Em Caldas Novas, Goiás, o que começou como um conflito condominial banal — disputas sobre hóspedes, câmeras, encomendas barradas — terminou com uma mulher morta no subsolo do próprio prédio onde vivia. Cléber Rosa de Oliveira, síndico do condomínio, confessou à polícia ter matado a corretora Daiane Alves Souza em 17 de dezembro de 2025, após meses de perseguição documentada em 12 processos judiciais. O corpo de Daiane, encontrado em estado de ossada a 15 quilômetros da cidade, é o testemunho silencioso de como o poder cotidiano, quando exercido sem freio, pode escalar até o irreversível.
Síndico confessa morte de corretora após discussão em subsolo de condomínio
Todas as minhas contas estão pagas, então não tem motivo
Por que o síndico confessou? Há algo que o levou a revelar o que tinha feito?
A polícia não divulgou os detalhes dos depoimentos. Sabemos que ele confessou, mas não sabemos exatamente o que o levou a isso — se foi pressão investigativa, remorso, ou se havia evidências que o incriminavam.
Exatamente. A gente sabe que ele confessou, mas a reportagem não explica como a polícia chegou até ele. Como descobriram que era ele? Havia câmeras? Testemunhas? Isso importa.
E o filho dele, por que foi preso também?
A reportagem não detalha o papel do filho. Ele foi preso na mesma operação, mas não está claro se é suspeito de envolvimento direto no crime ou se há outras razões.
Isso é um buraco importante. O síndico disse que agiu sozinho, mas o filho foi preso. Ou há evidência de envolvimento dele, ou há algo mais acontecendo que a polícia não revelou.
O conflito entre eles era tão grave que chegou a 12 processos?
Sim. Começou com uma questão de hóspedes em excesso, mas depois escalou para acusações de uso indevido do apartamento, monitoramento por câmeras, impedimento de trabalhar. A Justiça até suspendeu uma expulsão que a assembleia havia votado.
Mas aqui está o ponto: nenhum desses processos resultou em condenação do síndico. Daiane venceu um, mas 11 estão ainda em andamento. Então, do ponto de vista legal, ele não havia sido punido por nada quando matou ela.
Como ninguém percebeu que ela tinha desaparecido?
Ela morava sozinha no apartamento e administrava imóveis da família. Quando desapareceu, não havia ninguém esperando por ela no dia a dia. Seu corpo foi encontrado semanas depois, em estado de ossada, em uma mata a 15 quilômetros da cidade.
Mas alguém deve ter notado. Ela tinha clientes, amigos. A mãe dela estava recebendo vídeos. Como levou tanto tempo para a polícia ser acionada? A reportagem não diz quando a mãe ou alguém denunciou o desaparecimento.
O vídeo que ela gravou — aquele mostrando a falta de energia — foi crucial?
Foi importante porque documentou o que ela estava fazendo naquela noite e porque mostrou as câmeras do prédio registrando ela entrando no elevador. Mas o vídeo termina antes de ela descer ao subsolo.
Sim, e isso é significativo. As câmeras de segurança registram ela entrando no elevador às 18h57, saindo dois minutos depois, retornando sozinha, e descendo novamente. Depois disso, nada. Nenhuma imagem dela saindo do subsolo. Isso deve ter sido crucial para a investigação.
The Pulse
- Daiane Alves Souza desapareceu na noite de 17 de dezembro após descer ao subsolo do prédio para tentar religar a energia de seu apartamento — cortada repetidamente apesar de não haver dívidas.
- Por mais de um mês, seu paradeiro foi desconhecido; seu corpo foi encontrado reduzido a ossada em uma área de mata a 15 km de Caldas Novas.
- O síndico Cléber Rosa de Oliveira confessou o homicídio à Polícia Civil e foi preso na madrugada de 28 de janeiro, junto com seu filho Maykon Douglas.
- O crime encerra um histórico de conflito documentado: Daiane havia movido 12 processos contra o síndico por perseguição, monitoramento por câmeras e constrangimentos sistemáticos no edifício.
- A Justiça havia suspendido a expulsão de Daiane do condomínio — deliberada em assembleia com prazo de 12 horas — apenas quatro meses antes de ela ser assassinada.
Em Caldas Novas, Goiás, o que começou como um conflito condominial banal — disputas sobre hóspedes, câmeras, encomendas barradas — terminou com uma mulher morta no subsolo do próprio prédio onde vivia. Cléber Rosa de Oliveira, síndico do condomínio, confessou à polícia ter matado a corretora Daiane Alves Souza em 17 de dezembro de 2025, após meses de perseguição documentada em 12 processos judiciais. O corpo de Daiane, encontrado em estado de ossada a 15 quilômetros da cidade, é o testemunho silencioso de como o poder cotidiano, quando exercido sem freio, pode escalar até o irreversível.
Na madrugada de 28 de janeiro, a Polícia Civil prendeu Cléber Rosa de Oliveira, síndico de um condomínio em Caldas Novas, no sul de Goiás. Ele havia confessado ter matado Daiane Alves Souza, corretora de 43 anos, durante uma discussão no subsolo do prédio onde ambos viviam. O corpo de Daiane foi encontrado semanas depois em estado de ossada, abandonado em mata a cerca de 15 quilômetros da cidade. O filho do síndico, Maykon Douglas, também foi preso na mesma operação.
Segundo o relato de Cléber aos investigadores, o crime ocorreu em 17 de dezembro de 2025. Daiane havia descido ao subsolo para tentar restabelecer a energia elétrica de seu apartamento, que havia sido cortada. As câmeras do prédio a registraram entrando no elevador às 18h57. Ela gravava um vídeo para uma amiga documentando o problema elétrico — e comentou, dentro da cabine, que iria ao subsolo resolver a situação. Dois minutos depois, desceu sozinha. Ninguém a viu com vida desde então.
O desaparecimento não foi um evento isolado. Daiane, natural de Uberlândia, morava em Caldas Novas há cerca de dois anos e administrava apartamentos da família no condomínio. Sua relação com o síndico era marcada por conflito aberto: ao todo, ela havia movido 12 processos contra Cléber, acusando-o de perseguição, monitoramento por câmeras internas e constrangimentos sistemáticos. O Ministério Público de Goiás o denunciou por perseguição com agravante de abuso de função.
Os atritos começaram após uma disputa sobre locação com número de hóspedes acima do permitido. A partir daí, a administração passou a apontar supostas irregularidades no apartamento de Daiane, que negou todas as acusações. Ela relatou ter sido impedida de trabalhar no condomínio, ter encomendas barradas e sofrer interrupções no fornecimento de energia — apesar de não ter dívidas. A Justiça chegou a ordenar a religação e proibir novos cortes. Em agosto, uma assembleia deliberou pela sua expulsão com prazo de 12 horas; o Judiciário suspendeu a decisão após recurso de Daiane. Quatro meses depois, ela estava morta.
Na madrugada de quarta-feira, 28 de janeiro, a polícia prendeu Cléber Rosa de Oliveira, síndico de um condomínio em Caldas Nohas, no sul de Goiás. Ele havia confessado à Polícia Civil que matou Daiane Alves Souza, corretora de 43 anos, durante o que descreveu como uma discussão "calorosa" ocorrida no subsolo do prédio onde ambos viviam. O corpo de Daiane foi encontrado semanas depois, reduzido a ossada, abandonado em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros da cidade. Seu filho, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso na mesma operação. Um porteiro do edifício foi levado à delegacia para prestar esclarecimentos, embora seu nome não tenha sido divulgado.
Segundo o relato que Cléber ofereceu aos investigadores, o crime aconteceu em 17 de dezembro de 2025. Daiane havia descido ao subsolo do prédio para tentar restabelecer a energia elétrica de seu apartamento, que havia sido cortada. Os dois discutiram no local, e durante o desentendimento, ele afirmou ter agido sozinho ao cometer o homicídio. As últimas imagens de Daiane viva mostram-na descendo no elevador do prédio naquela noite.
O desaparecimento deixou pistas que sua mãe, Nilse, ajudou a preservar. Na noite em que desapareceu, Daiane havia enviado um vídeo a uma amiga documentando a falta de energia em seu apartamento. Ela gravava enquanto mostrava o quadro de disjuntores e testava os interruptores. A gravação continuou enquanto ela entrava no elevador e passava pela recepção. Câmeras de segurança do prédio registraram Daiane entrando no elevador às 18h57. Dentro da cabine, ela encontrou um homem e comentou que iria ao subsolo tentar resolver o problema elétrico. "Todas as minhas contas estão pagas, então não tem motivo da minha energia ter sido rompida", disse ela no vídeo, levantando a hipótese de que alguém estivesse "brincando de desligar" o disjuntor. Às 18h58, os dois saíram do elevador. Dois minutos depois, Daiane retornou sozinha à cabine e desceu novamente ao subsolo. Desde então, ninguém a viu com vida.
Daiane era natural de Uberlândia, em Minas Gerais, e morava em Caldas Novas havia cerca de dois anos, onde administrava apartamentos da família no condomínio. Seu desaparecimento não foi um evento isolado, mas o ponto final de meses de conflito documentado com a administração do prédio e, particularmente, com o síndico. O Ministério Público de Goiás descreveu a relação como marcada por notificações formais, registros de boletins de ocorrência, ações judiciais e sucessivas medidas administrativas. O MP-GO denunciou Cléber por perseguição com agravante de abuso de função, alegando que ele teria utilizado seu cargo para monitorar Daiane por câmeras internas, submetê-la a constrangimentos frequentes e dificultar sua rotina no edifício. Ao todo, Daiane tinha 12 processos contra o síndico — 11 em andamento na Justiça e um arquivado com sentença favorável a ela.
Os conflitos começaram após um desentendimento relacionado à locação de um imóvel com número de hóspedes acima do permitido pelas regras internas do condomínio. A partir disso, a administração passou a apontar supostas irregularidades: o uso do apartamento para marcenaria e o exercício irregular da corretagem. Daiane negou todas as acusações. Em abril, ela registrou boletim de ocorrência por violação de domicílio, afirmando que Cléber havia entrado em seu apartamento sem autorização — algo que ele confirmou, justificando-se dizendo que precisava registrar imagens do imóvel.
Nos meses seguintes, a situação se deteriorou. Daiane relatou estar sendo impedida de trabalhar no condomínio, que funcionários foram orientados a barrar o recebimento de suas encomendas, e que abordagens e discussões na portaria se tornaram recorrentes. Houve também interrupções no fornecimento de energia elétrica de seu apartamento, apesar de não haver inadimplência. A Justiça determinou a religação e proibiu novos cortes enquanto o caso estivesse sob análise. Em agosto, o conflito atingiu seu ápice quando uma assembleia deliberou pela expulsão de Daiane do prédio. Apesar de ela ter apresentado defesa por escrito negando todas as acusações, a maioria dos moradores votou pela sua saída e estabeleceu um prazo de 12 horas para que ela deixasse o local. A decisão foi suspensa pelo Judiciário após recurso de Daiane, sob o entendimento de que ainda havia questionamentos sobre a legalidade da assembleia. Quatro meses depois, ela estava morta.
Notable Quotes
Era normal aqui a gente passar por esse tipo de problema [falta de energia] então, a gente já se prevenia gravando o que estivesse acontecendo— Nilse, mãe de Daiane, explicando por que a filha gravava vídeos