René Ariel Dotti, renomado advogado e professor da UFPR, morre aos 86 anos

Falecimento de figura proeminente da comunidade jurídica brasileira aos 86 anos.
Um baluarte do Direito e um incansável defensor da liberdade
Sócio de Dotti o descreve como figura central que moldou a legislação penal brasileira por seis décadas.
Mark

Quem era René Ariel Dotti, além de um nome que aparece em notas de falecimento?

Mimi

Um homem que praticamente inventou o direito penal moderno no Brasil. Formou-se em 1958 na UFPR e nunca saiu de lá — passou 63 anos ensinando, escrevendo, reformando leis. Ele foi corredator das duas maiores reformas penais que temos: a de 1984, que reorganizou todo o Código Penal.

Luke

Mas isso é importante como? Quer dizer, reformas penais acontecem. O que Dotti fez que foi tão diferente?

Mimi

Ele não apenas escreveu as leis — ele as ensinou, as explicou, as defendeu publicamente durante décadas. Seus livros viraram referência obrigatória. Quando um advogado criminalista no Rio Grande do Sul precisa entender execução penal, ele lê Dotti.

Mark

E fora da academia? Como ele se posicionava politicamente?

Mimi

Isso é mais complicado. Ele foi defensor fervoroso da Lava Jato, chegou a dizer que a operação havia interrompido um golpe de estado. Trabalhou com Sergio Moro, atuou como assistente de acusação em casos de repercussão nacional.

Luke

Então ele não era apenas um acadêmico neutro. Ele tinha posições políticas fortes e as exercia.

Mimi

Exatamente. E isso significa que sua morte não é apenas a perda de um intelectual — é também o fim de uma voz muito específica em debates que ainda estão acontecendo no Brasil.

Mark

Os colegas dele falaram sobre isso quando ele morreu?

Mimi

Não, curiosamente não. As homenagens focaram em sua generosidade, sua dignidade, seu amor pela Justiça. Ninguém mencionou a Lava Jato nas declarações públicas.

Luke

Isso é significativo. Significa que, no momento do luto, as pessoas escolheram destacar o professor e o homem, não o ativista político.

Mark

Então qual é a história real aqui?

Mimi

Talvez seja que Dotti foi ambos — e que essas duas coisas não podem ser separadas tão facilmente quanto as homenagens sugerem.

  • A morte de Dotti aos 86 anos por causas naturais provocou reação imediata e profunda em toda a comunidade jurídica brasileira.
  • Líderes da OAB-PR e colegas de escritório descreveram o dia como um dos mais tristes de uma geração, reconhecendo nele não apenas o jurista, mas o ser humano de generosidade sem tamanho.
  • Corredator das reformas penais de 1984 e professor titular da UFPR por décadas, Dotti deixa um legado legislativo e acadêmico que continuará orientando o estudo do Direito Penal no país.
  • Sua trajetória também o colocou no epicentro das controvérsias da Operação Lava Jato, onde atuou como defensor da Petrobras e assistente de acusação do MPF, tornando-o figura incontornável das disputas jurídico-políticas da última década.

Na manhã de 11 de fevereiro de 2021, o Brasil perdeu René Ariel Dotti, advogado e professor que, por quase seis décadas, ajudou a escrever as regras pelas quais a justiça criminal do país se orienta. Aos 86 anos, partiu por causas naturais quem havia moldado o Código Penal, formado gerações de juristas e se mantido, até o fim, no centro das maiores disputas jurídicas e políticas da nação. Sua ausência deixa um vazio que os livros e pareceres que assinou continuarão, por muito tempo, tentando preencher.

René Ariel Dotti morreu na manhã de quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021, aos 86 anos, por causas naturais. Com ele, a comunidade jurídica brasileira perdeu uma das vozes mais influentes do direito penal nacional — alguém que não apenas ensinou a lei, mas ajudou a escrevê-la.

Formado em Direito pela UFPR em 1958, Dotti permaneceu ligado à instituição por quase seis décadas, primeiro na pós-graduação em Direito Processual Penal e depois como titular em Direito Penal. Foi corredator dos anteprojetos que resultaram nas reformas penais de 1984 — a Lei 7.209, que reformou a Parte Geral do Código Penal, e a Lei 7.210, que estabeleceu a Lei de Execução Penal. Em 2007, a Câmara dos Deputados reconheceu esse trabalho com a medalha Mérito Legislativo.

A reação à sua morte foi imediata. Cassio Telles, presidente da OAB-PR, descreveu o dia como um dos mais tristes de sua geração e chamou a perda de irreparável para o Brasil. Alexandre Knopfholz, sócio de Dotti, o lembrou como baluarte do Direito e, acima de tudo, como ser humano de generosidade sem tamanho. O criminalista Bruno Salles Ribeiro destacou que suas obras permanecerão como referências indispensáveis para o estudo do Direito Penal em todo o país.

Sua trajetória também o colocou no centro das maiores controvérsias jurídicas recentes. Defensor entusiasta da Operação Lava Jato, Dotti atuou como assistente de acusação do Ministério Público Federal, defendeu a Petrobras e manteve proximidade com o ex-juiz Sergio Moro. Essas posições fizeram dele figura central não apenas nos debates acadêmicos, mas nas disputas políticas que marcaram a última década de sua vida.

Dotti deixa a esposa Rosarita, as filhas Rogéria e Cláudia, e os netos Gabriel, Pedro, Lucas e Henrique. Seu escritório destacou que, por quase seis décadas, ele contribuiu ao ensino jurídico por meio de livros e pareceres, deixando uma legião de admiradores no Direito e em todas as esferas da sociedade.

René Ariel Dotti morreu na manhã de quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021, aos 86 anos. A morte ocorreu por causas naturais. Com ela, a comunidade jurídica brasileira perdeu uma das figuras mais influentes do direito penal nacional — um homem que moldou a legislação criminal do país e ensinou gerações de advogados e juízes.

Dotti havia se formado em Direito pela Universidade Federal do Paraná em 1958 e permaneceu ligado à instituição por quase seis décadas. Começou como docente de Direito Processual Penal na pós-graduação e depois assumiu a titularidade em Direito Penal. Além da UFPR, coordenou o curso de especialização em Advocacia Criminal da Faculdade Cândido Mendes Paraná. Seu trabalho acadêmico se estendeu para além das salas de aula: foi corredator dos anteprojetos que resultaram na Lei 7.209/84, que reformou a Parte Geral do Código Penal, e na Lei 7.210/84, que estabeleceu a Lei de Execução Penal. Em 2007, recebeu a medalha Mérito Legislativo da Câmara dos Deputados pelo seu trabalho legislativo.

A reação à sua morte foi imediata e profunda. Cassio Telles, presidente da OAB-PR, descreveu o dia como um dos mais tristes de sua geração, afirmando que a figura de Dotti se confundia com a própria estatura da instituição que ele ajudou a elevar. Telles o caracterizou como democrata, defensor das liberdades e apaixonado pela Justiça, chamando sua morte de perda irreparável para o Brasil. Alexandre Knopfholz, sócio de Dotti no escritório Dotti e Advogados, o descreveu como baluarte do Direito e incansável defensor da liberdade, mas sobretudo como ser humano de generosidade e solidariedade sem tamanhos.

O criminalista Bruno Salles Ribeiro caracterizou a morte como perda imensa, destacando que a importância de Dotti para as ciências criminais era indiscutível e que suas obras permaneceriam como referências para estudos de Direito Penal em todo o Brasil. Eduardo Sanz, também criminalista, o descreveu como um dos maiores exemplos de dignidade, correição e lealdade que havia conhecido na advocacia, e lamentou a perda não apenas do Paraná e do Brasil, mas de todos que conviveram com ele.

Dotti deixa a esposa Rosarita, as filhas Rogéria e Cláudia, e os netos Gabriel, Pedro, Lucas e Henrique. Seu escritório emitiu nota destacando que, por quase seis décadas, ele contribuiu com o ensino jurídico através de diversos livros e pareceres, deixando uma legião de admiradores na área do Direito e em todas as esferas da sociedade.

Sua trajetória profissional também o colocou no centro de algumas das controvérsias jurídicas mais significativas do Brasil contemporâneo. Dotti foi grande defensor da Operação Lava Jato, chegando a afirmar que a operação havia interrompido um golpe de estado do PT. Atuou defendendo a Petrobras e, no julgamento do caso Lula, argumentou pelo fim dos políticos profissionais. Mantinha proximidade com o ex-juiz Sergio Moro e atuou como assistente de acusação do Ministério Público Federal. Também defendeu Carlos Zucolotto, amigo de Moro acusado de intermediar acordos de delação premiada com o MPF em troca de dinheiro. Essas posições o tornaram figura central não apenas nos debates acadêmicos sobre direito penal, mas também nas disputas políticas e jurídicas que marcaram a última década de sua vida.

O professor René foi um baluarte do Direito e um incansável defensor da liberdade. Mas foi, sobretudo, um ser humano de uma generosidade e uma solidariedade sem tamanhos
— Alexandre Knopfholz, sócio do escritório Dotti e Advogados
A importância do professor para as ciências criminais é indiscutível. Nos quatro cantos do Brasil suas obras serão sempre referências para os estudos de Direito Penal
— Bruno Salles Ribeiro, criminalista
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