Se Brizola estivesse vivo, estaria ao lado de Lula, diz Dilma em Porto Alegre

Se Leonel Brizola estivesse vivo, estaria naquele palanque ao lado de Lula
Dilma invoca líder histórico gaúcho para conectar tradição política à candidatura de Lula na reta final da campanha.

Em Porto Alegre, a menos de três semanas do primeiro turno de 2022, Dilma Rousseff convocou a memória de Leonel Brizola para situar Lula dentro de uma linhagem histórica de luta democrática e trabalhista no Rio Grande do Sul. Ao afirmar que Brizola estaria ao lado do ex-presidente se ainda vivesse, Dilma não apenas evocava um nome — ela tentava costurar o presente a décadas de resistência política gaúcha. O gesto revelava tanto a estratégia do PT de falar a linguagem de cada região quanto a crença de que vitórias eleitorais sólidas, conquistadas no primeiro turno, carregam um peso moral que vitórias apertadas não conseguem sustentar.

  • Com o primeiro turno se aproximando, o PT precisava mobilizar o eleitorado gaúcho — historicamente singular e difícil de alinhar com o restante do país.
  • Dilma repetiu a mesma frase sobre Brizola várias vezes, como se quisesse gravar uma imagem política na memória coletiva dos presentes.
  • A invocação de Brizola — figura também ligada ao PDT de Ciro Gomes — era uma tentativa de superar divisões internas da esquerda em nome de um projeto maior.
  • A ex-presidenta argumentou que apenas uma vitória no primeiro turno daria a Lula mandato suficientemente forte para reconstruir o Brasil com efetividade.
  • O discurso transformava a eleição em algo além de uma disputa eleitoral: uma questão de recuperação nacional e continuidade de uma tradição de resistência democrática.

Na noite de sexta-feira, em um comício em Porto Alegre, Dilma Rousseff invocou Leonel Brizola para reforçar o apoio a Lula na reta final da campanha presidencial de 2022. Ela afirmou com convicção que, se ainda vivesse, o histórico líder trabalhista gaúcho estaria no palanque ao lado do ex-presidente petista — uma imagem que repetiu várias vezes, como se quisesse que ficasse gravada na mente dos presentes.

O apelo não era casual. Ao evocar Brizola, Dilma buscava conectar a candidatura de Lula à tradição de luta política do Rio Grande do Sul, um estado com raízes profundas no trabalhismo e na resistência democrática. Era uma forma de dizer que Lula não era um candidato isolado, mas parte de uma corrente que vinha de longe — e que transcendia até mesmo as divisões internas da esquerda, já que Brizola também remetia ao PDT de Ciro Gomes.

Além da evocação histórica, Dilma pressionava por uma vitória já no primeiro turno. Argumentava que apenas um mandato conquistado com força suficiente permitiria reconstruir o Brasil com efetividade — uma vitória no segundo turno seria mais frágil, mais contestada. Ao reconhecer a singularidade do eleitorado gaúcho, ela tentava falar em sua própria linguagem política, num momento em que cada símbolo e cada região podiam fazer diferença.

Na noite de sexta-feira, em um comício em Porto Alegre, a ex-presidenta Dilma Rousseff invocou a memória de Leonel Brizola para reforçar o apoio a Lula na reta final da campanha presidencial de 2022. Dilma não apenas citou o histórico líder trabalhista gaúcho — morto em 1981 — mas afirmou com convicção que, se ainda vivesse, Brizola estaria no palanque ao lado do ex-presidente petista.

A fala de Dilma carregava um peso político deliberado. Ao evocar Brizola, ela buscava conectar a candidatura de Lula com a tradição de luta política do Rio Grande do Sul, um estado com raízes profundas no trabalhismo e na resistência democrática. Brizola havia sido uma figura central dessa história — um nome que ainda ressoa entre eleitores gaúchos como símbolo de defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores. Ao colocar Brizola imaginariamente ao lado de Lula, Dilma tentava emprestar àquele momento a legitimidade de décadas de engajamento político.

Mas o apelo de Dilma ia além da evocação histórica. Ela pressionava pela vitória no primeiro turno, argumentando que a eleição precisava ser decidida nos próximos dias para que o Brasil pudesse ser reconstruído com força máxima. Essa urgência refletia a estratégia petista de consolidar apoio em uma região estratégica do país, onde a memória política ainda era viva e onde a mobilização poderia fazer diferença.

A ex-presidenta repetiu a mesma frase várias vezes durante o ato — "Tenho certeza que se Leonel Brizola estivesse vivo ele estaria ali, naquele palanque, sentado ao lado de Lula" — como se quisesse que a imagem ficasse gravada na mente dos presentes. Não era apenas uma observação casual. Era uma tentativa de resgatar uma linhagem política, de dizer que Lula não era um candidato isolado, mas parte de uma corrente que vinha de longe.

O contexto importava. Estávamos a menos de três semanas da eleição, em um momento em que cada voto, cada região, cada símbolo político podia contar. O Rio Grande do Sul tinha tradição de votar diferente do resto do país, e Dilma sabia disso. Ao falar em "um certo ponto do país, que é o Rio Grande do Sul", ela reconhecia a singularidade daquele eleitorado e a necessidade de falar em sua própria linguagem política.

O discurso de Dilma também carregava uma mensagem implícita sobre o que estava em jogo. Não era apenas sobre ganhar uma eleição. Era sobre recuperar o Brasil, nas palavras dela. Essa recuperação só seria possível, argumentava, se Lula vencesse já no primeiro turno, com força suficiente para governar com mandato claro e apoio consolidado. A vitória no segundo turno seria mais frágil, mais contestada, menos capaz de sustentar as mudanças que ela acreditava serem necessárias.

A citação de Brizola — um nome que também remetia ao PDT, partido de Ciro Gomes, que havia ficado de fora do segundo turno — tinha ainda outra camada. Era uma forma de dizer que a luta pela democracia e pela reconstrução nacional transcendia as divisões internas da esquerda. Que havia um projeto maior em jogo. Que até mesmo aqueles que não estavam no palanque naquele dia, aqueles que já tinham partido, estariam ali em espírito.

Tenho certeza que se Leonel Brizola estivesse vivo ele estaria ali, naquele palanque, sentado ao lado de Lula
— Dilma Rousseff
Temos que ganhar esta eleição no primeiro turno para podermos recuperar o Brasil
— Dilma Rousseff
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Dilma escolheu invocar Brizola especificamente naquele momento, em Porto Alegre?

Model

Porque Brizola era a ponte entre o passado político gaúcho e o presente. Ele representava uma linhagem de luta que ainda ressoa naquele estado. Ao colocá-lo ao lado de Lula, Dilma estava dizendo: isso não é novo, isso é continuidade.

Inventor

Mas Brizola era do PDT, não do PT. Não havia uma contradição ali?

Model

Havia, mas era uma contradição produtiva. Dilma estava transcendendo as divisões partidárias para falar de algo maior — a defesa da democracia e a reconstrução do Brasil. Era uma forma de dizer que esse projeto era maior que qualquer partido.

Inventor

A insistência em ganhar no primeiro turno — era apenas estratégia eleitoral ou havia algo mais profundo?

Model

Havia algo mais. Ganhar no primeiro turno significava ter um mandato claro, indiscutível. Significava poder governar sem ter que negociar cada passo com aqueles que o combatiam. Era sobre força política real.

Inventor

Como você acha que essa fala foi recebida pelos eleitores gaúchos presentes?

Model

Aqueles que tinham memória de Brizola, que conheciam aquela história, provavelmente sentiram a ressonância. Para os mais jovens, era talvez apenas um nome, mas o tom de Dilma — a convicção, a repetição — transmitia que algo importante estava sendo dito.

Inventor

E se Brizola realmente estivesse vivo? Ele teria apoiado Lula?

Model

Essa é a pergunta que Dilma estava respondendo por ele. Ela estava usando a memória de Brizola como um espelho para refletir o que ela acreditava ser a posição correta naquele momento. Era menos uma questão histórica e mais uma questão política presente.

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