Público ou também pessoas jurídicas — permanece em aberto após liminar de Alexandre de Moraes, e o plenário precisará dar a palavra final.
- A soberania do júri entra em xeque: o tribunal decidirá se absolvições por clemência podem ser revertidas por instâncias superiores quando contradizem as provas do processo.
- A transição de presidência para Rosa Weber, marcada para 12 de setembro, é ensombrada pela preocupação dos ministros com possíveis episódios antidemocráticos no feriado de 7 de setembro.
Ao encerrar sua gestão à frente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luiz Fux apresentou uma pauta densa para agosto e início de setembro — um legado de questões que tocam nos fundamentos do direito administrativo, penal e ambiental brasileiro. Entre os temas estão a retroatividade da lei de improbidade, a soberania do júri e a federalização de crimes contra direitos humanos, decisões cujos efeitos se estenderão por toda a estrutura jurídica do país. A transição para a presidência de Rosa Weber ocorre num momento de tensão institucional, com o feriado de 7 de setembro pairando como sombra sobre a passagem de bastão.
Em julho, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, divulgou a agenda de julgamentos para agosto e o início de setembro — período que coincide com o fim de sua gestão à frente da corte. A pauta é extensa e atravessa o direito administrativo, penal, eleitoral e ambiental, espelhando as tensões jurídicas que o país enfrenta neste momento.
Um dos temas centrais é a retroatividade da lei de improbidade administrativa. O STF decidirá se as mudanças trazidas pela Lei 14.230/2021 se aplicam retroativamente aos prazos de prescrição e aos atos culposos. Como a repercussão geral já foi reconhecida, a decisão valerá para todos os casos semelhantes no Brasil. Ao mesmo tempo, duas ações diretas de inconstitucionalidade questionam o dispositivo que reservou exclusivamente ao Ministério Público a legitimidade para propor essas ações — ponto sobre o qual o ministro Alexandre de Moraes já havia concedido liminar em sentido contrário, abrindo espaço para pessoas jurídicas interessadas.
A soberania do júri também entra na pauta: o tribunal enfrentará a questão de saber se uma absolvição fundada em clemência, mas aparentemente contrária às provas, pode ser anulada por instância superior. O tema tem repercussão geral reconhecida, o que revela seu peso para o funcionamento da justiça criminal brasileira.
Outros assuntos relevantes incluem a federalização de crimes contra direitos humanos, o acesso policial a dados de celulares encontrados em cenas de crime, questões do Código Florestal — como a distinção entre aterro sanitário e lixão em Áreas de Preservação Permanente — e temas trabalhistas como a Lei dos Caminhoneiros e o contrato intermitente da Reforma Trabalhista de 2017.
A última sessão plenária sob o comando de Fux está prevista para 8 de agosto. Em 12 de setembro, a ministra Rosa Weber assume a presidência da corte. A transição ocorre sob a preocupação dos ministros com o feriado de 7 de setembro, data que nos últimos anos tem sido marcada por manifestações de tom antidemocrático.
Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal, apresentou em julho a relação de casos que a corte máxima julgará em agosto e no início de setembro — período que marca o final de sua gestão à frente do tribunal. A agenda é densa e toca em questões que atravessam o direito administrativo, penal, eleitoral e ambiental, revelando as tensões jurídicas que o país carrega neste momento.
Entre os temas mais relevantes está a discussão sobre a retroatividade da lei de improbidade administrativa. O tribunal precisará decidir se as mudanças introduzidas pela Lei 14.230/2021 — que alterou a Lei 8.429/1992 — podem ser aplicadas retroativamente ao prazo de prescrição para ações de ressarcimento e aos atos de improbidade na modalidade culposa. A questão chegou ao STF através de um Recurso Extraordinário com Agravo que já teve sua repercussão geral reconhecida, o que significa que a decisão valerá para todos os casos similares no país. Paralelamente, duas outras ações diretas de inconstitucionalidade questionam outros dispositivos da mesma lei, particularmente aquele que reservou apenas ao Ministério Público a legitimidade para propor ações de improbidade. Em fevereiro, o ministro Alexandre de Moraes já havia concedido uma liminar permitindo que pessoas jurídicas interessadas também pudessem ajuizar essas ações, criando uma situação que o plenário agora precisará resolver definitivamente.
Outro ponto de grande importância é a soberania do júri. O tribunal enfrentará a questão de saber se um tribunal de segunda instância pode ordenar a realização de um novo julgamento quando a absolvição tenha ocorrido com base em um quesito genérico — motivada por clemência, piedade ou compaixão — mas em aparente contradição com as provas dos autos. Este caso também já teve sua repercussão geral reconhecida, o que indica sua relevância sistêmica para o funcionamento da justiça criminal.
A pauta também inclui a federalização dos crimes contra direitos humanos, um tema que emerge da Emenda Constitucional 45 de 2004, conhecida como Reforma do Judiciário. O tribunal se pronunciará sobre como essa federalização deve funcionar na prática. Além disso, questões sobre sigilo de dados e comunicações telefônicas ganharão espaço nos julgamentos, particularmente no que diz respeito ao acesso de autoridades policiais a dados de celulares encontrados em cenas de crime.
O Código Florestal também retorna à pauta, com o tribunal examinando embargos de declaração que abordam diferenças entre conceitos de aterro sanitário e lixão, a possibilidade de continuidade de aterros em Áreas de Preservação Permanente, e questões sobre compensação ambiental entre áreas de identidade ecológica similar. Questões trabalhistas também comparecem, incluindo discussões sobre a Lei dos Caminhoneiros e o contrato de trabalho intermitente criado pela Reforma Trabalhista de 2017.
A última sessão plenária sob o comando de Fux está marcada para 8 de agosto. A partir de setembro, a ministra Rosa Weber, atual vice-presidente, assumirá a presidência da corte. Sua posse está prevista para 12 de setembro. Os ministros expressam preocupação com o feriado de 7 de setembro, data que tem sido marcada por tensões e episódios de atos antidemocráticos em anos anteriores. A transição de comando ocorre em um momento em que o tribunal enfrenta uma agenda particularmente carregada, com decisões que afetarão desde a forma como se processa improbidade administrativa até o funcionamento de instituições fundamentais como o júri.
Citazioni salienti
Ministros estão preocupados com o feriado do 7 de Setembro, sob o qual pairam tensões considerando episódios de atos antidemocráticos em anos anteriores— Informações divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal