Em São Vicente, a escola virou palco de uma lição que não cabe em cartilha: com fantoches e histórias, a Prefeitura ensinou crianças sobre leishmaniose visceral e arboviroses de um jeito que fica na memória. A iniciativa reconhece algo antigo — que o conhecimento que transforma não é o que é apenas dito, mas o que é vivido. E ao escolher as crianças como destinatárias, a ação aposta que o saber mais duradouro é aquele que viaja de volta para casa nas mãos de quem ainda aprende tudo pela primeira vez.
São Vicente usa teatro de fantoches para ensinar crianças sobre prevenção à leishmaniose
A criança consegue multiplicar essas informações e fazer com que todos compreendam
Por que escolher fantoches para falar sobre uma doença tão séria quanto a leishmaniose?
Porque as crianças não aprendem por medo ou por obrigação. Elas aprendem quando estão engajadas, quando há uma história, quando há movimento. Um fantoche é um personagem — tem voz, tem vida. A criança se conecta com aquilo.
E a leishmaniose é realmente uma ameaça significativa em São Vicente?
É uma doença real, transmitida por um mosquito específico, o mosquito-palha. Afeta principalmente cães, mas pode atingir pessoas. O que torna a educação importante é que muita gente não sabe disso, não reconhece os sinais nos seus animais de estimação.
Como você mede o sucesso de uma atividade assim?
Você mede quando a criança chega em casa e conta para a mãe, para o avó, para o vizinho. Quando ela começa a observar o quintal com outros olhos. Quando a família muda um hábito porque a criança trouxe aquela informação para dentro de casa.
Qual é a diferença entre ensinar isso em uma aula tradicional e através do teatro?
Na aula tradicional, você fala sobre prevenção. No teatro, a criança vive a prevenção. Ela vê o problema, entende por que é um problema, e aprende a solução de um jeito que fica na memória.
Isso funciona para outras doenças também?
Funciona para qualquer coisa que você queira que as pessoas realmente entendam e mudem de comportamento. A educação em saúde não é só informação — é transformação de hábitos. E hábitos mudam quando as pessoas estão realmente engajadas.
O Pulso
- Doenças como a leishmaniose visceral são pouco conhecidas pela população, criando um silêncio perigoso que favorece a transmissão.
- A Prefeitura de São Vicente rompeu esse silêncio levando teatro de fantoches diretamente à escola U.E. Mauro Aparecido Godoy no dia 13.
- Crianças aprenderam a reconhecer sinais de alerta nos cães, a manter quintais limpos e a eliminar criadouros do Aedes aegypti — tudo de forma lúdica e participativa.
- A diretora da escola e a agente de endemias identificaram nas crianças um canal poderoso: o que entra na escola sai multiplicado pelas famílias e vizinhanças.
- A ação transforma educação em saúde de obrigação burocrática em experiência afetiva — e é exatamente aí que ela tem chance de funcionar.
Em São Vicente, a escola virou palco de uma lição que não cabe em cartilha: com fantoches e histórias, a Prefeitura ensinou crianças sobre leishmaniose visceral e arboviroses de um jeito que fica na memória. A iniciativa reconhece algo antigo — que o conhecimento que transforma não é o que é apenas dito, mas o que é vivido. E ao escolher as crianças como destinatárias, a ação aposta que o saber mais duradouro é aquele que viaja de volta para casa nas mãos de quem ainda aprende tudo pela primeira vez.
Na quinta-feira, dia 13, a escola U.E. Mauro Aparecido Godoy em São Vicente viveu uma aula fora do comum. Sem quadro-negro nem apostilas, a equipe da ESF Pompeba chegou com fantoches e histórias para ensinar crianças sobre leishmaniose visceral e arboviroses — doenças reais, presentes nos quintais e nos cães que dormem na varanda, mas raramente discutidas de forma acessível.
A leishmaniose visceral, transmitida pelo mosquito-palha infectado, afeta tanto pessoas quanto animais, especialmente cães. O teatro apresentou medidas práticas: observar se os animais têm feridas ou perderam peso, manter os quintais livres de folhas e matéria orgânica. As arboviroses também entraram em cena, com foco no Aedes aegypti e na importância de eliminar água parada em pneus, vasos e caixas d'água.
Roberta Cabral, agente de combate às endemias e supervisora da equipe de Informação, Educação e Comunicação, foi uma das idealizadoras da atividade. Para ela, a escolha pelo teatro de fantoches foi estratégica: como a leishmaniose é pouco conhecida, era preciso um formato que as crianças realmente absorvessem — e levassem para casa.
A diretora Ana Paula Gomes enxergou o alcance maior da iniciativa. Crianças não voltam para casa vazias depois de uma experiência assim — voltam com histórias, imagens e conhecimento que se transformam em conversas à mesa de jantar e em mudanças de hábito. Quando a educação em saúde é feita com criatividade, ela não passa despercebida. Ela fica. E quando fica nas crianças, tem potencial de alcançar famílias, bairros e comunidades inteiras.
Na quinta-feira, dia 13, a escola U.E. Mauro Aparecido Godoy virou palco de uma lição diferente. Não havia quadro-negro nem cartilhas — havia fantoches, histórias e crianças aprendendo sobre doenças que raramente ouvem falar no dia a dia. A Prefeitura de São Vicente, através da Secretaria da Saúde, trouxe a equipe da ESF Pompeba para transformar informação em diversão, ensinando aos alunos como se proteger da leishmaniose visceral e das arboviroses.
A leishmaniose visceral é uma doença causada por um parasita que afeta tanto pessoas quanto animais, especialmente cães. O mosquito-palha infectado é o culpado — ele carrega o parasita de um animal para outro, ou para um ser humano, através de sua picada. Não é uma ameaça abstrata. É real, está ali, nos quintais das casas, nos cães que dormem na varanda. Por isso a Prefeitura decidiu levar a mensagem de prevenção direto para as crianças, de um jeito que fizesse sentido para elas.
As medidas de proteção apresentadas no teatro foram práticas e concretas. Observar se os cães têm feridas ou perderam peso sem motivo aparente. Manter os quintais limpos, sem acúmulo de folhas, fezes ou matéria orgânica — tudo aquilo que atrai o mosquito-palha. Não é complicado, mas exige atenção. E atenção é exatamente o que as crianças aprendem quando um fantoche na sua frente fala sobre isso.
O teatro também abordou as arboviroses, focando no mosquito Aedes aegypti, aquele que transmite dengue, chikungunya e zika. De novo, a abordagem foi lúdica. As crianças aprenderam por que eliminar criadouros é importante, por que água parada em pneus velhos, vasos e caixas d'água é um perigo. Quando você aprende assim — vendo, participando, rindo — fica diferente. Fica na memória.
Roberta Cabral, agente de combate às endemias e supervisora da equipe de Informação, Educação e Comunicação, foi uma das responsáveis por idealizar e executar a atividade. Ela entendeu algo fundamental: a leishmaniose é uma doença pouco conhecida, e por isso mesmo precisa ser ensinada de um jeito que as pessoas realmente absorvam. "Como é uma doença da qual quase não se ouve falar, decidimos passar essa informação de uma maneira lúdica, por meio do teatro de fantoches. Assim, as crianças conseguem aprender melhor e levar esse conhecimento para casa", explicou.
Ana Paula Gomes, diretora da escola, viu além do momento da apresentação. Ela reconheceu que as crianças não voltam para casa vazias — voltam cheias de histórias, de imagens, de conhecimento. E quando chegam em casa, contam tudo. Multiplicam. Transformam o que aprenderam em conversas à mesa de jantar, em mudanças de hábitos. "Com esse teatro dentro da escola, ela vai com outra consciência para casa. Sabemos que, chegando à família, a criança consegue multiplicar essas informações e fazer com que todos compreendam a importância dos cuidados com o meio ambiente e com a saúde", afirmou a diretora.
É assim que a educação em saúde funciona quando é feita com criatividade. Não é um aviso que passa despercebido. É uma experiência que fica. E quando fica nas crianças, tem potencial de ficar nas famílias, nos bairros, na comunidade inteira.
Citações Notáveis
Como é uma doença da qual quase não se ouve falar, decidimos passar essa informação de uma maneira lúdica, por meio do teatro de fantoches. Assim, as crianças conseguem aprender melhor e levar esse conhecimento para casa.— Roberta Cabral, agente de combate às endemias
Com esse teatro dentro da escola, ela vai com outra consciência para casa. A criança consegue multiplicar essas informações e fazer com que todos compreendam a importância dos cuidados com o meio ambiente e com a saúde.— Ana Paula Gomes, diretora da U.E. Mauro Aparecido Godoy