São Paulo elege conservadora antifeminista, Suplicy e deputada trans para Alesp

Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista
Declaração de Eduarda Campopiano, 23 anos, eleita com 1,9 milhão de votos, a maior votação da eleição.
Mark

Como uma candidata tão jovem conseguiu superar todos os outros em votação?

Mimi

Eduarda Campopiano tinha dois ativos muito claros: uma presença digital massiva — mais de dois milhões de seguidores — e o apoio de Lucas Pavanato, que foi o segundo deputado federal mais votado do país. Nas redes, ela se apresentava de forma muito direta sobre suas posições políticas.

Luke

Mas é importante notar que ela não criou essa presença do zero. Pavanato já era uma figura conhecida, e ela se posicionou como sua afilhada política. A votação dela reflete também o voto em quem a apoiava.

Mark

E como fica a esquerda nessa Assembleia?

Mimi

A esquerda tem nomes fortes — Suplicy voltando aos 85 anos, Luiza Erundina finalmente chegando à Assembleia estadual, Sofia Favero como deputada trans. Mas os números mostram uma redução: Suplicy caiu de 807 mil para 654 mil votos em relação a 2022.

Luke

Isso é um dado importante que não podemos ignorar. Não sabemos exatamente por quê — se foi abstenção, voto disperso ou migração real. A fonte não explica a queda.

Mark

Qual é o significado de ter uma deputada trans eleita em terceiro lugar?

Mimi

Sofia Favero chega com 407 mil votos e uma plataforma clara sobre direitos trans, educação pública e proteção de minorias. Ela teve apoio de Erika Hilton, que foi a mulher mais votada para a Câmara. É um sinal de que essas pautas têm representação eleitoral.

Luke

Verdade, mas também é importante contextualizar: ela é a terceira mais votada, não a primeira. E a primeira mais votada se apresenta explicitamente como antifeminista. Essas duas realidades coexistem na mesma eleição.

Mark

E essa Bancada da Bala, como ela fica?

Mimi

Ela cresce. Nove representantes ligados às forças policiais, todos do PP ou PL. É uma consolidação da força conservadora que já existia.

Luke

Mas a fonte não diz se isso é crescimento em relação à legislatura anterior ou se mantém o mesmo número. Sabemos que há nove agora, mas não sabemos se eram oito ou dez antes. É um dado que fica incompleto.

  • Eduarda Campopiano, 23 anos e autodeclarada 'inimiga do feminismo', obteve 1,9 milhão de votos — a maior votação da eleição —, sinalizando o peso crescente das redes sociais e do conservadorismo organizado na política paulista.
  • A Bancada da Bala chega à nova legislatura com ao menos nove representantes ligados às forças policiais, consolidando um bloco conservador que promete pautar segurança pública com voz ainda mais alta.
  • Eduardo Suplicy retorna à Alesp aos 85 anos com 654 mil votos, mas registra queda em relação aos 807 mil de 2022, indicando que mesmo nomes históricos não escapam das oscilações do eleitorado.
  • Sofia Favero, deputada trans com 407 mil votos, e Luiza Erundina, aos 91 anos em seu primeiro mandato estadual, representam a chegada de vozes historicamente marginalizadas ao centro do legislativo paulista.
  • A composição final do plenário revela uma Assembleia fragmentada entre veteranos de oito mandatos, estreantes midiáticos e ativistas identitários — um campo de forças que tornará o debate legislativo imprevisível.

Em São Paulo, a nova Assembleia Legislativa emerge como espelho das tensões que atravessam a política brasileira: de um lado, figuras com décadas de trajetória institucional como Eduardo Suplicy e Luiza Erundina; de outro, jovens como Eduarda Campopiano, que converteram audiências digitais em mandatos com votações históricas. O plenário que se forma não é apenas uma câmara legislativa — é um retrato das forças que disputam o sentido da vida pública em um estado de 46 milhões de habitantes.

A Assembleia Legislativa de São Paulo que se forma após as eleições de outubro de 2026 carrega uma composição que reflete as fraturas do estado: nomes de longa trajetória institucional dividirão o plenário com figuras que ascenderam pelas redes sociais e pelo apoio de políticos de grande visibilidade.

O nome mais votado da eleição é Eduarda Campopiano, 23 anos, nascida em Campinas e afilhada política do deputado federal Lucas Pavanato. Com 1,9 milhão de votos, ela chegou à Assembleia após construir uma presença digital expressiva — mais de 2 milhões de seguidores no Instagram — e se apresentar publicamente como conservadora e antifeminista. Antes da Alesp, foi vereadora em Praia Grande, onde enfatizava eficiência no uso de emendas para a saúde. Sua posição sobre o feminicídio, questionando sua tipificação legal, reforça a identidade política que a projetou nacionalmente.

Eduardo Suplicy, aos 85 anos, chegou em segundo lugar com 654 mil votos. O economista petista retorna à Assembleia com as mesmas bandeiras de décadas: renda básica universal, economia solidária e acesso à cannabis medicinal. A queda em relação aos 807 mil votos de 2022 marca uma mudança no padrão que o elegeu como o mais votado naquele pleito.

Sofia Favero, psicóloga, escritora e ativista trans, ficou em terceiro com 407 mil votos, com apoio explícito da deputada federal Erika Hilton. Sua plataforma articula educação pública, urbanismo e proteção de minorias. Luiza Erundina, aos 91 anos e primeira mulher a governar São Paulo, chega pela primeira vez à Alesp com suas históricas bandeiras de tarifa zero e proteção de vulneráveis.

Entre outros eleitos estão Duda Hidalgo, 27 anos, segunda mais votada do PT com foco nas demandas do interior; Thammy Miranda, homem trans e filho da cantora Gretchen, com 85 mil votos; e Regina Nunes, primeira-dama do prefeito Ricardo Nunes, eleita com pautas ligadas à causa animal. Veteranos como Barros Munhoz, em seu oitavo mandato, e Carlos Giannazi, no sexto, também retornam.

A força mais consolidada da nova legislatura, porém, é a Bancada da Bala: ao menos nove parlamentares ligados às forças policiais, todos filiados ao PP ou PL, que chegam ao plenário reforçando uma continuidade conservadora que marcou a legislatura anterior e agora se aprofunda.

A nova Assembleia Legislativa de São Paulo que toma posse carrega consigo uma composição que reflete as fraturas políticas do estado. Nomes de longa trajetória institucional dividirão o plenário com figuras que ascenderam rapidamente através das redes sociais e do apoio de políticos com grande circulação mediática.

Eduarda Campopiano, com 23 anos, conquistou a maior votação da eleição: 1,9 milhão de votos. Nascida em Campinas, ela chegou à Assembleia como afilhada política de Lucas Pavanato, segundo deputado federal mais votado do país. Campopiano construiu sua presença pública em plataformas digitais — 2,3 milhões de seguidores no Instagram, 223 mil no TikTok — onde se apresenta de forma explícita: "Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista", declarou em um debate transmitido. Antes de chegar ao estado, foi vereadora em Praia Grande, onde se apresentava como a única a direcionar 100% de suas emendas para a saúde municipal. Sua campanha para a Assembleia enfatizou essa mesma narrativa de eficiência orçamentária. Ela também questionou publicamente a tipificação legal do feminicídio, posicionamento que reforça sua identidade política declarada.

Eduardo Suplicy, aos 85 anos, chegou em segundo lugar com 654 mil votos. O economista petista retorna à Assembleia após ocupá-la no fim dos anos 1970 e ter sido reeleito em 2022 como o deputado estadual mais votado daquele pleito, quando recebeu 807 mil votos. Sua plataforma centra-se em propostas de longa data: renda básica universal, economia solidária e expansão do acesso à cannabis medicinal. A redução de votos em relação a 2022 marca uma mudança no padrão de votação que o elegeu.

Sofia Favero, terceira colocada com 407 mil votos, chega à Assembleia como deputada estadual trans. Psicóloga, escritora e ativista pelos direitos da população transexual, sua candidatura recebeu apoio explícito da deputada federal Erika Hilton, mulher mais votada para a Câmara dos Deputados. Favero articula sua plataforma em torno de educação pública, urbanismo e proteção de minorias.

A composição da nova legislatura inclui ainda Luiza Erundina, aos 91 anos, primeira mulher a governar São Paulo, que chega à Assembleia Legislativa estadual pela primeira vez em sua carreira. Suas bandeiras históricas — tarifa zero, melhoria do transporte público e proteção de mulheres, crianças e adolescentes — continuam estruturando sua atuação. Duda Hidalgo, segunda mais votada do PT com mais de 154 mil votos, é uma deputada de 27 anos formada em Direito que começou como vereadora em Ribeirão Preto; sua segunda tentativa pela Assembleia enfatiza permanência estudantil, combate ao racismo e inclusão das demandas do interior. Thammy Miranda, homem trans, vereador em São Paulo e filho da cantora Gretchen, também se elegeu com 85 mil votos.

Entre os reeleitos estão veteranos como Barros Munhoz, que chega ao oitavo mandato, e Carlos Giannazi, ao sexto. Regina Nunes, primeira-dama do prefeito Ricardo Nunes, foi eleita com propostas centradas na causa animal. Rafa Minato, único eleito pelo Missão, é ex-chefe de gabinete do deputado federal Kim Kataguiri.

A força mais consolidada na nova legislatura é a chamada Bancada da Bala, que reunirá ao menos nove representantes ligados às forças policiais: Capitão Telhada, Delegado Mesquita, Delegado Olim, Sargento Castro, Delegada Graciela, Capitão Mosart, Tenente Coimbra, Danilo Balas e Coronel Paganotto. Todos filiados ao PP ou PL, esses parlamentares representam uma continuidade da força conservadora que marcou a legislatura anterior e que agora se consolida ainda mais na composição do plenário.

Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista
— Eduarda Campopiano, em debate do RedCast
A única vereadora a enviar 100% das emendas para a saúde do município no litoral paulista
— Campopiano, sobre sua atuação em Praia Grande
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