Martínez acusado de temer tirar Ronaldo de campo após empate com RD Congo

Ele tem medo de tirá-lo de campo. Ele não é o treinador.
Chris Sutton criticava a incapacidade de Martínez em fazer substituições difíceis, sugerindo que Ronaldo controlava as decisões.

Na estreia de Portugal no Mundial 2026, um empate com a República Democrática do Congo abriu uma ferida mais profunda do que o simples resultado sugere: a questão de quem, verdadeiramente, comanda uma equipa quando o peso de uma lenda pode paralisar a mão do treinador. Roberto Martínez viu as suas decisões — e as suas omissões — transformarem-se em matéria de debate público, lembrando-nos que a autoridade técnica é sempre negociada entre o que se sabe e o que se ousa fazer.

  • Portugal não perdeu apenas dois pontos — saiu do campo com a sua liderança tática publicamente questionada após um empate que a equipa parecia capaz de evitar.
  • Chris Sutton, comentador da BBC Sport, classificou a substituição de Vitinha por Gonçalo Ramos aos 83 minutos como «embaraçosa», expressando incredulidade perante as opções de Martínez.
  • A crítica mais cortante não foi sobre quem entrou, mas sobre quem ficou: Ronaldo jogou os noventa minutos inteiros, e Sutton acusou o selecionador de ter medo de o retirar.
  • O avançante português, apesar do seu estatuto, foi descrito como alguém que «passou ao lado do jogo», tornando a sua permanência em campo uma escolha difícil de justificar pelo desempenho.
  • O empate lança uma sombra sobre o resto da campanha portuguesa: se Martínez não consegue tomar decisões impopulares agora, como o fará quando a pressão for ainda maior?

Portugal estreou-se no Mundial 2026 com um empate a um golo frente à República Democrática do Congo — resultado que, por si só, já seria motivo de preocupação, mas que rapidamente cedeu lugar a um debate mais incómodo sobre as escolhas de Roberto Martínez no banco.

Cristiano Ronaldo esteve em campo do primeiro ao último minuto. Aos 83', com o marcador ainda empatado, Martínez optou por substituir Vitinha e lançar Gonçalo Ramos. A decisão não passou despercebida a Chris Sutton, antigo internacional inglês e comentador da BBC Sport, que a classificou de «embaraçosa» e questionou abertamente se estaria a ver o mesmo jogo que o selecionador.

Mas foi a ausência de uma substituição — a de Ronaldo — que concentrou as críticas mais duras. Para Sutton, a permanência do capitão português em campo durante todo o jogo revelava uma incapacidade de Martínez para tomar decisões difíceis. «Ele tem medo de tirá-lo de campo», afirmou o comentador, sugerindo que o selecionador estaria refém do peso simbólico do jogador.

Sutton reconheceu o potencial de Ronaldo para decidir qualquer jogo, mas sublinhou que naquele encontro específico o avançante simplesmente «passou ao lado». A questão que fica no ar é mais ampla: se um treinador não consegue exercer a sua autoridade quando ela é mais necessária, o que significa verdadeiramente estar no comando de uma seleção num Mundial?

Portugal saiu do campo com um empate contra a República Democrática do Congo na estreia do Mundial 2026, um resultado que rapidamente se transformou em alvo de críticas severas do outro lado do Canal da Mancha. Não foi apenas o resultado que desagradou aos observadores ingleses — foi a forma como Roberto Martínez conduziu a partida, e em particular, as decisões que tomou ou deixou de tomar nos minutos finais.

Cristiano Ronaldo jogou do início ao fim. Aos 83 minutos, quando a partida ainda estava em aberto e Portugal procurava encontrar um caminho para a vitória, Martínez fez uma substituição que chamou a atenção: tirou Vitinha do campo e colocou Gonçalo Ramos em seu lugar. Chris Sutton, antigo internacional inglês que agora comenta para a BBC Sport, não poupou palavras. Chamou a troca de «embaraçosa». Questionou-se em voz alta: será que estávamos todos a ver o mesmo jogo?

Mas a crítica mais contundente de Sutton dirigiu-se não à substituição em si, mas àquela que não aconteceu. Ronaldo permaneceu em campo durante toda a partida, e isso, na visão do comentador, revelava algo sobre o próprio Martínez. «Ele tem medo de tirá-lo de campo», disse Sutton. A frase carregava uma acusação implícita: o selecionador não era verdadeiramente o selecionador. Estava refém de uma decisão que não conseguia tomar.

Sutton reconheceu que Ronaldo poderia ainda marcar o golo da vitória — a possibilidade estava ali, sempre está com um jogador do seu calibre. Mas naquele dia, naquele jogo, o avançante português «passou ao lado do jogo», nas palavras do crítico. Não foi uma questão de capacidade ou de potencial. Foi uma questão de impacto real naquele noventa minutos específico.

O empate deixou Portugal com questões por responder. Não apenas sobre o desempenho tático ou a qualidade do futebol apresentado, mas sobre a própria liderança do banco. Se um selecionador não consegue fazer as substituições que acredita serem necessárias — se o peso de um nome, de um legado, de uma figura é suficiente para paralisar a sua capacidade de decisão — então o que significa estar no comando? As críticas inglesas tocavam num ponto sensível: a gestão de recursos humanos, a coragem de fazer escolhas impopulares, a autoridade de um treinador sobre o seu próprio jogo.

Ele tem medo de tirá-lo de campo. Ele não é o treinador.
— Chris Sutton, comentador da BBC Sport
Talvez funcione, mas estamos a ver o mesmo jogo?
— Chris Sutton, sobre a substituição de Vitinha
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

O que é que realmente incomodou Chris Sutton naquele empate?

Model

Não era apenas o resultado. Era a sensação de que as decisões táticas estavam a ser tomadas com medo, não com convicção. Sutton via um selecionador que não conseguia fazer o que acreditava ser certo.

Inventor

Mas Ronaldo é Ronaldo. Compreende-se a hesitação, não compreende?

Model

Compreende-se, talvez. Mas é exatamente isso que Sutton questionava — se a presença de um nome impede o treinador de treinar, então quem é que está verdadeiramente no comando?

Inventor

A substituição de Vitinha por Gonçalo Ramos foi tão má assim?

Model

Sutton chamou-lhe «embaraçosa». Não era tanto sobre Ramos ou Vitinha. Era sobre o padrão — as escolhas que se fazem e as que se evitam.

Inventor

Ronaldo poderia ter marcado, certo?

Model

Sim. Sutton admitiu isso. Mas naquele jogo, naquele dia, não marcou. E a questão era: porque é que o selecionador não conseguiu fazer a mudança que talvez fosse necessária?

Inventor

Isto é apenas crítica inglesa, ou há algo mais profundo aqui?

Model

Há algo mais profundo. É sobre autoridade. É sobre se um treinador consegue ser verdadeiramente um treinador quando há figuras que parecem estar acima das suas decisões.

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