Diante do avanço silencioso do sarampo e de coberturas vacinais que ficam muito aquém das metas nacionais, São Paulo convoca seus 645 municípios para uma campanha de multivacinação voltada a menores de 15 anos. O 15º caso confirmado em 2026 — uma criança de Guarulhos que jamais havia sido vacinada — empresta urgência moral a uma ação que oferece 16 imunizantes e lembra que a proteção coletiva se constrói uma caderneta de cada vez. A eficácia da iniciativa dependerá, no fim, de uma escolha individual repetida milhões de vezes: a de comparecer ao posto.
SP inicia campanha de multivacinação para menores de 15 anos na segunda
Quando a cobertura vacinal cai abaixo de 95%, o vírus encontra brechas
Por que o sarampo voltou a aparecer agora, em 2026?
O sarampo nunca desapareceu completamente. Ele circula onde encontra pessoas sem proteção. Quando a cobertura vacinal cai abaixo de 95%, o vírus encontra brechas. A criança em Guarulhos que contraiu a doença nunca havia sido vacinada — é exatamente o cenário que permite a transmissão.
E por que as coberturas caíram tanto? 77,5% parece baixo para um estado rico como São Paulo.
Há várias razões. Pandemia, desorganização de serviços, hesitação vacinal, falta de acesso em algumas regiões. Mas o ponto é que 22,5% das crianças ainda não receberam a primeira dose. Isso é milhões de pessoas desprotegidas.
A "dose zero" para bebês de 6 meses é realmente necessária?
É uma estratégia de urgência. Normalmente, a vacinação começa aos 12 meses. Mas quando há circulação do vírus, antecipar a proteção faz sentido. Essa dose não substitui o calendário regular — é um escudo extra enquanto o bebê espera pelas doses oficiais.
Qual é o risco real de um surto maior?
Depende de quantas pessoas conseguem se vacinar na campanha. Se a cobertura subir para perto de 95%, o risco cai drasticamente. Se ficar onde está, o sarampo pode encontrar mais vítimas. É por isso que a campanha em 645 municípios é tão importante — precisa ser massiva.
E os adultos? Por que incluir pessoas de até 59 anos nas três cidades?
Porque adultos também podem contrair sarampo e transmitir para crianças pequenas demais para serem vacinadas. Ampliar a cobertura em toda a população reduz a circulação do vírus. É proteção em camadas.
O Pulso
- Com apenas 77,5% de cobertura na primeira dose da tríplice viral — quase 18 pontos abaixo da meta federal —, São Paulo enfrenta uma janela perigosa de vulnerabilidade imunológica.
- O 15º caso de sarampo do ano, confirmado em uma criança não vacinada de Guarulhos, transforma estatísticas em consequências humanas concretas.
- A campanha mobiliza todos os 645 municípios do estado e, nas três maiores cidades, amplia o público-alvo para adultos de 6 meses a 59 anos, com ênfase no reforço contra sarampo.
- Dezesseis imunizantes estarão disponíveis, e equipes verificarão individualmente cada caderneta para identificar doses em atraso — a campanha é um diagnóstico e um remédio ao mesmo tempo.
- Bebês entre 6 e 11 meses receberão uma 'dose zero' da tríplice viral como escudo emergencial, sem substituir o calendário regular, numa aposta de proteção antecipada.
Diante do avanço silencioso do sarampo e de coberturas vacinais que ficam muito aquém das metas nacionais, São Paulo convoca seus 645 municípios para uma campanha de multivacinação voltada a menores de 15 anos. O 15º caso confirmado em 2026 — uma criança de Guarulhos que jamais havia sido vacinada — empresta urgência moral a uma ação que oferece 16 imunizantes e lembra que a proteção coletiva se constrói uma caderneta de cada vez. A eficácia da iniciativa dependerá, no fim, de uma escolha individual repetida milhões de vezes: a de comparecer ao posto.
São Paulo coloca em movimento, a partir de segunda-feira, uma ampla operação de vacinação infantil: todos os 645 municípios do estado abrirão postos para a Campanha de Multivacinação, com foco em crianças e adolescentes menores de 15 anos. Nas três cidades mais populosas — São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo —, a ação se expande para adultos de 6 meses a 59 anos, com ênfase especial no reforço contra sarampo.
O momento não é casual. Na quinta-feira, o Centro de Vigilância Epidemiológica confirmou o 15º caso de sarampo no estado em 2026. A criança infectada, moradora de Guarulhos, nunca havia recebido a vacina — um sinal concreto de fragilidade. Os números oficiais revelam a lacuna: 77,5% das crianças tomaram a primeira dose da tríplice viral e apenas 65,5% completaram o esquema. O Ministério da Saúde exige 95% em cada etapa.
Pais e responsáveis devem levar as cadernetas aos postos, onde equipes identificarão quais doses cada criança ainda precisa. O cardápio é amplo: 16 imunizantes, do BCG ao HPV, cada um com seu calendário específico. Para bebês entre 6 e 11 meses, há ainda uma 'dose zero' da tríplice viral — um reforço estratégico que não substitui as aplicações regulares, mas busca criar proteção mais rápida diante da circulação ativa do vírus.
Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica, explicou que a expansão da campanha nas três cidades visa aumentar rapidamente a proteção populacional e reduzir o risco de transmissão. É uma corrida contra o tempo. Os postos estarão abertos — a pergunta agora é se os pais virão.
São Paulo coloca em movimento, a partir de segunda-feira, uma das maiores operações de vacinação infantil do ano. Todos os 645 municípios do estado abrirão postos para a Campanha de Multivacinação, com foco em crianças e adolescentes menores de 15 anos. Nas três cidades mais populosas — São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo — a ação se expande: adultos de 6 meses a 59 anos também poderão se vacinar, com ênfase especial no reforço contra sarampo.
O timing não é casual. Nesta quinta-feira, o Centro de Vigilância Epidemiológica confirmou o 15º caso de sarampo no estado em 2026. A criança infectada, moradora de Guarulhos, nunca havia recebido a vacina. É um sinal de que as coberturas vacinais estão frágeis. Os números oficiais mostram a lacuna: 77,5% das crianças receberam a primeira dose da tríplice viral, e apenas 65,5% completaram o esquema com a segunda dose. O Ministério da Saúde estabelece 95% como meta obrigatória para cada uma delas. O estado está 17,5 pontos percentuais abaixo do alvo na primeira dose, e quase 30 pontos na segunda.
Os pais e responsáveis devem levar as cadernetas de vacinação aos postos. As equipes farão a verificação individual, identificando quais doses cada criança ou adolescente ainda precisa receber conforme sua idade e histórico. A campanha não é apenas sobre sarampo. O cardápio de imunizantes disponíveis é amplo: BCG, hepatite A e B, pentavalente, poliomielite inativada, rotavírus, pneumocócica 10-valente, meningocócica C e ACWY, influenza, Covid-19, febre amarela, tríplice viral, varicela, DTP e HPV. Dezesseis vacinas ao todo, cada uma com seu calendário e indicações específicas.
Para os menores de um ano, há um detalhe importante. Crianças entre 6 e 11 meses e 29 dias receberão uma "dose zero" da tríplice viral durante a campanha. Essa aplicação não substitui as doses regulares previstas no Calendário Nacional — aos 12 e aos 15 meses. É um reforço estratégico, uma tentativa de criar proteção mais rápida em um momento de circulação do vírus.
Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica, explicou a lógica por trás da estratégia ampliada nas três cidades. A atualização das cadernetas é fundamental para proteger crianças e adolescentes contra doenças que podem ser prevenidas por vacina. Diante do cenário do sarampo, a expansão da campanha busca aumentar rapidamente a proteção da população e reduzir o risco de transmissão. É uma corrida contra o tempo — quanto mais pessoas vacinadas, menor a chance de novos casos.
O que vem pela frente é um teste de mobilização. Seiscentos e quarenta e cinco municípios, dezesseis vacinas, uma população infantil que precisa ser alcançada. Os postos estarão abertos. A pergunta agora é se os pais virão.
Citações Notáveis
A atualização da caderneta é fundamental para proteger crianças e adolescentes contra doenças imunopreveníveis. Diante do cenário do sarampo, a estratégia ampliada nos três municípios busca aumentar rapidamente a proteção da população e reduzir o risco de transmissão.— Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica