A síndrome do impostor é frequente em pessoas com autocobrança extrema, criando sensação de insuficiência mesmo com desempenho comprovadamente bom. Marcela Rocha, CIO da Avenue, relata conviver com a síndrome desde o início da carreira, apesar de suas conquistas profissionais significativas.
Síndrome do impostor: como reconhecer e reagir ao sentimento de inadequação
Nunca estaremos 100% confiantes, mas vou tentar o meu melhor
Como a síndrome do impostor se diferencia de uma simples falta de confiança que qualquer pessoa pode sentir em um novo cargo?
A diferença está na frequência e na distorção. Qualquer um pode ter dúvidas ao começar algo novo, mas na síndrome do impostor, essa sensação é recorrente e desconectada da realidade do desempenho. Marcela recebe avaliações positivas, mas continua se sentindo inadequada.
O artigo menciona que Cintra explica a diferença, mas não fica claro se há um ponto de corte diagnóstico ou se é mais um espectro. Quando exatamente a autocobrança normal vira síndrome?
Marcela conseguiu chegar a CIO apesar dessa síndrome. Isso significa que ela a superou ou apenas aprendeu a conviver com ela?
Ela mesma diz que nunca chegou a um ponto em que se sinta verdadeiramente confortável. Então parece ser convivência, não superação. Ela transformou a insegurança em preparação contínua.
Mas o artigo não deixa claro se essa é a experiência típica ou se Marcela é uma exceção. Quantas pessoas com síndrome do impostor conseguem avançar assim? Não há dados sobre isso.
O psicólogo alerta que ambientes de trabalho críticos podem gerar a síndrome mesmo em quem não tem predisposição. Isso muda tudo, não?
Muda porque significa que não é só um problema individual. Se o ambiente reforça insuficiência através de lideranças críticas e cobranças excessivas, a solução não é só terapia pessoal.
Verdade, mas o artigo não oferece exemplos concretos de como esses ambientes funcionam ou como identificá-los. É uma observação importante que fica sem desenvolvimento.
Das estratégias sugeridas, qual parece mais efetiva?
Transformar insegurança em curiosidade é elegante, mas acho que a mais prática é mapear onde você se cobra e questionar se aquela responsabilidade é realmente necessária. É um exercício de estabelecer limites.
O problema é que o artigo lista muitas estratégias sem evidência de qual funciona melhor ou para quem. Parecem sugestões genéricas de bem-estar.
Por que a síndrome afeta mais pessoas em posições de liderança ou em carreiras exigentes?
Porque essas posições atraem pessoas já predispostas à autocobrança extrema. É um ciclo: pessoas exigentes buscam cargos desafiadores, e esses cargos reforçam a exigência.
Mas o artigo não oferece dados sobre prevalência em diferentes grupos profissionais. Sabemos que afeta pessoas "extremamente exigentes", mas quantas pessoas são assim? É realmente mais comum em liderança?
El Pulso
- Marcela Rocha, 38 anos, é diretora de investimentos da Avenue e relata conviver com síndrome do impostor apesar de suas conquistas
- Síndrome do impostor afeta pessoas com autocobrança extrema, criando sensação de insuficiência mesmo com desempenho comprovadamente positivo
- Psicólogo Wanderley Cintra lista oito sinais principais, incluindo perfeccionismo, dificuldade em delegar e avaliação distorcida do próprio desempenho
- Ambientes com lideranças críticas e cobranças excessivas podem reforçar a síndrome mesmo em quem não tem predisposição natural
A síndrome do impostor é frequente em pessoas com autocobrança extrema, criando sensação de insuficiência mesmo com desempenho comprovadamente bom. Marcela Rocha, CIO da Avenue, relata conviver com a síndrome desde o início da carreira, apesar de suas conquistas profissionais significativas.
Artigo explora a síndrome do impostor, mecanismo psicológico que afeta profissionais exigentes consigo mesmos, distorcendo sua percepção de desempenho e bloqueando avanços na carreira.
Marcela Rocha estava no início de sua carreira no mercado financeiro quando a pergunta ecoou em sua mente: "Será que eles sabem que eu não sei ainda?" Hoje, aos 38 anos, ela é diretora de investimentos da Avenue, corretora de investimentos no exterior do Itaú. Mesmo assim, nunca chegou a um ponto em que se sinta verdadeiramente confortável e confiante no cargo. Sua história ilustra um fenômeno psicológico que afeta profissionais de alto desempenho: a síndrome do impostor, um mecanismo que distorce a percepção sobre o próprio trabalho e bloqueia avanços na carreira.
Segundo o psicólogo Wanderley Cintra, especialista em dinâmica do trabalho, a síndrome do impostor é frequente em pessoas extremamente exigentes consigo mesmas. A régua interna fica tão alta que o trabalho nunca parece suficientemente bom. A pessoa se vê como uma impostora naquela função, apesar de evidências objetivas do contrário. "É sentimento de que sempre se pode melhorar, sempre dá para entregar algo melhor, mas de maneira distorcida", explica Cintra. "Todo mundo pode ter crises existenciais de vez em quando, mas no caso de uma síndrome, a sensação de ser um impostor naquele lugar é frequente."
A trajetória de Marcela revela como essa síndrome se enraíza. Ela vem de uma família em que os pais não completaram o ensino superior. Aos 16 anos, recebeu a carteira de trabalho dos pais para ajudar na renda da casa e começou como secretária numa escola de inglês. Estudou economia à noite, estagiou em um banco e, aos 25 anos, tornou-se economista-chefe da empresa onde permaneceria por 13 anos. Ao entrar no mercado financeiro, porém, sentiu-se atrasada. A maioria dos colegas vinha de universidades de ponta, e várias delas preparavam os alunos especificamente para lidar com produtos financeiros e alocação de portfólio. Essa sensação de inadequação voltava a cada novo posto, inclusive quando foi convidada a chefiar a área de investimentos da Avenue. "Estou pronta? Não, não estou pronta, mas vamos", disse ela na época.
Cintra lista sinais que indicam a presença da síndrome: sensação de que nada está bom ou terminado; perfeccionismo extremo e vontade de controlar processos; dificuldade em delegar tarefas porque acha que ninguém faria bem; introspecção que impede conversa com colegas sobre o assunto; avaliação distorcida do próprio desempenho, sentindo-se inferior apesar de receber avaliações positivas; relutância em pedir promoção ou aumento; assunção de mais tarefas do que deveria; sintomas físicos como dor de cabeça e dificuldade para dormir; e dificuldade em tirar férias ou se sentir merecedor de descanso.
O psicólogo alerta para um risco particular: a pessoa "se sabota mesmo sabendo que ela tem, no fundo, boas qualidades". Quando alguém trata a síndrome como identidade permanente, acreditando que não há saída para o complexo de inferioridade, aumenta a probabilidade de esquivar-se de oportunidades que poderiam alavancar a carreira. Além disso, ambientes de trabalho com lideranças muito críticas e cobranças excessivas podem reforçar a sensação de insuficiência mesmo em quem não tem predisposição natural para a síndrome.
Marcela desenvolveu estratégias para conviver com o fenômeno. "Nunca estaremos 100% confiantes. Penso que vou tentar o meu melhor e vou usar os instrumentos que a empresa me dá: mentoria, cursos, me inserir em processos. Hoje, me sinto preparada porque fui atrás de ferramentas", diz ela. Cintra e Marcela sugerem caminhos para quem se reconhece nessa dinâmica: procurar ajuda profissional para tomar consciência dos mecanismos de autocobrança; mapear onde se cobra excessivamente e começar a questionar se realmente é necessário tanto; ter um hobby genuíno por prazer e não para competir; passar mais tempo offline, já que notificações funcionam como uma forma de cobrança contínua; fazer um exame de consciência do caminho percorrido até o cargo atual, sozinho ou com um terapeuta; e transformar insegurança em preparação através de estudo autodirigido, cursos extras e busca de mentoria.
O conselho final vem de Marcela: "Faça insegurança virar curiosidade". Essa transformação permite que o profissional use a autocrítica como ferramenta de aprendizado contínuo, em vez de deixá-la funcionar como bloqueio psicológico que impede o reconhecimento do próprio valor e o avanço na carreira.
Citas Notables
É sentimento de que sempre se pode melhorar, sempre dá para entregar algo melhor, mas de maneira distorcida. Todo mundo pode ter crises existenciais de vez em quando, mas no caso de uma síndrome, a sensação de ser um impostor naquele lugar é frequente.— Wanderley Cintra, psicólogo especialista em trabalho
Nunca estaremos 100% confiantes. Penso que vou tentar o meu melhor e vou usar os instrumentos que a empresa me dá: mentoria, cursos, me inserir em processos. Hoje, me sinto preparada porque fui atrás de ferramentas.— Marcela Rocha, CIO da Avenue