Em meio à escassez global de semicondutores que mantinha o PlayStation 5 fora do alcance de milhões de consumidores, a Sony se viu obrigada a desmentir uma narrativa que, embora plausível, contrariava sua versão oficial: a de que a continuidade do PS4 sempre foi parte de uma estratégia deliberada de transição geracional, e não uma resposta improvisada à crise. A empresa negou categoricamente o relatório da Bloomberg, mas o mercado — com suas prateleiras vazias e filas virtuais — contava uma história mais complexa do que qualquer comunicado corporativo poderia apagar.
Sony nega que produção contínua do PS4 compense falta do PS5
Nunca houve planos para encerrar a produção do PS4
Por que a Sony se importaria em desmentir um rumor sobre o PS4 se ele não fosse prejudicial à sua imagem?
Porque sugeria que a empresa estava improvisando, que não tinha um plano real. A narrativa era: "Sony não consegue fazer PS5, então está reciclando o PS4 como solução de emergência." Isso mina a confiança de quem espera pelo console novo.
Mas não é exatamente isso que estava acontecendo?
Talvez. Mas a Sony precisava contar uma história diferente — que tudo fazia parte do plano original, que havia sempre havido espaço para ambos os consoles. É sobre controle narrativo quando você não consegue controlar a produção.
A Microsoft simplesmente parou de fazer Xbox One. Por que a Sony não fez o mesmo?
Porque o PS4 ainda vendia. Havia demanda real de consumidores que não podiam ou não queriam pagar pelo PS5. A Microsoft estava apostando em uma transição mais rápida. A Sony escolheu ser mais conservadora.
Isso significa que a Sony estava sendo mais inteligente ou apenas mais desesperada?
Provavelmente ambas as coisas. Manter o PS4 em produção significava receita garantida enquanto o PS5 permanecia escasso. Mas também significava admitir que não conseguia satisfazer a demanda pelo console novo.
E quanto à compra da Activision? Como isso se encaixa?
Era um sinal de que a Microsoft estava pensando em longo prazo, em consolidação de poder. Enquanto isso, a Sony estava presa em um problema de curto prazo — conseguir chips suficientes para fazer consoles. Dois problemas completamente diferentes.
O Pulso
- A Bloomberg acendeu uma faísca ao revelar que a Sony teria mudado seus planos por causa da pandemia, mantendo o PS4 vivo como substituto acessível para um PS5 que simplesmente não chegava às lojas.
- A Sony reagiu com velocidade e firmeza, concedendo entrevista ao NLab para negar que qualquer mudança de estratégia havia ocorrido — insistindo que dois consoles em produção simultânea sempre foi o plano.
- A crise de chips permanecia intocada pelo desmentido: o PS5 continuava escasso, e a empresa se recusava a revelar quando, afinal, o PS4 seria descontinuado.
- No mesmo período, a Sony absorvia outro impacto — a desvalorização de US$ 20 bilhões em ações após o anúncio da compra da Activision Blizzard pela Microsoft, que já havia encerrado a produção do Xbox One.
- A empresa podia controlar a narrativa sobre seus planos, mas não podia controlar a realidade que a pandemia havia imposto à indústria inteira.
Em meio à escassez global de semicondutores que mantinha o PlayStation 5 fora do alcance de milhões de consumidores, a Sony se viu obrigada a desmentir uma narrativa que, embora plausível, contrariava sua versão oficial: a de que a continuidade do PS4 sempre foi parte de uma estratégia deliberada de transição geracional, e não uma resposta improvisada à crise. A empresa negou categoricamente o relatório da Bloomberg, mas o mercado — com suas prateleiras vazias e filas virtuais — contava uma história mais complexa do que qualquer comunicado corporativo poderia apagar.
No início de 2022, a Sony se via diante de uma história inconveniente: estaria fabricando mais PlayStation 4 porque simplesmente não conseguia produzir PS5 em quantidade suficiente. A escassez de chips havia paralisado a indústria, e o console mais novo permanecia quase impossível de encontrar. A Bloomberg reportou que a empresa havia mudado seus planos originais de encerrar a produção do PS4 — lançado em 2013 — decidindo mantê-lo como alternativa acessível para quem não conseguia comprar o sucessor.
A Sony respondeu rapidamente, em entrevista ao site japonês NLab, sendo categórica: nunca havia planejado descontinuar o PS4 no final de 2021. Manter ambos os consoles em produção simultânea sempre teria sido parte de sua estratégia — uma prática comum em períodos de transição geracional, quando o hardware antigo ainda possui base sólida de usuários e o novo ainda não está amplamente disponível.
A empresa, porém, se recusou a revelar quando o PS4 seria finalmente descontinuado, mantendo a questão em aberto. E a crise de semicondutores continuava sendo um obstáculo real para ampliar a produção do PS5 — um problema concreto que nenhum comunicado resolvia.
A posição da Sony contrastava com a da Microsoft, que havia encerrado completamente a produção do Xbox One, concentrando esforços nos modelos Series S e X. Naquela mesma semana, a Sony ainda absorvia outro golpe: suas ações perderam US$ 20 bilhões em valor após o anúncio da aquisição da Activision Blizzard pela rival americana. A empresa podia desmentir rumores, mas não podia escapar da realidade que a pandemia havia construído ao seu redor.
No início de 2022, a Sony enfrentava uma narrativa incômoda: a empresa estaria fabricando mais PlayStation 4 justamente porque não conseguia produzir PlayStation 5 em quantidade suficiente. Era uma história que fazia sentido — durante a pandemia, a escassez de chips havia paralisado a indústria de eletrônicos, e o console mais novo da Sony permanecia praticamente impossível de encontrar nas prateleiras. Então a Bloomberg publicou um relatório afirmando que a companhia havia mudado seus planos: originalmente pretendia encerrar a produção do PS4, lançado em 2013, mas decidiu mantê-lo vivo como uma alternativa acessível para consumidores que não conseguiam comprar o PS5.
A Sony respondeu rapidamente, concedendo uma entrevista ao site japonês NLab para desmentir a história. A empresa foi categórica: nunca havia planejado descontinuar o PS4 no final de 2021. Segundo a companhia, manter ambos os consoles em produção simultânea sempre foi parte de sua estratégia — uma abordagem comum durante períodos de transição entre gerações, quando o hardware antigo ainda possui uma base de usuários considerável e o novo ainda não está amplamente disponível.
O comunicado da Sony Interactive Entertainment enfatizava que a continuidade da produção do PS4 não tinha relação alguma com a falta de unidades do PS5 no mercado. Era uma negação direta e sem nuances: não havia suspensão de planos, não havia mudança de estratégia por causa da pandemia. A empresa simplesmente mantinha vivos dois produtos simultaneamente, como havia sempre pretendido fazer.
Mas a Sony também deixou claro que não diria quando descontinuaria o PS4. A empresa se recusava a comentar sobre um cronograma específico, mantendo a questão em aberto. Enquanto isso, a crise global de semicondutores continuava sendo um obstáculo real para aumentar a produção do PS5 — esse era um problema concreto que a companhia enfrentava, diferente da narrativa sobre o PS4.
A posição da Sony contrastava com a de seu principal rival. A Microsoft havia anunciado recentemente que havia encerrado completamente a produção do Xbox One, focando seus esforços nos modelos Series S e Series X. Enquanto isso, a companhia continuaria vendendo as unidades do Xbox One que ainda tinha em estoque. Era uma estratégia mais agressiva de transição geracional, diferente da abordagem mais cautelosa da Sony.
Naquela mesma semana, a Sony havia sofrido outro golpe: suas ações desvalorizaram US$ 20 bilhões após a Microsoft anunciar a compra da Activision Blizzard. O futuro das propriedades intelectuais do estúdio — incluindo a franquia Call of Duty — permanecia indefinido. Ambas as empresas, porém, sinalizaram que pretendiam manter o Call of Duty disponível no PlayStation em um futuro próximo, sugerindo que a aquisição não resultaria em exclusividade imediata.
O que a Sony não podia negar era a realidade do mercado: o PS5 continuava escasso, o PS4 continuava sendo vendido, e a indústria de semicondutores continuava enfrentando gargalos. A empresa podia desmentir os rumores sobre mudanças de planos, mas não podia escapar da situação que havia criado — ou, mais precisamente, que a pandemia havia criado para ela.
Citações Notáveis
Não é verdade que a suspensão da produção do PS4 foi retirada devido à falta do PS5. Não havia planos para encerrar a produção do PS4 no final do ano passado— Sony Interactive Entertainment