Sobreviventes do Nepal relatam destruição total após enxurrada devastadora que matou 157

Pelo menos 157 mortos confirmados, centenas desaparecidas incluindo turistas e locais; famílias separadas, casas destruídas, deslocamento em massa e necessidade crítica de resgate e assistência humanitária.
Parecia um terremoto. Minha casa desabou.
Sonam Dorjee, guia de trekking, descrevendo o momento em que a enxurrada invadiu sua aldeia.
Mark

Como uma avalanche de gelo em uma montanha se torna uma enxurrada que destrói aldeias inteiras?

Mimi

A sequência é rápida e brutal. O gelo cai, a água é liberada, e tudo o que está no caminho — casas, pessoas, animais, plantações — é simplesmente varrido. Não há tempo para avisos ou evacuações.

Mark

Sonam Dorjee saiu de carro uma hora antes. Se ele tivesse ficado em casa?

Mimi

Ele provavelmente estaria morto. Sua casa desabou. Mas agora ele está vivo e sua irmã está desaparecida. Essa é a crueldade do acaso nessas situações.

Mark

Kalpana Malla viu sua família ser arrastada. Como alguém continua vivendo depois disso?

Mimi

Ela não sabe como sobreviveu. Ela e o filho subiram para um telhado. Abaixo deles, seu pai, sua mãe, sua irmã e os sobrinhos foram levados. Ela diz que não há explicação para como escapou.

Mark

E os turistas? Por que tantos estrangeiros estão desaparecidos?

Mimi

O Nepal é um destino de trekking. Pessoas vêm de todo o mundo para ver o Everest, para caminhar nas montanhas. Eles estavam lá quando a avalanche começou. Agora 466 deles estão desaparecidos.

Mark

O que significa uma chance de dez por cento para Sonam?

Mimi

Significa que ele ainda acredita que sua irmã pode estar viva em algum lugar. É tudo o que ele tem.

  • Uma avalanche de gelo nas montanhas desencadeou um tsunami de lama que invadiu aldeias na fronteira Nepal-Tibete em questão de minutos, sem tempo para fuga.
  • Pelo menos 157 pessoas morreram e 579 seguem desaparecidas, incluindo 466 estrangeiros de 28 países — turistas que vieram admirar as montanhas e agora são buscados entre os escombros.
  • Sobreviventes relatam cenas de horror: famílias inteiras arrastadas pela correnteza diante dos olhos de quem conseguiu se agarrar a um telhado ou a uma mão estendida.
  • Estradas destruídas, pontes desaparecidas e redes de comunicação cortadas isolaram comunidades inteiras, dificultando o avanço das operações de resgate.
  • O governo nepalês mobilizou 1.697 militares e seis helicópteros que já resgataram 106 pessoas, mas a escala da destruição torna cada hora decisiva para quem ainda pode estar vivo.

Nas encostas do Himalaia, onde a neve eterna encontra aldeias que dependem da montanha para sobreviver, uma avalanche de gelo desencadeou uma sequência de destruição que levou ao menos 157 vidas e deixou centenas de famílias sem notícias de seus entes queridos. O Nepal — país que guarda as montanhas mais altas do mundo e uma das economias mais frágeis do planeta — enfrenta agora não apenas o luto pelos mortos, mas a angústia pelos 579 desaparecidos, entre eles turistas de 28 nações. Em meio à lama e aos escombros, militares e helicópteros trabalham contra o tempo, enquanto sobreviventes agarram-se a esperanças cada vez mais tênues.

Na manhã de quarta-feira, Sonam Dorjee ouviu um som que reconheceu como perigo. O guia de trekking havia saído de sua aldeia em Rasuwa, perto da fronteira com o Tibete, apenas uma hora antes — mas voltou para encontrar sua casa destruída e sua irmã Dechen Tamang desaparecida. "Parecia um terremoto", descreveu à BBC. Agora ele reza por uma chance que estima em dez por cento de encontrá-la viva. Seu marido e outros familiares também sumiram nas águas.

O que começou como uma avalanche de gelo nas montanhas transformou-se em enxurrada e deslizamento de terra, matando ao menos 157 pessoas e deixando 579 desaparecidos — 466 deles estrangeiros de 28 países, incluindo 133 indianos, 54 americanos e 33 britânicos. A tragédia atingiu em cheio uma região que vive do turismo internacional.

Em Nuwakot, às margens do rio Bhotekoshi, Kalpana Malla viu seu pai, sua mãe, sua irmã e os filhos da irmã serem arrastados pela correnteza. Ela e seu filho sobreviveram subindo ao telhado de uma casa enquanto a enchente destruía tudo abaixo. Ela havia dado seu telefone à irmã para que pedisse socorro — o aparelho agora está desligado. Outra moradora do distrito, Goma Pandit, perdeu todos os animais e toda a colheita: dez sacos de sementes de mostarda, toneladas de milho e arroz, levados pelas águas.

A destruição da infraestrutura foi igualmente severa: estradas e pontes desapareceram, comunicações foram cortadas e o projeto hidrelétrico de Trishuli sofreu danos significativos. O primeiro-ministro Balendra Shah declarou o país "em choque e profundamente abalado" e mobilizou todos os recursos disponíveis. Até o momento, 1.697 militares atuam nas operações de resgate, com helicópteros militares e civis tendo resgatado 106 pessoas.

O Nepal abriga oito das montanhas mais altas do mundo, mas também é um dos países mais pobres do planeta, dependente de ajuda externa e do turismo. Este desastre não apenas ceifou vidas — atingiu uma das poucas fontes de sustento do país. Os próximos dias serão decisivos para encontrar sobreviventes e compreender a verdadeira extensão do que foi perdido.

Na quarta-feira de manhã, Sonam Dorjee ouviu um som que o assustou. O guia de trekking estava em sua aldeia de Rasuwa, no Nepal, perto da fronteira com o Tibete, quando percebeu as águas se aproximando. Ele tinha saído apenas uma hora antes para dirigir até Katmandu, a capital, mas voltou para encontrar sua casa desabada e sua irmã desaparecida. "Parecia um terremoto", disse ele à BBC, descrevendo o momento em que a enxurrada devastadora invadiu as ruas e casas ao seu redor. Agora ele reza, segurando uma esperança frágil — uma chance de dez por cento, como ele a descreve — de que sua irmã Dechen Tamang seja encontrada viva. Seu marido e vários outros familiares também desapareceram nas águas.

O que começou como uma avalanche de gelo nas montanhas desencadeou uma sequência de eventos catastróficos. A enxurrada repentina e o deslizamento de terra que se seguiram mataram pelo menos 157 pessoas e deixaram centenas desaparecidas. Entre os desaparecidos estão 579 viajantes — 466 estrangeiros de 28 países diferentes e 61 nepaleses. A Índia contribui com 133 desaparecidos, os Estados Unidos com 54 e o Reino Unido com 33. O desastre atingiu uma região que depende fortemente do turismo internacional, e agora turistas de todo o mundo estão entre os que precisam ser resgatados ou cujos destinos permanecem desconhecidos.

Em Nuwakot, um distrito às margens do rio Bhotekoshi que foi uma das áreas mais atingidas, Kalpana Malla testemunhou o inimaginável. Ela viu seu pai, sua mãe, sua irmã e os filhos de sua irmã serem arrastados pela correnteza diante de seus olhos. "Não havia qualquer possibilidade de escapar", disse ela. Apenas ela e seu filho conseguiram sobreviver, subindo para o telhado de uma casa enquanto a enchente destruía tudo abaixo. Seu filho a salvou puxando-a pela mão. Ela havia dado seu telefone à irmã para que pudesse pedir ajuda, mas agora o celular está desligado e ela não consegue entrar em contato. A preocupação de que a irmã tenha sido arrastada pela enchente a assombra.

A destruição não se limitou às vidas. Goma Pandit, também moradora de Nuwakot, perdeu todos os seus búfalos e gado na enxurrada. Sua plantação desapareceu — dez sacos de sementes de mostarda, toneladas de milho e arroz, tudo levado pelas águas. O distrito registrou 11 mortes confirmadas até o último boletim, mas a destruição da infraestrutura foi igualmente devastadora: estradas destruídas, pontes desaparecidas, redes de comunicação cortadas e danos significativos à infraestrutura hidrelétrica, incluindo o projeto hidrelétrico de Trishuli. Casas ficaram parcialmente submersas em água barrenta, e muitos sobreviventes agora não têm onde morar, precisando urgentemente de resgate, evacuação de emergência, alimentos, alojamento temporário e apoio médico.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, declarou que o país está "em choque e profundamente abalado" pela perda de vidas e pelos danos causados. Ele classificou o desastre como "repentino" e "de grandes proporções", e o governo mobilizou imediatamente todos os recursos disponíveis. As operações de resgate continuam dia e noite, envolvendo 1.697 militares, com outros 656 mantidos de prontidão para operações adicionais. Seis helicópteros militares resgataram 94 pessoas ao longo do primeiro dia, enquanto cinco helicópteros civis resgataram outras 12. Equipes em terra conseguiram resgatar mais 27 pessoas. O Exército do país trabalha contra o tempo para encontrar sobreviventes entre os escombros e as águas.

O Nepal, um dos países mais pobres do mundo, abriga oito das montanhas mais altas do planeta, incluindo o Monte Everest. Sua economia depende fortemente de ajuda externa e do turismo internacional. Este desastre, portanto, não apenas ceifou vidas e destruiu comunidades locais — também atingiu uma das poucas fontes de renda do país. As operações de resgate continuam, mas a escala da destruição e o número de desaparecidos sugerem que os próximos dias serão críticos para encontrar sobreviventes e para avaliar a verdadeira extensão do que foi perdido.

Muitos sobreviventes ficaram agora sem casa e precisam de resgate e evacuação de emergência, bem como de alimentos, alojamento temporário e apoio médico.
— Relato de sobreviventes
Meus familiares foram arrastados pela enchente diante dos meus olhos. Não havia qualquer possibilidade de escapar.
— Kalpana Malla, moradora de Nuwakot
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