'Sem peso do ego': Luiza Possi grava disco gospel na Sala São Paulo

Isso tira uma carga muito pesada de ego
Possi descreve como a mudança de perspectiva — ver a apresentação como adoração, não como espetáculo — transformou sua relação com o palco.
Mark

Ela realmente esperava que a transição fosse suave? Parece ingênuo para alguém que já estava na indústria há tanto tempo.

Mimi

Acho que ela subestimou o quanto sua identidade estava amarrada à música secular. Quando você anuncia que está saindo, o mercado te trata como se já tivesse saído.

Luke

Mas a gente precisa ser cuidadoso aqui. Ela diz que viveu "um deserto", mas não sabemos quanto tempo durou isso ou se foi realmente total. Pode ter havido convites que ela recusou por princípio.

Mark

Faz sentido. E quanto ao público evangélico — ela diz que o posicionamento criou vínculo. Isso é causa ou consequência?

Mimi

Provavelmente os dois. A decisão radical dela sinalizou seriedade. Mas também é verdade que o público evangélico valoriza conversões genuínas, especialmente de celebridades.

Luke

Exato. E ela mesma diz que se não fosse "dessa maneira" — ou seja, tão radical — não teria o respeito que tem agora. Isso sugere que o vínculo é real, mas também que ela fez um cálculo, consciente ou não.

Mark

A história com Rodolfo Abrantes é interessante. Ele basicamente disse: você não precisa fazer isso.

Mimi

Sim, e ela ignorou. Acho que isso mostra que para ela não era uma decisão racional. Era algo que ela sentia que precisava fazer, independentemente do conselho.

Luke

Mas a gente não sabe se ela tentou continuar no secular depois dessa conversa com Abrantes. A cronologia não fica clara.

Mark

E quanto aos "haters" que ela menciona? Ela desligou o telefone. Isso é saudável ou é evitar o problema?

Mimi

Provavelmente é os dois. Desligar o telefone é uma forma de proteção, mas também é uma forma de não lidar com a crítica.

Luke

Verdade. E ela fala sobre problemas com álcool e pensamentos de morte que foram "sepultados". Mas não fica claro se isso era antes ou depois da conversão, ou se a conversão ajudou a resolver.

  • Ao anunciar que seu último álbum secular seria o ponto final de uma era, Possi viu contratos desaparecerem e convites cessarem quase que imediatamente — amigos a chamaram de louca.
  • A conversão em 2023 e o batismo em 2024 não foram apenas atos de fé, mas gatilhos de uma transformação que expôs batalhas íntimas com álcool, pensamentos de morte e a exaustão de 'sobreviver de aparência'.
  • O ódio nas redes e as críticas duras chegaram, mas Possi respondeu desligando o telefone — um gesto de autopreservação que ela descreve como proteção de saúde mental e espiritual.
  • O público evangélico abriu portas que ela não havia previsto: a gravação na Sala São Paulo, com orquestra e coral, e ingressos gratuitos esgotados em minutos confirmam a consolidação dessa nova fase.
  • A artista descreve a mudança de palco para altar como um alívio do ego — cantar como adoradora, e não como estrela, transformou sua relação com a própria voz e com a plateia.

Há momentos em que uma artista deixa de cantar para o mundo e passa a cantar para algo maior — e esse gesto, aparentemente simples, reordena tudo ao redor. Luiza Possi, uma das vozes mais reconhecidas da música popular brasileira, atravessou exatamente esse limiar: abandonou a carreira secular em março de 2026 e, em setembro, grava seu primeiro álbum cristão na Sala São Paulo, acompanhada de orquestra e coral. O que começou como um deserto de silêncio e portas fechadas revelou-se, aos poucos, uma travessia necessária — e os ingressos gratuitos esgotados em minutos sugerem que o público reconhece, nessa voz, algo que vai além do palco.

Em março de 2026, Luiza Possi anunciou que seu álbum 'É Só o Amor' seria o último da carreira secular. O que ela esperava ser uma transição suave tornou-se uma ruptura brusca: as portas se fecharam, os contratos sumiram e ela atravessou o que chama de 'um deserto'. Amigos diziam que ela estava jogando fora tudo o que havia construído. Ela mesma admite ter 'jogado uma pá de cal' na própria carreira — mas hoje reconhece que era uma renúncia necessária.

A aproximação com a fé começou em 2023, durante um evento para empresários onde a Bíblia guiava as discussões. Possi passou a ouvir louvores, foi ridicularizada por isso, mas algo havia mudado por dentro. Em 2024, ao lado do marido Cris Gomes, se batizou. A mulher que diz que, anos atrás, teria rido de quem lhe contasse essa história encontrou, nas palavras de Filipenses, 'a paz que excede todo entendimento' — e com ela, o fim de problemas com álcool e de pensamentos que ela prefere não nomear diretamente.

A transição não veio sem custo. Houve ódio nas redes e mensagens de desaprovação. Possi respondeu desligando o telefone — um ato que descreve como proteção de saúde mental e espiritual. Antes, nos shows, ela fazia leitura labial para captar qualquer reação negativa da plateia. Agora, diz que a responsabilidade ficou mais leve: 'A igreja não é um palco, é um altar. Eu estou ali como uma adoradora, e isso tira uma carga muito pesada de ego.'

No dia sete de setembro, ela grava seu primeiro álbum cristão na Sala São Paulo, acompanhada pela Orquestra e pelo Coral do Theatro São Pedro. O disco reunirá músicas inéditas e releituras de clássicos evangélicos com novos arranjos. Os ingressos, gratuitos, esgotaram-se em minutos — uma resposta do público que, para Possi, chegou na hora certa.

Em março deste ano, Luiza Possi anunciou que "É Só o Amor" seria seu último álbum de música secular. O que ela imaginava ser uma transição gradual para a carreira gospel se transformou em algo muito mais abrupto. As portas se fecharam. Os convites pararam. Os contratos desapareceram. Ela atravessou, em suas próprias palavras, "um deserto".

"Joguei uma pá de cal na minha carreira", diz a cantora, refletindo sobre aquele momento. "Mas hoje vejo que era uma renúncia que precisava acontecer." Amigos a chamavam de louca. Diziam que ela perderia tudo o que havia construído. Possi, porém, já sentia a urgência de cantar para Jesus, embora lhe faltasse coragem para dar o passo. Quando finalmente o fez, o vazio inicial se converteu em algo inesperado: respeito genuíno do público evangélico e portas abertas de formas que ela não havia previsto. "Se não fosse dessa maneira, talvez não teria tanto respeito quanto estou tendo", reconhece.

Sua jornada rumo ao evangelho começou em 2023, durante um evento para empresários onde a Bíblia era o fio condutor das aulas. Começou a ouvir louvores e foi ridicularizada pelos amigos por isso. Mas algo mudou. Passou a vivenciar experiências com Deus, a sentir uma paz diferente daquela que conhecia. Em 2024, ao lado do esposo Cris Gomes, se batizou. Casada há oito anos, ela é mãe de Lucca, sete anos, e Matteo, quatro. "Se você conversasse comigo anos atrás, eu ia rir da sua cara", afirma. "De onde eu vim, a possibilidade de isso acontecer era nula. Mas para Deus não existe impossível."

Na próxima segunda-feira, sete de setembro, Luiza gravará seu primeiro álbum cristão na Sala São Paulo. A Orquestra e o Coral do Theatro São Pedro a acompanharão. O disco trará músicas inéditas de sua autoria, além de releituras de sucessos evangélicos com novos arranjos. Os ingressos, gratuitos, se esgotaram em minutos — uma confirmação que ela talvez precisasse receber naquele momento.

A mudança não é apenas musical ou profissional. É também psicológica. Nos shows anteriores, Possi ficava tensa, atenta a cada reação da plateia. Fazia leitura labial para perceber se alguém reclamava da música ou de sua roupa. Agora, diz que a responsabilidade artística ficou mais leve. "A igreja não é um palco, é um altar. Não é um show, é uma adoração. Eu estou ali como uma adoradora, e isso tira uma carga muito pesada de ego", reconhece.

Quando começou a se aproximar do evangelho, procurou Rodolfo Abrantes, ex-vocalista da banda Raimundos, que também havia deixado tudo por Cristo no auge de sua carreira. Abrantes a orientou: "Não quero que você use a minha medida, pois você sempre cantou o amor, não falava palavrão ou incitava brigas." A sugestão era que ela continuasse no secular. Possi, porém, seguiu seu próprio caminho.

A transição trouxe também críticas duras. Houve ódio nas redes, mensagens de desaprovação. "Se fosse há um tempo atrás, talvez ficaria muito arrasada, nem teria forças para viver, tamanho ódio", diz. "Mas eu não liguei. O que eu fiz de medida protetiva de saúde mental e espiritual foi desligar o telefone." Além das críticas externas, ela relata que também foram sepultados problemas com álcool em sua casa e pensamentos de morte. "A gente fica tentando a vida inteira esconder debaixo do tapete as tentativas que dão errado. Sobreviver de aparência era difícil, pesaroso. Agora eu tenho 'a paz que excede todo entendimento'", diz, citando Filipenses 4:7.

Joguei uma pá de cal na minha carreira, mas hoje vejo que era uma renúncia que precisava acontecer
— Luiza Possi
A igreja não é um palco, é um altar. Não é um show, é uma adoração. Eu estou ali como uma adoradora, e isso tira uma carga muito pesada de ego
— Luiza Possi
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