A cada edição, o Rock in Rio não apenas cresce em tamanho, mas redefine o que significa reunir multidões em torno da música. Em 2026, o palco Mundo ultrapassará as dimensões do gramado do Maracanã, e um novo setor exclusivo introduz uma camada de estratificação social que reflete tensões mais amplas sobre acesso e pertencimento nos grandes festivais contemporâneos. O evento, que abre em setembro na Cidade do Rock, continua sendo um espelho da cultura brasileira — grandioso, contraditório e irresistível.
Rock in Rio amplia palco Mundo e lança setor VIP exclusivo a R$ 1.950
O palco que se reinventa a cada show
Por que ampliar o palco em apenas três metros de largura faz tanta diferença?
Porque muda a relação entre o artista e a multidão. Um palco maior permite que o público veja melhor de longe, mas também dá ao artista mais espaço para criar cenografia própria. Cada show fica único.
E o setor comfort a R$ 1.950 — isso não cria uma divisão estranha no festival?
Cria, sim. Mas a organização diz que não vai prejudicar quem fica na frente, junto à grade. É uma escolha: você paga mais por banheiro e bar exclusivos, ou fica no gramado com 870 reais.
Como é possível que três datas já estejam esgotadas se o festival começa em setembro?
Porque alguns artistas têm público garantido. Calvin Harris, Stray Kids e Maroon 5 vendem rápido. Foo Fighters, Avenged Sevenfold e Elton John ainda têm ingressos, mas não sabemos por quanto tempo.
A Cidade do Rock é gigantesca. Como as pessoas se movem por lá?
Os funcionários usam bicicletas elétricas e carrinhos de golfe. Para o público, provavelmente será a pé, mas é um espaço tão grande quanto 54 campos de futebol. Você vai caminhar bastante.
O que muda para o artista quando o palco é maior?
Tudo. Ele pode trazer sua própria visão cenográfica, alterar a estrutura conforme quiser. Não é um palco fixo; é um palco que se adapta a cada apresentação.
The Pulse
- O palco Mundo cresce além do Maracanã, e a corrida por ingressos já eliminou três datas do mercado antes mesmo do festival começar.
- A introdução do setor 'comfort' a R$ 1.950 — mais que o dobro do ingresso comum — acende o debate sobre elitização em um festival que nasceu como símbolo de democratização cultural.
- A organização tenta equilibrar a experiência: garante que a área VIP fechada não vai roubar o espaço dos fãs que se aglomeram na grade, mas a promessa ainda precisa ser comprovada.
- Com 385 mil metros quadrados em construção e 50 dias para a abertura, a Cidade do Rock fervilha de andaimes, bicicletas elétricas e trabalhadores moldando um universo temporário de escala monumental.
A cada edição, o Rock in Rio não apenas cresce em tamanho, mas redefine o que significa reunir multidões em torno da música. Em 2026, o palco Mundo ultrapassará as dimensões do gramado do Maracanã, e um novo setor exclusivo introduz uma camada de estratificação social que reflete tensões mais amplas sobre acesso e pertencimento nos grandes festivais contemporâneos. O evento, que abre em setembro na Cidade do Rock, continua sendo um espelho da cultura brasileira — grandioso, contraditório e irresistível.
Quando o Rock in Rio abrir as portas em 4 de setembro, o palco Mundo terá 107 metros de largura e 31,5 metros de altura — três metros mais largo e um metro mais alto do que em 2024, superando o gramado do Maracanã. Para a diretora de criação Ana Biavaschi, o ganho não é apenas dimensional: com mais espaço, cada artista pode reinventar completamente a cenografia, tornando cada show uma experiência singular.
A Cidade do Rock, espalhada por 385 mil metros quadrados, ainda estava em plena construção quando jornalistas e influenciadores visitaram o local na semana passada. Trabalhadores circulavam de bicicleta elétrica entre andaimes, montavam o Global Village e davam forma ao espaço VIP. O palco Sunset, o segundo maior, terá 93 metros de largura e 24 metros de profundidade de cena.
A grande novidade desta edição é o setor 'comfort': um espaço fechado no canto esquerdo do palco, com capacidade para 2 mil pessoas por dia, banheiros e bares privativos, e ingresso a R$ 1.950 — mais que o dobro do valor do gramado comum, fixado em R$ 870. A organização assegura que a área não prejudicará os fãs tradicionais da grade.
Na programação, Foo Fighters abrem o festival em 4 de setembro, seguidos por Avenged Sevenfold, Elton John e Twenty One Pilots, com ingressos ainda disponíveis. Já Calvin Harris, Stray Kids e Maroon 5 esgotaram suas datas — sinal de que o festival, nascido no rock, há muito transcendeu qualquer fronteira de gênero.
O palco Mundo do Rock in Rio cresceu. Quando o festival abrir as portas em 4 de setembro, o principal espaço de apresentações terá 107 metros de largura e 31,5 metros de altura — três metros mais largo e um metro mais alto do que estava em 2024. A estrutura, agora, é maior que o gramado do Maracanã, que mede 105 metros. É como colocar um prédio de dez andares em pé no meio da Cidade do Rock.
A mudança pode parecer discreta, mas a organização do evento vê nela uma transformação real. Com mais espaço, o público consegue enxergar melhor o palco de longe. E, mais importante, cada artista ganha liberdade para redesenhar a cenografia conforme sua visão. Ana Biavaschi, diretora de criação e cenografia da Rock World, explica o raciocínio: quando o palco muda de show para show, cada apresentação fica completamente diferente da anterior. Não é apenas um palco maior; é um palco que se reinventa.
O palco Sunset, o segundo maior do festival, terá a mesma profundidade de cena — 24 metros — mas será um pouco menor em extensão, com 93 metros de largura. Enquanto isso, a Cidade do Rock inteira, espalhada por 385 mil metros quadrados (o equivalente a 54 campos de futebol), continua em construção. Na quinta-feira passada, 50 dias antes da abertura, jornalistas e influenciadores foram convidados a visitar o local. Funcionários se movimentavam entre andaimes que sustentam os dois telões do palco Mundo, montavam as casas do Global Village — um espaço com lojas que imitam ícones arquitetônicos de outros países — e começavam a dar forma ao espaço VIP. Para se locomover em um terreno tão vasto, os trabalhadores usam bicicletas elétricas, motos e carrinhos de golfe.
A novidade mais visível desta edição é o setor "comfort", um espaço fechado e exclusivo localizado no canto esquerdo do palco. Ele comportará 2 mil pessoas por dia e oferecerá banheiros e bares privativos. O ingresso custa R$ 1.950 — mais que o dobro do valor do ingresso de gramado, que sai por R$ 870. A organização garante que a área cercada não prejudicará os fãs que tradicionalmente se aglomeram junto à grade para ver as apresentações de perto.
Os ingressos para alguns dias já estão à venda. O festival abre com o Foo Fighters em 4 de setembro. Avenged Sevenfold toca em 5 de setembro, e Elton John encerra a noite de 7 de setembro. Twenty One Pilots fecha o evento em 13 de setembro, e ainda há entradas disponíveis para esse dia. Mas três datas já desapareceram do mercado: Calvin Harris (6 de setembro), Stray Kids (11 de setembro) e Maroon 5 (12 de setembro) estão com ingressos esgotados. O festival, que começou como um evento de rock, agora abrange gêneros que vão muito além.
Notable Quotes
Isso vai fazer com que cada artista possa trazer o seu show. O palco vai mudando e, assim, os shows serão completamente diferentes uns dos outros.— Ana Biavaschi, diretora de criação e cenografia da Rock World