Scania usa IA para estender vida útil de motores diesel com ganhos de eficiência

A IA nos ajuda a extrair eficiência de uma tecnologia que ainda tem muito a oferecer
Executivo da Scania explica como inteligência artificial estende a viabilidade dos motores diesel.
Mark

Por que a Scania não simplesmente acelerou a transição para elétricos, em vez de investir em melhorias no diesel?

Mimi

Porque os números não fecham. Um caminhão elétrico custa muito mais, carrega menos peso útil, precisa de infraestrutura que não existe em muitos lugares, e a autonomia é limitada. Para operadores de frotas, especialmente em rotas longas, o diesel ainda faz mais sentido economicamente.

Mark

Mas isso não é apenas adiar o inevitável?

Mimi

Talvez. Mas "inevitável" é uma palavra perigosa na indústria. O que parecia certo em 2021 — que o diesel desapareceria rapidamente — não se concretizou. A realidade é mais messy. Diesel, elétricos, gás natural — tudo vai conviver por um tempo.

Mark

Como exatamente a IA muda a equação do motor diesel?

Mimi

Ela coordena tudo simultaneamente. Antes, você otimizava um sistema por vez. Agora, a IA gerencia a injeção, a lubrificação, o reaproveitamento de combustível, as emissões — tudo em tempo real, aprendendo com cada ciclo. É como ter um engenheiro invisível ajustando o motor a cada segundo.

Mark

Isso significa que um motor diesel de 2026 é fundamentalmente diferente de um de 2021?

Mimi

Não fundamentalmente diferente — é o mesmo motor, mas com um cérebro eletrônico muito mais sofisticado. A física é a mesma. Mas a forma como cada componente trabalha junto mudou completamente.

Mark

E quanto às emissões? A IA resolve esse problema?

Mimi

Reduz significativamente, mas não elimina. O Arla 32 já faz o trabalho pesado de reduzir óxidos de nitrogênio. A IA apenas o gerencia melhor, garantindo que funcione no ponto ótimo. Ainda é combustão — ainda há emissões. Mas menos do que antes.

Mark

Então a Scania está apostando que o diesel vai durar mais tempo do que todos esperavam?

Mimi

Não está apostando — está se preparando para a realidade de que a transição será mais lenta e mais complexa do que o setor imaginava. A IA é a ferramenta que permite fazer mais com menos, ganhando tempo enquanto o mercado se reorganiza.

  • A pressão pela eletrificação total dos caminhões criou uma urgência existencial para os fabricantes de motores diesel, que precisavam justificar a continuidade de uma tecnologia já considerada condenada.
  • Baterias caras, infraestrutura de recarga insuficiente e autonomia limitada dos caminhões elétricos devolveram ao diesel um espaço que parecia perdido, forçando a Scania a repensar sua estratégia.
  • A empresa integrou inteligência artificial ao motor Super para coordenar lubrificação, injeção de combustível, controle de válvulas e nebulização de Arla 32 de forma simultânea e otimizada.
  • O resultado prático — redução de até 8% no consumo — posiciona o motor diesel renovado como capaz de atender regulamentações futuras sem exigir redesenhos completos e investimentos astronômicos.

Quando a indústria automotiva parecia ter decretado o fim dos motores a combustão, a Scania encontrou na inteligência artificial não um substituto, mas um aliado improvável para prolongar a vida do diesel. Na fábrica de São Bernardo do Campo, a montadora sueca revelou que seu motor Super evoluído consome até 8% menos combustível — não apenas por melhorias mecânicas, mas porque algoritmos agora coordenam, em tempo real, cada sistema do veículo. É um lembrete de que a história das tecnologias raramente termina onde se prevê.

Em 2021, a Scania lançou o motor Super na Europa como o que parecia ser o último capítulo do diesel na empresa. A eletrificação avançava, e a despedida parecia inevitável. Mas a realidade do mercado se mostrou mais resistente: baterias caras, recarga escassa e autonomia insuficiente mantiveram o diesel relevante para operadores de frotas.

Diante desse cenário, a engenharia sueca buscou uma segunda vida para o motor a combustão — e encontrou na inteligência artificial seu parceiro mais inesperado. Na semana passada, a Scania reuniu jornalistas em São Bernardo do Campo para apresentar o resultado: o motor Super evoluído consome até 8% menos diesel que a versão anterior, graças a melhorias físicas como um sistema de injeção mais sofisticado e um cabeçote capaz de suportar maiores pressões de combustão.

Mas o salto real veio dos algoritmos. A IA passou a gerenciar de forma integrada os sistemas eletrônicos do veículo — da lubrificação ao reaproveitamento de diesel residual no tanque, do controle de válvulas à injeção de Arla 32 para reduzir emissões. Eronildo Barros, diretor-geral das operações comerciais da Scania no Brasil, resumiu o impacto: a inteligência artificial acelera o desenvolvimento de produtos e permite aperfeiçoar os que já existem de formas antes impensáveis.

O combustível também evoluiu: o diesel atual é mais refinado do que em 2021, e Barros projeta ganhos adicionais com combustíveis ainda melhores e maior controle eletrônico. No Brasil, a Scania já oferece caminhões elétricos e opções a gás natural, mas reconhece que a eletrificação total ainda não alcança todos os segmentos. O diesel, portanto, não está sendo abandonado — está sendo reinventado, com vida útil e relevância que as previsões de poucos anos atrás não souberam antecipar.

Em 2021, a Scania apresentou na Europa o motor Super em duas cilindradas — 11 e 13 litros — anunciando-o como o último capítulo da história dos motores diesel da empresa. Naquele momento, parecia uma despedida inevitável. A indústria inteira sentia a pressão da eletrificação total dos veículos pesados, e a Scania não era exceção. Mas a realidade do mercado se mostrou mais complexa do que as previsões sugeriam.

Os obstáculos eram concretos: as baterias custavam caro, carregavam pouco peso útil, a infraestrutura de recarga era escassa, e a autonomia dos caminhões elétricos não convencia os operadores de frotas. Diante disso, a engenharia da montadora sueca enfrentou uma questão incômoda: como dar uma segunda vida aos motores diesel quando tudo apontava para seu fim? A resposta veio de um lugar inesperado — a inteligência artificial.

Na semana passada, a Scania reuniu jornalistas na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, para exibir o resultado desse trabalho. O motor Super evoluído, instalado em um chassi de ônibus rodoviário, consome até 8% menos diesel que a versão anterior. As melhorias físicas são visíveis: um sistema de injeção de combustível mais sofisticado, um mecanismo de pulverização de óleo lubrificante, um cabeçote capaz de suportar pressões de combustão mais altas. Mas para alcançar ganhos reais de eficiência em uma aplicação tão exigente quanto o transporte rodoviário, a empresa precisou ir além das peças.

Foi aí que a inteligência artificial entrou em cena, não como substituta da engenharia tradicional, mas como seu parceiro. A IA passou a gerenciar os recursos do veículo de forma integrada, otimizando como cada sistema eletrônico funciona. Eronildo Barros, diretor-geral das operações comerciais da Scania no Brasil, explicou o alcance dessa transformação: a tecnologia revitalizou os sistemas de controle do motor, trabalhando desde a lubrificação até a integração das engrenagens, criando uma arquitetura eletrônica que coordena o funcionamento do veículo como um todo.

Os exemplos práticos revelam a sofisticação do trabalho. A IA gerencia um sistema que reaproveia partes do diesel que normalmente permaneceriam inutilizadas no fundo do tanque. Controla o duplo comando de válvulas com precisão. Otimiza a injeção e nebulização de Arla 32, a solução de ureia usada para reduzir emissões de óxidos de nitrogênio em motores diesel. Cada uma dessas funções, isoladamente, representaria um ganho modesto. Juntas, coordenadas por algoritmos, produzem uma melhoria perceptível no consumo e nas emissões.

Para Barros, a inteligência artificial abriu uma porta que parecia fechada. "Se pensarmos em veículos definidos por software, em sistemas controlados por linhas de programação, a inteligência artificial acelera muito o desenvolvimento de novos produtos e o aperfeiçoamento dos que já existem", disse o executivo. Essa capacidade de otimização contínua significa que a plataforma diesel, que há poucos anos era dada como condenada, agora pode evoluir de forma que antes era impensável.

Outro fator trabalha a favor dessa longevidade estendida: o próprio combustível melhorou. O diesel disponível hoje é mais refinado e eficiente do que quando o motor Super foi lançado em 2021. Barros vê um futuro onde ganhos adicionais virão de combustíveis ainda melhores e de conjuntos mecânicos com melhor aproveitamento energético, sempre com maior controle eletrônico. Essa combinação pode permitir à Scania atender regulamentações futuras mais rigorosas sem investimentos astronômicos em redesenho completo.

No Brasil, a empresa já oferece alternativas: desde 2024, comercializa timidamente o caminhão elétrico 30 G 4x2 com autonomia de 250 quilômetros, além de chassis de ônibus a bateria. Também aposta em gás natural, incluindo opções abastecidas com biometano renovável. Mas a realidade é que a eletrificação total ainda não é viável para todos os segmentos e geografias. A Scania, portanto, não está abandonando o diesel — está o reinventando, usando inteligência artificial para extrair eficiência de uma tecnologia que, contrariamente às previsões, ainda tem muito a oferecer.

A inteligência artificial permite a sobrevida ao conjunto mecânico diesel, que ainda pode ser muito explorado pela companhia
— Eronildo Barros, diretor-geral das operações comerciais da Scania no Brasil
Se pensarmos em veículos definidos por software, a inteligência artificial acelera muito o desenvolvimento de novos produtos e o aperfeiçoamento dos que já existem
— Eronildo Barros, Scania
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