Sprites: os raros «espíritos vermelhos» capturados acima das trovoadas

Espíritos vermelhos a dançar a 650 quilómetros de distância
A perspetiva enganosa das imagens de Florian Riou mostra sprites que parecem estar acima de uma aldeia francesa, mas estão realmente muito longe.
Mark

Porque é que os sprites são tão difíceis de fotografar, se sabemos que vão acontecer durante uma tempestade?

Mimi

Porque não acontecem onde a tempestade está. Formam-se a 90 quilómetros de altitude, acima das nuvens, portanto quem está no chão debaixo da trovoada não os vê. É preciso estar muito longe, com visibilidade clara, e ter câmaras muito sensíveis.

Luke

Mas o Florian Riou sabia que havia uma tempestade a chegar. Como é que ele soube exatamente quando e onde apontar a câmara?

Mimi

Ele planeou tudo. Consultou as previsões meteorológicas, escolheu um local com boa visibilidade — a Córsega — e esperou. A tempestade estava a 650 quilómetros de distância, em direção a Espanha. Mesmo assim, teve sorte com as condições.

Mark

E quanto tempo duram? Consegue-se realmente vê-los a olho nu?

Mimi

Duram milissegundos. Teoricamente consegue-se vê-los a olho nu se estiver no sítio certo, à noite, com boa visibilidade. Mas é tão rápido que a maioria das pessoas nunca os vê.

Luke

Quantas pessoas conseguem estar no sítio certo, à noite, com equipamento fotográfico profissional, quando uma tempestade específica está a 650 quilómetros de distância? É por isso que as primeiras fotos só surgiram em 1989.

Mimi

Exatamente. E mesmo agora, com satélites e a Estação Espacial Internacional a monitorizar, as imagens são raras. O que o Riou fez foi notável porque combinou planeamento, sorte e equipamento adequado.

Mark

Porque é que são vermelhos? É sempre a mesma cor?

Mimi

São vermelhos porque a descarga elétrica interage com o azoto na atmosfera, e o azoto emite essa luz vermelha. É uma reação química simples, mas visualmente muito dramática.

Luke

E os filamentos que se veem nas fotos — aquilo que parece medusas — são reais ou é um artefato da câmara?

Mimi

São reais. Os filamentos podem ter até 60 quilómetros de comprimento. A estrutura ramificada é genuína, criada pela forma como a eletricidade se propaga naquela altitude.

  • Sprites duram apenas milissegundos a 90 km de altitude, tornando a sua captura um desafio quase impossível para olhos e câmaras comuns.
  • A sua cor vermelha não é acidental: resulta da interferência elétrica com moléculas de azoto, num processo que ocorre na mesosfera durante relâmpagos de carga positiva de intensidade extrema.
  • O fotógrafo francês Florian Riou planeou meticulosamente a noite de 16 para 17 de setembro e conseguiu imagens de sprites a 650 km de distância, a partir da Córsega — uma captura que exigiu previsão meteorológica, equipamento sensível e posicionamento estratégico.
  • Dias depois, a 11 de outubro, nova fotografia captada também na Córsega mostrou sprites formados sobre Nápoles, a 522 km, reacendendo o interesse público e científico pelo fenómeno.
  • Cada imagem obtida alimenta um arquivo crescente que ajuda investigadores a compreender melhor a eletricidade atmosférica extrema, como demonstrou o estudo de 2025 sobre sprites observados nos Himalaias em 2022.

A dezenas de quilómetros acima das nuvens mais violentas, a atmosfera guarda um segredo luminoso que dura menos tempo do que um piscar de olhos: os sprites, descargas elétricas vermelhas que rasgam a mesosfera durante as trovoadas mais intensas. Conhecidos pela ciência desde 1989, estes fenómenos transitórios desafiam a observação humana pela sua brevidade, altitude e raridade — e continuam a ser capturados, com paciência e tecnologia, por fotógrafos que aprendem a olhar para longe quando a tempestade está longe.

A milissegundos de duração e a 90 quilómetros de altitude, os sprites são clarões vermelhos que rasgam a mesosfera durante as trovoadas mais violentas. A sua cor característica resulta da interferência elétrica com moléculas de azoto — não é coincidência, é física. Pertencem à família dos fenómenos transitórios: surgem e desaparecem antes que a maioria dos instrumentos consiga registá-los.

Formam-se a partir de relâmpagos de carga positiva entre nuvens e solo, criando estruturas ramificadas que lembram medusas ou espíritos dançantes. Um único sprite pode cobrir 100 quilómetros de diâmetro, com filamentos de até 60 quilómetros de comprimento — dimensões imensas para algo que ninguém consegue ver a olho nu em tempo real.

As primeiras fotografias só foram obtidas em 1989. Desde então, câmaras em aviões, satélites e na Estação Espacial Internacional têm sido os principais instrumentos de observação. O paradoxo é que a melhor estratégia para os fotografar é estar muito longe da tempestade: como se formam a grande altitude, podem ser vistos a centenas de quilómetros de distância.

Foi exatamente isso que fez o fotógrafo francês Florian Riou em meados de setembro. A partir de Calvi, na Córsega, com a tempestade a 650 quilómetros em direção às Baleares, Riou aguardou a noite certa — prevista pelos modelos meteorológicos — e às 23h03 de 16 de setembro registou vários sprites vermelhos sobre uma aldeia francesa. A perspetiva enganava: os sprites estavam, na realidade, a 500 a 700 quilómetros de distância.

A 11 de outubro, nova captura na Córsega mostrou sprites formados sobre Nápoles, a 522 quilómetros. Estas imagens recentes somam-se a outras registadas em Espanha no início de setembro e reacendem o fascínio por um fenómeno que a ciência ainda estuda com afinco — como prova o trabalho publicado em 2025 sobre sprites extraordinários observados nos Himalaias em maio de 2022.

Há alguns milissegundos, a 90 quilómetros acima da superfície terrestre, descargas elétricas extraordinariamente intensas rasgam a mesosfera. São vermelhos — não por acaso, mas porque a eletricidade que os forma interfere com as moléculas de azoto da atmosfera, forçando-as a emitir essa cor característica. Chamam-se sprites, e pertencem a uma categoria de fenómenos que os cientistas designam por transitórios, porque desaparecem tão depressa quanto surgem.

Esses clarões só ocorrem durante as trovoadas mais violentas, quando a energia acumulada nas nuvens atinge níveis extremos. A descarga típica é um relâmpago de carga positiva que salta entre a nuvem e o solo, mas o que torna os sprites únicos é a sua altitude e a sua geometria. Quando se formam, criam estruturas com filamentos ramificados que se estendem para baixo, assemelhando-se a medusas ou, como o nome sugere, a espíritos dançando no céu. Um único sprite pode cobrir uma área de até 100 quilómetros de diâmetro, com filamentos que atingem 60 quilómetros de comprimento.

A raridade destes fenómenos não reside apenas na sua brevidade ou na necessidade de condições atmosféricas extremas. O verdadeiro desafio está em capturá-los em imagem. Ocorrem acima das nuvens da tempestade, fora do alcance visual de quem se encontra no solo sob a trovoada. São pouco luminosos e desaparecem em milissegundos. Por isso, as primeiras fotografias só foram conseguidas em 1989, e desde então a sua observação tem dependido de equipamento sofisticado — câmaras instaladas em aviões, satélites e na Estação Espacial Internacional.

A melhor estratégia para os fotografar é estar muito longe. Porque se formam a uma altitude tão elevada, podem ser observados a centenas de quilómetros de distância, desde que as condições de visibilidade sejam favoráveis e o equipamento fotográfico seja suficientemente sensível. No meio de setembro, o fotógrafo francês Florian Riou conseguiu imagens notáveis a partir de Calvi, na Córsega. A tempestade que originou os sprites estava a cerca de 650 quilómetros de distância, em direção às Baleares e ao sul de Espanha. Riou tinha planeado tudo antecipadamente, sabendo pelas previsões meteorológicas que a noite de 16 para 17 de setembro seria adequada. A descarga ocorreu às 23 horas e 3 minutos. Nas suas imagens e vídeo, veem-se casas e uma igreja de uma aldeia francesa iluminadas, com vários sprites vermelhos vivos a aparecer acima delas — mas a perspetiva é enganadora. Os sprites estavam realmente a 500 a 700 quilómetros de distância, não sobre a aldeia.

Este fim de semana, no dia 11 de outubro, surgiu uma imagem ainda mais recente, também capturada na Córsega. Os sprites nesta fotografia formaram-se acima de Nápoles, a aproximadamente 522 quilómetros de distância. Estas capturas recentes juntam-se a outras registadas em Espanha no início de setembro e reacendem o interesse público por um fenómeno que, apesar de raro e efémero, continua a fascinar cientistas e fotógrafos. Em 2025, investigadores conseguiram explicar a origem de sprites particularmente impressionantes observados sobre os Himalaias em maio de 2022. Cada nova imagem adiciona dados a um arquivo crescente de observações que ajuda a compreender melhor estas manifestações extremas da eletricidade atmosférica.

As tempestades que deram origem aos sprites estariam a 500 a 700 quilómetros da câmara, mas tudo parecia estar a acontecer sobre a aldeia — era uma questão de perspetiva.
— Florian Riou, fotógrafo francês
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