Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro levam parceria do álbum 'Handycam' ao Coala Festival

entramos numa espécie de convergência simbiótica
Vaqueiro descreve como a parceria criativa com Chablau se aprofundou durante a confecção do álbum.
Mark

Como é que uma parceria assim nasce? Eles se conheceram em um festival, em uma rede social?

Mimi

Não fica claro no relato como exatamente se conheceram. O que sabemos é que Chablau reconheceu em Vaqueiro algo que procurava — alguém da idade dela que levasse a composição a sério. Ela começou a insistir para colaborarem.

Luke

Isso é importante notar: a gente não sabe o contexto do encontro. Pode ter sido um festival, pode ter sido uma indicação, pode ter sido qualquer coisa. A reportagem pula essa parte.

Mark

E por que o disco soa tão coeso se vêm de lugares tão diferentes?

Mimi

Eles tinham uma preocupação comum: fazer algo indie que soasse brasileiro. Vaqueiro achava que o nicho deles era muito reverente com a música estrangeira. Então havia uma intenção clara de trazer brasilidade para o trabalho.

Luke

Mas a gente não ouve o disco. Não sabemos se conseguiram. Sabemos que eles acreditam que conseguiram, e que "Campo Minado" é a faixa que chegou mais perto disso. Mas é uma avaliação deles, não uma análise de quem ouviu.

Mark

Eles tocam juntos há quanto tempo?

Mimi

Começaram a tocar ao vivo juntos em algum momento antes de lançar o single "Ohayo Saravá" no ano passado. Depois vieram o single e o álbum "Handycam". Mas a cronologia exata não está clara.

Luke

Exato. Sabemos que lançaram "Ohayo Saravá" e depois "Handycam" no ano passado, mas não sabemos quanto tempo antes disso eles começaram a tocar juntos. Pode ter sido meses, pode ter sido semanas.

Mark

E essa turnê que estão fazendo agora, é só para apresentar o álbum ou é algo maior?

Mimi

Eles estão passando por várias cidades do país e levando músicas inéditas. Então é mais do que apenas tocar "Handycam" — é um projeto em movimento, com novo material sendo desenvolvido.

Luke

Mas não sabemos quantas cidades, quando começou, quando termina, ou qual é o tamanho dessa turnê. Sabemos que existe e que passa por "várias cidades", mas os detalhes práticos não estão no relato.

  • A tensão entre influência estrangeira e identidade nacional guiou cada decisão criativa do disco, tornando a questão 'o que é soar brasileiro hoje?' o fio condutor invisível de 'Handycam'.
  • A guerra na Palestina e uma paixão pessoal por uma cineasta irromperam no processo criativo com força suficiente para virar faixas — a urgência do mundo real não esperou pela arte.
  • A colaboração chegou a um ponto de fusão tão profundo que nem os próprios colegas conseguiam distinguir quem havia escrito o quê, sinal de que a parceria havia ultrapassado a soma das partes.
  • Enquanto Chablau considerava o disco pronto muito antes do fim, Vaqueiro acumulou 500 takes de guitarra — essa tensão entre o suficiente e o necessário moldou o som final.
  • A dupla chega ao Coala Festival não apenas para apresentar um álbum já lançado, mas carregando músicas inéditas e a energia de uma turnê nacional em curso.

Em tempos em que a música independente brasileira busca sua própria voz entre influências globais, dois compositores de gerações e geografias próximas — Sophia Chablau, de São Paulo, e Felipe Vaqueiro, da Bahia — encontraram um ao outro como quem reconhece um espelho raro. O álbum 'Handycam', que apresentam neste domingo no Coala Festival, no Memorial da América Latina, nasceu da convergência entre urgências políticas — a guerra na Palestina — e impulsos íntimos, tudo atravessado pela pergunta de como soar genuinamente brasileiro sem abrir mão da contemporaneidade. A turnê que os leva pelo país é, em certo sentido, a continuação natural de uma parceria que começou como insistência e se tornou simbiose.

Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro se encontraram como quem reconhece algo raro no outro. Ela, com 26 anos e já consolidada na cena independente paulistana pela banda Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo; ele, com 29, tocando com Tangolo Mangos na Bahia. Quando se cruzaram, Chablau viu nele um compositor que tratava a composição como prioridade, não como passatempo. Insistiu para que trabalhassem juntos. O trabalho saiu rápido.

O álbum 'Handycam' nasceu de urgências que se entrelaçavam: a guerra e as mortes na Palestina geraram 'Quantos Serão no Final?', enquanto a paixão por uma jovem cineasta virou 'Cinema Brasileiro'. Mas havia uma terceira preocupação, mais estrutural — queriam fazer um disco que soasse brasileiro apesar de indie, numa cena que, na visão deles, era demasiado reverente com a música estrangeira. 'Campo Minado' capturou melhor essa intenção: começou como um baião soteropolitano e se transformou conforme a banda tocava junto.

A parceria chegou a uma fusão tão intensa que os próprios colegas se perdiam tentando identificar quem havia escrito o quê. Vaqueiro brinca que entraram numa 'convergência simbiótica'. Chablau considerou o disco pronto muito antes de estar finalizado — por ela, não mudaria uma nota. Mas foram os 500 takes de guitarra de Vaqueiro, as vozes dobradas, as camadas acumuladas, que revelaram a ela que a parceria havia acertado.

Neste domingo, a dupla leva 'Handycam' ao Coala Festival, no Memorial da América Latina, como parte de uma turnê que percorre o país com músicas inéditas. O que começou como a insistência de uma artista paulistana em trabalhar com um compositor baiano tornou-se um projeto que circula o Brasil, carregando as urgências — políticas e pessoais — que o fizeram nascer.

Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro se conheceram porque precisavam um do outro — ou assim parece agora, olhando para trás. Ela tinha 26 anos, vinha da banda Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo, já consolidada na cena independente de São Paulo. Ele tinha 29, tocava com Tangolo Mangos na Bahia. Quando se cruzaram, Chablau reconheceu algo raro: um compositor da sua geração que tratava a composição como prioridade, não como hobby. Ela começou a insistir para que fizessem algo juntos. O trabalho saiu rápido. Começaram tocando ao vivo, e no ano passado lançaram o single "Ohayo Saravá", seguido do álbum "Handycam".

O disco nasceu de duas urgências que se entrelaçavam. Uma era política: a guerra e as mortes na Palestina geraram a faixa "Quantos Serão no Final?". A outra era pessoal: a paixão por uma jovem cineasta virou "Cinema Brasileiro". Mas havia uma terceira preocupação, mais estrutural, que guiou todo o processo. Vaqueiro e Chablau queriam fazer um trabalho que soasse brasileiro apesar de indie — e isso importava porque, na visão deles, o nicho em que circulavam era demasiado reverente com a música estrangeira. A faixa que melhor capturou essa intenção foi "Campo Minado", que começou como um baião do soteropolitano e se transformou conforme a banda — Biel Basile na bateria, Marcelo Cabral no baixo — tocava junto.

A parceria criativa entre os dois chegou a um ponto que seus próprios colegas se perdiam tentando identificar quem tinha escrito o quê. Vaqueiro brinca que entraram numa "convergência simbiótica". Chablau conta que considerou o disco pronto muito antes de estar de fato finalizado — por ela, não mudaria uma nota. Mas Vaqueiro gravou 500 takes de guitarra, dobrou vozes, e o trabalho cresceu com essas camadas. Foi quando ela viu que a parceria tinha acertado.

Este domingo, a dupla leva esse álbum ao Coala Festival, no Memorial da América Latina. Não é apenas uma apresentação de um disco já lançado. Eles estão em turnê pelo país, passando por várias cidades, e levam também músicas inéditas. Para Chablau, há algo bonito em poder tocar com pessoas que vêm de lugares diferentes e mostrar o que estão produzindo. A colaboração que começou como insistência de uma artista de São Paulo em trabalhar com um compositor da Bahia virou agora um projeto que circula o Brasil, carregando consigo as urgências políticas e pessoais que o geraram.

Tem muitas músicas que eu só fiz porque eu conheci ele, e vice-versa
— Sophia Chablau
O nosso nicho é muito paga pau de gringo
— Felipe Vaqueiro
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