PT pede investigação se financiamento de 'Dark Horse' virou caixa 2 de Flávio

Dezenas de milhões para exaltar um grupo político no auge da campanha
O PT argumenta que o filme funciona como instrumento de promoção política, não como obra cinematográfica independente.
Mark

Por que o PT acredita que um filme sobre Bolsonaro se torna caixa dois eleitoral?

Mimi

Porque o filme não é apenas entretenimento — tem um ator interpretando Flávio, vai estrear em setembro, semanas antes da eleição, e foi financiado por alguém que Flávio pediu dinheiro. Parece uma máquina de propaganda.

Luke

Mas isso é alegação. O que temos de concreto é que Flávio pediu dinheiro, Vorcaro pagou, e parte foi para um fundo no Texas. O resto é interpretação.

Mark

E quanto ao dinheiro que saiu do banco Master? Onde foi parar?

Mimi

Oficialmente, Flávio diz que foi tudo para a produção. Mas a PF está investigando se parte foi usada para manter Eduardo nos EUA. É por isso que o PT quer verificar tudo — registros da Ancine, vistos de trabalho, impostos.

Luke

Certo, mas até agora ninguém provou desvio. Temos uma investigação aberta, não uma condenação.

Mark

Quem mais está envolvido nessa teia?

Mimi

Karina Ferreira Gama, que é dona da Go Up Entertainment e do Instituto Conhecer Brasil. O PT quer saber se emendas parlamentares foram para esse instituto. Paulo Calixto, advogado de Eduardo no Texas, também aparece — o dinheiro foi para um fundo ligado a ele.

Luke

Novamente, são conexões. Precisamos de prova de que as emendas foram desviadas, não apenas que existem.

Mark

O filme realmente muda o jogo eleitoral?

Mimi

Se sair em setembro com dezenas de milhões investidos, sim. É propaganda massiva financiada por alguém próximo a Flávio, lançada no pico da campanha. Isso é o que o PT está dizendo.

Luke

Mas filmes saem o tempo todo. O que torna este ilegal é se o dinheiro veio de fonte proibida ou se foi usado para fins que não a produção. Isso ainda está sendo apurado.

  • US$ 10,6 milhões transferidos entre fevereiro e maio de 2025 por Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, chegaram a um fundo americano ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro no Texas — e a origem política desse caminho é o que está sob suspeita.
  • O filme 'Dark Horse', com lançamento previsto para 11 de setembro de 2025, cairia no calendário a menos de um mês das eleições presidenciais de 2026, transformando uma estreia cinematográfica em potencial peça de campanha.
  • A Polícia Federal já investiga em paralelo se parte dos recursos bancou a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, contradizendo a versão de Flávio de que tudo foi para a produção.
  • O PT quer que autoridades vasculhem emendas parlamentares, vistos de trabalho de Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh, registros na Ancine e até a aplicação americana do Foreign Agents Registration Act sobre a rede bolsonarista no Texas.
  • A denúncia enquadra o caso no artigo 350 do Código Eleitoral — caixa dois — e sustenta que a obra tem 'inequívoca aptidão para desequilibrar a disputa democrática', elevando o conflito do campo cultural para o jurídico-eleitoral.

No limiar de uma disputa eleitoral que se anuncia intensa, o Partido dos Trabalhadores apresentou denúncias formais à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal questionando se milhões de dólares canalizados para um filme sobre Jair Bolsonaro constituem, na verdade, financiamento encoberto de uma pré-campanha presidencial. O caso reúne elementos que atravessam fronteiras — um banco, um fundo americano, um ator de Hollywood e um senador que pode ser candidato — e coloca em debate até onde vai a arte e onde começa a propaganda política financiada às sombras. A democracia, como sempre, é testada menos nos grandes discursos do que nos fluxos invisíveis do dinheiro.

Na quarta-feira 10 de junho, o PT formalizou denúncias à Polícia Federal e ao STF sobre o financiamento de 'Dark Horse', filme que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. Para os advogados petistas, os milhões investidos na produção podem configurar caixa dois eleitoral e abuso de poder econômico em favor da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

O epicentro da suspeita é um pedido feito por Flávio a Daniel Vorcaro, então dono do banco Master: US$ 24 milhões para bancar o filme. Entre fevereiro e maio de 2025, Vorcaro transferiu US$ 10,6 milhões, parte dos quais chegou ao fundo americano Havengate Development Fund LP, vinculado a Paulo Calixto — advogado de Eduardo Bolsonaro no Texas. Flávio afirma que tudo foi para a produção, mas a PF já apura se o dinheiro também custeou a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.

O PT argumenta que o filme não é apenas cinema: com Flávio interpretado pelo ator Marcus Ornellas e lançamento marcado para 11 de setembro — menos de um mês antes das eleições de 2026 —, a obra funcionaria como instrumento de promoção política no auge da campanha. Destinar dezenas de milhões a uma produção concebida para exaltar um grupo político nesse momento, diz a denúncia, tem 'inequívoca aptidão para interferir na formação da vontade do eleitorado'.

Além do fluxo financeiro, o partido quer investigações sobre registros na Ancine, documentação no U.S. Copyright Office, vistos de trabalho do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh, e a possível incidência de emendas parlamentares via Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora Go Up Entertainment. O PT também pediu cooperação jurídica internacional para verificar se a rede de Eduardo Bolsonaro no Texas se enquadra no Foreign Agents Registration Act americano. As apurações seguem em andamento nas duas instâncias acionadas.

Na quarta-feira 10 de junho, o Partido dos Trabalhadores apresentou denúncias formais à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal questionando a origem e o destino de milhões de dólares investidos na produção de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os advogados petistas argumentam que o financiamento de "Dark Horse" pode ter se convertido em caixa dois para a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro, além de constituir abuso de poder econômico.

O ponto de partida da investigação solicitada é um pedido feito por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, então proprietário do banco Master. Flávio teria solicitado US$ 24 milhões — o equivalente a R$ 134 milhões à época — para financiar a produção cinematográfica. Entre fevereiro e maio de 2025, Vorcaro transferiu US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões. Parte desses recursos foi canalizada pela Entre Investimentos e Participações, empresa que operava em parceria com negócios de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, vinculado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro no Texas.

Flávio Bolsonaro declarou que a totalidade dos recursos foi destinada à produção do filme. Contudo, a Polícia Federal já abriu uma apuração paralela para verificar se o dinheiro foi efetivamente usado para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O PT, em sua denúncia, sustenta que o filme não se trata meramente de uma obra cinematográfica, mas funciona como instrumento de promoção política de Bolsonaro e do próprio Flávio, que é interpretado pelo ator Marcus Ornellas. O lançamento estava previsto para 11 de setembro, menos de um mês antes das eleições presidenciais de 2026.

Os advogados do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva argumentam que Flávio é o beneficiário final dos recursos, tendo negociado ativamente o investimento destinado a um fundo que "serve à articulação política internacional em benefício da candidatura de Flávio". A ação afirma que destinar dezenas de milhões de reais para uma obra concebida para exaltar a figura central de um grupo político, com lançamento programado para o auge da campanha eleitoral, possui "inequívoca aptidão para interferir na formação da vontade do eleitorado e desequilibrar a disputa democrática".

Além das questões de financiamento, o PT solicitou investigações minuciosas sobre a própria produção do filme. O partido quer que autoridades verifiquem os registros regulatórios audiovisuais junto à Agência Nacional do Cinema, além de documentação do U.S. Copyright Office e da Biblioteca Nacional. A denúncia também pede que a Polícia Federal averigue a situação migratória e trabalhista dos profissionais estrangeiros envolvidos na produção, incluindo o ator Jim Caviezel, que interpretou Bolsonaro, e o diretor Cyrus Nowrasteh, verificando se possuem vistos de trabalho artístico, contratos regularizados e recolhimento de impostos do setor audiovisual.

Outro aspecto investigado será a possível incidência de emendas parlamentares no financiamento. O PT aponta para o Instituto Conhecer Brasil, de Karina Ferreira Gama, também proprietária da Go Up Entertainment, produtora de "Dark Horse", como possível receptor de emendas parlamentares. A denúncia menciona ainda a possível ocorrência do delito previsto no artigo 350 do Código Eleitoral, que trata de caixa dois.

Por fim, o PT solicitou cooperação jurídica internacional para verificar junto ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos a eventual incidência do "Foreign Agents Registration Act" sobre as atividades políticas e informativas desenvolvidas pela rede de Eduardo Bolsonaro no Texas em favor do grupo político da família. A investigação agora segue em andamento nas duas instâncias acionadas, com a Polícia Federal já movimentando apurações paralelas sobre a destinação final dos recursos.

A destinação de dezenas de milhões de reais para uma obra concebida para exaltar a figura central de um grupo político, com lançamento programado para o ápice da campanha eleitoral de 2026, apresenta inequívoca aptidão para interferir na formação da vontade do eleitorado
— Advogados do PT na ação protocolada no STF
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