No limiar de uma nova legislatura, o apoio do Republicanos a Rodrigo Pacheco para a presidência do Senado revela menos uma aritmética de votos do que uma geometria de intenções: o Palácio do Planalto se aproxima discretamente do candidato de Alcolumbre, enquanto a oposição pondera alianças para evitar que o poder legislativo se concentre nas mãos de uma única sigla. É o eterno jogo de equilíbrio entre forças que, mesmo adversárias, reconhecem os perigos da hegemonia.
Republicanos de Flávio Bolsonaro declara apoio a Pacheco na presidência do Senado
O gesto sinaliza que o Palácio do Planalto está se aproximando do candidato
Por que o apoio de um partido com apenas dois votos importa tanto nessa disputa?
Porque não se trata apenas de votos — é sobre sinalização. Quando Flávio Bolsonaro e seu partido apoiam Pacheco, estão dizendo publicamente que o Palácio do Planalto está com ele. Isso muda o jogo político.
Mas precisamos ser claros: dois votos é realmente pouco. O que importa mesmo é se PT, PDT e MDB se alinham. O Republicanos é mais um símbolo de que o governo está nessa.
E por que o PT estaria interessado em apoiar Pacheco, se ele é candidato de Alcolumbre, que é do DEM?
Porque o PT tem medo de que o MDB controle as duas Casas do Congresso. Apoiar Pacheco no Senado enquanto apoia Baleia Rossi na Câmara divide o poder. É uma estratégia defensiva.
Embora seja importante notar que o PT ainda não confirmou nada. A matéria diz que a decisão viria "na semana que vem". Estamos falando de negociações em andamento, não de alianças fechadas.
O MDB não tem um candidato próprio ainda?
Não. E é por isso que Eduardo Braga, o líder do MDB no Senado, estava reunindo-se com petistas — tentando impedir que eles se aliem com Pacheco antes que o MDB defina sua própria estratégia.
Exatamente. O MDB é a maior bancada, então sua decisão pode ser determinante. Mas no momento da matéria, eles ainda estavam em movimento.
Então o Republicanos está apostando em quem?
Em Pacheco, que tem o apoio de Alcolumbre e agora também sinaliza ter o apoio do governo Bolsonaro. É uma aposta em quem parece estar ganhando.
Embora "parece estar ganhando" seja o ponto-chave. Fevereiro ainda estava longe. Muita coisa poderia mudar.
Le Pouls
- O anúncio do Republicanos é modesto em votos — apenas dois senadores —, mas carrega o peso simbólico de uma aproximação entre o governo Bolsonaro e o candidato apoiado por Alcolumbre.
- PT e PDT hesitam em declarar apoio a Pacheco, temendo repetir o cenário do fim do governo Dilma, quando o MDB controlou simultaneamente a Câmara e o Senado.
- O MDB, maior bancada do Senado, ainda não escolheu seu próprio candidato, e seu líder Eduardo Braga corre para impedir uma aliança entre o DEM e a oposição.
- A disputa pela presidência do Senado se entrelaça com a da Câmara: o apoio petista a Baleia Rossi pressiona o partido a fechar com Pacheco para dividir o poder legislativo entre diferentes legendas.
No limiar de uma nova legislatura, o apoio do Republicanos a Rodrigo Pacheco para a presidência do Senado revela menos uma aritmética de votos do que uma geometria de intenções: o Palácio do Planalto se aproxima discretamente do candidato de Alcolumbre, enquanto a oposição pondera alianças para evitar que o poder legislativo se concentre nas mãos de uma única sigla. É o eterno jogo de equilíbrio entre forças que, mesmo adversárias, reconhecem os perigos da hegemonia.
O Republicanos, partido ao qual Flávio Bolsonaro é filiado, anunciou apoio a Rodrigo Pacheco na corrida pela presidência do Senado. Apesar de contar com apenas dois votos na eleição marcada para fevereiro — os de Flávio Bolsonaro e Mecias de Jesus —, o gesto tem peso político considerável: indica que o Palácio do Planalto está se alinhando ao candidato escolhido por Davi Alcolumbre, atual presidente da Casa. O líder do partido no Senado, Mecias de Jesus, elogiou Pacheco como alguém com preparo, coerência e espírito conciliador.
Essa aproximação tem raízes em dezembro, quando Alcolumbre levou Pacheco para um almoço com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada — um gesto que sinalizou publicamente a boa relação entre o candidato e o governo. O apoio formal do Republicanos veio consolidar essa mensagem.
O cenário mais amplo é de negociações intrincadas. PT e PDT avaliam apoiar Pacheco motivados por um cálculo estratégico: evitar que o MDB, a maior bancada do Senado, volte a controlar as duas Casas do Legislativo simultaneamente, como ocorreu durante o impeachment de Dilma Rousseff. O apoio petista a Baleia Rossi na Câmara reforça a lógica de dividir o poder entre diferentes siglas. Enquanto isso, o MDB ainda não definiu seu candidato ao Senado, e seu líder Eduardo Braga articulava, na sexta-feira 8 de janeiro, uma ofensiva para impedir uma aliança entre o DEM e a oposição. A eleição de fevereiro se desenha como um delicado exercício de equilíbrio entre blocos que buscam poder sem permitir que nenhum o concentre demais.
O Republicanos, partido que tem Flávio Bolsonaro entre seus filiados, anunciou seu apoio a Rodrigo Pacheco na disputa pela presidência do Senado. O gesto, embora modesto em termos numéricos — a legenda possui apenas dois senadores que votarão em fevereiro — carrega peso político significativo: sinaliza que o Palácio do Planalto está se aproximando do candidato apoiado por Davi Alcolumbre, o atual presidente da Casa.
A trajetória que levou a esse anúncio começou em dezembro, quando Alcolumbre levou Pacheco para um almoço com o presidente Jair Bolsonaro na Alvorada. Aquele encontro funcionou como demonstração pública de que o candidato teria uma ponte amigável com o governo — e agora o apoio formal do Republicanos reforça essa mensagem. Mecias de Jesus, líder da legenda no Senado, declarou que o partido acredita que Pacheco possui "o preparo necessário para conduzir os trabalhos da Casa, com coerência e determinação" e que saberá "de forma conciliadora" lidar com as demais instituições.
O tamanho da bancada do Republicanos no próximo Legislativo, porém, é menor do que parece à primeira vista. Embora o partido tenha três senadores atualmente, apenas dois deles — Flávio Bolsonaro e Mecias de Jesus — permanecerão na Casa após a eleição de fevereiro. Ney Suassuna é suplente de Veneziano Vital do Rêgo, que estava no PSB e se filiará ao MDB na semana seguinte ao anúncio.
O cenário mais amplo da disputa pela presidência do Senado envolve movimentações mais complexas. Alcolumbre, que lança Pacheco como seu sucessor, também tenta fechar aliança com a oposição — particularmente com PT e PDT. Esses partidos, contudo, sinalizaram que só anunciarão sua posição na semana seguinte. A razão pela qual a oposição considera apoiar Pacheco está ligada a cálculos sobre o MDB, a maior bancada do Senado: integrantes do PT temem que a sigla volte a controlar ambas as Casas do Legislativo, situação que ocorreu no fim do governo Dilma Rousseff, quando houve o impeachment.
O apoio do PT ao deputado Baleia Rossi na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, conforme antecipado pela imprensa, pressiona o partido a fechar uma aliança com Pacheco para o Senado — uma forma de dividir o poder legislativo entre legendas diferentes. Enquanto isso, o MDB ainda não definiu seu próprio candidato à presidência do Senado, e seu líder na Casa, Eduardo Braga, reunia-se com senadores petistas na sexta-feira 8 de janeiro para tentar barrar uma possível aliança entre o DEM e a oposição. A eleição para a presidência do Senado, marcada para fevereiro, promete ser uma negociação intrincada entre blocos que buscam equilibrar forças e evitar concentração de poder.
Citations marquantes
O Republicanos acredita que o senador Rodrigo Pacheco tem o preparo necessário para conduzir os trabalhos da Casa, com coerência e determinação— Mecias de Jesus, líder do Republicanos no Senado