Mais de três anos após o início de uma guerra que reconfigurou a ordem europeia, Washington volta a tentar o que a história raramente concede com facilidade: transformar o silêncio das armas em palavras de paz. Steve Witkoff e Jared Kushner sentaram-se diante de Vladimir Putin em Moscovo, numa sala onde a dificuldade foi reconhecida antes mesmo de qualquer proposta ser avançada. Uma pausa de 72 horas nos combates — frágil como toda a trégua — acompanhou a visita, enquanto o mundo observa se a diplomacia consegue o que quatro anos de batalha não resolveram.
Putin admite dificuldades em encontro com enviados de Trump sobre paz na Ucrânia
A situação com que vamos lidar hoje não é fácil
Porque é que Putin admite dificuldades neste momento específico? Não parece uma posição de força.
Porque a realidade no terreno é que ninguém está a ganhar. Quatro anos de guerra, e ambos os lados estão esgotados. Putin sabe que Trump está determinado a negociar, e recusar-se a falar seria isolá-lo ainda mais.
Mas temos de ser claros: "dificuldades" pode significar muitas coisas. Pode ser dificuldades em negociar, ou dificuldades em aceitar as condições que os americanos vão propor. A declaração é vaga.
E quanto à pausa de 72 horas nos ataques? É um sinal de que ambos os lados estão dispostos a negociar?
É um sinal de que estão dispostos a criar espaço para negociações. Mas uma pausa de três dias é simbólica — mostra boa vontade, mas não resolve nada de fundo.
Exatamente. E temos de notar que isto foi anunciado pelos dois países simultaneamente. Não sabemos se foi uma concessão genuína ou uma encenação coordenada para parecer que há progresso.
Trump reuniu-se com Putin no Alasca há um ano e falhou. Porque é que desta vez seria diferente?
Porque agora Trump tem enviados especializados, e porque a guerra está num ponto de saturação. Mas também porque Trump está a oferecer algo novo — a reintegração da Rússia no palco internacional, como vimos com o convite ao G20.
Mas isso é especulação. O que sabemos é que a reunião anterior não produziu acordo. Não temos informação sobre o que Trump está a oferecer desta vez, ou quais são as condições de Zelensky.
Qual é o verdadeiro objetivo aqui?
Trump quer cumprir a sua promessa de campanha de acabar com a guerra. Mas também quer reposicionar a Rússia como parceira, não como adversária. É diplomacia de grande escala.
E Zelensky? Ele está a ser consultado, ou está a ser apresentado com um acordo já feito? Essa é a pergunta que ninguém está a responder.
Il Polso
- Putin admitiu abertamente que a situação 'não é fácil' ao receber os enviados americanos, revelando a profundidade das divisões que qualquer acordo terá de superar.
- Pela primeira vez desde o início das negociações, Rússia e Ucrânia suspenderam simultaneamente os ataques durante 72 horas — um sinal de abertura, mas também de fragilidade.
- Witkoff e Kushner chegam a Moscovo com um desequilíbrio visível: já tiveram múltiplos encontros com autoridades russas, mas esta será a primeira vez que se sentam com Zelensky em Kiev.
- A reunião anterior no Alasca, em agosto de 2025, terminou sem acordo, lançando uma sombra de ceticismo sobre esta nova ronda diplomática.
- Trump trabalha em paralelo para reintegrar a Rússia no palco internacional, convidando Moscovo para as reuniões do G20 — um movimento que mistura incentivo diplomático com pressão estratégica.
Mais de três anos após o início de uma guerra que reconfigurou a ordem europeia, Washington volta a tentar o que a história raramente concede com facilidade: transformar o silêncio das armas em palavras de paz. Steve Witkoff e Jared Kushner sentaram-se diante de Vladimir Putin em Moscovo, numa sala onde a dificuldade foi reconhecida antes mesmo de qualquer proposta ser avançada. Uma pausa de 72 horas nos combates — frágil como toda a trégua — acompanhou a visita, enquanto o mundo observa se a diplomacia consegue o que quatro anos de batalha não resolveram.
No sábado, 5 de setembro, Vladimir Putin recebeu em Moscovo os enviados presidenciais americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, numa nova tentativa de Washington de desbloquear as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. Logo ao abrir o encontro, o líder russo reconheceu a dimensão do desafio: "A situação com que vamos lidar hoje não é, claro, fácil", disse Putin, que começou por transmitir os cumprimentos de Donald Trump.
A visita foi preparada com cuidado simbólico: Rússia e Ucrânia acordaram uma pausa de 72 horas nos ataques militares, entre sábado e segunda-feira, precisamente durante a presença dos negociadores americanos na região. Após Moscovo, Witkoff e Kushner deveriam seguir para Kiev, onde se reuniriam com Zelensky — o primeiro encontro dos dois enviados com o líder ucraniano, apesar de já terem tido múltiplas reuniões com autoridades russas.
Esta iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla de Trump, que um ano antes havia recebido Putin no Alasca numa tentativa semelhante — encerrada sem qualquer acordo. Apesar do insucesso anterior, a Casa Branca persiste, agora também convidando a Rússia a participar nas reuniões dos ministros das Finanças do G20, sinalizando uma disposição para normalizar relações condicionada ao progresso nas negociações.
O conflito que estas conversações tentam resolver começou a 24 de fevereiro de 2022 e é considerado a crise de segurança mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Com dezenas de milhares de mortos e milhões de deslocados, a guerra não produziu uma vitória decisiva para nenhum dos lados — realidade que, nas palavras do próprio Putin, torna a tarefa dos negociadores tudo menos simples.
Vladimir Putin recebeu no sábado, 5 de setembro, os enviados presidenciais americanos Steve Witkoff e Jared Kushner em Moscovo, numa nova tentativa de Washington de descongelar as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. Ao abrir o encontro, o líder russo não escondeu a dificuldade da tarefa à sua frente. "A situação com que vamos lidar hoje não é, claro, fácil", disse Putin, que começou a sessão transmitindo "em primeiro lugar, os melhores votos" ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A visita dos dois negociadores americanos marca uma escalada nos esforços diplomáticos de Trump para encerrar a guerra que devasta a Ucrânia desde fevereiro de 2022. Na sexta-feira anterior, Trump havia confirmado publicamente que Witkoff e Kushner viajariam para Moscovo e depois para Kiev durante o fim de semana, com o objetivo explícito de reacender as conversações entre os dois países beligerantes. Para facilitar estas negociações, Rússia e Ucrânia concordaram numa pausa de 72 horas nos ataques militares, começando no sábado e terminando na segunda-feira, precisamente durante a permanência dos enviados americanos na região.
Após a conclusão do encontro em Moscovo, Witkoff e Kushner deveriam deslocar-se a Kiev para se reunirem com o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Esta será a primeira vez que os dois negociadores americanos encontram o líder ucraniano, embora já tenham tido múltiplas reuniões com autoridades russas. A sequência dos encontros — primeiro Moscovo, depois Kiev — reflete a estratégia de Trump de manter ambos os lados engajados no processo negocial.
Esta iniciativa diplomática ocorre um ano após Trump ter recebido Putin no Alasca em agosto de 2025, numa tentativa anterior de negociar o fim da guerra. Aquela reunião, porém, terminou sem qualquer acordo entre as partes, demonstrando a complexidade das posições em confronto. Apesar desse insucesso anterior, Trump persiste na sua promessa de campanha de encerrar o conflito, agora através de uma abordagem que envolve enviados especializados em negociações de alto nível.
Paralelamente aos esforços de paz, Trump está a trabalhar para reintegrar a Rússia no sistema internacional. Na semana anterior, o Presidente americano havia convidado Moscovo a participar nas reuniões dos ministros das Finanças do G20, realizadas na Carolina do Norte. Este movimento sinaliza uma disposição de Washington em normalizar as relações com a Rússia, condicionada ao progresso nas negociações sobre a Ucrânia.
O conflito que estas negociações tentam resolver começou a 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou a sua ofensiva militar contra o território ucraniano. Nos quase quatro anos e meio desde então, a guerra mergulhou a Europa numa crise de segurança considerada a mais grave desde o final da Segunda Guerra Mundial em 1945. O custo humano e material tem sido devastador, com dezenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e infraestruturas destruídas em larga escala. A admissão de Putin sobre a dificuldade da situação reflete a realidade de que, apesar de anos de combate, nenhum dos lados conseguiu alcançar uma vitória decisiva que justifique o prosseguimento da guerra.
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A situação com que vamos lidar hoje não é, claro, fácil— Vladimir Putin