Senado aprova programa de fertilizantes com incentivos fiscais para reduzir importações

Soberania dos fertilizantes é importantíssima para a agricultura
Senadora Tereza Cristina sobre o significado do programa aprovado para a produção agrícola brasileira.
Mark

Por que o Brasil importa tanto fertilizante se é um país agrícola tão importante?

Mimi

Porque a indústria de fertilizantes é cara e complexa de montar. Exige tecnologia, capital, infraestrutura. Historicamente, foi mais barato importar do que investir em produção nacional. Mas isso deixa a gente vulnerável.

Luke

Vulnerável a quê, exatamente?

Mimi

A tudo. Preços internacionais que sobem, câmbio que varia, geopolítica. Se a Rússia ou a China decidem cortar exportações, o Brasil fica sem insumo.

Mark

E o Profert resolve isso?

Mimi

Começa a resolver. Com isenções fiscais e um fundo de apoio, fica mais viável montar plantas aqui. Mas é um começo, não é uma solução de um dia para o outro.

Luke

Quanto tempo leva para uma planta de fertilizantes ficar operacional?

Mimi

A reportagem não diz. Só fala que o projeto vai para sanção presidencial agora.

Mark

E quanto custa?

Luke

Também não está no texto. Sabemos que há isenções e um fundo, mas não os números.

Mimi

É verdade. O que sabemos é que o Brasil importou 43,3 milhões de toneladas em 2025. Se conseguir produzir uma parte disso aqui, já muda o jogo.

Mark

A China pediu para participar das consultas na OMC. Isso afeta o Profert?

Luke

Não está claro. As duas coisas são processos diferentes — um é sobre tarifas americanas, outro é sobre produção nacional.

Mimi

Mas estão conectadas. Se o Brasil conseguir produzir mais fertilizante, precisa também de mercados abertos para vender o que não usar.

  • O Brasil importou 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários só em 2025, expondo sua agricultura às oscilações de preços, câmbio e tensões geopolíticas com Rússia e China.
  • Sem nitrogênio, fósforo e potássio produzidos em casa, culturas estratégicas como soja, milho e cana-de-açúcar ficam reféns de fornecedores externos que o país não controla.
  • O Profert responde a essa fragilidade com isenções fiscais para importação de máquinas industriais e um fundo de apoio à produção nacional de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos.
  • A senadora Tereza Cristina, relatora do projeto, celebrou a aprovação como um resgate da soberania dos fertilizantes — conceito que ela considera vital para o futuro da agricultura brasileira.
  • O projeto segue para sanção presidencial enquanto o Brasil, simultaneamente, negocia na OMC contra tarifas americanas e recebe a China como parte interessada na mesma disputa comercial.

Num país que alimenta o mundo mas depende do exterior para nutrir suas próprias lavouras, o Senado brasileiro aprovou o Profert — um programa que oferece incentivos fiscais para construir, em solo nacional, a indústria de fertilizantes que o Brasil ainda não tem. Com mais de 80% dos insumos agrícolas vindos de fora, sobretudo da Rússia e da China, a vulnerabilidade é antiga e profunda. A aprovação, simbólica no plenário e agora à espera da sanção presidencial, representa uma aposta na soberania alimentar como resposta às incertezas de um mundo cada vez mais instável.

Na tarde de terça-feira, o plenário do Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 699/2023, criando o Profert — o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes. A votação foi simbólica, e o texto segue agora para sanção presidencial. O que está em jogo é a capacidade do Brasil de produzir internamente os nutrientes que sustentam suas lavouras, em vez de depender quase inteiramente do mercado externo.

O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que consome. Em 2025, foram 43,3 milhões de toneladas de insumos intermediários, principalmente cloreto de potássio, ureia e fosfato monoamônico — os componentes do NPK, essenciais para o crescimento das plantas. Sem eles, a produtividade cai. E sem produtividade, o país perde competitividade em commodities como soja, milho e cana-de-açúcar. Os principais fornecedores são Rússia e China, e qualquer ruptura nessas relações pode comprometer toda a cadeia agrícola nacional.

O Profert foi desenhado para romper esse ciclo. O programa prevê isenções fiscais para a importação de máquinas e equipamentos destinados à montagem de plantas industriais de fertilizantes no Brasil, além de um fundo de apoio à produção nacional. A relatora, senadora Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, descreveu a aprovação como um resgate da soberania dos fertilizantes — algo que ela considera urgente e há muito esperado.

A votação ocorreu durante uma semana de esforço concentrado do Senado, período dedicado a pautas prioritárias antes das eleições. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, havia anunciado duas janelas desse tipo: uma entre 10 e 14 de agosto, outra entre 31 de agosto e 3 de setembro.

Enquanto o Profert avança, o Brasil também navega tensões comerciais mais amplas. Os Estados Unidos aceitaram o pedido de consultas feito pelo governo brasileiro na OMC, em resposta a tarifas extras impostas a produtos nacionais. O Brasil argumenta que essas medidas violam as regras da entidade. A China, maior parceiro comercial do Brasil, pediu para participar das mesmas consultas, alegando interesse substancial na disputa. O país enfrenta, portanto, dois desafios ao mesmo tempo: construir soberania produtiva em insumos críticos e negociar acesso justo a mercados globais.

Na terça-feira à tarde, o plenário do Senado Federal votou e aprovou o Projeto de Lei 699/2023, que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, conhecido como Profert. A votação foi simbólica, e o projeto agora segue para sanção presidencial. O que está em jogo é nada menos que a capacidade do Brasil de produzir em casa os nutrientes que alimentam suas lavouras — e deixar de depender quase inteiramente do mercado internacional para isso.

O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que usa na agricultura. Em 2025 sozinho, o país trouxe de fora 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos. Os principais produtos importados são o cloreto de potássio, a ureia e o fosfato monoamônico. Esses nutrientes — nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos pela sigla NPK — são fundamentais para que as plantas se desenvolvam, formem folhas, raízes, frutos e sementes. Sem eles, a produtividade das lavouras cai. E sem lavouras produtivas, o Brasil perde sua vantagem em commodities como soja, milho e cana-de-açúcar.

O problema é que essa dependência deixa a agricultura brasileira refém de forças que estão fora do controle do país. Os preços internacionais flutuam. O câmbio varia. As condições geopolíticas mudam. Nos últimos anos, a Rússia e a China foram os principais fornecedores — e qualquer ruptura nessas relações pode apertar o pescoço da produção agrícola brasileira. O Profert foi desenhado para quebrar esse ciclo.

O programa prevê isenções de impostos para a importação de máquinas e equipamentos necessários para montar plantas industriais de fertilizantes no Brasil. Também cria um fundo para apoiar a produção nacional desses insumos. A ideia é clara: reduzir a dependência das importações trazendo a fabricação para dentro do território nacional. A senadora Tereza Cristina, relatora do projeto e integrante do PP de Mato Grosso do Sul, chamou a aprovação de um resgate daquilo que o Brasil precisa há anos. Ela falou em soberania — a soberania dos fertilizantes, que ela considera importantíssima para a agricultura brasileira.

O texto que foi votado é um substitutivo que veio da Câmara dos Deputados, com ajustes de redação sugeridos pela relatora. A votação ocorreu durante uma semana de esforço concentrado do Senado, período em que a Casa se dedica a votar proposições em plenário e nas comissões. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, havia anunciado que haveria duas semanas de esforço concentrado antes das eleições — uma entre 10 e 14 de agosto, outra entre 31 de agosto e 3 de setembro. Nessas janelas, a expectativa é votar também medidas provisórias que abrem crédito extraordinário e precisam de aprovação para não perderem validade.

Enquanto o Brasil avança com o Profert, o país também está em negociações comerciais mais amplas. Na segunda-feira, os Estados Unidos responderam a uma manifestação do Brasil junto à Organização Mundial de Comércio sobre tarifas extras que os americanos impuseram a produtos brasileiros. Os EUA disseram estar prontos para dialogar e aceitaram o pedido de consultas feito pelo governo brasileiro — a primeira etapa formal do sistema de solução de controvérsias da OMC. O Brasil havia argumentado, em 27 de julho, que essas tarifas são inconsistentes com as regras da entidade e que o país é preterido pelos EUA em comparação com outros membros da OMC.

A China também entrou na conversa. Como maior parceiro comercial do Brasil, o país pediu autorização para participar das mesmas consultas, alegando ter interesse comercial substancial na disputa. A China afirma que os EUA também impuseram medidas a produtos chineses e que isso afeta todas as exportações do país aos Estados Unidos, sujeitas apenas a isenções específicas. O cenário é de um Brasil navegando simultaneamente duas frentes: construir sua própria capacidade de produção de fertilizantes enquanto negocia com potências comerciais globais sobre acesso a mercados e tarifas justas.

O projeto vai resgatar aquilo que o Brasil precisa há anos: reduzir a dependência das importações de fertilizantes, trazendo a soberania
— Senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora do projeto
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