Soja testa R$ 162/sc nos portos em melhor momento do ano

O melhor momento em quase três anos nas cotações
Consultor de mercado descreve o cenário atual de preços de soja como o mais favorável desde 2023.
Mark

Por que este momento é tão diferente dos últimos meses?

Mimi

Porque temos três coisas acontecendo simultaneamente: Chicago em alta, prêmios fortes e dólar subindo. Isolado, cada um desses fatores já seria bom. Juntos, criam uma janela que não dura para sempre.

Mark

E por que Brandalizze insiste tanto que o produtor não pode apenas esperar?

Mimi

Porque a colheita vem. Quando chega, há sempre pressão de venda — muita gente precisando de caixa ao mesmo tempo. Os preços caem naturalmente. Quem vendeu antes, já tem o dinheiro garantido.

Mark

Mas e se os preços subirem mais ainda?

Mimi

Podem subir. Mas Brandalizze está dizendo que o risco de esperar é maior que o ganho potencial. É sobre garantir o que você tem, não sobre ficar rico.

Mark

Os preços em reais são muito diferentes dos preços em dólares. Como isso funciona?

Mimi

O dólar forte ajuda. Quando o dólar sobe, o preço em reais sobe também, mesmo que Chicago não se mexa. Agora os dois estão subindo juntos.

Mark

E a soja 2027 está muito mais barata. Isso é normal?

Mimi

É. Safra futura sempre é mais incerta. Clima pode mudar, pragas podem aparecer, geopolítica pode virar. O mercado paga menos por essa incerteza.

Mark

Então o produtor que não vendeu nada ainda está em apuros?

Mimi

Não exatamente. Está atrasado, sim. Mas tem uma oportunidade agora que pode não ter em outubro. É isso que Brandalizze quer que ele entenda.

  • Futuros de soja em Chicago fecharam em alta pela segunda vez consecutiva, com novembro atingindo US$ 12,43 por bushel — o melhor nível em dois meses — e prêmios para entrega imediata superando US$ 1,00 por bushel.
  • Nos portos brasileiros, a soja 2026 chegou a R$ 162 por saca, o preço mais alto em quase três anos, impulsionado pela combinação de dólar forte e aquecimento da demanda externa.
  • O calor intenso no Corn Belt americano e a escalada geopolítica — com o barril de Brent testando US$ 100 pela primeira vez desde maio — alimentam incertezas que hoje favorecem os preços, mas que podem se dissipar rapidamente.
  • Consultores alertam que produtores que aguardarem até a boca da colheita enfrentarão a pressão de baixa histórica do período, perdendo a janela atual de rentabilidade.
  • O mercado opera em volume intenso, com produtores recorrendo a barter, estratégias de opção e fixações acima de US$ 12,50, sinalizando que parte do setor já age diante da oportunidade.

Em um raro alinhamento de forças — dólar em alta, geopolítica turbulenta e demanda norte-americana confirmada —, a soja brasileira alcançou nos portos patamares que não via há quase três anos, com cotações chegando a R$ 162 por saca. Chicago renovava máximas de dois meses, e consultores de mercado viam no momento uma janela de rentabilidade que a história ensina a não desperdiçar: a colheita, com sua pressão de baixa quase inevitável, está sempre à espreita.

A soja brasileira viveu nesta quinta-feira um dos seus melhores momentos em quase três anos. Em Chicago, os contratos futuros fecharam em alta — agosto a US$ 12,37 por bushel, novembro a US$ 12,43 —, renovando máximas de dois meses em um mercado que, apesar de oscilações ao longo do dia, manteve ganhos positivos. Os prêmios para soja disponível permaneciam acima de US$ 1,00 por bushel, e o dólar retomava sua trajetória ascendente.

Esse cenário externo transbordou diretamente para os portos brasileiros. As cotações da soja 2026 oscilavam entre R$ 153,00 e R$ 162,00 por saca — o teto dependendo dos prazos de entrega e pagamento —, enquanto a safra 2027 era indicada entre R$ 142,00 e R$ 148,00. O fluxo de negócios era intenso, com soja velha e nova circulando em volumes expressivos.

Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, descrevia o momento com entusiasmo contido: comparado ao mesmo período do ano anterior, os preços estavam US$ 2,00 acima das cotações de Chicago. Produtores recorriam a barter, estratégias de opção e fixações acima dos US$ 12,50. Mas o consultor fazia questão de alertar: os fatores que hoje sustentam as cotações na CBOT podem mudar rapidamente. Não basta especular — é preciso agir.

A recomendação era clara: comercializar agora, garantir pelo menos as contas antes da colheita e travar rentabilidade enquanto a janela está aberta. Quem esperar até o final da safra encontrará a velha pressão de baixa que acompanha todo período de colheita. Vendendo agora e mantendo posições até meados do ano, o produtor constrói uma média mais confortável.

O cenário externo continuava a alimentar a alta. A geopolítica turbulenta — conflitos entre Rússia e Ucrânia, tensões entre Irã e EUA — empurrava o petróleo para cima, com o Brent testando US$ 100 pela primeira vez desde maio. O boletim semanal do USDA confirmava boa demanda pela soja norte-americana, e o calor intenso no Corn Belt levantava preocupações sobre as lavouras. Por enquanto, tudo convergia a favor dos produtores brasileiros dispostos a aproveitar o momento.

A soja testou patamares que não via há quase três anos. Na quinta-feira, os contratos futuros em Chicago fecharam em alta — agosto subindo para US$ 12,37 por bushel, novembro para US$ 12,43 — renovando máximas de dois meses em um mercado que respirava alívio apesar de oscilações ao longo do dia. Os ganhos, embora tenham perdido força na reta final, mantiveram-se positivos, com avanços entre 4,25 e 5 pontos.

Este cenário de valorização em Chicago não ocorria isolado. Os prêmios para soja disponível permaneciam acima de US$ 1,00 por bushel, o dólar retomava sua trajetória de alta, e tudo isso convergia para um mercado brasileiro igualmente aquecido. Nos portos, as cotações da soja 2026 oscilavam entre R$ 153,00 e R$ 162,00 por saca — o teto dependendo dos prazos de entrega e pagamento. Para a safra 2027, os indicativos eram mais modestos, variando de R$ 142,00 a R$ 148,00 por saca. O fluxo de negócios era intenso: tanto soja velha quanto nova circulavam pelos portos em volumes significativos.

Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, descrevia o momento com entusiasmo contido. Comparado ao mesmo período do ano anterior, os preços estavam US$ 2,00 acima das cotações de Chicago — o melhor cenário em quase três anos. O mercado, segundo ele, estava em movimento: produtores fazendo barter, outros buscando estratégias de opção, posições da safra brasileira acima dos US$ 12,50. Mas Brandalizze também alertava para a urgência. Os fatores que hoje impulsionavam as cotações na CBOT podiam mudar rapidamente, levando embora as oportunidades. Não adiantava apenas especular.

O consultor recomendava que produtores aproveitassem o momento para comercializar, garantindo pelo menos as contas antes da colheita. Aquele era o período adequado para travar rentabilidade. Se esperassem até a boca da colheita, enfrentariam a velha pressão de baixa que acompanha todo final de safra. Vendendo agora, mantendo posições até meados do ano, o produtor teria espaço para uma média de rentabilidade mais confortável.

O cenário externo alimentava essa alta. A geopolítica turbulenta — conflitos entre Rússia e Ucrânia, tensões entre Irã e EUA — pressionava os preços do petróleo para cima. O barril de Brent voltava a testar os US$ 100,00, a primeira vez desde maio. Simultaneamente, o boletim semanal de vendas para exportação do USDA confirmava boa demanda pela soja norte-americana, enquanto o calor intenso no Corn Belt preocupava com possíveis impactos nas lavouras. Tudo isso convergia para um mercado que, por enquanto, seguia favorável aos produtores brasileiros dispostos a agir.

É o melhor momento do ano, comparado ao mesmo período do ano passado temos US$ 2,00 acima de Chicago, estamos no melhor momento em quase três anos nas cotações
— Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting
Garanta, pelo menos, as contas para não ter que vender pelo menos até o meio do ano. Aí, o mercado já é outro e o produtor mantém média de rentabilidade
— Vlamir Brandalizze
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