O Corinthians retorna aos gramados carregando o peso de uma crise financeira que cresceu enquanto o futebol parava: quatro bloqueios de transferência, R$ 23 milhões em dívidas e o futuro de seu principal jogador em aberto. Em campo, a equipe de Fernando Diniz persegue algo que ainda não alcançou em 2026 — três vitórias consecutivas no Brasileiro —, como se o desempenho esportivo pudesse, ao menos por uma noite, silenciar o ruído das contas não pagas. É o eterno dilema do futebol brasileiro: jogar bonito enquanto se apaga incêndios nos bastidores.
Sem Memphis, Corinthians busca 3ª vitória consecutiva sob pressão de dívidas
É um ciclo: sem reforços, o elenco envelhece e a receita cai
Por que Memphis Depay aceitaria uma redução salarial tão significativa?
Porque suas opções são limitadas. Ele jogou pouco na Copa, não chamou atenção de grandes clubes, e o Corinthians oferece um pacote criativo com receitas compartilhadas. É melhor que voltar para casa sem clube.
Esses "transfer bans" — são punições temporárias ou o clube está preso por tempo indefinido?
Temporárias, mas sobrepostas. A CBF aplicou um de seis meses no sábado passado. A Fifa tem três em vigor. Enquanto não pagarem as dívidas, não saem.
Wesley quer voltar. O Corinthians quer trazê-lo. Por que a Fifa não libera?
Porque o clube tem bloqueios ativos. A Fifa não registra jogadores para times com "transfer bans". É um mecanismo de pressão para forçar o pagamento.
E se o Corinthians não conseguir pagar os R$ 23 milhões?
Fica preso. Sem poder trazer reforços, o elenco envelhece, o time piora, e a receita cai ainda mais. É um ciclo.
Então ganhar três vezes seguidas é importante por quê?
Porque é tudo que o clube pode controlar agora. Dentro de campo, a equipe pode vencer. Fora dele, está à mercê das dívidas.
Memphis sabe disso?
Sabe. Por isso está negociando. Ele entende que o Corinthians está quebrado, mas ainda acredita que pode ganhar títulos.
El Pulso
- Quatro 'transfer bans' ativos bloqueiam contratações e travam até o retorno de Wesley, atacante revelado pelo próprio clube que já acertou sua volta mas não pode ser registrado.
- Memphis Depay, com contrato expirando em 31 de julho, precisa aceitar corte salarial para ficar — e sua discreta Copa do Mundo paradoxalmente protege o Corinthians de concorrentes.
- A diretoria improvisa uma proposta criativa ao holandês: salário reduzido compensado por produtos licenciados, eventos e patrocínios compartilhados, numa tentativa de manter o astro sem agravar as finanças.
- As dívidas acumuladas — com Philadelphia Union, Midtjylland, multas da Fifa e parcelas à CBF — somam R$ 23 milhões e foram contraídas em apenas dois meses de sanções.
- Dentro de campo, duas vitórias recentes sobre Atlético-MG e Grêmio abrem a chance histórica de uma sequência de três triunfos no Brasileiro, algo que o clube não consegue desde 2025.
O Corinthians retorna aos gramados carregando o peso de uma crise financeira que cresceu enquanto o futebol parava: quatro bloqueios de transferência, R$ 23 milhões em dívidas e o futuro de seu principal jogador em aberto. Em campo, a equipe de Fernando Diniz persegue algo que ainda não alcançou em 2026 — três vitórias consecutivas no Brasileiro —, como se o desempenho esportivo pudesse, ao menos por uma noite, silenciar o ruído das contas não pagas. É o eterno dilema do futebol brasileiro: jogar bonito enquanto se apaga incêndios nos bastidores.
O Corinthians volta a jogar nesta quinta-feira contra o Remo na Neo Química Arena, mas a pausa de 54 dias não trouxe descanso — trouxe mais dívidas. Enquanto o futebol brasileiro parava para a Copa do Mundo, o clube alvinegro acumulou quatro bloqueios de transferência impostos pela Fifa e pela CBF, impedindo qualquer movimentação no mercado.
O total das pendências que causam esses bloqueios chega a R$ 23 milhões. As origens são variadas: uma dívida com o Philadelphia Union pela contratação de José Martínez em 2024, uma multa disciplinar de US$ 225 mil por atrasos em múltiplas negociações, parcelas não pagas ao Midtjylland pela chegada do volante Charles e, mais recentemente, um bloqueio da CBF por atraso em acordo na Câmara Nacional de Resolução de Disputas. O resultado prático é que o atacante Wesley, de 21 anos, já acertou seu retorno ao clube que o revelou — mas a Fifa não libera o registro.
No centro das negociações está Memphis Depay, cujo contrato vence em 31 de julho. O holandês sabe que precisará aceitar uma redução salarial para continuar, e sua participação discreta na Copa — apenas 51 minutos em campo — acabou sendo um alívio para o Corinthians: sem brilhar, Memphis não despertou o interesse de outros clubes. A diretoria, liderada por Marcelo Paz, ofereceu um pacote que vai além do salário fixo: produtos licenciados com o nome do jogador, participação em eventos e patrocínios com receitas divididas entre as partes.
Apesar do caos financeiro, o time de Fernando Diniz chega ao jogo contra o Remo embalado por vitórias sobre Atlético-MG e Grêmio. Um novo triunfo daria ao clube algo inédito em 2026: três vitórias consecutivas no Campeonato Brasileiro. É dentro de campo que o Corinthians ainda encontra algum controle — enquanto fora dele a diretoria tenta, peça por peça, reconstruir a estabilidade que as dívidas foram corroendo.
O Corinthians volta aos gramados nesta quinta-feira contra o Remo depois de 54 dias parado, e a pausa não trouxe alívio para os problemas que assolam o clube. Enquanto o futebol brasileiro descansava durante a Copa do Mundo, as dívidas do time alvinegro só cresceram, criando um cenário onde a equipe de Fernando Diniz busca algo que nunca conseguiu este ano: três vitórias consecutivas no Campeonato Brasileiro. O jogo na Neo Química Arena, às 19h30, é transmitido por SporTV e Premier.
Antes da pausa internacional, o técnico evitava pedir reforços em público. Sua preocupação era manter o elenco intacto. Mas a negociação em torno de Memphis Depay desmantelou esses planos. O holandês tem contrato até 31 de julho e sabe que precisará aceitar um corte significativo em seus vencimentos para permanecer. Sua atuação na Copa — apenas 51 minutos em campo, uma assistência e nenhuma finalização — pode na verdade ajudar o Corinthians. Sem brilhar no torneio, Memphis não atraiu a atenção de clubes concorrentes, deixando a porta aberta para um acordo.
A diretoria ofereceu um pacote criativo ao atacante. Além do salário reduzido, o clube propõe ganhos variáveis que incluem o lançamento de produtos licenciados com seu nome, participação em eventos e a busca conjunta por parceiros comerciais, com as receitas divididas entre as partes. Marcelo Paz, executivo de futebol do Corinthians, explicou a estratégia: há clareza sobre o que o clube pode fazer, e a proposta vai além dos vencimentos fixos, buscando formas mais criativas de remuneração que tragam receitas para ambos os lados.
Mas há pressa. O Corinthians não pode esticar demais a corda porque enfrenta quatro "transfer bans" ativos — bloqueios que impedem o registro de novos jogadores. Além de renovar com Memphis, o clube precisa de reforços. A tentativa de trazer o atacante Wesley, 21 anos, do Al-Nassr, da Arábia Saudita, está travada justamente por um desses bloqueios. As partes já chegaram a um acordo, e Wesley quer voltar ao clube onde foi revelado, mas a Fifa não libera o registro.
O total de dívidas que causam esses bloqueios soma R$ 23 milhões. Em dois meses, foram três sanções da Fifa e uma da CBF. A primeira punição veio por causa de uma dívida com o Philadelphia Union dos Estados Unidos, referente à contratação de José Martínez em 2024. A segunda foi por não pagamento de uma multa disciplinar de US$ 225 mil, resultado de atrasos em obrigações financeiras nas negociações de José Martínez, na contratação do volante Charles do Midtjylland da Dinamarca, e no empréstimo do atacante Talles Magno do New York City. A negociação com Charles gerou ainda outra punição, desta vez pelo atraso em parcelas ao time dinamarquês. A CBF também aplicou um bloqueio de seis meses no último sábado por atrasos no pagamento de uma parcela do acordo na Câmara Nacional de Resolução de Disputas.
É nesse contexto de crise financeira agravada que o Corinthians enfrenta o Remo. A equipe alvinegra vem de duas vitórias: derrotou o Atlético-MG e depois virou sobre o Grêmio por 3 a 1 em Porto Alegre. Se vencer o time paraense, alcançará algo que não conseguiu em 2026: três vitórias consecutivas no Brasileiro. Curiosamente, a última vez que o Corinthians venceu três partidas seguidas no campeonato foi em 2025, quando derrotou Grêmio e Atlético-MG antes de vencer o Vitória. Agora, com Memphis em negociação, Wesley bloqueado pela Fifa e as contas do clube em descontrole, a sequência de vitórias é o que o time pode oferecer dentro de campo enquanto a diretoria tenta resolver o caos financeiro fora dele.
Citas Notables
Há um desejo do clube e uma clareza do que o clube pode fazer. Ele recebeu a proposta, que inclui salário, mas também outras formas de remuneração mais criativas— Marcelo Paz, executivo de futebol do Corinthians