Soja disponível nos portos brasileiros aproxima-se de R$ 160 por saca, enquanto safra nova mira R$ 150, refletindo disparada de quase 30 pontos em Chicago. Dólar em alta a R$ 5,15 e prêmios fortalecidos entre 150 a 165 cents sustentam cotações, com demanda firme pelo produto brasileiro nos mercados internacionais.
Soja atinge R$ 160 nos portos com disparada em Chicago e dólar em alta
Os portos estão nos melhores momentos do ano
Por que os preços subiram tanto em um único dia? Isso é normal?
Não é exatamente normal, mas também não é raro. Chicago subiu quase 30 pontos, o dólar se valorizou, e os prêmios continuam altos. Quando tudo se alinha assim, a alta é concentrada.
E esses prêmios que você mencionou — o que significam na prática?
São o quanto o Brasil consegue cobrar a mais do que o preço de referência em Chicago. Na segunda passada chegou a US$ 2,00 por bushel. Isso mostra que o mundo quer soja brasileira, e está disposto a pagar mais por ela.
A venda para a China que o USDA anunciou — isso afeta o Brasil?
Afeta sim, mas de forma indireta. Quando os EUA vendem para a China, reforça a ideia de que há demanda global forte. Isso sustenta os preços em Chicago, que é a referência para todo o mundo.
Os produtores estão vendendo agora ou esperando mais?
Estão vendendo. O ritmo de comercialização da nova safra já superou a média dos últimos anos. Quando os preços estão assim, a maioria não quer arriscar esperando mais.
E se o dólar cair? O que acontece com a soja?
Cai junto. O dólar alto é um dos pilares dessa alta toda. Se ele recuar, a soja em reais recua também, mesmo que em Chicago os preços se mantenham.
Le Pouls
- Soja disponível nos portos aproxima-se de R$ 160 por saca; safra nova negocia próxima a R$ 150
- Dólar em alta a R$ 5,15 frente ao real, com ganho de 0,2%
- Contrato março/27 em Chicago fechou em US$ 12,86 por bushel
- Prêmios variam entre 150 a 165 cents, refletindo demanda firme
- USDA anunciou venda de 333 mil toneladas de soja dos EUA para a China
Soja disponível nos portos brasileiros aproxima-se de R$ 160 por saca, enquanto safra nova mira R$ 150, refletindo disparada de quase 30 pontos em Chicago. Dólar em alta a R$ 5,15 e prêmios fortalecidos entre 150 a 165 cents sustentam cotações, com demanda firme pelo produto brasileiro nos mercados internacionais.
Preços da soja subiram significativamente nos portos brasileiros, aproximando-se de R$ 160 por saca, impulsionados por ganhos em Chicago e valorização do dólar frente ao real.
A soja brasileira disparou nos preços nesta quarta-feira, tanto nas lavouras do interior quanto nos portos do país, refletindo um movimento acentuado nas cotações internacionais. A oleaginosa disponível para venda imediata aproxima-se agora de R$ 160 por saca nos portos, enquanto a safra nova negocia próxima aos R$ 150. O impulso veio de Chicago, onde os contratos subiram quase 30 pontos em um único pregão, alimentando a alta em cascata pelo mercado brasileiro.
Mas não foi apenas o movimento internacional que sustentou a valorização. O dólar, que voltou a R$ 5,15 frente ao real com ganho de 0,2%, funcionou como catalisador adicional para as cotações domésticas. Quando a moeda americana sobe, os preços em reais tendem a acompanhar, tornando a soja brasileira ainda mais atrativa para compradores estrangeiros. Esse efeito cambial, combinado com a força de Chicago, criou um cenário de duplo estímulo para o mercado.
Os prêmios — a diferença entre o preço pago no Brasil e a cotação de referência em Chicago — também jogaram a seu favor. Na última segunda-feira, esses prêmios haviam atingido 200 pontos, ou US$ 2,00 por bushel acima de Chicago. Nesta quarta, recuaram para uma faixa de 150 a 165 cents, movimento que Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, interpretou como uma melhoria nas condições dos portos. "Os portos estão nos melhores momentos do ano, variando de R$ 155,00 a R$ 160,00", afirmou. Essa estabilidade relativa dos prêmios, mesmo em patamar elevado, reflete a demanda firme pelo produto brasileiro nos mercados internacionais.
Em Chicago, o contrato para março de 2027 — referência importante para a próxima safra brasileira — fechou a sessão em US$ 12,86 por bushel, oferecendo oportunidades cada vez melhores para o produtor brasileiro que consegue vender nesse patamar. O movimento de alta na Bolsa americana não foi isolado. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou nesta quarta a venda de 333 mil toneladas de soja americana para a China, operação que reforçou o otimismo com a demanda global. Além disso, divergências sobre o tamanho da nova safra americana também contribuíram para a pressão altista nos preços.
O ritmo de comercialização da nova safra brasileira já supera a média dos últimos anos, segundo Flávio França Junior, chefe do setor de grãos da DATAGRO. Produtores têm aproveitado os bons momentos de preço registrados nas últimas semanas para realizar negócios tanto de soja disponível quanto de soja futura. O cenário atual — com Chicago em alta, dólar valorizado, prêmios fortalecidos e demanda internacional firme — criou uma janela de oportunidades que não é comum ao longo do ano agrícola. Para os produtores que conseguem vender neste momento, as margens estão entre as melhores do ciclo.
Citations marquantes
Os portos estão nos melhores momentos do ano, variando de R$ 155,00 a R$ 160,00— Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting
O ritmo da comercialização da nova safra já supera a média dos últimos anos diante dos bons momentos que vieram sendo registrados pelos preços— Flávio França Junior, chefe do setor de grãos da DATAGRO