Republicanos de Pernambuco apoiam Lula enquanto nacional negocia aliança com Flávio

Independente da posição nacional, Pernambuco votará em Lula
Silvio Costa Filho anuncia que o diretório estadual do Republicanos apoiará a reeleição do presidente, contrariando negociações nacionais.
Mark

Por que Pernambuco se move contra a cúpula do partido? Isso é rebeldia ou estratégia?

Mimi

É os dois. Costa Filho foi preterido na chapa estadual, então há ressentimento pessoal. Mas também reflete uma verdade: o Republicanos não é monolítico. Diferentes estados têm diferentes interesses.

Luke

Mas precisamos ser claros: a nota diz que o diretório estadual apoia Lula. Isso é uma decisão formal do partido em Pernambuco, ou é Costa Filho falando em nome de um grupo?

Mimi

A nota foi publicada nas redes sociais do partido e assinada por Costa Filho como presidente estadual. Então formalmente é o diretório.

Mark

E a negociação nacional com Flávio? Isso continua?

Mimi

Continua, mas agora condicionada. O Republicanos quer resolver impasses em estados como Mato Grosso antes de confirmar apoio formal a Flávio.

Luke

Qual é o tamanho dessa divergência? Quantos estados estão com Lula, quantos com Flávio, quantos querem independência?

Mimi

A fonte não especifica números. Sabemos que Pernambuco está com Lula, que Mato Grosso é ponto de tensão, que Minas Gerais está mais avançada na negociação com o PL. Mas não temos um mapa completo.

Mark

Então isso pode desabar antes das convenções?

Mimi

É possível. Tudo depende de como essas negociações estaduais se resolvem nos próximos meses.

Luke

E se não se resolverem?

Mimi

Então o Republicanos pode entrar em convenção dividido, ou a cúpula pode impor uma decisão que deixa alguns estados insatisfeitos.

  • A cúpula nacional do Republicanos negocia uma aliança com Flávio Bolsonaro — incluindo a indicação de um vice na chapa presidencial —, mas os estados resistem em ritmos e direções distintas.
  • Silvio Costa Filho, preterido por João Campos na composição da chapa majoritária estadual, responde declarando apoio a Lula e a Campos e anunciando sua própria candidatura à reeleição na Câmara.
  • Mato Grosso concentra o maior impasse: o Republicanos exige que o PL abandone Wellington Fagundes e apoie o governador Otaviano Pivetta, condição para qualquer avanço no acordo nacional.
  • Minas Gerais e Espírito Santo também acumulam tensões semelhantes, embora o cenário mineiro seja considerado o mais próximo de uma solução após reunião entre Marcos Pereira e Valdemar Costa Neto.
  • Com as convenções partidárias se aproximando, o Republicanos enfrenta uma equação sem solução uniforme: o que resolve Brasília não resolve Recife, e o que funciona em Minas não funciona no Mato Grosso.

Em política, a lealdade raramente é vertical: ela se dobra às geometrias do poder local antes de obedecer às diretrizes nacionais. O diretório do Republicanos em Pernambuco, liderado por Silvio Costa Filho, declarou apoio à reeleição de Lula e a João Campos, contrariando abertamente as negociações da cúpula nacional com Flávio Bolsonaro. O gesto revela que, por trás de qualquer aliança partidária, existem ambições, ressentimentos e territórios que nenhuma executiva nacional consegue domesticar por decreto.

Silvio Costa Filho, ex-ministro dos Portos e Aeroportos e presidente estadual do Republicanos em Pernambuco, publicou uma nota que colocou seu diretório em rota de colisão com a executiva nacional do partido. Enquanto a cúpula negociava uma possível aliança com o senador Flávio Bolsonaro — com promessa de indicação de vice na chapa presidencial —, Pernambuco declarava apoio explícito à reeleição de Lula e ao pré-candidato ao governo estadual João Campos.

O comunicado reconhecia o debate interno: havia estados favoráveis ao PT, grupos que preferiam independência e outros pressionando por uma aliança com o PL. Mas a posição pernambucana era inequívoca — independentemente da decisão nacional, o estado votaria em Lula e em Campos. Por trás da divergência estratégica havia também um ressentimento pessoal: Costa Filho havia sinalizado interesse em integrar a chapa majoritária estadual, mas foi preterido por Campos em favor de Humberto Costa e Marília Arraes. A resposta foi anunciar sua própria candidatura à reeleição na Câmara.

O movimento expunha fraturas mais profundas. A negociação nacional com Flávio Bolsonaro estava condicionada à resolução de impasses estaduais e a compromissos de participação em um eventual governo. O principal ponto de tensão era Mato Grosso, onde o Republicanos exigia que o PL retirasse o apoio a Wellington Fagundes e passasse a apoiar o governador Otaviano Pivetta. Minas Gerais e Espírito Santo também acumulavam disputas semelhantes, embora o cenário mineiro fosse considerado mais avançado após uma reunião entre Marcos Pereira e Valdemar Costa Neto.

Com as convenções se aproximando, a declaração de Pernambuco deixava claro que o acordo nacional estava longe do consenso. Cada estado carregava seus próprios interesses, suas próprias lideranças e suas próprias ambições — e nenhuma geometria traçada em Brasília conseguia acomodar todas elas ao mesmo tempo.

Silvio Costa Filho, ex-ministro dos Portos e Aeroportos e presidente estadual do Republicanos em Pernambuco, assinou uma nota que colocou seu diretório em rota de colisão com a cúpula nacional do partido. Enquanto a executiva nacional negocia uma possível aliança com o senador Flávio Bolsonaro — incluindo a indicação de um vice para sua chapa presidencial — o diretório pernambucano declarou apoio explícito à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e ao pré-candidato ao governo estadual João Campos.

O comunicado publicado nas redes sociais reconhecia a existência de um debate interno sobre os rumos do partido. Havia, segundo o texto, estados defendendo uma coligação com o PT, grupos buscando independência, e outros pressionando por uma aliança com o PL. Mas em Pernambuco, a posição era clara: independentemente do que a executiva nacional decidisse, o estado votaria em Lula e em Campos. A decisão refletia não apenas uma divergência estratégica, mas também ressentimentos pessoais. Costa Filho havia sinalizado interesse em integrar a chapa majoritária estadual, mas foi preterido por Campos em favor de uma composição que incluía o senador Humberto Costa, do PT, e a ex-deputada Marília Arraes, recém-filiada ao PDT. Em resposta, Costa Filho anunciou que buscaria sua própria reeleição na Câmara dos Deputados.

O movimento de Pernambuco expunha fraturas mais profundas dentro do Republicanos. A negociação nacional com Flávio Bolsonaro não era simples nem linear. A direção do partido havia começado a condicionar o apoio formal à pré-candidatura do senador à resolução de uma série de impasses em disputas estaduais e a compromissos sobre participação em um eventual governo. Não era apenas uma questão de alinhamento ideológico ou eleitoral; era também uma questão de poder, de quem ganharia o quê em cada estado.

Mato Grosso era o principal ponto de tensão. O Republicanos queria que o PL retirasse o apoio já anunciado ao senador Wellington Fagundes, também do PL, e passasse a apoiar o governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, que disputaria a reeleição. As mesmas negociações se desenrolavam em Minas Gerais e Espírito Santo, embora o cenário mineiro fosse considerado mais avançado. Em uma reunião realizada no fim de maio, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, junto com dirigentes das duas legendas em Minas, haviam explorado diferentes alternativas para manter a aliança.

O que tornava a situação particularmente delicada era o calendário. As convenções partidárias se aproximavam, e o Republicanos precisava tomar decisões sobre suas candidaturas e alianças. A declaração de Pernambuco não era um ato isolado de rebeldia; era um sinal de que a negociação nacional estava longe de ser consensual. Alguns estados queriam o PT, outros queriam independência, e ainda outros queriam o PL. A cúpula nacional tentava costurar um acordo que satisfizesse a maioria, mas cada estado tinha seus próprios interesses, suas próprias disputas locais, seus próprios líderes com ambições próprias. O que funcionava em Minas Gerais não funcionava em Mato Grosso. E o que funcionava em Brasília não funcionava em Recife.

Neste momento existe um debate sobre os rumos que o partido vai tomar no processo eleitoral
— Comunicado do diretório do Republicanos em Pernambuco
Independente da posição que a Executiva Nacional venha tomar, em Pernambuco estaremos votando no presidente Lula e no pré-candidato ao governo João Campos
— Silvio Costa Filho
Quer a matéria completa? Leia o original em O GLOBO ↗
Fale Conosco FAQ