Selic a 10,75%: poupança segue perdendo para inflação e renda fixa ganha atratividade

Poupança perde poder de compra há 16 meses seguidos
A caderneta rendeu negativamente em 6,37% em 2021 quando descontada a inflação, a pior performance em 31 anos.

Com a Selic elevada a 10,75% ao ano pelo Banco Central, o Brasil revisita uma tensão antiga entre a segurança do familiar e a lógica do mercado: a poupança, refúgio de gerações, permanece congelada em 6,17% ao ano enquanto a inflação corrói silenciosamente o poder de compra de milhões. No mesmo movimento, investimentos de renda fixa ressurgem como alternativa concreta, lembrando que a inércia financeira tem um custo invisível, mas real.

  • A poupança acumulou 16 meses consecutivos de rendimento negativo em termos reais, encerrando 2021 com a pior performance em três décadas — uma perda silenciosa de 6,37% descontada a inflação.
  • Enquanto a Selic sobe, a caderneta permanece travada em seu piso de 0,5% ao mês, incapaz de acompanhar os juros básicos desde que estes ultrapassaram 8,5% ao ano.
  • Títulos públicos, CDBs, LCI e LCA já oferecem retornos líquidos de até 10,16% em 12 meses, criando uma distância gritante em relação à poupança e reacendendo o interesse pela renda fixa.
  • Analistas projetam Selic em 11,75% ao fim de 2022, o que deve intensificar a migração de capital da renda variável para a renda fixa, pressionando ações e fundos imobiliários.
  • O alerta permanece: fundos de renda fixa com taxas de administração acima de 2% ao ano podem render menos do que a própria poupança, exigindo atenção redobrada do investidor.

O Banco Central elevou a Selic para 10,75% ao ano, e o impacto se distribui de forma desigual pelo mercado financeiro brasileiro. A poupança, investimento de referência para milhões de pessoas, segue presa a um rendimento de 6,17% ao ano mais a Taxa Referencial — um teto imposto desde que a taxa básica ultrapassou 8,5%. Antes disso, novos depósitos acompanhavam os juros, rendendo 70% da Selic. Agora, contas antigas e novas estão igualmente travadas.

O problema vai além da estagnação. A poupança encerrou 2021 com rentabilidade real negativa em 6,37%, a pior em três décadas, e já acumula 16 meses consecutivos perdendo para a inflação. Quem manteve recursos na caderneta viu seu poder de compra encolher mês a mês. Com a inflação projetada em 0,84% para fevereiro, a tendência de perda deve continuar no curto prazo.

Do outro lado, investimentos de renda fixa voltam a ganhar protagonismo. Tesouro Direto, CDBs, LCI, LCA e debêntures incentivadas oferecem retornos líquidos entre 1,36% e 10,16% em 12 meses. Especialistas apontam que, com a Selic acima de dois dígitos, a renda fixa recupera sua atratividade — e a expectativa de que os juros cheguem a 11,75% até o fim de 2022 reforça esse movimento, pressionando ações e fundos imobiliários.

Para quem busca segurança sem abrir mão de rentabilidade, as alternativas são concretas: o Tesouro Selic oferece a solidez de um título público; CDBs, LCI e LCA contam com a proteção do FGC para valores até 250 mil reais, com liquidez diária e, no caso das letras de crédito, isenção de imposto de renda. O único cuidado necessário é com fundos de renda fixa que cobram taxas de administração superiores a 2% ao ano — nesses casos, o rendimento líquido pode ficar abaixo até mesmo da poupança.

Os especialistas convergem para uma recomendação: diversificação. Em um cenário de alta volatilidade, ano eleitoral e complexidade fiscal, distribuir recursos entre diferentes tipos de investimento — priorizando prazos mais longos para rentabilidades maiores — é o caminho mais prudente para preservar e fazer crescer o patrimônio ao longo do ano.

O Banco Central elevou a taxa básica de juros, a Selic, para 10,75% ao ano. A decisão reverbera pelo mercado financeiro brasileiro, mas nem todos ganham com a mudança. A poupança, aquele investimento tradicional que gerações de brasileiros conhecem, segue presa a um rendimento fixo de 6,17% ao ano mais a Taxa Referencial. Enquanto isso, investimentos de renda fixa começam a brilhar com possibilidades de retorno muito maiores.

Desde o final do ano anterior, quando a Selic ultrapassou 8,5% ao ano, a poupança deixou de acompanhar a escalada dos juros. Antes disso, novos depósitos rendiam 70% da taxa básica. Agora, tanto contas antigas quanto novas estão travadas naquele piso de 0,5% ao mês mais a TR. A Associação Nacional dos Executivos de Finanças estima que, com a Selic em 10,75%, uma aplicação de mil reais renderá cerca de 66,80 reais em um ano, totalizando 1.066,80 reais. Parece ganho, mas há um problema: a inflação.

A poupança encerrou 2021 com a pior rentabilidade real em três décadas. Descontada a inflação, o rendimento foi negativo em 6,37%. Já são 16 meses consecutivos em que a caderneta perde para os preços. Quem deixou dinheiro lá viu seu poder de compra encolher mês após mês. No curto prazo, a tendência é que continue perdendo ou, na melhor das hipóteses, empatando com a inflação que o Banco Central projeta acelerar para 0,84% em fevereiro.

Mas enquanto a poupança estagna, outros investimentos ganham vida. Títulos públicos pelo Tesouro Direto, Certificados de Depósito Bancário, Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio, além de debêntures incentivadas, agora oferecem retornos líquidos que variam de 1,36% a 10,16% em um período de 12 meses. A diferença é gritante. Um especialista do Yubb, plataforma de busca de investimentos, observa que com a Selic acima de 10% ao ano, a renda fixa volta a ser atrativa aos olhos dos investidores. A expectativa do mercado é que a Selic termine 2022 em 11,75%, o que significa mais uma alta à frente.

Os analistas destacam que o Brasil deve fechar o ano com o maior juro real entre as principais economias do mundo. Isso significa que, depois de descontar a inflação, o retorno dos títulos atrelados à Selic ainda será positivo e robusto. Um especialista da Toro aponta que com juros acima de dois dígitos, um cenário fiscal complexo e ano eleitoral, o fluxo de capital saindo da renda variável e indo para renda fixa será mais comum. Ações e fundos imobiliários tendem a sofrer pressão.

Para quem quer sair da poupança mas quer segurança, as alternativas não faltam. O Tesouro Selic oferece a mesma segurança de um título público. CDBs, LCI e LCA contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos para aplicações de até 250 mil reais e costumam oferecer liquidez diária. A LCI e LCA ainda têm isenção de imposto de renda. Um alerta vem da Anefac: fundos de renda fixa podem cobrar taxas de administração altas, e quando essas superam 2% ao ano, o rendimento líquido fica inferior ao da poupança. Isso deve pressionar os bancos a reduzirem suas taxas.

O cenário atual oferece oportunidades, especialmente para investidores pacientes dispostos a aceitar prazos maiores de vencimento. Maiores rentabilidades costumam estar associadas a aplicações com vencimentos mais longos. Os especialistas concordam em um ponto: diversificação é a melhor estratégia. Em um cenário desafiador e de alta volatilidade, distribuir recursos entre diferentes tipos de investimento é o caminho para manter retornos positivos ao longo do ano.

Com uma taxa básica de juros acima de 2 dígitos, o fluxo de capital saindo da renda variável e sendo direcionado para os produtos de renda fixa será mais comum
— Rodrigo Caetano, especialista em investimentos da Toro
A renda fixa voltará a ser atrativa aos olhos dos investidores, especialmente com a Selic acima de 10% ao ano
— Bernardo Pascowitch, CEO e fundador do Yubb
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a poupança não acompanha mais a Selic quando os juros sobem?

Model

Existe uma regra que mudou. Quando a Selic estava abaixo de 8,5%, a poupança rendia 70% da taxa básica. Mas quando ultrapassou esse patamar, voltou a uma regra antiga: rendimento fixo de 0,5% ao mês mais a TR. É como se o governo tivesse colocado um teto na poupança para protegê-la de alguma forma, mas o efeito é o oposto — ela fica para trás.

Inventor

E a TR, aquela Taxa Referencial que estava zerada há anos?

Model

Saiu do zero no final do ano passado. Estava nula desde 2017. Agora o Banco Central atualiza diariamente, e em janeiro variou bastante, de 0,0231% a 0,1436% ao mês. É um detalhe pequeno, mas muda o cálculo final do rendimento.

Inventor

Então se eu tirar meu dinheiro da poupança e colocar em um CDB, ganho muito mais?

Model

Sim, mas depende de qual CDB e de quanto tempo você deixa o dinheiro lá. Os retornos líquidos variam de 1,36% a 10,16% em 12 meses. Mas há um detalhe: prazos maiores costumam render mais. E você precisa verificar se o banco cobra taxa de administração alta.

Inventor

Qual é o risco? A poupança é segura, todo mundo sabe disso.

Model

A renda fixa também é segura se você escolher bem. Títulos públicos, CDBs, LCI e LCA têm garantia do Fundo Garantidor de Créditos até 250 mil reais. O risco real não é perder o dinheiro — é perder poder de compra. A poupança rendeu negativo em 6,37% em 2021 descontada a inflação. Você estava seguro, mas ficava mais pobre.

Inventor

E se a inflação cair? A poupança não fica melhor?

Model

Teoricamente sim. Mas os analistas esperam que a inflação desacelere em 2022, não que caia drasticamente. E mesmo que caia, a poupança teria que render muito mais para compensar os 16 meses que já perdeu. É uma aposta arriscada.

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