O cuidado em saúde mental exige um olhar cada vez mais amplo e integrado
Em uma década, o Sinapsen Fórum passou de uma reunião modesta de cem médicos para um encontro de quinhentos especialistas — sinal de que a neurociência e a saúde mental deixaram de ser margens do debate clínico para ocupar seu centro. Realizado em Campinas pela Apsen, o evento celebra não apenas um aniversário, mas a maturidade de um campo que agora conecta psiquiatras, neurologistas, pediatras e geriatras em torno de questões que vão do TDAH à microbiota intestinal. Há algo revelador no fato de que as vagas presenciais se esgotaram: a demanda por conhecimento aplicável à prática clínica em saúde mental cresce mais rápido do que os auditórios conseguem acomodar.
- O Sinapsen quintuplicou de tamanho em dez anos, pressionando os organizadores a expandir o formato para transmissão online diante de vagas presenciais esgotadas.
- A saúde mental no Brasil enfrenta uma lacuna crescente entre o avanço científico global e a prática clínica cotidiana — e o fórum existe precisamente para estreitar essa distância.
- Nomes internacionais como Jeffrey Newcorn e Andrea Fagiolini dividiram palco com referências brasileiras, sinalizando que o país busca posicionar-se como interlocutor ativo na neurociência mundial.
- A Apsen investiu R$ 34 milhões em educação médica continuada em 2025 e viu seu medicamento não estimulante para TDAH, o Atentah, alcançar 200 mil pacientes tratados em seu primeiro ano — traduzindo ciência em escala clínica real.
- A ampliação do escopo do evento para geriatria e pediatria revela que o cuidado em saúde mental está sendo reconfigurado como uma responsabilidade transversal, não mais restrita a especialidades tradicionais.
Nos dias 26 e 27 de junho, Campinas sediou a décima edição do Sinapsen Fórum, organizado pela Apsen. Cerca de 500 médicos, pesquisadores e palestrantes se reuniram para debater neurociência e saúde mental — um número que contrasta com os aproximadamente 100 participantes da primeira edição, em 2016. O crescimento reflete a expansão das discussões sobre o Sistema Nervoso Central no Brasil, que hoje abrangem desde TDAH e depressão até microbiota intestinal e psicodélicos na psiquiatria.
A programação reuniu vozes de peso. Drauzio Varella abordou saúde mental em conferência no sábado, enquanto especialistas internacionais como Jeffrey Newcorn, Jair Soares e Andrea Fagiolini trouxeram perspectivas globais ao debate. A agenda cobriu temas como anedonia, insônia, desregulação emocional e o uso de lurasidona no tratamento da depressão bipolar, além do papel dos medicamentos não estimulantes no manejo do TDAH.
O evento também evidenciou o compromisso da Apsen com a educação médica: em 2025, a empresa investiu R$ 34 milhões em iniciativas de formação continuada. No mesmo período, o Atentah — primeiro não estimulante aprovado no Brasil para TDAH — ultrapassou 200 mil pacientes tratados em seu primeiro ano. Williams Ramos, Head Médico Científico da Apsen, ressaltou que a neurociência exige hoje um olhar cada vez mais integrado sobre o cuidado em saúde mental.
Com as vagas presenciais esgotadas, o fórum abriu inscrições para transmissão online, ampliando o alcance a profissionais de todo o país. O Sinapsen se consolida assim não apenas como evento anual, mas como parte de uma estratégia contínua de conexão entre ciência e prática clínica ao longo do ano.
Nos dias 26 e 27 de junho, em Campinas, a Apsen realizou a décima edição do Sinapsen Fórum, um dos principais encontros dedicados à neurociência e saúde mental no Brasil. O evento reuniu cerca de 500 participantes — médicos, pesquisadores e palestrantes — em torno de discussões sobre avanços científicos, desafios clínicos e novas abordagens terapêuticas em temas que vão desde transtorno de déficit de atenção com hiperatividade até depressão, ansiedade, transtorno bipolar, anedonia, insônia e a relação entre microbiota intestinal e saúde mental.
O crescimento do fórum ao longo de uma década é notável. Quando foi criado em 2016, o Sinapsen começou com aproximadamente 100 médicos. Dez anos depois, quintuplicou de tamanho, consolidando-se como referência em debates sobre o Sistema Nervoso Central. O evento, que inicialmente atraía principalmente psiquiatras e neurologistas, expandiu seu escopo para incluir especialistas em geriatria e pediatria, refletindo a ampliação das discussões em torno da saúde mental no país.
A programação científica trouxe nomes de peso tanto do Brasil quanto do exterior. O médico Drauzio Varella abordou o tema da saúde mental em conferência no sábado. Entre os convidados internacionais estavam Jeffrey Newcorn, referência norte-americana em TDAH, o pesquisador Jair Soares dos Estados Unidos e Andrea Fagiolini da Itália. A medicina brasileira também marcou presença com Irismar de Oliveira, Andrea Bacelar e Kalil Duailibi. Na sexta-feira, a agenda incluiu debates sobre psicodélicos na psiquiatria, anedonia e depressão, além de uma conferência sobre o uso de lurasidona no tratamento da depressão bipolar. No sábado, destaque para discussões sobre o papel dos não estimulantes no tratamento do TDAH, desregulação emocional e insônia associada ao transtorno.
O investimento da Apsen em educação médica e neuropsiquiatria reflete a importância crescente do tema. Em 2025, a companhia destinou R$ 34 milhões a iniciativas de educação médica continuada. Nesse mesmo período, consolidou a liderança do Atentah, primeiro medicamento não estimulante aprovado no Brasil para o tratamento do TDAH, que alcançou mais de 200 mil pacientes tratados em seu primeiro ano de comercialização. Williams Ramos, Head Médico Científico da Apsen, destacou que os avanços da neurociência têm mostrado que o cuidado em saúde mental exige um olhar cada vez mais amplo e integrado, conectando profissionais brasileiros a discussões e evidências científicas que estão transformando a prática clínica.
Embora as vagas presenciais tenham se esgotado, o evento ampliou seu alcance por meio de transmissão online, com inscrições abertas para profissionais de todo o Brasil. Essa iniciativa busca expandir o acesso ao conteúdo científico e conectar especialistas a temas contemporâneos da prática clínica em saúde mental. Ramos reforçou que existe uma demanda crescente por conteúdos cada vez mais aplicáveis à prática clínica e conectados às transformações da saúde mental. O Sinapsen faz parte de uma estratégia contínua de educação médica e relacionamento científico que se estende ao longo do ano por meio de outras iniciativas voltadas à comunidade médica, refletindo o compromisso em promover discussões relevantes e manter uma troca contínua com os especialistas.
Notable Quotes
Os avanços da neurociência têm mostrado que o cuidado em saúde mental exige um olhar cada vez mais amplo e integrado, conectando profissionais brasileiros a discussões e evidências científicas que estão transformando a prática clínica— Williams Ramos, Head Médico Científico da Apsen
Existe uma demanda crescente por conteúdos cada vez mais aplicáveis à prática clínica e conectados às transformações da saúde mental— Williams Ramos, Head Médico Científico da Apsen
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que um fórum sobre neurociência cresceu de 100 para 500 pessoas em dez anos? O que mudou?
A saúde mental deixou de ser um tema marginal. Depressão, ansiedade, TDAH — essas condições agora afetam milhões de pessoas. Os médicos precisam estar atualizados. E a neurociência está avançando rapidamente, descobrindo conexões que ninguém imaginava antes.
Qual é a diferença entre um medicamento estimulante e um não estimulante para TDAH?
Os estimulantes funcionam rápido, mas têm mais efeitos colaterais e risco de dependência. Os não estimulantes como o Atentah trabalham de forma diferente, mais segura para muitos pacientes. Ter uma opção aprovada no Brasil muda a prática clínica.
Por que a microbiota intestinal está sendo discutida em um fórum de neurociência?
Porque o cérebro e o intestino conversam. Descobrimos que a saúde mental não é só uma questão de neurotransmissores no cérebro — o que você come, como seu intestino funciona, tudo isso influencia. É uma visão muito mais integrada.
O que significa transmissão online para um evento científico?
Significa que um psiquiatra em Manaus pode assistir à mesma palestra de um especialista em São Paulo. Democratiza o acesso. Não é a mesma coisa que estar lá, mas permite que mais gente se atualize.
A Apsen investiu R$ 34 milhões em educação médica. Isso é muito?
Para uma empresa farmacêutica, é um compromisso sério. Mostra que eles entendem que vender medicamento não é suficiente — os médicos precisam saber como usar bem. É investimento em confiança e em qualidade da prática.