Simone Mendes não cumpre liminar para reconstruir muro que danificou casa de músico

Propriedade do músico Léo Stuart sofreu danos estruturais, alagamento interno, destruição de canil e prejuízos a bens pessoais, incluindo instrumento musical avaliado em R$ 400 mil.
A demora traz riscos ainda maiores com tempestades que se aproximam
Defesa do músico teme novo desmoronamento durante período de chuvas, enquanto liminar confirmada em segunda instância permanece descumprida.
Mark

Como é que uma liminar confirmada em segunda instância por unanimidade simplesmente não é cumprida? Isso não deveria ter força de lei?

Mimi

Tem força de lei, sim. Mas a defesa de Simone Mendes continuou entrando com recursos — agravo, embargos, recurso especial. Cada um desses processos, tecnicamente, pode suspender a execução enquanto está sendo julgado.

Luke

Espera aí. A liminar foi confirmada em segunda instância. Esses recursos posteriores têm poder de suspender uma decisão já confirmada?

Mimi

Essa é a questão. O advogado de Léo diz que a liminar já foi confirmada por unanimidade, então teoricamente deveria estar em vigor. Mas a defesa continua litigando.

Mark

E quanto aos danos? R$ 1,3 milhão é muito dinheiro.

Mimi

Esse valor é o que está sendo discutido na ação. Não é uma indenização já determinada. O que a liminar ordena é a reconstrução física — os muros, o canil, a drenagem. A indenização em dinheiro dependerá da sentença final.

Luke

Mas há quanto tempo isso está acontecendo? Desde novembro de 2024. Estamos em setembro de 2026. Quase dois anos.

Mimi

Exato. E agora vem a estação de chuvas de novo. A defesa de Léo está preocupada que, sem o sistema de drenagem adequado, possa haver outro desmoronamento.

Mark

O piano dele foi destruído?

Mimi

Não. Foi atingido pela lama, mas conseguiram limpar. Avaliado em R$ 400 mil.

Luke

A assessoria de Simone Mendes diz que a obra foi feita por empresa contratada. Ela está tentando se afastar da responsabilidade?

Mimi

Aparentemente. Mas a liminar é contra ela, não contra a empresa. Ela é a proprietária.

  • Um muro desabou sobre a casa de um músico durante chuvas fortes, arrastando lama, escombros e destruindo décadas de história em uma propriedade que jamais havia sofrido dano semelhante.
  • A Justiça agiu com clareza: liminar determinando reconstrução, remoção de entulho e sistema de drenagem foi confirmada por unanimidade em segunda instância — mas permanece ignorada na prática.
  • A defesa de Simone Mendes recorreu em múltiplas frentes — agravo, embargos, recurso especial — cada movimento adiando a reparação e ampliando o desgaste jurídico e humano do caso.
  • Com R$ 1,3 milhão em disputa e um piano de R$ 400 mil que escapou por pouco da destruição, o processo avança sem indenização definida enquanto os danos estruturais permanecem sem solução.
  • A iminência do período de chuvas transforma o descumprimento judicial em risco concreto: sem drenagem adequada na obra vizinha, um novo desmoronamento pode ser apenas uma tempestade de distância.

Em Barueri, um muro desabado durante chuvas de novembro de 2024 tornou-se o centro de uma disputa judicial que revela como a negligência em obras pode transformar vizinhos em adversários e decisões judiciais em letra morta. A cantora Simone Mendes, cujas obras teriam causado os danos à propriedade do músico Léo Stuart, da banda Tihuana, enfrenta acusações de descumprir uma liminar confirmada em duas instâncias — enquanto a chegada de novas tempestades renova o temor de que a história se repita.

Em novembro de 2024, chuvas intensas em Barueri precipitaram o colapso de um muro da propriedade onde a cantora Simone Mendes realizava obras. Os escombros invadiram a casa vizinha do músico Léo Stuart, integrante da banda Tihuana — uma residência com quase três décadas de história que jamais havia sofrido dano semelhante. Água, lama e destroços atingiram áreas internas, destruíram o canil e comprometeram bens pessoais, incluindo um piano avaliado em R$ 400 mil, que sobreviveu mas precisou de limpeza.

A defesa de Léo Stuart obteve uma liminar determinando que Simone Mendes paralisasse as obras, reconstruísse os muros de ambas as propriedades, removesse o entulho, restaurasse o canil e implementasse um sistema adequado de drenagem — tudo em 30 dias úteis, sob pena de multa diária de R$ 2 mil. A decisão foi confirmada por unanimidade em segunda instância, conferindo-lhe respaldo judicial robusto.

Apesar disso, segundo o advogado Marcelo Fernandes Madruga, as determinações não foram cumpridas. A defesa da cantora apresentou sucessivos recursos — agravo, embargos e recurso especial — todos rejeitados, mas suficientes para protelar a execução da ordem. A assessoria de Simone Mendes não respondeu aos questionamentos mais recentes, limitando-se a nota anterior em que atribuiu o episódio às chuvas e à responsabilidade da empresa contratada para a obra.

O processo envolve R$ 1,3 milhão, valor atribuído à ação e não a uma indenização já definida. Com a chegada do período de tempestades, a preocupação da defesa de Léo Stuart cresce: sem drenagem adequada na obra vizinha, o risco de novo desmoronamento permanece real e urgente.

Em novembro de 2024, durante chuvas intensas em Barueri, na Grande São Paulo, um muro da propriedade onde a cantora Simone Mendes realizava obras desabou e invadiu a casa vizinha do músico Léo Stuart, integrante da banda Tihuana. A água, a lama e os escombros penetraram não apenas as áreas externas da residência, mas também a parte térrea, deixando um rastro de destruição que incluía danos estruturais, alagamento interno, a destruição do canil e prejuízos a bens pessoais. A casa de Léo, que existe há aproximadamente 28 anos, havia passado por diversos períodos de chuvas e tempestades sem que algo semelhante ocorresse.

Em resposta aos danos, a defesa de Léo Stuart obteve uma liminar em 2024 da juíza Daniela Nudeliman Guiguet Leal que determinava ações específicas e imediatas. A decisão ordenava que Simone Mendes paralisasse a obra em seu imóvel, reconstruísse os muros de ambas as propriedades, removesse todo o entulho, reconstruísse o canil destruído e restaurasse a parte danificada da casa do músico. O prazo estabelecido era de 30 dias úteis, com multa diária de R$ 2 mil em caso de descumprimento, limitada a R$ 200 mil. A liminar também exigia a implementação de um sistema adequado de drenagem e escoamento de águas pluviais na obra de Simone Mendes, justamente para evitar novos desmoronamentos.

Segundo o advogado Marcelo Fernandes Madruga, que representa Léo Stuart, a liminar foi concedida integralmente pela primeira instância e posteriormente confirmada por unanimidade em segunda instância. Apesar dessa confirmação judicial robusta, as determinações não foram cumpridas. A defesa de Simone Mendes apresentou diversos recursos contra a decisão: um agravo que foi rejeitado por unanimidade, embargos também rejeitados por unanimidade, e posteriormente um recurso especial. Cada movimento legal representava uma tentativa de contornar a obrigação de reparar os danos.

O piano de Léo Stuart, avaliado em aproximadamente R$ 400 mil, foi atingido pela lama mas não destruído, necessitando apenas de limpeza. A defesa também esclareceu que nenhum cachorro morreu no episódio, embora uma carpa tenha perecido após o lago da propriedade ser atingido pela lama e pelos destroços. O processo envolve um valor de aproximadamente R$ 1,3 milhão, mas esse montante corresponde ao valor atribuído à ação e não a uma indenização já determinada pela Justiça. O valor que eventualmente deverá ser pago dependerá de futuras decisões judiciais.

A preocupação da defesa de Léo Stuart intensifica-se com a chegada do período de chuvas fortes. Madruga afirma que a demora no cumprimento da liminar e a ausência de um sistema adequado de drenagem na obra vizinha criam riscos ainda maiores de novo desmoronamento. "Entendemos que a demora e o descumprimento da medida liminar trazem riscos ainda maiores diante das notícias de previsão de fortes tempestades que se aproximam", declarou.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa de Simone Mendes não respondeu aos questionamentos sobre o descumprimento da liminar. Em nota anterior enviada ao G1, a assessoria informou que o episódio é tratado como um incidente ocorrido durante período de fortes chuvas, que a obra foi executada por empresa contratada responsável pela segurança, e que o caso segue em tramitação judicial sem decisão definitiva até o momento. O processo continua em andamento, com a defesa do músico aguardando tanto o cumprimento da liminar já confirmada quanto a resolução final sobre a indenização.

A liminar foi concedida integralmente, porém não foi cumprida. Eles vêm questionando, entraram com um agravo, que foi rejeitado por unanimidade, depois entraram com embargos também rejeitados por unanimidade e agora eles entraram com um recurso especial.
— Marcelo Fernandes Madruga, advogado de Léo Stuart
Entendemos que a demora e o descumprimento da medida liminar trazem riscos ainda maiores diante das notícias de previsão de fortes tempestades que se aproximam.
— Defesa de Léo Stuart
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