Em maio de 2026, a medicina brasileira renomeou a Síndrome dos Ovários Policísticos para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina — SOMP —, reconhecendo que décadas de nomenclatura equivocada contribuíram para diagnósticos tardios e interpretações errôneas. O novo nome não é apenas semântica: é um reconhecimento de que essa condição sistêmica habita o corpo inteiro, do metabolismo à saúde mental, e que cerca de 70% das mulheres afetadas ainda desconhecem que a carregam. Nomear corretamente é, muitas vezes, o primeiro ato de cuidado.
Síndrome dos Ovários Policísticos muda de nome para SOMP e revoluciona diagnóstico
Não é consequência de falta de força de vontade
Por que um nome novo faz tanta diferença se a doença é a mesma?
Porque o nome antigo mentia. Quando você chama de "síndrome dos ovários policísticos", as pessoas — inclusive médicos — pensam que é um problema dos ovários. Uma mulher faz um ultrassom, vê ovários normais, e acredita que não tem nada. Outra vê cistos e acha que tem a doença quando na verdade não tem. O novo nome diz a verdade: é sistêmica, envolve hormônios, metabolismo, tudo.
E quantas mulheres estão sendo diagnosticadas errado por causa disso?
Cerca de 70% das mulheres que têm a síndrome não sabem que a têm. Isso significa que milhões de pessoas estão vivendo com acne, queda de cabelo, ganho de peso, problemas metabólicos, sem entender o que está acontecendo. Sem tratamento adequado.
O ultrassom não serve para nada, então?
Serve, mas não é o suficiente. O diagnóstico precisa ser clínico. Um médico precisa ouvir a história da paciente — ciclos irregulares, dificuldade para engravidar, pelos em lugares inesperados, acne que não melhora. Depois vêm os exames de sangue para medir hormônios. O ultrassom é uma peça do quebra-cabeça, não o quebra-cabeça inteiro.
E o tratamento? Muda com o novo nome?
Não muda o que funciona, mas muda a forma de pensar. Antes, era "vamos dar um anticoncepcional e pronto". Agora é: qual é o risco metabólico dessa mulher? Ela quer engravidar? Como está a saúde mental dela? Precisa de nutricionista? De psicólogo? O tratamento é feito sob medida.
Isso significa que uma mulher com SOMP precisa de acompanhamento para o resto da vida?
Sim. Não é uma coisa que você "cura" e esquece. É uma condição que afeta todo o corpo — ovários, metabolismo, coração, saúde mental. Precisa de monitoramento contínuo, mesmo que ela não esteja tentando engravidar. O tratamento não termina depois que ela engravida.
Qual é a esperança aqui?
Que com um nome correto, mais mulheres sejam diagnosticadas cedo. Que recebam tratamento adequado. Que entendam que não é culpa delas. E que vivam melhor — com menos complicações metabólicas, menos risco de diabetes e doença cardíaca, melhor saúde mental.
O Pulso
- Durante décadas, o foco nos 'cistos' e nos 'ovários' fez com que mulheres descartassem diagnósticos ao ver ultrassons normais — e outras se alarmassem sem razão ao ver imagens policísticas sem apresentar a síndrome.
- Cerca de 70% das mulheres com a condição vivem sem saber, acumulando riscos metabólicos, cardiovasculares e psicológicos que poderiam ser gerenciados com acompanhamento adequado.
- A nova denominação SOMP sinaliza uma ruptura científica: a síndrome não é uma doença dos ovários, mas uma condição que atravessa hormônios, metabolismo, reprodução e saúde mental simultaneamente.
- A transição para o novo nome será gradual até 2028, mas a mudança de paradigma no diagnóstico e no tratamento — multidisciplinar, personalizado e contínuo — já está em curso nas práticas clínicas.
- Especialistas alertam que o diagnóstico não pode depender apenas de imagens; sinais clínicos como irregularidade menstrual persistente, acne resistente e dificuldade de emagrecer devem acender o alerta mesmo com exames normais.
Em maio de 2026, a medicina brasileira renomeou a Síndrome dos Ovários Policísticos para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina — SOMP —, reconhecendo que décadas de nomenclatura equivocada contribuíram para diagnósticos tardios e interpretações errôneas. O novo nome não é apenas semântica: é um reconhecimento de que essa condição sistêmica habita o corpo inteiro, do metabolismo à saúde mental, e que cerca de 70% das mulheres afetadas ainda desconhecem que a carregam. Nomear corretamente é, muitas vezes, o primeiro ato de cuidado.
Em maio de 2026, a medicina brasileira adotou uma mudança que vai além de uma simples troca de palavras. A Síndrome dos Ovários Policísticos — SOP — passou a se chamar Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, a SOMP. A transição será concluída até 2028, mas o que ela representa já é profundo: uma transformação na forma como a ciência compreende uma condição que afeta milhões de mulheres em silêncio.
O antigo nome carregava um problema invisível e consequente. A ideia de 'cistos' e 'ovários' criou uma narrativa enganosa: mulheres faziam ultrassons, viam resultados normais e descartavam a síndrome. Outras viam imagens policísticas e se alarmavam sem ter a condição. Essa confusão gerou ansiedade desnecessária, diagnósticos tardios e falta de tratamento. Estima-se que cerca de 70% das mulheres com a síndrome sequer saibam que a têm.
O novo nome comunica uma verdade científica que levou décadas para ser reconhecida: essa não é uma doença dos ovários. É uma condição sistêmica que envolve hormônios, metabolismo, reprodução e saúde mental. Além de afetar o ciclo menstrual e a ovulação, a síndrome pode desencadear acne resistente, excesso de pelos, queda de cabelo, resistência à insulina, diabetes tipo 2, risco cardiovascular aumentado e impactos psicológicos significativos. O acompanhamento precisa ser contínuo — não apenas quando a mulher deseja engravidar.
O diagnóstico não pode depender exclusivamente de imagens. Os critérios clínicos reconhecidos permitem identificar a condição mesmo sem alterações visíveis ao ultrassom, desde que a paciente apresente sinais como irregularidade menstrual persistente, excesso de andrógenos ou dificuldade para engravidar. Nas adolescentes, o cuidado precisa ser ainda maior.
O tratamento exige abordagem multidisciplinar e personalizada, reunindo ginecologistas, endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e dermatologistas em torno de objetivos comuns — sem culpabilizar a paciente por uma condição que tem raízes genéticas, hormonais e metabólicas. Para os especialistas, a chegada da nomenclatura SOMP tem potencial real de reduzir atrasos no diagnóstico e transformar a qualidade de vida de milhões de mulheres.
Em maio deste ano, a medicina brasileira adotou uma mudança que vai muito além de uma simples troca de palavras. A Síndrome dos Ovários Policísticos, conhecida por décadas como SOP, passou a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina — SOMP em português, ou PMOS em sua designação internacional. A transição será gradual, com conclusão prevista para 2028, mas o que ela representa é uma transformação profunda em como a ciência compreende e diagnostica uma condição que afeta milhões de mulheres em silêncio.
O antigo nome carregava um problema invisível mas consequente: durante anos, ele enganou tanto médicos quanto pacientes. A palavra "ovários" e a ideia de "cistos" criaram uma narrativa enganosa. Mulheres faziam ultrassons, viam ovários normais, e descartavam a possibilidade de terem a síndrome. Outras viam aspectos policísticos na imagem e acreditavam estar doentes quando, na verdade, não apresentavam a condição. Essa confusão gerou ansiedade desnecessária, diagnósticos tardios e, em muitos casos, falta de tratamento adequado. Segundo especialistas, cerca de 70% das mulheres que vivem com a síndrome sequer sabem que a têm.
O novo nome comunica uma verdade científica que levou décadas para ser plenamente reconhecida: essa não é uma doença dos ovários. É uma condição sistêmica, complexa, que envolve hormônios, metabolismo, reprodução e saúde mental. A endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora nacional da pós-graduação em Endocrinologia da Afya Educação Médica em Belém e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Transgênero, explica que o antigo rótulo contribuiu ativamente para interpretações equivocadas. "O novo nome comunica melhor que estamos diante de uma condição sistêmica, com participação de diferentes hormônios e do metabolismo, e não simplesmente de cistos no ovário", afirma.
Os reflexos dessa síndrome ecoam por todo o corpo. Sim, ela afeta a ovulação e o ciclo menstrual. Mas também desencadeia acne que resiste a tratamentos convencionais, excesso de pelos em regiões onde as mulheres não esperam encontrá-los, queda de cabelo, resistência à insulina, colesterol e triglicerídeos elevados, hipertensão, gordura no fígado, diabetes tipo 2, risco cardiovascular aumentado e impactos significativos na saúde mental. Historicamente associada à infertilidade, a síndrome exige acompanhamento ao longo de toda a vida — não apenas quando uma mulher deseja engravidar, e não terminando após a gravidez.
O diagnóstico, segundo a ginecologista Milena Duarte, professora na Afya Marabá, não pode depender exclusivamente de imagens. Os critérios de Rotterdam permitem o diagnóstico quando a paciente apresenta pelo menos dois destes sinais: ciclos menstruais irregulares ou ausência de ovulação, excesso de hormônios andrógenos (detectado clinicamente ou em exames de sangue), e morfologia policística dos ovários ao ultrassom. Mas mesmo com exames normais, sinais como irregularidade menstrual persistente, dificuldade para engravidar, aumento de pelos, acne resistente, queda de cabelo e ganho de peso associado à dificuldade de emagrecer devem acender o alerta. Nas adolescentes, o cuidado precisa ser ainda maior, pois o diagnóstico não pode se apoiar apenas na imagem ultrassonográfica.
O tratamento adequado exige uma mudança de paradigma. Não existe uma solução única que funcione para todas as mulheres. Os anticoncepcionais continuam entre as principais opções para quem não deseja engravidar, mas a abordagem precisa ser personalizada, levando em conta risco metabólico, saúde cardiovascular, saúde mental e planos reprodutivos individuais. Ginecologistas e endocrinologistas mantêm papéis centrais, mas nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e dermatologistas entram em cena como peças-chave. A equipe precisa trabalhar com objetivos comuns, sem culpabilizar a paciente — a síndrome tem componentes genéticos, hormonais e metabólicos; não é consequência de falta de força de vontade.
Os exames de rotina recomendados incluem glicemia de jejum, hemoglobina glicada, teste oral de tolerância à glicose, perfil lipídico e monitorização da pressão arterial. O objetivo não é tratar sintomas isolados, mas promover saúde a longo prazo, reduzir riscos metabólicos e melhorar a qualidade de vida. A maioria das mulheres com SOMP consegue engravidar com acompanhamento adequado, desde que o planejamento reprodutivo seja feito com estratégias individualizadas.
A chegada da nomenclatura SOMP marca um ponto de virada na endocrinologia e na ginecologia. Ao deixar de lado uma visão centrada apenas nos ovários, a mudança abre caminho para um entendimento mais completo da doença. Para os especialistas, esse novo olhar tem potencial para reduzir atrasos no diagnóstico, ampliar o acesso a tratamentos adequados e, no fim das contas, transformar a qualidade de vida de milhões de mulheres que vivem com essa condição.
Citações Notáveis
O novo nome comunica melhor que estamos diante de uma condição sistêmica, com participação de diferentes hormônios e do metabolismo, e não simplesmente de cistos no ovário— Dra. Renata Bussuan, endocrinologista e coordenadora nacional da pós-graduação em Endocrinologia da Afya Educação Médica
A mulher precisa ser acompanhada ao longo da vida, mesmo quando não está tentando engravidar. O tratamento não deve começar apenas quando surge o desejo de gestação, nem terminar depois que a paciente engravida— Dra. Renata Bussuan