Em um raro alinhamento de forças — dólar em alta, geopolítica turbulenta e demanda norte-americana confirmada —, a soja brasileira alcançou nos portos patamares que não via há quase três anos, com cotações chegando a R$ 162 por saca. Chicago renovava máximas de dois meses, e consultores de mercado viam no momento uma janela de rentabilidade que a história ensina a não desperdiçar: a colheita, com sua pressão de baixa quase inevitável, está sempre à espreita.
Soja testa R$ 162/sc nos portos em melhor momento do ano
O melhor momento em quase três anos nas cotações
Por que este momento é tão diferente dos últimos meses?
Porque temos três coisas acontecendo simultaneamente: Chicago em alta, prêmios fortes e dólar subindo. Isolado, cada um desses fatores já seria bom. Juntos, criam uma janela que não dura para sempre.
E por que Brandalizze insiste tanto que o produtor não pode apenas esperar?
Porque a colheita vem. Quando chega, há sempre pressão de venda — muita gente precisando de caixa ao mesmo tempo. Os preços caem naturalmente. Quem vendeu antes, já tem o dinheiro garantido.
Mas e se os preços subirem mais ainda?
Podem subir. Mas Brandalizze está dizendo que o risco de esperar é maior que o ganho potencial. É sobre garantir o que você tem, não sobre ficar rico.
Os preços em reais são muito diferentes dos preços em dólares. Como isso funciona?
O dólar forte ajuda. Quando o dólar sobe, o preço em reais sobe também, mesmo que Chicago não se mexa. Agora os dois estão subindo juntos.
E a soja 2027 está muito mais barata. Isso é normal?
É. Safra futura sempre é mais incerta. Clima pode mudar, pragas podem aparecer, geopolítica pode virar. O mercado paga menos por essa incerteza.
Então o produtor que não vendeu nada ainda está em apuros?
Não exatamente. Está atrasado, sim. Mas tem uma oportunidade agora que pode não ter em outubro. É isso que Brandalizze quer que ele entenda.
The Pulse
- Futuros de soja em Chicago fecharam em alta pela segunda vez consecutiva, com novembro atingindo US$ 12,43 por bushel — o melhor nível em dois meses — e prêmios para entrega imediata superando US$ 1,00 por bushel.
- Nos portos brasileiros, a soja 2026 chegou a R$ 162 por saca, o preço mais alto em quase três anos, impulsionado pela combinação de dólar forte e aquecimento da demanda externa.
- O calor intenso no Corn Belt americano e a escalada geopolítica — com o barril de Brent testando US$ 100 pela primeira vez desde maio — alimentam incertezas que hoje favorecem os preços, mas que podem se dissipar rapidamente.
- Consultores alertam que produtores que aguardarem até a boca da colheita enfrentarão a pressão de baixa histórica do período, perdendo a janela atual de rentabilidade.
- O mercado opera em volume intenso, com produtores recorrendo a barter, estratégias de opção e fixações acima de US$ 12,50, sinalizando que parte do setor já age diante da oportunidade.
Em um raro alinhamento de forças — dólar em alta, geopolítica turbulenta e demanda norte-americana confirmada —, a soja brasileira alcançou nos portos patamares que não via há quase três anos, com cotações chegando a R$ 162 por saca. Chicago renovava máximas de dois meses, e consultores de mercado viam no momento uma janela de rentabilidade que a história ensina a não desperdiçar: a colheita, com sua pressão de baixa quase inevitável, está sempre à espreita.
A soja brasileira viveu nesta quinta-feira um dos seus melhores momentos em quase três anos. Em Chicago, os contratos futuros fecharam em alta — agosto a US$ 12,37 por bushel, novembro a US$ 12,43 —, renovando máximas de dois meses em um mercado que, apesar de oscilações ao longo do dia, manteve ganhos positivos. Os prêmios para soja disponível permaneciam acima de US$ 1,00 por bushel, e o dólar retomava sua trajetória ascendente.
Esse cenário externo transbordou diretamente para os portos brasileiros. As cotações da soja 2026 oscilavam entre R$ 153,00 e R$ 162,00 por saca — o teto dependendo dos prazos de entrega e pagamento —, enquanto a safra 2027 era indicada entre R$ 142,00 e R$ 148,00. O fluxo de negócios era intenso, com soja velha e nova circulando em volumes expressivos.
Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, descrevia o momento com entusiasmo contido: comparado ao mesmo período do ano anterior, os preços estavam US$ 2,00 acima das cotações de Chicago. Produtores recorriam a barter, estratégias de opção e fixações acima dos US$ 12,50. Mas o consultor fazia questão de alertar: os fatores que hoje sustentam as cotações na CBOT podem mudar rapidamente. Não basta especular — é preciso agir.
A recomendação era clara: comercializar agora, garantir pelo menos as contas antes da colheita e travar rentabilidade enquanto a janela está aberta. Quem esperar até o final da safra encontrará a velha pressão de baixa que acompanha todo período de colheita. Vendendo agora e mantendo posições até meados do ano, o produtor constrói uma média mais confortável.
O cenário externo continuava a alimentar a alta. A geopolítica turbulenta — conflitos entre Rússia e Ucrânia, tensões entre Irã e EUA — empurrava o petróleo para cima, com o Brent testando US$ 100 pela primeira vez desde maio. O boletim semanal do USDA confirmava boa demanda pela soja norte-americana, e o calor intenso no Corn Belt levantava preocupações sobre as lavouras. Por enquanto, tudo convergia a favor dos produtores brasileiros dispostos a aproveitar o momento.
A soja testou patamares que não via há quase três anos. Na quinta-feira, os contratos futuros em Chicago fecharam em alta — agosto subindo para US$ 12,37 por bushel, novembro para US$ 12,43 — renovando máximas de dois meses em um mercado que respirava alívio apesar de oscilações ao longo do dia. Os ganhos, embora tenham perdido força na reta final, mantiveram-se positivos, com avanços entre 4,25 e 5 pontos.
Este cenário de valorização em Chicago não ocorria isolado. Os prêmios para soja disponível permaneciam acima de US$ 1,00 por bushel, o dólar retomava sua trajetória de alta, e tudo isso convergia para um mercado brasileiro igualmente aquecido. Nos portos, as cotações da soja 2026 oscilavam entre R$ 153,00 e R$ 162,00 por saca — o teto dependendo dos prazos de entrega e pagamento. Para a safra 2027, os indicativos eram mais modestos, variando de R$ 142,00 a R$ 148,00 por saca. O fluxo de negócios era intenso: tanto soja velha quanto nova circulavam pelos portos em volumes significativos.
Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, descrevia o momento com entusiasmo contido. Comparado ao mesmo período do ano anterior, os preços estavam US$ 2,00 acima das cotações de Chicago — o melhor cenário em quase três anos. O mercado, segundo ele, estava em movimento: produtores fazendo barter, outros buscando estratégias de opção, posições da safra brasileira acima dos US$ 12,50. Mas Brandalizze também alertava para a urgência. Os fatores que hoje impulsionavam as cotações na CBOT podiam mudar rapidamente, levando embora as oportunidades. Não adiantava apenas especular.
O consultor recomendava que produtores aproveitassem o momento para comercializar, garantindo pelo menos as contas antes da colheita. Aquele era o período adequado para travar rentabilidade. Se esperassem até a boca da colheita, enfrentariam a velha pressão de baixa que acompanha todo final de safra. Vendendo agora, mantendo posições até meados do ano, o produtor teria espaço para uma média de rentabilidade mais confortável.
O cenário externo alimentava essa alta. A geopolítica turbulenta — conflitos entre Rússia e Ucrânia, tensões entre Irã e EUA — pressionava os preços do petróleo para cima. O barril de Brent voltava a testar os US$ 100,00, a primeira vez desde maio. Simultaneamente, o boletim semanal de vendas para exportação do USDA confirmava boa demanda pela soja norte-americana, enquanto o calor intenso no Corn Belt preocupava com possíveis impactos nas lavouras. Tudo isso convergia para um mercado que, por enquanto, seguia favorável aos produtores brasileiros dispostos a agir.
Notable Quotes
É o melhor momento do ano, comparado ao mesmo período do ano passado temos US$ 2,00 acima de Chicago, estamos no melhor momento em quase três anos nas cotações— Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting
Garanta, pelo menos, as contas para não ter que vender pelo menos até o meio do ano. Aí, o mercado já é outro e o produtor mantém média de rentabilidade— Vlamir Brandalizze