Serena Williams, uma das maiores atletas da história, revelou que recorreu a injeções semanais de GLP-1 para perder 14 quilos após anos de tentativas frustradas com dieta e exercício. A admissão, feita à revista People, não seria apenas uma confissão pessoal se não existisse uma camada de interesses entrelaçados: Williams tornou-se embaixadora da empresa que fornece o medicamento, enquanto o seu marido é investidor e diretor dessa mesma empresa. O episódio convida-nos a refletir sobre os limites entre escolha pessoal, influência pública e monetização do corpo feminino numa era em que a perda d
Serena Williams admite uso de GLP-1 para emagrecer e gera polémica
Nunca consegui chegar ao peso que precisava, não importava o quanto eu treinasse
Porque é que isto é uma polémica? Williams apenas admitiu ter usado um medicamento que a ajudou.
Porque não é apenas sobre o medicamento. É sobre quem lucra com a sua admissão. O marido dela dirige a empresa que vende o medicamento. Quando ela fala sobre isso publicamente, está a promover um negócio do qual ele é parte.
Mas ela tem o direito de falar sobre as suas escolhas de saúde, não tem?
Tem, claro. O problema é a transparência. Se alguém está a promover algo do qual tem um interesse financeiro, as pessoas têm direito a saber isso claramente. Aqui, a ligação existe, mas não é imediatamente óbvia.
Ela disse que tentou tudo mais primeiro. Isso não torna legítimo?
Torna a sua decisão pessoal compreensível. Mas a questão não é se ela deveria ter usado o medicamento. É se deveria estar a promovê-lo publicamente enquanto o seu marido lucra com isso.
Qual é o dano real aqui?
O dano é subtil. Quando celebridades com recursos promovem soluções médicas caras, criam expectativas. Outras mulheres podem sentir que também precisam deste medicamento. E a empresa lucra com essa pressão. É uma forma de monetizar a insegurança.
Mas ela também falou sobre amar-se independentemente do tamanho.
Fez, e isso é importante. Mas a mensagem dominante é a da transformação através do medicamento. O discurso de autoaceitação fica secundário quando a ação principal é promover um produto.
O Pulso
- Williams admitiu que, apesar de anos de treino intenso e dietas rigorosas, o seu corpo simplesmente não respondia — uma revelação que surpreendeu quem a via como símbolo de disciplina atlética.
- O conflito de interesses é direto: ao promover publicamente a empresa Ro e o seu medicamento GLP-1, Williams contribui para o sucesso financeiro do marido, Alexis Ohanian, investidor e membro da direção da mesma empresa.
- A ex-tenista tentou equilibrar o discurso, insistindo que o corpo anterior 'não tinha nada de errado' e que a decisão foi motivada pelo conforto físico e pelas dores nas articulações — não apenas pela estética.
- O debate que se seguiu expõe uma tensão mais profunda: os medicamentos GLP-1 estão a tornar-se símbolo de privilégio, acessíveis sobretudo a quem tem recursos, enquanto a pressão estética sobre mulheres públicas permanece desproporcional.
- A história não encontrou resolução — o crescimento da indústria de perda de peso e a influência das celebridades sobre escolhas médicas continuam a alimentar um debate sem resposta simples.
Serena Williams, uma das maiores atletas da história, revelou que recorreu a injeções semanais de GLP-1 para perder 14 quilos após anos de tentativas frustradas com dieta e exercício. A admissão, feita à revista People, não seria apenas uma confissão pessoal se não existisse uma camada de interesses entrelaçados: Williams tornou-se embaixadora da empresa que fornece o medicamento, enquanto o seu marido é investidor e diretor dessa mesma empresa. O episódio convida-nos a refletir sobre os limites entre escolha pessoal, influência pública e monetização do corpo feminino numa era em que a perda de peso se tornou indústria.
Serena Williams revelou à revista People que perdeu 14 quilos desde o início de 2024 recorrendo a injeções semanais de um medicamento GLP-1 — o mesmo tipo de tratamento que tornou o Ozempic famoso. A confissão chegou depois de anos em que a ex-tenista, agora com 43 anos e mãe de dois filhos, descreve tentativas frustradas com dietas rigorosas e treino intenso. "Nunca consegui chegar ao peso que precisava, não importava o que eu fizesse", explicou. Além da questão estética, Williams refere dores físicas que atribuía ao peso extra como motivação para procurar uma solução farmacológica.
O que transformou a revelação numa polémica foi o contexto em redor dela. Williams não apenas usou o medicamento: tornou-se embaixadora da empresa de telessaúde Ro, que o fornece. E o seu marido, Alexis Ohanian, é investidor e membro da direção dessa mesma empresa. O conflito de interesses é inegável — ao promover publicamente o produto, Williams contribui diretamente para o sucesso financeiro do marido.
A atleta foi cuidadosa nas palavras, sublinhando que o tamanho anterior "não tinha nada de errado" e que as mulheres são julgadas pelos seus corpos independentemente do tamanho. Mas o discurso equilibrado não dissolve a tensão subjacente: quando uma figura de influência global promove um medicamento de emagrecimento com ligações financeiras diretas, a mensagem que chega ao público é inevitavelmente ambígua — libertadora para algumas, reforçadora de pressões estéticas para outras. Num momento em que os GLP-1 crescem em popularidade entre quem tem recursos para os pagar, o episódio ilumina algo maior do que uma escolha pessoal.
Serena Williams passou a semana passada a contar à revista People como conseguiu perder 14 quilos desde o início de 2024. A resposta não foi a que muitos esperariam de uma atleta que construiu a sua carreira na disciplina e no treino: injeções semanais de um medicamento chamado GLP-1, o mesmo tipo de tratamento que tornou famoso o Ozempic. A admissão abriu uma porta para um debate mais amplo sobre como as celebridades emagrecem, quem lucra com isso, e o que significa quando uma mulher pública fala sobre o seu corpo.
Williams, agora com 43 anos, foi mãe em 2017 e novamente em 2023. Depois de ambas as gravidezes, o peso que ganhou permaneceu, apesar dos seus esforços. Ela descreve anos de tentativas frustradas: dietas rigorosas, treino intenso, tudo aquilo que se supõe funcionar. Nada funcionou da forma que ela esperava. "Nunca consegui chegar ao peso que precisava, não importava o que eu fizesse, não importava o quanto eu treinasse", explicou à revista. O corpo, disse ela, simplesmente não estava a responder.
O que a levou a procurar uma solução farmacológica foi também uma questão de conforto físico. Williams refere dores nas articulações e noutras áreas do corpo que atribuía ao peso extra. Não era apenas uma questão estética. Depois de amamentar o segundo filho, começou o tratamento com GLP-1 através da empresa de telessaúde Ro. As injeções eram semanais e produziram o resultado que ela procurava.
Mas aqui entra a complicação. Williams não apenas usou o medicamento; tornou-se embaixadora da Ro, a empresa que o fornece. E Alexis Ohanian, o seu marido, não é apenas um cliente da empresa. Ele é investidor e membro da direção. Isto significa que ao promover publicamente o medicamento e a empresa, Williams está a contribuir para o seu sucesso comercial, e por extensão, para o sucesso financeiro do seu marido. O conflito de interesses é direto e inegável.
Williams foi cuidadosa ao falar sobre a sua decisão. Insistiu que a perda de peso não deve mudar a forma como uma mulher se vê a si mesma. "As mulheres frequentemente sofrem julgamentos sobre os seus corpos, independentemente do tamanho", disse à People. Ela própria conhece bem esse julgamento. Reforçou que o tamanho anterior "não tinha nada de errado", que simplesmente não era o que ela queria. "Eu só sabia que queria estar onde eu me sentisse confortável."
É um discurso equilibrado, mas não resolve a questão subjacente. Quando uma figura de enorme influência global promove um medicamento de emagrecimento, especialmente quando tem ligações financeiras diretas a essa promoção, a mensagem que passa é complexa. Para algumas mulheres, pode ser libertadora saber que existem opções médicas. Para outras, pode reforçar a ideia de que o corpo precisa ser corrigido, de que o desconforto é algo que deve ser resolvido através de uma injeção.
O que torna esta história particularmente relevante agora é o contexto mais amplo. Os medicamentos GLP-1 tornaram-se cada vez mais populares entre celebridades e pessoas com recursos para os pagar. A indústria da perda de peso está a crescer exponencialmente. E as mulheres públicas, em particular, enfrentam pressões estéticas que raramente são dirigidas aos homens com a mesma intensidade. Williams está a navegar tudo isto enquanto tenta ser honesta sobre as suas escolhas pessoais e, simultaneamente, a beneficiar financeiramente delas através do seu marido.
Citações Notáveis
A perda de peso nunca deve mudar a sua autoimagem. As mulheres frequentemente sofrem julgamentos sobre os seus corpos, independentemente do tamanho.— Serena Williams, à revista People
Estava a fazer tudo bem, mas o corpo não estava a responder da mesma forma.— Serena Williams