Rodri conquistou o prêmio de melhor jogador do mundo pela revista France Football, surpreendendo analistas que apontavam Vinicius Junior como favorito. O Real Madrid cancelou sua delegação de 50 pessoas após saber do resultado seis horas antes da cerimônia, gerando momentos constrangedores no evento.
Rodri vence Bola de Ouro e frustra Vinicius Junior em noite de tensão em Paris
Futebolistas não estão acostumados a sair de mãos vazias
Por que o Real Madrid reagiu tão dramaticamente ao descobrir que Rodri havia vencido?
Porque esperavam uma coisa completamente diferente. Cinquenta pessoas já estavam prontas para viajar. O clube havia apostado tudo em Vinicius. Quando souberam a verdade seis horas antes, viram como uma afronta.
Mas Rodri conquistou a Eurocopa, o Campeonato Inglês, o Mundial de Clubes. Vinicius conquistou a Champions e a liga espanhola. Por que isso não foi suficiente?
Porque Vinicius também lutou contra o racismo nos estádios. Ele virou símbolo de algo maior. Para muitos, isso deveria ter pesado mais na votação. Mas os critérios são subjetivos.
Um volante defensivo ganhando a Bola de Ouro é realmente tão raro?
Muito raro. O último foi em 1996. Rodri é excepcional, mas a posição dele não costuma ganhar esses prêmios. Atacantes e meias ofensivos dominam historicamente.
E os brasileiros? Kaká foi o último em 2007?
Exato. Dezessete anos sem um brasileiro vencer. Gabi Portilho fez coisas incríveis—Libertadores, Campeonato Brasileiro, prata nas Olimpíadas—mas ficou em 18º lugar.
O que o cancelamento da delegação do Real Madrid diz sobre o futebol moderno?
Que o ego institucional ainda é muito grande. Que perder é insuportável, mesmo quando o vencedor é legítimo. E que a surpresa, quando tentam criar, gera ressentimento em vez de drama positivo.
O Pulso
- Rodri, volante do Manchester City, venceu a Bola de Ouro 2024
- Real Madrid cancelou delegação de 50 pessoas seis horas antes da cerimônia
- Último brasileiro a vencer foi Kaká em 2007
- Rodri conquistou Campeonato Inglês, Mundial de Clubes e Eurocopa na temporada
Rodri conquistou o prêmio de melhor jogador do mundo pela revista France Football, surpreendendo analistas que apontavam Vinicius Junior como favorito. O Real Madrid cancelou sua delegação de 50 pessoas após saber do resultado seis horas antes da cerimônia, gerando momentos constrangedores no evento.
Rodri, do Manchester City, venceu a Bola de Ouro 2024, frustrando expectativas sobre Vinicius Junior. O Real Madrid boicotou a cerimônia após descobrir o resultado antecipadamente.
A noite de segunda-feira em Paris deveria ter sido de celebração para Vinicius Junior. O atacante brasileiro havia conquistado a Champions League com o Real Madrid, marcou na final, e praticamente todos os grandes veículos europeus já o apontavam como vencedor da Bola de Ouro, o prêmio anual da revista France Football para o melhor jogador do mundo. O clube madrileno estava tão seguro que fretou um avião para transportar cinquenta pessoas até o Châtelet, um teatro histórico do século 19 à beira do rio Sena, onde seria feita a entrega do troféu.
Mas seis horas antes da cerimônia começar, a notícia vazou: o vencedor seria Rodrigo Hernández, o volante do Manchester City. A rádio francesa RMC, o jornal espanhol Marca e o jornalista italiano Fabrizio Romano divulgaram a informação quase simultaneamente. Minutos depois, o estafe de Vinicius confirmou o que já se sabia. O Real Madrid, ao receber a notícia, tomou uma decisão drástica: cancelou a delegação. Ninguém iria a Paris.
Os organizadores da premiação haviam tentado algo diferente neste ano: manter o sigilo até o último momento, como fazem no Oscar. Historicamente, a Bola de Ouro sempre avisava o vencedor com antecedência para garantir sua presença no evento. Isso sempre resultava em vazamentos inevitáveis. Mas futebolistas não são atores de cinema. Eles não estão acostumados a comparecer a premiações e sair de mãos vazias. O Real Madrid interpretou a vitória de Rodri como um desaforo da Uefa, a confederação europeia que é copatrocinadora do troféu.
Os números explicam parte da tensão. O período oficial considerado pela votação vai de 1º de agosto a 31 de julho. Nesse intervalo, Rodri conquistou o Campeonato Inglês e o Mundial de Clubes, além da Eurocopa com a Espanha. Vinicius venceu a liga espanhola e a Champions League. Rodri chegou ao teatro usando muletas—havia operado o ligamento cruzado anterior do joelho direito um mês antes, lesionado em um jogo contra o Arsenal, e só retornaria aos campos em meados de 2025. Mesmo assim, subiu ao palco para receber o prêmio.
A cerimônia foi marcada por constrangimentos. Quando Rodri chegou ao tapete vermelho, parte dos curiosos aglomerados na praça o vaiou. Dentro do teatro, foi aplaudido. O colégio eleitoral que votou é formado por cem jornalistas de cem países diferentes—os cem primeiros do ranking de seleções da Fifa. Cada um indicou dez jogadores em ordem de preferência, com pontuações que iam de quinze pontos para o primeiro até um ponto para o décimo. Os critérios levam em conta contribuições individuais e coletivas, além de "classe e fair-play", categorias reconhecidamente subjetivas.
Vinicius havia se destacado em campo pelos dribles, passes e gols, mas também pela luta contra o racismo nos estádios espanhóis. Sua campanha rendeu frutos, mas também inimigos dentro do ambiente conservador do futebol. Com a vitória de Rodri, os jogadores brasileiros continuam sem o prêmio máximo desde 2007, quando Kaká, então no Milan, foi eleito o melhor do ano. A vitória de um volante defensivo é rara—o último ganhador que poderia ser classificado assim foi o alemão Matthias Sammer, em 1996. A fúria de torcedores brasileiros foi imediata nas redes sociais.
O boicote madrileno criou outros momentos constrangedores. Não havia ninguém do Real Madrid para receber o prêmio de melhor equipe masculina do ano. A apresentadora Sandy Heribert limitou-se a dizer, friamente: "Parabéns para eles". Algo semelhante aconteceu quando Carlo Ancelotti, técnico do Real Madrid, foi anunciado como melhor treinador. O prêmio feminino ficou com a espanhola Aitana Bonmatí, do Barcelona. A brasileira Gabi Portilho, atacante do Corinthians, conquistou o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores, além da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris, mas ficou em 18º lugar na votação.
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