Sete atores de A Força do Querer seguem carreiras fora da Globo após sucesso em 2017

A Globo não é mais o único caminho, e para muitos, deixou de ser o melhor
Reflexão sobre como os atores de A Força do Querer encontraram carreiras diversas fora da emissora após 2017.
Mark

Por que você acha que tantos atores de A Força do Querer simplesmente desapareceram da Globo depois de 2017?

Mimi

Porque aquela novela foi um pico. Eles tiveram papéis intensos, memoráveis, e depois a emissora não ofereceu nada que chegasse perto. Ou eles perceberam que havia outras portas abertas.

Mark

Marco Pigossi foi para os Estados Unidos. Isso é fuga ou é estratégia?

Mimi

É estratégia. Ele viu que a Netflix oferecia mais oportunidades internacionais do que a Globo poderia oferecer. Mas é curioso que ele admita vergonha de um trabalho anterior — mostra que nem tudo que você faz na TV fica bem na memória.

Mark

E Silvero Pereira? Ele saiu da TV mas fez sucesso no cinema.

Mimi

Exatamente. Ele encontrou seu lugar em Bacurau. Alguns atores percebem que a novela é um trampolim, não um destino. O cinema oferecia papéis mais interessantes para ele.

Mark

Maria Fernanda Cândido também escolheu cinema.

Mimi

Ela tinha um papel marcante — Joyce era uma personagem complexa. Depois disso, ela decidiu que queria trabalhar em filmes, não em novelas. É uma escolha de qualidade sobre quantidade.

Mark

E os que ficaram nas redes sociais?

Mimi

Eles entenderam que o público está lá. Você não precisa da Globo para ter 2 milhões de seguidores e ganhar dinheiro com publicidade. A internet democratizou isso.

  • A reprise de A Força do Querer em setembro de 2020 reacendeu a curiosidade sobre o que aconteceu com seu elenco — e a resposta revela um mercado irreconhecível.
  • Marco Pigossi abandonou a Globo com determinação, mudou-se para os Estados Unidos e construiu uma carreira na Netflix, chegando a confessar publicamente vergonha de trabalhos anteriores na emissora.
  • Silvero Pereira e Maria Fernanda Cândido migraram para o cinema de prestígio — ele como o carismático Lunga de Bacurau, ela em produções internacionais — sem olhar para trás.
  • Fiuk e Raul Gazolla, cada um à sua maneira, encontraram nas redes sociais um novo palco: um com selfies e mensagens motivacionais, o outro conscientizando seguidores sobre doenças cardíacas após quatro infartos.
  • Jonathan Azevedo foi o único a manter presença consistente na Globo, equilibrando séries de streaming, programas de auditório e uma audiência milionária no Instagram.
  • O conjunto dessas histórias aponta para uma ruptura: a Globo perdeu seu papel de destino inevitável, e para muitos atores, deixou de ser sequer o melhor caminho disponível.

Quando uma novela termina, os caminhos que se abrem para seus atores revelam muito sobre o tempo em que vivemos. Sete intérpretes que brilharam em A Força do Querer, exibida pela Globo em 2017 e reprisada em setembro de 2020, não retornaram a grandes papéis na emissora — cada um encontrou sua própria rota entre o cinema, o streaming internacional, as redes sociais e o silêncio criativo. Suas trajetórias distintas são um espelho das transformações profundas no mercado audiovisual brasileiro, onde a televisão aberta deixou de ser o único horizonte possível.

Quando A Força do Querer voltou à Globo em setembro de 2020, trouxe consigo não apenas personagens memoráveis, mas também uma pergunta silenciosa: o que aconteceu com aqueles atores depois de 2017? A resposta, para vários deles, é que simplesmente não voltaram a fazer grandes novelas na emissora.

Marco Pigossi, o Zeca paraense que sofria por duas mulheres, fez uma participação breve em 2018 e então partiu com um objetivo claro. Hoje mora nos Estados Unidos, acumulou trabalhos na Netflix — incluindo a série espanhola Alto Mar e a brasileira Cidade Invisível — e chegou a confessar, em live, sentir vergonha de um papel anterior na Globo. Fiuk, que contracenou com ele em confrontos memoráveis como o Ruy da trama, não encontrou o mesmo ritmo: um filme, uma participação em humorístico e mais de um milhão de seguidores acompanhando suas postagens de quarentena.

Silvero Pereira tinha uma trajetória singular — A Força do Querer foi sua estreia na televisão, como o Nonato que virava Elis Miranda nas casas noturnas. O papel lhe deu visibilidade nacional, mas foi no cinema que ele encontrou seu lugar: em 2019, o personagem Lunga em Bacurau o consagrou. Maria Fernanda Cândido, que viveu a socialite Joyce, também escolheu o cinema, com participações em produções brasileiras e internacionais, sem retornar à televisão.

Maria Clara Spinelli migrou para as redes sociais com propósito, produzindo conteúdo sobre literatura e causas políticas. Raul Gazolla, galã de outras décadas, revelou ter sofrido quatro infartos e passou a usar seu perfil para falar sobre saúde cardíaca. Jonathan Azevedo foi a exceção: manteve presença na Globo, transitou por séries de streaming e programas de auditório, e construiu uma audiência de mais de dois milhões no Instagram, monetizando sua visibilidade.

Juntos, esses sete percursos contam uma história maior: o mercado audiovisual mudou, e a Globo perdeu o monopólio sobre os destinos de quem trabalha diante das câmeras.

Quando A Força do Querer retornou à programação da Globo na segunda-feira 21 de setembro, trouxe consigo a lembrança de uma novela que marcou época em 2017 — personagens intensos, atuações que funcionaram, um elenco que trabalhou bem junto. Mas há algo curioso na trajetória daqueles atores depois daquele ano: vários deles, justamente os que brilharam mais intensamente naquele folhetim, nunca mais voltaram a fazer grandes papéis na emissora. Alguns seguiram para fora do Brasil. Outros abraçaram o cinema. Alguns ainda descobriram que a internet oferecia caminhos que a televisão tradicional não abria mais.

Marco Pigossi viveu Zeca, o paraense que confrontava Ruy e sofria por duas mulheres ao mesmo tempo. Depois de A Força do Querer, ele fez uma participação rápida em Onde Nascem os Fortes em 2018 e então saiu da Globo com um objetivo claro: construir carreira no exterior. Desde então, atuou em Tidelands pela Netflix — série que durou apenas uma temporada — e depois em Alto Mar, a produção espanhola da mesma plataforma, além de Cidade Invisível, ainda inédita. Pigossi mora agora nos Estados Unidos. Em agosto deste ano, durante uma live, ele foi honesto sobre seu passado na emissora: confessou sentir vergonha de Fina Estampa, novela em que havia feito o personagem Rafael anos antes.

Fiuk, que contracenou com Pigossi em várias cenas de confronto memorável, viveu Ruy — o jovem carioca que se apaixona por Ritinha, a leva do Pará para o Rio e se casa com ela. Depois da novela, sua carreira não encontrou o mesmo ritmo. Participou da Dança dos Famosos no Domingão do Faustão no ano seguinte, atuou em um filme chamado O Galã em 2019, e neste ano apareceu em um episódio de Os Roni, o humorístico do Multishow, mas sem destaque significativo. Com mais de 1,2 milhão de seguidores no Instagram, ele tem passado a quarentena postando selfies e mensagens motivacionais.

Silvero Pereira tinha uma história diferente. Sua estreia na televisão foi justamente como Nonato em A Força do Querer — o funcionário de gravata durante o dia que se transformava em Elis Miranda nas casas noturnas. O papel lhe deu projeção nacional. Em 2018, participou do Show dos Famosos. Mas depois disso, ele encontrou seu caminho no cinema: em 2019, fez sucesso como Lunga, o criminoso carismático do filme Bacurau. Nas redes sociais, continua fazendo suas performances e divertindo o público.

Maria Fernanda Cândido interpretou Joyce, a socialite mãe de Ivana e Ruy — um dos papéis mais marcantes de sua carreira. Desde então, ela não voltou à televisão, mas escolheu o cinema. Esteve em Il Traditore em 2019, em O Incerto Lugar do Desejo também em 2019, e em A Paixão Segundo G.H., ainda inédito. Durante a quarentena, também fez leituras online.

Maria Clara Spinelli havia ganho fama na Globo em Supermax em 2016 e depois viveu Mira, melhor amiga de Irene em A Força do Querer. Participou ainda de um episódio de Carcereiros em 2018. Hoje, ela é muito ativa nas redes sociais, posicionando-se sobre causas sociais e políticas, e produz conteúdo sobre literatura em seu perfil no Instagram e canal no YouTube.

Raul Gazolla, galã da Globo nos anos 1980 e 1990, viveu Alan, o treinador de Jeiza. Após a novela, participou da Dança dos Famosos em 2017 e do Super Chef Celebridades em 2018. Desde então, não trabalhou mais na televisão. Neste ano, revelou que já sofreu quatro infartos e agora usa suas redes sociais para divulgar informações sobre saúde e conscientizar seus seguidores sobre problemas cardíacos.

Jonathan Azevedo fez sucesso como Sabiá, o traficante amigo de Rubinho, e foi muito elogiado por sua performance. Diferentemente de outros, ele continuou marcando presença na Globo: fez a série Ilha de Ferro no Globoplay entre 2018 e 2019, o programa Popstar em 2018 e a Dança dos Famosos em 2019. Neste ano, dedicou-se a webséries como Amor de Quarentena e Rubens Black. Com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, também lucra com publicidade na rede social. O que esses sete atores mostram é que o mercado audiovisual mudou: a Globo não é mais o único caminho, e para muitos deles, deixou de ser o melhor.

Marco Pigossi admitiu durante uma live que sentia vergonha da novela Fina Estampa
— Marco Pigossi, em agosto de 2020
Raul Gazolla revelou que já sofreu quatro infartos e agora divulga informações sobre saúde em suas redes sociais
— Raul Gazolla, em 2020
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