A bilhões de quilômetros da Terra, uma máquina do tamanho de um carro parou por um momento para contemplar o amanhecer em outro mundo. A sonda Curiosity, em operação desde 2012, fotografou o Sol nascente iluminando penhascos marcianoss com mais de 3 bilhões de anos — formações chamadas yardangs, esculpidas pelo vento a partir de sedimentos vulcânicos, que guardam em suas camadas a memória de um planeta outrora úmido e habitável. É uma imagem que fala tanto sobre o passado de Marte quanto sobre a persistência humana em compreender o universo que nos cerca.
Sonda Curiosity captura amanhecer espetacular em Marte com formações rochosas bilionárias
O céu é alaranjado e o nascer do Sol tem tons de azul
Por que essa imagem do amanhecer em Marte é importante? Parece uma foto bonita, mas qual é a relevância científica?
A imagem em si é principalmente uma oportunidade de comunicação — mostra o trabalho da sonda de forma visceral. Mas o que realmente importa é o que ela revela sobre a geologia. Aquela camada rochosa, o yardang, é uma formação que os cientistas ainda não tinham estudado de perto.
Espera — a Curiosity já está em Marte desde 2012. Ela não deveria ter passado por essa camada já?
Não, porque ela está subindo o Monte Sharp gradualmente. Ela já ganhou mais de um quilômetro de altitude, mas a camada de yardang fica mais acima. A Nasa estima que a sonda chegue lá em 2027 ou 2028.
E quando chegar, o que ela vai fazer?
Vai usar seus instrumentos para examinar a geologia minuciosamente. A camada é interessante porque parece ter uma origem diferente — sedimentos vulcânicos que foram esculpidos pelo vento ao longo de bilhões de anos.
Bilhões de anos — mas como eles sabem disso com certeza? É uma estimativa baseada em quê?
Vasavada disse que a camada provavelmente se formou há cerca de 3 bilhões de anos, mais ou menos na mesma época que o restante da montanha. Mas ele também mencionou que há uma discordância geológica — uma lacuna no tempo — que sugere que essa camada foi adicionada depois.
Então há uma contradição?
Não exatamente uma contradição, mas uma complexidade. A camada se formou há 3 bilhões de anos, mas foi depositada depois das camadas abaixo dela. É como encontrar uma página de um livro que foi inserida fora de ordem.
Exatamente. E isso é o que torna a formação tão valiosa para estudar. Ela conta uma história diferente sobre como Marte mudou ao longo do tempo.
E tudo isso está relacionado à busca por vida passada em Marte?
Sim. Ao estudar essas camadas, os cientistas aprendem sobre os lagos e riachos que cobriram a região há muito tempo, quando Marte era mais úmido e quente. Entender essas condições passadas ajuda a responder se o planeta já teve condições propícias à vida microbiana.
Le Pouls
- A Nasa divulgou uma fotografia do amanhecer marciano que desafia a imaginação: penhascos irregulares banhados por luz solar num céu alaranjado com tons de azul, capturados pela câmera Mastcam da Curiosity cerca de uma hora após o nascer do Sol.
- A sonda já escalou mais de 1 km no Monte Sharp — a maior altitude já alcançada por qualquer veículo em Marte —, e cada camada rochosa que atravessa revela um capítulo diferente da história geológica do planeta.
- A formação visível no horizonte, a camada de yardang, intriga os cientistas por não pertencer à sequência contínua do Monte Sharp: ela foi depositada sobre uma discordância geológica, uma lacuna no tempo que aponta para transformações profundas no planeta.
- A Nasa projeta que a Curiosity chegará à camada de yardang entre 2027 e 2028, quando seus instrumentos poderão examinar de perto uma rocha que pode conter respostas sobre se Marte já abrigou vida microbiana.
A bilhões de quilômetros da Terra, uma máquina do tamanho de um carro parou por um momento para contemplar o amanhecer em outro mundo. A sonda Curiosity, em operação desde 2012, fotografou o Sol nascente iluminando penhascos marcianoss com mais de 3 bilhões de anos — formações chamadas yardangs, esculpidas pelo vento a partir de sedimentos vulcânicos, que guardam em suas camadas a memória de um planeta outrora úmido e habitável. É uma imagem que fala tanto sobre o passado de Marte quanto sobre a persistência humana em compreender o universo que nos cerca.
A Nasa divulgou esta semana uma imagem do amanhecer marciano capturada pela sonda Curiosity — o Sol nascente iluminando penhascos irregulares que se erguem da superfície de Marte com bilhões de anos de história gravados em suas camadas. O cientista planetário Ashwin Vasavada, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, comparou a cena a uma viagem pelo Monument Valley no Arizona, mas com um céu alaranjado e tons azulados no horizonte — familiar e completamente alienígena ao mesmo tempo.
A Curiosity pousou na Cratera Gale em 2012 e desde 2014 escala o Monte Sharp, uma montanha de 5 km que se ergue do fundo da cratera. Já ganhou mais de um quilômetro de altitude — recorde para qualquer sonda em Marte —, e cada camada que atravessa registra um período diferente do passado geológico do planeta, incluindo evidências de lagos e riachos que existiram quando Marte era mais úmido e quente.
Os picos visíveis na imagem pertencem a uma formação chamada yardang, provavelmente originada de sedimentos vulcânicos transportados pelo vento para dentro da cratera há cerca de 3 bilhões de anos. Após se solidificarem em rocha, eras de erosão eólica esculpiram as cristas características que dão nome à formação, que se estende por cerca de 16 km na região noroeste da montanha.
O que torna essa camada especialmente intrigante é que ela não faz parte da sequência contínua do Monte Sharp: foi depositada sobre uma discordância geológica — uma lacuna no tempo em que camadas anteriores sofreram erosão antes de novas serem formadas. A Nasa espera que a Curiosity alcance essa região entre 2027 e 2028 para investigar sua geologia e continuar buscando respostas sobre se Marte já apresentou condições favoráveis à vida microbiana.
A sonda Curiosity capturou uma imagem do amanhecer marciano que a Nasa divulgou esta semana — o Sol nascente iluminando penhascos irregulares que se erguem da superfície de Marte, formações rochosas que levam bilhões de anos de história geológica gravada em suas camadas. A foto foi tirada pela câmera Mastcam cerca de uma hora após o nascer do Sol, mostrando uma paisagem esculpida pelo vento ao longo de eras, tão estranha e familiar ao mesmo tempo que o cientista planetário Ashwin Vasavada, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa na Califórnia, comparou a cena a uma viagem de carro pelo Monument Valley no Arizona — mas com um céu alaranjado e tons de azul no nascer do Sol.
A Curiosity pousou em Marte em 2012, na Cratera Gale perto do equador do planeta, e desde 2014 vem escalando o Monte Sharp, uma montanha de 5 quilômetros de altura que se ergue do fundo da cratera. O veículo do tamanho de um carro já ganhou mais de um quilômetro de altitude em sua subida gradual — a maior elevação já alcançada por qualquer sonda em Marte, segundo a agência espacial americana. Cada camada que a sonda passa enquanto sobe registra um período diferente do passado geológico do planeta, e ao estudar essas formações, os cientistas aprenderam sobre os lagos e riachos que cobriram essa região há muito tempo, numa época em que Marte era mais úmido e quente do que o lugar frio e desolado que é hoje.
Os picos brilhantes vistos na imagem do amanhecer pertencem a uma camada rochosa chamada yardang, cuja aparência é bem diferente de todas as outras camadas pelas quais a sonda já passou. Vasavada explicou que essa formação provavelmente começou como sedimento transportado pelo vento — talvez areia ou cinzas — que foi levado para dentro da cratera a partir de atividades vulcânicas nas proximidades. Depois que o sedimento se solidificou e se transformou em rocha, eras de vento esculpiram a camada, criando as cristas características que dão nome à formação. A camada de yardang provavelmente se formou há cerca de 3 bilhões de anos, mais ou menos na mesma época que o restante do Monte Sharp, e se estende por cerca de 16 quilômetros na região noroeste da montanha.
O que torna essa camada particularmente interessante para os geólogos é que ela não parece fazer parte da pilha contínua de camadas que compõem a estrutura principal do Monte Sharp. Segundo Vasavada, a camada de yardang foi adicionada um pouco mais tarde, acima do que os geólogos chamam de discordância — uma lacuna no tempo em que as camadas anteriores sofreram erosão antes que novas camadas fossem depositadas sobre elas. Essa descontinuidade geológica oferece uma janela para entender como o planeta mudou ao longo de bilhões de anos.
A Nasa espera que a Curiosity alcance a camada de yardang em 2027 ou 2028, quando então utilizará seus instrumentos para examinar minuciosamente a geologia do local e coletar dados que ajudem a responder perguntas fundamentais sobre o passado de Marte. A sonda vem estudando a geologia e o clima do planeta vermelho e investigando se ele já apresentou condições propícias à existência de vida microbiana. Ela é uma das duas sondas da Nasa em operação em Marte — a outra é a Perseverance, que está atualmente percorrendo as margens da cratera Jezero no hemisfério norte. A imagem do amanhecer marciano, com seu céu alaranjado e tons azulados no horizonte, é um lembrete de quão distante e quão diferente é o mundo que essas máquinas exploram, mesmo que haja algo naquela paisagem selvagem que ressoe com a experiência humana de estar em um lugar aberto e infinito.
Citations marquantes
Essa cena tem uma natureza selvagem que me lembra uma viagem de carro pelo Monument Valley, no Arizona. Dá quase para sentir o silêncio e o espaço aberto infinito sob o céu.— Ashwin Vasavada, cientista planetário do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa