A máquina não dorme, não tem viés, vê 168 infrações por dia
Em julho de 2026, o Rodoanel Mário Covas passou a ser vigiado por câmeras dotadas de inteligência artificial e visão infravermelha, capazes de flagrar motoristas ao celular e ocupantes sem cinto a qualquer hora do dia ou da noite. O sistema não surgiu do nada: um período de testes de 28 dias já havia revelado quase cinco mil infrações, a maioria delas relacionadas à ausência do cinto — um hábito silencioso que os laudos de acidentes graves insistem em apontar como fatal. A máquina agora faz a análise; ao ser humano cabe apenas confirmar o que ela já viu.
- Em menos de um mês de testes, as câmeras registraram 4.879 infrações — uma média de 168 por dia —, expondo a escala de um descuido que muitos motoristas tratavam como rotina aceitável.
- Quase 80% das violações envolviam a falta de cinto, tanto entre motoristas quanto entre passageiros, revelando que o problema vai além do indivíduo ao volante.
- Os sensores infravermelhos operam em chuva e escuridão, eliminando as janelas de impunidade que antes existiam fora do horário comercial ou em condições adversas.
- O fluxo de autuação é automatizado: o algoritmo recorta, classifica e envia a imagem; um agente valida e formaliza a multa, sem espaço para contestar o que a câmera capturou.
- A expectativa da concessionária SPMAR é que a inevitabilidade da punição transforme comportamentos em uma das vias de maior fluxo do estado — mas, se isso não ocorrer, o sistema simplesmente continuará registrando, sem pausa.
Em julho de 2026, os trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas entraram em uma nova era de fiscalização. Câmeras com inteligência artificial e sensores infravermelhos passaram a operar ininterruptamente, identificando motoristas ao celular e ocupantes sem cinto e encaminhando as imagens diretamente para autuação pela Polícia Militar Rodoviária.
O sistema já havia sido testado entre maio e junho pela concessionária SPMAR. Em 28 dias, foram registradas 4.879 infrações — cerca de 168 por dia. O padrão foi revelador: quase metade dos flagrantes envolveu motoristas sem cinto, outros 29,5% foram passageiros na mesma situação, e pouco mais de 20% corresponderam ao uso do celular ao volante. Juntas, as infrações relacionadas ao cinto somaram quase 80% do total.
O funcionamento dispensa a presença de agentes no local. Os sensores enxergam o interior dos veículos mesmo em condições de pouca luz ou chuva. Quando o algoritmo detecta a infração, a imagem é recortada, classificada e enviada a um banco de dados policial. Um agente valida e formaliza a multa — sem margem para contestar o que a câmera já analisou.
A base para essa vigilância está nos dados: a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego aponta que cerca de 90% dos acidentes no Brasil têm a distração como fator principal. Celular e falta de cinto não são infrações menores — aparecem repetidamente nos laudos de acidentes graves.
A SPMAR aposta que a punição automática e inevitável mude o comportamento de quem trafega diariamente pelo Rodoanel. Se a aposta se confirmar, a segurança na via aumenta. Se não, o sistema simplesmente seguirá registrando, 24 horas por dia, sem pausa.
Começou em julho a operação de um sistema de fiscalização que muda a forma como a Polícia Militar Rodoviária monitora os trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas. As câmeras equipadas com inteligência artificial e sensores infravermelhos agora trabalham 24 horas por dia, detectando motoristas ao celular e ocupantes sem cinto de segurança — e enviando as imagens diretamente para autuação.
O sistema não é novo. Entre 12 de maio e 9 de junho, a concessionária SPMAR o testou em condições reais de tráfego. Em apenas 28 dias, as câmeras registraram 4.879 infrações, uma média de 168 flagrantes diários. Os números revelam um padrão claro: 2.420 motoristas foram flagrados sem cinto (49,6% do total), 1.440 passageiros também sem cinto (29,5%), e 1.019 condutores usando celular (20,9%). Somadas, as violações relacionadas ao cinto representaram quase 80% de tudo que foi detectado.
O funcionamento é direto. Os sensores infravermelhos conseguem enxergar o interior dos veículos mesmo em condições de pouca luz ou chuva. Quando o algoritmo identifica a infração — a ausência do cinto ou o celular na mão do condutor — a imagem é recortada, classificada automaticamente e enviada a um banco de dados conectado à polícia. Um agente de trânsito então valida a imagem e formaliza o auto de infração. Não há margem para discussão sobre o que a câmera viu; a máquina já fez o trabalho de análise.
A justificativa para essa vigilância intensiva vem de dados médicos. A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego aponta que cerca de 90% dos acidentes de trânsito no Brasil têm distração entre suas causas principais — seja o manuseio de eletrônicos, seja o desrespeito à sinalização. O celular ao volante e a falta de cinto não são infrações menores; são fatores que aparecem repetidamente nos laudos de acidentes graves.
A SPMAR espera que as multas automáticas funcionem como mudança de comportamento. A ideia é que motoristas que trafegam diariamente pelo Rodoanel — uma das principais artérias de escoamento do estado — vejam as autuações como consequência imediata e inevitável, e mudem seus hábitos. Se o sistema funcionar como esperado, a segurança na via aumenta. Se não, o que se vê é um fluxo contínuo de infrações sendo registradas e processadas, 24 horas por dia, sem pausa.
Notable Quotes
Cerca de 90% dos acidentes de trânsito no Brasil possuem elementos de distração entre suas causas principais— Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet)
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a IA foi escolhida para isso? Não seria mais simples ter policiais nas ruas?
Policiais cansam, precisam de intervalo, cobrem um trecho por vez. A câmera não dorme. Em 28 dias de teste, ela viu quase 5 mil infrações — um policial levaria meses para isso. E a máquina não tem viés; ela detecta o cinto ausente ou o celular na mão, ponto.
Mas como a câmera sabe que é realmente um celular? E se alguém estiver ajustando o espelho?
O sensor infravermelho vê o interior do carro com clareza. O algoritmo foi treinado para reconhecer a forma, o tamanho, a posição típica de um celular na mão. Não é perfeito — por isso um agente humano valida cada imagem antes da multa. A máquina faz a triagem; o policial faz o julgamento final.
E quanto ao cinto? Isso parece mais fácil de detectar.
É. O cinto tem uma forma clara, uma cor. O sensor vê se está passando pelo ombro ou não. Dos quase 5 mil flagrantes, 80% foram por cinto — porque é mais fácil de ver, mais consistente. O celular é mais raro, mais difícil de capturar.
Qual é a expectativa real? As pessoas vão mudar de verdade?
A SPMAR acredita que sim. Se você sabe que toda vez que pega o celular ao volante uma câmera está vendo, o comportamento muda. Não é punição; é inevitabilidade. Você não pode discutir com a máquina, não pode alegar que não viu a sinalização. A imagem existe.
E se isso não funcionar? Se as infrações continuarem no mesmo nível?
Então o Rodoanel terá um sistema muito eficiente de registrar infrações. Mas a segurança não melhora só com registro; melhora com mudança de comportamento. Esse é o teste real.