Saúde compra 1,8 milhão de doses de vacina contra VSR para gestantes no SUS

O VSR causou 83 mil internações de bebês prematuros entre 2018 e 2024 no Brasil, com taxa de mortalidade sete vezes maior entre prematuros; em 2025, registrou-se aumento de 52% nos casos.
Proteção imediata aos recém-nascidos através da mãe vacinada
A vacina aplicada em gestantes oferece defesa direta aos bebês nos primeiros meses de vida, quando o risco é maior.
Mark

Por que a vacina é aplicada em gestantes e não diretamente em bebês?

Mimi

Os anticorpos maternos passam para o bebê através da placenta e do leite materno, oferecendo proteção imediata nos primeiros meses de vida, quando o risco de doença grave é maior. Bebês muito pequenos não respondem bem a vacinas, então proteger a mãe é proteger o recém-nascido.

Mark

O aumento de 52% em casos em 2025 é realmente excepcional?

Mimi

Sim. O padrão histórico era o VSR circular principalmente no inverno. Mas após a pandemia, quando as crianças perderam a chance de desenvolver imunidade natural, o vírus encontrou uma população vulnerável e começou a aparecer fora de estação, surpreendendo hospitais.

Mark

Como o Brasil conseguiu oferecer isso gratuitamente quando custa R$ 1,5 mil na rede privada?

Mimi

Através de um acordo com o Instituto Butantan que incluiu transferência de tecnologia. Agora o Brasil produzirá a vacina localmente, reduzindo custos drasticamente e garantindo autonomia futura.

Mark

Qual é o risco real para um bebê infectado?

Mimi

A maioria terá apenas um resfriado. Mas em alguns, especialmente prematuros, o vírus causa bronquiolite — inflamação que obstrui as vias aéreas, dificultando respiração e alimentação. Esses casos exigem hospitalização e suporte respiratório.

Mark

Por que os prematuros correm tanto risco?

Mimi

Seus pulmões ainda estão em desenvolvimento. A taxa de mortalidade entre prematuros infectados é sete vezes maior que entre crianças nascidas a termo. Isso torna a prevenção especialmente crítica para esse grupo.

  • O VSR sobrecarregou hospitais em 2025 com 43 mil casos graves e mais de 35 mil internações em crianças menores de dois anos, num surto que já não respeita estação do ano.
  • Bebês prematuros pagam o preço mais alto: sua taxa de mortalidade por VSR é sete vezes maior do que a de crianças nascidas a termo, e uma em cada 50 crianças infectadas acaba hospitalizada no primeiro ano de vida.
  • O governo fechou a compra de 1,8 milhão de doses por R$ 1,17 bilhão, com o primeiro lote de 673 mil doses sendo distribuído ainda em novembro para aplicação em dezembro nas redes públicas.
  • A vacina materna demonstrou eficácia de 81,8% na prevenção de quadros respiratórios graves nos primeiros 90 dias do bebê, podendo evitar cerca de 28 mil internações por ano.
  • Um acordo com o Instituto Butantan garantirá produção nacional do imunizante, encerrando a dependência de importações e ancorando a meta de vacinar 80% do público-alvo até 2027.

Em um país onde o vírus sincicial respiratório já internou 83 mil bebês prematuros em seis anos, o Ministério da Saúde deu um passo que une ciência, política pública e esperança: a compra de 1,8 milhão de doses de vacina para gestantes, oferecida gratuitamente pelo SUS a partir da 28ª semana de gravidez. Com investimento de R$ 1,17 bilhão e um acordo de transferência de tecnologia com o Instituto Butantan, o Brasil não apenas responde a uma crise epidemiológica em curso — com alta de 52% nos casos em 2025 — mas também planta as raízes de uma autonomia imunológica duradoura. A proteção começa na mãe e chega ao recém-nascido antes mesmo de seu primeiro choro ao ar do mundo.

O Ministério da Saúde anunciou a compra de 1,8 milhão de doses de vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes, com oferta gratuita pelo SUS a partir da 28ª semana de gravidez e investimento de R$ 1,17 bilhão. A decisão responde a um cenário epidemiológico alarmante: em 2025, os casos da doença em bebês cresceram 52%, e até novembro o país registrou 43,1 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave pelo vírus, com 82,5% das hospitalizações concentradas em crianças menores de dois anos.

O VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças pequenas. Entre 2018 e 2024, causou 83 mil internações de prematuros no Brasil — grupo para o qual a mortalidade é sete vezes maior do que entre nascidos a termo. A bronquiolite não tem tratamento específico; o manejo é de suporte. A vacina materna, por sua vez, demonstrou eficácia de 81,8% na prevenção de quadros graves nos primeiros 90 dias de vida e pode evitar aproximadamente 28 mil internações anuais.

O primeiro lote, com 673 mil doses, começa a ser distribuído aos estados em novembro, com aplicação prevista para dezembro nas unidades básicas de saúde. A imunização pode ser feita simultaneamente com as vacinas contra influenza e covid-19. Até 2027, o ministério planeja adquirir outras 4,2 milhões de doses, com meta de cobrir 80% do público-alvo. Na rede privada, a mesma vacina custa até R$ 1,5 mil por dose.

O acordo que viabilizou a oferta gratuita incluiu transferência de tecnologia com o Instituto Butantan, permitindo que o Brasil produza o imunizante localmente e garanta autonomia futura. O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha e se insere num momento de recuperação mais ampla do Programa Nacional de Imunizações: em 2025, a cobertura aumentou em 15 das 16 vacinas do calendário nacional, revertendo uma queda iniciada em 2016.

O Ministério da Saúde anunciou a compra de 1,8 milhão de doses de vacina contra o vírus sincicial respiratório, um imunizante que será oferecido gratuitamente pelo SUS a todas as gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. O investimento total é de R$ 1,17 bilhão. A decisão chega em um momento em que os casos da doença em bebês cresceram 52% apenas em 2025, sobrecarregando redes de saúde em todo o país.

O primeiro lote, com 673 mil doses, começará a ser distribuído aos estados ainda em novembro, com aplicação prevista para dezembro nas unidades básicas de saúde municipais e estaduais. A meta do ministério é vacinar pelo menos 80% do público-alvo nos próximos anos. Até 2027, a pasta planeja adquirir outras 4,2 milhões de doses. A vacina pode ser aplicada simultaneamente com as imunizações contra influenza e covid-19, simplificando o calendário de proteção das gestantes.

O vírus sincicial respiratório é responsável por aproximadamente 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos. Entre 2018 e 2024, a doença resultou em 83 mil internações de bebês prematuros no Brasil. Os prematuros enfrentam risco particularmente elevado: sua taxa de mortalidade é sete vezes maior do que a de crianças nascidas a termo. Em média, uma em cada 50 crianças infectadas acaba hospitalizada no primeiro ano de vida, e cerca de 20 mil bebês menores de um ano são internados anualmente no país.

A vacinação das gestantes oferece proteção direta aos recém-nascidos. Estudos clínicos demonstraram que a imunização materna alcança eficácia de 81,8% na prevenção de quadros respiratórios graves nos primeiros 90 dias de vida do bebê. A vacina pode prevenir aproximadamente 28 mil internações por ano e beneficiará cerca de 2 milhões de bebês nascidos vivos anualmente. Na rede privada, a mesma imunização custa até R$ 1,5 mil por dose.

O acordo que viabilizou a oferta gratuita envolveu o Instituto Butantan e o laboratório produtor, com transferência de tecnologia que permitirá ao Brasil produzir o imunizante localmente. Isso garante autonomia futura para manter a vacinação sem depender de importações. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante um café da manhã com lideranças religiosas.

O contexto epidemiológico que levou a essa decisão é complexo. Durante a pandemia de covid-19, o isolamento social impediu a circulação do vírus sincicial, deixando muitas crianças sem oportunidade de desenvolver imunidade natural. Quando as medidas de isolamento foram relaxadas, o vírus encontrou uma população de bebês e crianças altamente suscetíveis, causando surtos em momentos inesperados do ano. Diferentemente do padrão histórico de circulação no inverno, o VSR passou a sobrecarregar hospitais em qualquer época.

Em 2025, até 15 de novembro, o Brasil registrou 43,1 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave decorrentes do VSR. Mais de 35,5 mil hospitalizações ocorreram em crianças menores de dois anos, representando 82,5% do total. A bronquiolite, inflamação dos brônquios causada principalmente pelo vírus, não possui tratamento específico. O manejo clínico envolve suporte respiratório, hidratação, suplementação de oxigênio e broncodilatadores conforme necessário.

O anúncio da vacina integra-se a um contexto mais amplo de recuperação do Programa Nacional de Imunizações. Em 2025, o Brasil registrou aumento na cobertura de 15 das 16 vacinas do calendário nacional, revertendo uma tendência de queda que começou em 2016. Grandes mobilizações, como o Dia D de vacinação e ações em escolas, contribuíram para esse avanço. A tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, alcançou cobertura preliminar de 91,8% na primeira dose em 2025, mantendo o Brasil como país livre do sarampo mesmo diante de surtos nas Américas.

A vacinação materna mostrou eficácia de 81,8% na prevenção de quadros respiratórios graves por VSR nos primeiros 90 dias de vida do bebê
— Estudo clínico MATISSE
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