Seguro vence primeira volta com 31% e enfrenta Ventura na segunda volta

A Direita conquistou mais votos, mas a fragmentação entregou a vitória ao centro-esquerda
Apesar de Ventura e outros candidatos conservadores terem obtido mais votos no total que a Esquerda, a divisão permitiu que Seguro vencesse.
Mark

Como é que Seguro conseguiu vencer com 31% quando começou a campanha com apenas 16% nas sondagens?

Mimi

Funcionou por acumulação. Enquanto os outros candidatos da Esquerda se mantinham, Seguro cresceu porque as pessoas perceberam que era o voto útil — o único que podia ganhar. Quando Jorge Pinto, Catarina Martins e António Filipe viram que não tinham hipótese, endossaram-no. Mas o crescimento começou na rua, onde ele não entrou em polémicas.

Mark

E Ventura? Também cresceu, mas ficou em segundo.

Mimi

Ventura ganhou porque a Direita estava dividida. Cotrim afogou-se em polémicas, Gouveia e Melo desapareceu, Marques Mendes era impopular. Ventura foi o mais votado da Direita, mas a Direita no total teve mais votos que a Esquerda — só que fragmentados. Se tivessem unido, talvez tivessem ganhado a primeira volta.

Mark

Montenegro está numa posição estranha, não está?

Mimi

Completamente. O seu candidato ficou em quinto. Agora tem de escolher entre apoiar Ventura, que chama de extremista, ou Seguro, do PS. Cotrim culpa-o por ter deixado que isto acontecesse. O PSD não terá representação na segunda volta.

Mark

Marques Mendes bateu um recorde negativo?

Mimi

Sim. É o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo Governo. Mário Soares tinha 14,35% em 2006. Mendes ficou com 11%. Quando o Governo apoia alguém e essa pessoa fica em quinto, é um desastre político.

Mark

O que faz Gouveia e Melo agora?

Mimi

Ninguém sabe. Ele diz que não é prematuro tomar posição, mas também não diz o que vai fazer com o seu movimento. Um ano atrás tinha 35% nas sondagens. Desapareceu quando começou a definir o seu pensamento político de forma clara.

  • Seguro partiu das sondagens com 16% e chegou ao escrutínio real com 31%, numa remontada que apanhou de surpresa até os seus próprios apoiantes.
  • A direita somou mais votos do que a esquerda no total, mas a sua divisão entre Ventura, Cotrim e Gouveia e Melo entregou a primeira volta ao centro-esquerda numa derrota que é, acima de tudo, estratégica.
  • Cotrim afundou-se em polémicas sucessivas e Gouveia e Melo evaporou-se na reta final, deixando Ventura como único sobrevivente de um campo conservador que entrou na corrida com três candidatos viáveis.
  • Marques Mendes estabeleceu o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo Governo, deixando Montenegro sem representação na segunda volta e sem escolha confortável entre os dois finalistas.
  • A segunda volta opõe um candidato que unificou a esquerda por utilidade a um líder que conquistou a direita por contraste — e o PSD, partido do Governo, assiste sem candidato próprio nem posição definida.

Numa noite em que a fragmentação puniu os mais ambiciosos, António José Seguro emergiu da primeira volta das presidenciais portuguesas com 31% dos votos, transformando a moderação numa arma eleitoral. André Ventura, com 24%, confirmou-se como o rosto de uma direita que venceu internamente mas perdeu na aritmética da unidade. A segunda volta colocará frente a frente dois projetos opostos de Portugal — um que agregou a esquerda pelo pragmatismo, outro que conquistou a direita pela radicalidade.

António José Seguro venceu a primeira volta das eleições presidenciais com 31% dos votos, num resultado que surpreendeu pela amplitude. O candidato apoiado pelo PS começou a campanha com pouco mais de 16% nas sondagens e foi crescendo à medida que os adversários se enredavam em polémicas — ataques a jornalistas, acusações de assédio, posições controversas. Seguro optou por um tom moderado e apelou ao voto útil, e a esquerda fragmentada respondeu: Jorge Pinto, Catarina Martins, António Filipe e o PAN convergiram rapidamente para o seu apoio na segunda volta.

André Ventura terminou em segundo lugar com 24%, suficiente para garantir presença no segundo turno e para se afirmar como o novo rosto da direita portuguesa. Mas a sua vitória interna revela uma direita profundamente dividida. Cotrim Figueiredo ficou com 16%, penalizado por semanas de controvérsia. Gouveia e Melo, que chegou a ser apontado para 35% nas sondagens de há um ano, terminou com apenas 12% e recusou comprometer-se com qualquer candidato na segunda volta.

O grande derrotado da noite foi Luís Marques Mendes. O candidato apoiado pelo Governo ficou em quinto lugar com 11%, o pior resultado de sempre de um candidato com respaldo da administração em exercício. Cotrim responsabilizou diretamente o primeiro-ministro Montenegro pela estratégia do PSD, que acabou por deixar o Governo sem representação na segunda volta e sem uma escolha política simples entre os dois finalistas.

Montenegro vê-se agora numa armadilha: não pode apoiar Ventura sem contradizer as suas próprias declarações sobre o extremismo do Chega, nem pode apoiar Seguro sem trair o eleitorado de direita. A segunda volta será um confronto entre a moderação que unificou a esquerda e a radicalidade que sobreviveu à divisão da direita.

António José Seguro saiu da primeira volta das eleições presidenciais com 31% dos votos, consolidando-se como o grande vencedor da noite. O candidato apoiado pelo Partido Socialista agregou o voto da Esquerda fragmentada e conquistou uma vitória que surpreendeu até pelas margens — começou a campanha com 16,3% nas sondagens e terminou com 25,1%, antes de ultrapassar essa marca no escrutínio real. Seguro, que havia sido afastado nas primárias socialistas de 2014 e só recebeu apoio do PS quando não havia alternativas internas, venceu num dos momentos de maior fragilidade do partido que o apoiava.

A sua campanha funcionou por subtração. Enquanto os adversários se envolviam em polémicas — ataques a jornalistas, acusações de assédio, abraços controversos — Seguro manteve um tom moderado e apelou ao voto útil. O resultado foi devastador para a Esquerda dispersa: Jorge Pinto, Catarina Martins, António Filipe e o PAN convergiram rapidamente para apoiá-lo na segunda volta, reconhecendo que o seu voto tinha sido absorvido pelo candidato mais viável.

André Ventura também sorriu na noite eleitoral, com 24% que o colocam na segunda volta. O líder do Chega apresentou-se como o novo rosto da Direita portuguesa, tendo derrotado todos os candidatos do espectro conservador. Mas essa vitória revela uma Direita profundamente dividida. João Cotrim Figueiredo, do IL, terminou com 16%, afundado pelas polémicas que o cercaram nas últimas semanas — desde acusações de possível apoio a Ventura até questões de assédio. Gonçalo Gouveia e Melo, que um ano antes tinha sondagens a apontá-lo para 35%, desapareceu na reta final, terminando com apenas 12%. Nem sequer se comprometeu a apoiar qualquer candidato na segunda volta, dizendo apenas que era prematuro tomar posição.

Luís Marques Mendes foi o grande derrotado da noite. O candidato apoiado pelo Governo ficou em quinto lugar com 11%, estabelecendo um recorde negativo: o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela administração em exercício. Mário Soares, em 2006, tinha obtido 14,35%. Cotrim Figueiredo, por sua vez, recusou endossar qualquer candidato na segunda volta, culpando o primeiro-ministro Luís Montenegro pela estratégia do PSD que permitiu que Ventura e Seguro chegassem ao segundo turno. "Tal fica a dever-se exclusivamente a um erro da liderança estratégica do PSD", afirmou.

Montenegro viu-se apanhado numa armadilha política. O primeiro-ministro não consegue decidir entre apoiar Ventura, cujas posições políticas descreve como extremistas, ou Seguro, apoiado pelo PS. O espaço político do PSD não terá representação na segunda volta, deixando o Governo numa posição incómoda. A Direita conquistou mais votos do que a Esquerda no total, mas a sua fragmentação entregou a vitória da primeira volta ao centro-esquerda. Catarina Martins e António Filipe, que ficaram em sexto e sétimo lugar, desapareceram do mapa eleitoral. A segunda volta será um confronto entre o candidato que agregou a Esquerda através de moderação e utilidade eleitoral, e o líder de uma direita radical que se apresenta como alternativa ao establishment.

Conseguimos derrotar o candidato do montenegrismo. Agora falta o socialismo.
— André Ventura
O espaço político do PSD não estará representado na segunda volta
— Luís Montenegro
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