Em São Paulo, o coração da maior metrópole brasileira dá sinais de sobrecarga: entre janeiro e agosto de 2025, os atendimentos por arritmia cardíaca cresceram 14% na rede pública, chegando a quase 50 mil casos — e as mortes súbitas associadas também subiram. O fenômeno não é acidental, mas reflexo de um estilo de vida urbano que combina sedentarismo, estresse crônico e hábitos nocivos com uma população que, ao mesmo tempo, passa a buscar mais diagnósticos. É um momento em que a medicina avança em sua capacidade de ver, enquanto a sociedade ainda hesita em mudar.
São Paulo registra alta de 14% em atendimentos por arritmia cardíaca em 2025
Sedentarismo, estresse e álcool elevam o risco de arritmias
Por que você acha que esse aumento de 14% é significativo? Não poderia ser apenas mais gente procurando o sistema de saúde?
Poderia ser, sim. Mas o diretor do Instituto Dante Pazzanese deixa claro que não é só isso. Ele fala em mudanças reais no estilo de vida — sedentarismo, estresse, álcool. Esses são fatores que realmente aumentam o risco. O diagnóstico melhor explica parte do crescimento, mas não tudo.
E as mortes súbitas? O texto menciona que também cresceram. Isso é o que mais assusta, certo?
Exatamente. Porque morte súbita é o pior cenário. Não há tempo para tratamento, para correção. É por isso que a secretaria insiste tanto em exames preventivos para quem tem histórico familiar. É uma tentativa de pegar o problema antes que ele se torne fatal.
Mas como alguém sabe que tem arritmia se não sente nada? Como faz um exame preventivo se não há sintoma?
Boa pergunta. Provavelmente eletrocardiograma, holter, ecocardiograma — exames que conseguem detectar irregularidades no ritmo cardíaco mesmo quando a pessoa está assintomática. É por isso que ter histórico familiar é tão importante: muda a recomendação de esperar por sintomas para fazer exames rotineiros.
E o sedentarismo, a má alimentação — isso é reversível? Ou uma vez que você desenvolve arritmia, está feito?
Reversível em parte. Mudar hábitos pode reduzir o risco de novas arritmias ou piorar das existentes. Mas se você já tem a condição, ela não desaparece só porque você começou a se exercitar. Por isso a prevenção é tão crítica — é mais fácil não desenvolver do que tentar reverter depois.
The Pulse
- Os atendimentos por arritmia saltaram de 43.706 para 49.745 casos em apenas oito meses, e as mortes súbitas associadas também cresceram em 2025.
- Especialistas alertam que sedentarismo, má alimentação, estresse crônico, tabagismo e álcool estão elevando o risco cardiovascular de forma acelerada na população paulistana.
- Parte do aumento também é explicada por avanços diagnósticos e maior procura pela rede pública — o que significa que casos antes invisíveis agora estão sendo contabilizados.
- Sintomas como tontura, palpitações, desmaios e falta de ar exigem avaliação médica imediata, mas algumas arritmias avançam em silêncio, sem qualquer sinal perceptível.
- Pessoas com histórico familiar de morte súbita ou doenças cardíacas precoces são orientadas a realizar exames preventivos regulares, mesmo sem apresentar sintomas.
Em São Paulo, o coração da maior metrópole brasileira dá sinais de sobrecarga: entre janeiro e agosto de 2025, os atendimentos por arritmia cardíaca cresceram 14% na rede pública, chegando a quase 50 mil casos — e as mortes súbitas associadas também subiram. O fenômeno não é acidental, mas reflexo de um estilo de vida urbano que combina sedentarismo, estresse crônico e hábitos nocivos com uma população que, ao mesmo tempo, passa a buscar mais diagnósticos. É um momento em que a medicina avança em sua capacidade de ver, enquanto a sociedade ainda hesita em mudar.
São Paulo registrou 49.745 atendimentos por arritmia cardíaca entre janeiro e agosto de 2025 — um crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 43.706 casos. As mortes súbitas associadas ao problema também aumentaram, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.
Para Hugo Bellotti, diretor de eletrofisiologia do Instituto Dante Pazzanese, o fenômeno tem duas faces. De um lado, hábitos cada vez mais nocivos — sedentarismo, alimentação inadequada, estresse crônico, tabagismo e consumo excessivo de álcool — elevam o risco de arritmias na população. De outro, avanços diagnósticos e maior acesso à rede pública permitem identificar casos que antes passavam despercebidos.
A secretaria orienta a população a buscar avaliação médica ao apresentar tontura, desmaios, falta de ar, dor no peito ou palpitações. Pessoas com histórico familiar de morte súbita ou doenças cardíacas precoces devem realizar exames preventivos regularmente, mesmo sem sintomas — já que algumas arritmias se desenvolvem em silêncio.
O crescimento de 14% em oito meses sugere que a tendência pode se intensificar nos próximos anos, caso os fatores de risco comportamentais não sejam enfrentados. O cenário reforça que a prevenção depende tanto de políticas públicas quanto das escolhas cotidianas de cada indivíduo.
São Paulo está enfrentando um crescimento preocupante nos casos de arritmia cardíaca. Entre janeiro e agosto de 2025, a rede pública de saúde do estado registrou 49.745 atendimentos relacionados ao problema — um salto de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 43.706 casos. O aumento não é isolado: mortes súbitas associadas a arritmias também subiram ao longo do ano, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde.
Para Hugo Bellotti, diretor de estimulação cardíaca e eletrofisiologia do Instituto Dante Pazzanese em São Paulo, a explicação para esse crescimento não é simples. O especialista aponta que múltiplos fatores estão em jogo simultaneamente. Parte do aumento reflete transformações genuínas nos hábitos de vida da população — sedentarismo, alimentação inadequada, estresse crônico, tabagismo e consumo excessivo de álcool são todos fatores que elevam significativamente o risco de arritmias e outras doenças cardiovasculares. Mas há também outro lado da moeda: os avanços nas técnicas de diagnóstico e uma maior procura pela rede pública de saúde estão permitindo que mais casos sejam identificados e registrados.
A secretaria estadual de Saúde orienta a população a estar atenta a sinais de alerta. Tontura, desmaios, falta de ar, dor no peito, cansaço extremo e palpitações são sintomas que exigem avaliação médica imediata. Mas a recomendação vai além dos sintomas óbvios. Pessoas com histórico familiar de morte súbita ou de doenças cardíacas que surgiram precocemente na família devem ser especialmente vigilantes. Para esses grupos, a orientação é realizar exames preventivos regularmente, mesmo quando não há qualquer sinal de problema — uma abordagem que reconhece que algumas arritmias podem estar presentes sem causar sintomas perceptíveis.
O cenário em São Paulo reflete uma tendência mais ampla nas sociedades urbanas modernas, onde o ritmo acelerado da vida, a redução da atividade física e as pressões constantes criam um ambiente propício para problemas cardiovasculares. O crescimento de 14% em um período de oito meses sugere que a tendência pode se intensificar nos próximos anos, especialmente se os fatores de risco comportamentais não forem adequadamente endereçados. A secretaria de Saúde, ao divulgar esses números e orientações, sinaliza que o problema está no radar das autoridades — mas também deixa claro que a responsabilidade de prevenir essas condições passa também pelas escolhas individuais e pelos hábitos que cada pessoa cultiva no dia a dia.
Notable Quotes
O aumento de casos é multifatorial e reflete tanto mudanças no estilo de vida quanto avanços no diagnóstico e na procura pela rede pública— Hugo Bellotti, diretor de estimulação cardíaca e eletrofisiologia do Instituto Dante Pazzanese