Num país que alimenta o mundo mas depende do exterior para nutrir suas próprias lavouras, o Senado brasileiro aprovou o Profert — um programa que oferece incentivos fiscais para construir, em solo nacional, a indústria de fertilizantes que o Brasil ainda não tem. Com mais de 80% dos insumos agrícolas vindos de fora, sobretudo da Rússia e da China, a vulnerabilidade é antiga e profunda. A aprovação, simbólica no plenário e agora à espera da sanção presidencial, representa uma aposta na soberania alimentar como resposta às incertezas de um mundo cada vez mais instável.
Senado aprova programa de fertilizantes com incentivos fiscais para reduzir importações
Soberania dos fertilizantes é importantíssima para a agricultura
Por que o Brasil importa tanto fertilizante se é um país agrícola tão importante?
Porque a indústria de fertilizantes é cara e complexa de montar. Exige tecnologia, capital, infraestrutura. Historicamente, foi mais barato importar do que investir em produção nacional. Mas isso deixa a gente vulnerável.
Vulnerável a quê, exatamente?
A tudo. Preços internacionais que sobem, câmbio que varia, geopolítica. Se a Rússia ou a China decidem cortar exportações, o Brasil fica sem insumo.
E o Profert resolve isso?
Começa a resolver. Com isenções fiscais e um fundo de apoio, fica mais viável montar plantas aqui. Mas é um começo, não é uma solução de um dia para o outro.
Quanto tempo leva para uma planta de fertilizantes ficar operacional?
A reportagem não diz. Só fala que o projeto vai para sanção presidencial agora.
E quanto custa?
Também não está no texto. Sabemos que há isenções e um fundo, mas não os números.
É verdade. O que sabemos é que o Brasil importou 43,3 milhões de toneladas em 2025. Se conseguir produzir uma parte disso aqui, já muda o jogo.
A China pediu para participar das consultas na OMC. Isso afeta o Profert?
Não está claro. As duas coisas são processos diferentes — um é sobre tarifas americanas, outro é sobre produção nacional.
Mas estão conectadas. Se o Brasil conseguir produzir mais fertilizante, precisa também de mercados abertos para vender o que não usar.
O Pulso
- O Brasil importou 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários só em 2025, expondo sua agricultura às oscilações de preços, câmbio e tensões geopolíticas com Rússia e China.
- Sem nitrogênio, fósforo e potássio produzidos em casa, culturas estratégicas como soja, milho e cana-de-açúcar ficam reféns de fornecedores externos que o país não controla.
- O Profert responde a essa fragilidade com isenções fiscais para importação de máquinas industriais e um fundo de apoio à produção nacional de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos.
- A senadora Tereza Cristina, relatora do projeto, celebrou a aprovação como um resgate da soberania dos fertilizantes — conceito que ela considera vital para o futuro da agricultura brasileira.
- O projeto segue para sanção presidencial enquanto o Brasil, simultaneamente, negocia na OMC contra tarifas americanas e recebe a China como parte interessada na mesma disputa comercial.
Num país que alimenta o mundo mas depende do exterior para nutrir suas próprias lavouras, o Senado brasileiro aprovou o Profert — um programa que oferece incentivos fiscais para construir, em solo nacional, a indústria de fertilizantes que o Brasil ainda não tem. Com mais de 80% dos insumos agrícolas vindos de fora, sobretudo da Rússia e da China, a vulnerabilidade é antiga e profunda. A aprovação, simbólica no plenário e agora à espera da sanção presidencial, representa uma aposta na soberania alimentar como resposta às incertezas de um mundo cada vez mais instável.
Na tarde de terça-feira, o plenário do Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 699/2023, criando o Profert — o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes. A votação foi simbólica, e o texto segue agora para sanção presidencial. O que está em jogo é a capacidade do Brasil de produzir internamente os nutrientes que sustentam suas lavouras, em vez de depender quase inteiramente do mercado externo.
O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que consome. Em 2025, foram 43,3 milhões de toneladas de insumos intermediários, principalmente cloreto de potássio, ureia e fosfato monoamônico — os componentes do NPK, essenciais para o crescimento das plantas. Sem eles, a produtividade cai. E sem produtividade, o país perde competitividade em commodities como soja, milho e cana-de-açúcar. Os principais fornecedores são Rússia e China, e qualquer ruptura nessas relações pode comprometer toda a cadeia agrícola nacional.
O Profert foi desenhado para romper esse ciclo. O programa prevê isenções fiscais para a importação de máquinas e equipamentos destinados à montagem de plantas industriais de fertilizantes no Brasil, além de um fundo de apoio à produção nacional. A relatora, senadora Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, descreveu a aprovação como um resgate da soberania dos fertilizantes — algo que ela considera urgente e há muito esperado.
A votação ocorreu durante uma semana de esforço concentrado do Senado, período dedicado a pautas prioritárias antes das eleições. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, havia anunciado duas janelas desse tipo: uma entre 10 e 14 de agosto, outra entre 31 de agosto e 3 de setembro.
Enquanto o Profert avança, o Brasil também navega tensões comerciais mais amplas. Os Estados Unidos aceitaram o pedido de consultas feito pelo governo brasileiro na OMC, em resposta a tarifas extras impostas a produtos nacionais. O Brasil argumenta que essas medidas violam as regras da entidade. A China, maior parceiro comercial do Brasil, pediu para participar das mesmas consultas, alegando interesse substancial na disputa. O país enfrenta, portanto, dois desafios ao mesmo tempo: construir soberania produtiva em insumos críticos e negociar acesso justo a mercados globais.
Na terça-feira à tarde, o plenário do Senado Federal votou e aprovou o Projeto de Lei 699/2023, que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, conhecido como Profert. A votação foi simbólica, e o projeto agora segue para sanção presidencial. O que está em jogo é nada menos que a capacidade do Brasil de produzir em casa os nutrientes que alimentam suas lavouras — e deixar de depender quase inteiramente do mercado internacional para isso.
O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que usa na agricultura. Em 2025 sozinho, o país trouxe de fora 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos. Os principais produtos importados são o cloreto de potássio, a ureia e o fosfato monoamônico. Esses nutrientes — nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos pela sigla NPK — são fundamentais para que as plantas se desenvolvam, formem folhas, raízes, frutos e sementes. Sem eles, a produtividade das lavouras cai. E sem lavouras produtivas, o Brasil perde sua vantagem em commodities como soja, milho e cana-de-açúcar.
O problema é que essa dependência deixa a agricultura brasileira refém de forças que estão fora do controle do país. Os preços internacionais flutuam. O câmbio varia. As condições geopolíticas mudam. Nos últimos anos, a Rússia e a China foram os principais fornecedores — e qualquer ruptura nessas relações pode apertar o pescoço da produção agrícola brasileira. O Profert foi desenhado para quebrar esse ciclo.
O programa prevê isenções de impostos para a importação de máquinas e equipamentos necessários para montar plantas industriais de fertilizantes no Brasil. Também cria um fundo para apoiar a produção nacional desses insumos. A ideia é clara: reduzir a dependência das importações trazendo a fabricação para dentro do território nacional. A senadora Tereza Cristina, relatora do projeto e integrante do PP de Mato Grosso do Sul, chamou a aprovação de um resgate daquilo que o Brasil precisa há anos. Ela falou em soberania — a soberania dos fertilizantes, que ela considera importantíssima para a agricultura brasileira.
O texto que foi votado é um substitutivo que veio da Câmara dos Deputados, com ajustes de redação sugeridos pela relatora. A votação ocorreu durante uma semana de esforço concentrado do Senado, período em que a Casa se dedica a votar proposições em plenário e nas comissões. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, havia anunciado que haveria duas semanas de esforço concentrado antes das eleições — uma entre 10 e 14 de agosto, outra entre 31 de agosto e 3 de setembro. Nessas janelas, a expectativa é votar também medidas provisórias que abrem crédito extraordinário e precisam de aprovação para não perderem validade.
Enquanto o Brasil avança com o Profert, o país também está em negociações comerciais mais amplas. Na segunda-feira, os Estados Unidos responderam a uma manifestação do Brasil junto à Organização Mundial de Comércio sobre tarifas extras que os americanos impuseram a produtos brasileiros. Os EUA disseram estar prontos para dialogar e aceitaram o pedido de consultas feito pelo governo brasileiro — a primeira etapa formal do sistema de solução de controvérsias da OMC. O Brasil havia argumentado, em 27 de julho, que essas tarifas são inconsistentes com as regras da entidade e que o país é preterido pelos EUA em comparação com outros membros da OMC.
A China também entrou na conversa. Como maior parceiro comercial do Brasil, o país pediu autorização para participar das mesmas consultas, alegando ter interesse comercial substancial na disputa. A China afirma que os EUA também impuseram medidas a produtos chineses e que isso afeta todas as exportações do país aos Estados Unidos, sujeitas apenas a isenções específicas. O cenário é de um Brasil navegando simultaneamente duas frentes: construir sua própria capacidade de produção de fertilizantes enquanto negocia com potências comerciais globais sobre acesso a mercados e tarifas justas.
Citações Notáveis
O projeto vai resgatar aquilo que o Brasil precisa há anos: reduzir a dependência das importações de fertilizantes, trazendo a soberania— Senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora do projeto